Questionário Biográfico

1 - Qual é seu nome completo? Por que seus pais lhe deram esse nome?

R: Meyre Lessa da Silva Davini, e meu nome foi escolhido por meu pai. Segundo consta, era de uma namoradinha de infância.

2 - Quando e onde você nasceu? Descreva sua casa, sua vizinhança e a cidade onde cresceu.

R: Eu nasci na cidade de São Paulo, no Hospital Cruz Azul, que na época atendia aos militares. Mas fui criada em São Caetano do Sul. Morava de aluguel numa pequena casa de quarto e cozinha, e dormia no mesmo quarto que meus pais até atingir sete anos, idade em que nos mudamos dali para uma casa que tinha sala, e esta passou a abrigar-nos para dormir, a minha irmã e a mim, até os meus 14 anos, quando enfim ganhamos um quarto, numa casa também de aluguel.

O mais marcante dessa minha primeira infância era um jardim de margaridas, bem em frente à casa, o que talvez justifique minha predileção por esta singela flor. E o fato do proprietário viver com sua família na casa conjugada, e ter dois meninos com idade similar às nossas.

3 - Conte sobre seu pai (o nome dele, data e local de nascimento, os pais dele, etc.). Compartilhe algumas recordações que tem de seu pai.

R: Seu Orestes Gonçalves da Silva era baiano, nascido na cidade de Jacobina em 09 de novembro de 1937, filho mais novo de uma série de 18 irmãos sendo que somente sete atingiram a vida adulta. Filho de Francisco e Isabel, ele veio para São Paulo tentar a vida com 17 anos, vivendo com sua irmã casada, que também foi minha madrinha, Almira. E que fez o papel de vó para mim, já que minha vó Isabel faleceu antes de meu nascimento.

Militar, de personalidade forte, de caráter ilibado, era um homem um tanto rude, com dificuldade para expressar os sentimentos, mas um apaixonado. Creio que sou muito parecida com ele neste quesito, talvez em função do signo de ambos: escorpião. Mas somos passionais. Não fomos criadas com muitas demonstrações de afeto. Recordo-me de quando, por motivo de longas viagens a serviço, ele voltava para casa e nós, adolescentes, o cumprimentávamos com um simples: Oi. E chateado, pediu à nossa mãe que nos avisasse para cumprimentar com beijos na face. No começo foi difícil. A resistência por falta de hábito era grande. Mas agradeço ter corrigido isso a tempo. E com minhas filhas tudo isso foi enterrado. Ele se superou. E era um avô atencioso. Não meloso. Mas os abraços e beijos ficaram mais fáceis.

4 - Fale sobre sua mãe (o nome dela, data e local de nascimento, os pais dela, etc.). Compartilhe algumas recordações que tem de sua mãe.

R: A Dona Cleuza Lessa da Silva, branquinha, com aparência de italiana, nasceu na cidade de Herculândia, no interior de São Paulo em 18 de fevereiro de 1944. Veio com seus pais e irmão Clóvis morar em São Caetano do Sul no início da adolescência, e com 15 anos começou a namorar meu pai, tendo se casado aos 18 anos. Ela é e sempre foi uma mulher lindíssima, inteligente e forte. Uma presença notável. Filha de José Oliveira e Lydia Fiori, avós queridos que eu tive o prazer de conhecer, mas nunca como casal, já que se separaram logo no início do namoro de meus pais.

Minha mãe foi minha primeira professora, me ensinou a escrever e fazer contas, e graças a ela, entrei na escola, no primeiro ano do antigo primário, já alfabetizada. É uma mulher de vanguarda. Uma autodidata. Até hoje uma inspiração.

Meus pais foram exemplo de valores, a quem recorri por várias vezes ao longo da vida em busca de orientação de como administrar certos conflitos. Hoje percebo que, quando solicitada por minhas filhas, consigo apaziguar, repetindo seus ensinamentos.

Lembro-me dela, por diversas vezes, toureando meu pai, com meias verdades, só para nos assistir em alguma demanda. Algumas vezes os resultados foram desastrosos, mas na menor parte das vezes.

5 - Que tipo de trabalho seus pais faziam (fazendeiro, vendedor, gerente, costureira, enfermeira, dona de casa, profissional, trabalhador, etc.)?

R: Meu pai era da Polícia Militar do Estado de São Paulo, tendo se aposentado com a patente de subtenente. Mas devido às necessidades da família e seu horário de escala, sempre tinha algum outro serviço, tendo sido instrutor de autoescola, e era ótimo motorista, tendo ensinado minha mãe, minha irmã e a mim, depois de termos tirado a carteira de habilitação, já que era um cumpridor da legislação. Foi vendedor de vários produtos, motorista de caminhão, chegando até comprar um em sociedade, mas isso foi, na verdade, uma canoa furada. Sua profissão, o local de nascimento, o fato de meu avô, seu pai ter nascido em 1888, ano da abolição da escravatura, sua criação austera, me fizeram entender, ao longo do tempo, os motivos de seus comportamentos. Nós éramos as verdadeiras filhinhas de papai, com controle absoluto. Ele tinha muito medo de que a selva de pedra pudesse nos devorar. E foi muito protetor. Lembro-me de uma ocasião em que meu primo Nilson veio nos buscar para ir ao cinema e ele disse: Não.

Meu primo não se conformou:

- Tio, sou eu, seu sobrinho.

Ele acabou cedendo, só que não pudemos entrar no cinema porque o filme era classificado para uma faixa de idade superior à nossa.

Minha mãe era costureira. E graças a essa profissão acompanhou de perto nosso crescimento, já que trabalhava em casa. Talentosa, confeccionava qualquer tipo de roupa, principalmente feminina. E eram os recursos advindos desta atividade que garantiam para nós sapatos, roupas, passeios e, no futuro, a construção da casa própria, já que o soldo de meu pai só era suficiente para pagar as contas obrigatórias: aluguel, supermercado, água, luz, telefone, transporte... Ou seja, eles foram muito parceiros e esta parceria fez com que atingissem um novo patamar social: de classe média com casa, carro e lazer.

6 - Algum dos membros de sua família faleceu? Em caso positivo, do que faleceram? Um

R: Infelizmente, minha irmã foi vítima de atropelamento em 13 de fevereiro de 1999. Na Estrada Parque de Itatiaia. Onde um rapaz, alcoolizado e drogado, em velocidade incompatível com as curvas da estrada, perdeu o controle do carro em uma destas, atropelando minha irmã e sua amiga. A primeira, sendo arremessada por entre as árvores, teve morte instantânea ao bater a cabeça numa pedra, quebrando o pescoço, mas sendo encontrada muitas horas após o acidente, que ocorreu por volta do meio dia. A segunda, que não estava com sua hora marcada para aquele momento, foi arremessa por cima do carro, de cara no asfalto, e teve o rosto todo rasgado, além de vários ossos quebrados. Recuperou-se para cuidar de seu pequeno filho, que a necessitava. Minha irmã não deixou filhos e era solteira.

Meu pai faleceu em 19 de março de 2014, já com 76 anos, e tinha manifestado, no final do ano anterior, o desejo de não viver até os 80 anos. Ele era diabético e não gostava de médicos e de agulhas. Adorava receitas milagrosas para curar os males da carne, e vivia adquirindo coisas em excesso, que deixava estocadas na casa, para ir fazendo suas poções. Nos primeiros dez dias de março, tendo ele ido ao banheiro que fica na lavanderia da casa, pisou no xixi da gata, sujando o pé e o chinelo. E resolveu lavar o pé no tanque, como é altamente recomendado, principalmente para pessoas idosas. E caiu. Esse tombo gerou um galo e dificuldades motoras nos dias seguintes. Mas ele não quis ir ao médico, logicamente. E, de repente, depois de termos visitado-o no final de semana que antecedeu sua morte, o resto do corpo começo a dar sinais de falência, provocada por anos de diabete sem o cuidado necessário, os rins já estavam muito comprometidos, e ele mal chegou ao hospital, tendo que ser amarrado para ser medicado. E faleceu. Fico feliz em saber que lhe permitimos escolher até seus últimos instantes. E fui criada para isso. Respeitar a individualidade de cada um.

7 - O que você se recorda sobre a morte deles e quais foram as circunstâncias de sua morte?

R: Relatadas acima.

8 - Que tipo de provações e tragédias sua família teve enquanto você crescia?

R: Fomos pobres, mas não miseráveis. Tive a sorte e o privilégio de nascer numa família unida, de bom caráter, que se apoiava e cuidava. Sempre estive cercada por tios e primos amorosos, e toda tragédia foi momentânea e superada. Cada perda foi trágica, desde uma prima que faleceu, aos 16 anos, e que estava com uma simples gripe, foi dormir e não acordou. Era dois anos mais velha do que eu.

Passando pela morte de meu avô, que foi empurrar meu carro que ficava na garagem da casa dele, para levar a neta mais nova ao médico, pois tinha bronquite atacada, e teve um derrame, morrendo depois de 15 dias no hospital.

Em fevereiro de 1984 eu abortei. Chamo a este filho de André. Filho de um Não desrespeitado e de minha imaturidade. Chegava a má hora, num mundo onde as mães solteiras ainda não eram bem vistas (ainda não o são), e onde nem todos os adultos sabiam como enfrentar a sociedade e suas línguas ferinas. Esse foi um peso que carreguei por grande parte da vida, até entender minhas limitações do momento.

Ser abandonada aos sete meses de gravidez, fora de casa, mesmo sabendo que a possibilidade de isso acontecer era grande, devido às minhas escolhas e decisões em relação ao pai de minha filha. Mas a gravidez deixa a gente em polvorosa quanto aos hormônios, e me pareceu uma grande tragédia naquele momento. Até porque, as atitudes dele me fizeram acreditar num desfecho diferente.

Mas, com certeza, a perda de minha irmã com 34 anos de idade, foi o golpe mais duro que sofri até hoje. Ainda me lembro do telefonema que sua grande amiga e comadre fez para minha casa, e pedindo para falar com meu marido... E eu já sabia o que seria dito. Ainda ouço a voz dela falando e o mundo desabando sobre mim. Talvez porque me sentisse culpada por não sermos tão próximas e amigas como eu gostaria. Talvez porque não teríamos o tempo necessário para lapidar os temperamentos da juventude e conquistar a sabedoria da maturidade que nos molda e afina. Mas acho que já me perdoei. Aprendi que a gente só dá o que tem. Mas continuo buscando ser mais e melhor para me dar cada vez mais.

A vida já tinha me preparado para a perda do meu esposo. E o médico nos alertou. Também diabético, teve um infarto três anos antes. E foi quando decidi me aposentar. Ou melhor, parar de trabalhar, já que um ano antes eu já tinha obtido a aposentadoria junto ao INSS. Não foi uma decisão fácil, já que comprometeria nosso orçamento. Meus ganhos, que eram os principais, ficariam reduzidos a 2/3 e as dívidas continuariam sendo as mesmas. Minha ideia inicial era parar de trabalhar quando ele se aposentasse, cinco anos mais tarde. E isso já reduziria para somente 1/6 o prejuízo. Mas percebi que esse momento poderia não chegar da forma como planejamos. E ele precisava de mim por perto naquele momento. Enquanto profissional eu tinha um horário dedicado ao serviço muito extenso. De 10 a 12 horas por dia, de segunda a sexta. Não tinha tempo nem para mim, imagine para a família (este um de meus arrependimentos). Mas aposentada pude curtir melhor meu marido pelos últimos três anos de sua curta vida, acompanha-lo aos médicos, preparar seus alimentos, viajar...

E um câncer renal resultou de sua perda. Foi outro choque violento, mas que considerei como benção, já que, com a isenção de IR na fonte por motivo de doença, teria um folego antes de ir a falência. Que, graças a Deus, também não aconteceu.

9 - Há algum traço genético incomum em sua linhagem familiar?

R: considerando que nem consigo entender a pergunta, imagino que não.

10 - Qual o nome de seus irmãos e suas irmãs? Descreva algo que lhe pareça mais importante sobre cada um de seus irmãos.

R: Só tive uma irmã chamada Eliane, era mais jovem que eu somente um ano e 45 dias. Ela tinha o mesmo sorriso que eu e meu avô José Oliveira, um sorriso franco e escancarado. Era muito alegre, criativa, desenhava muito bem, simpática e envolvente, tinha muitos amigos, e vejo muitas das características dela em cada uma de minhas filhas.

11 - De quais tradições familiares você se lembra?

R: das reuniões de família, principalmente no Natal na casa de minha madrinha. E de fazer o que chamávamos de Via Sacra, visitando parentes e amigos que não se reuniriam conosco no Natal, para levar votos de boas festas.

Uma tradição na minha família é a de não jantar, e sim tomar incrementados cafés nordestinos, com tapiocas, cuscuz, abóbora, bata-doce, aipim, bolos, curau, canjica, e outra guloseimas. Quando a reunião é pequena, ou mesmo no dia a dia, a quantidade de itens se reduz, mas o café da noite é uma tradição.

12 - Sua família tinha maneiras especiais de comemorar feriados?

R: Penso que a atribuição para que cada um levasse um diferente prato para as festas, principalmente de Natal e Ano-Novo, criou uma tradição e até hoje recordo de algumas comidas associando-as às pessoas queridas.

E era comum que as crianças ficassem apartadas dos adultos. E eles gostavam de jogar cartas ou dominó enquanto nós, crianças, brincávamos na pequena rua sem saída. Esconde-esconde, pega-pega, mãe da rua, roda e outras coisas que inventávamos. Uma das brincadeiras que minha mãe inventou para que não tivéssemos medo de escuro era, esconde-esconde no escuro. E adorávamos quando faltava energia elétrica, só para poder brincar disso.

Tudo era motivo para brincadeira, pular corda, contar piadas, os adultos eram jovens, a vida era mais leve, e eles tinham tempo para brincar conosco e nos observar.

13 - Compartilhe algumas recordações de seus avós.

R: Meu avô Francisco já era velho quando o conheci. Pode parecer engraçado isso, mas minha avó materna foi avó com apenas 36 anos, quando eu nasci.

Meu avô já estava no segundo casamento, com minha vódrasta, Odoxa. Tinha mais de 70 anos, porém era um homem vigoroso. Magro, alto, caucasiano, devia ter origem holandesa ou quiçá, francesa. Teve um único filho desta união e resultou que meu tio é um pouco mais novo que eu. E nosso companheiro de brincadeiras quando os visitávamos naquela casa antiga, de paredes brancas e enormes, cobertas de lagartixas quando anoitecia. Eu estive lá somente umas quatro vezes ao longo de sua vida, e permanecíamos por grande parte do verão. E eram lá que aconteciam os cafés da manhã e da noite mais completos que tenho em minha memória, uma doce lembrança. A comida sempre foi uma forma de demonstrar carinho daqueles que não aprenderam de outra forma. Gratidão Odoxa e Francisco.

Não conheci minha avó Isabel, então vou contar o que ouvi de outros. Dizem que era bastante severa e, sendo meu pai o seu filho mais novo, travesso, já que este traço ele conservou por grande parte de sua vida, ela treinou um papagaio que o denunciava quando ele ia fugindo de casa para brincar na rua. Algo como:

Isabel, olha o Orestes...

Minha filha mais nova nasceu no mesmo dia que ela, 04 de julho. E o que me parece uma coincidência ainda maior é que a mais velha nasceu em data próxima ao meu avô, ela dia 03 de fevereiro e ele no dia cinco.

Já meu avô José Oliveira, foi com quem tive mais contato. Ele também se casou uma segunda vez, e teve um casal de filhos, Valéria e Adilson. Minha tia sempre foi como uma irmã para mim. É minha comadre e sempre fomos muito unidas. Eles moravam perto de casa, e vizinhos a meu tio Clóvis e tia Isaura, personagens também muito importantes em minha vida.

Meu avô era pipoqueiro, perdeu parte do polegar numa máquina. E foi assim que o vi a vida inteira. E eu adorava comer amendoim praliné que ele vendia. Ele também era um homem de boa cultura, mesmo não acreditando que o homem foi à lua. Será que ele não estava certo? A lembrança mais gostosa que tenho de meu avô é a dele fazendo chá de erva cidreira com um maço enorme da erva, no fogão a lenha do sítio de meus pais e tios, em Tapiraí, interior de São Paulo. Um sítio numa APA, que não permitia o desmatamento, onde só se levantou um ranchão de madeira, e mais adiante transformaram o galinheiro em casa, mas que era a alegria deles, por muito tempo. Eu me entediava facilmente e meu limite de permanência naquele lugar era de três dias. E foi lá que minha mãe e tio receberam a noticia do falecimento de meu avô. E depois de minha irmã. Foi um local importante em nossa história.

Já minha avó Lydia, como disse, era muito jovem, e nossos encontros eram mais raros, já que meu pai tinha mágoa dela por ter abandonado meu avô e minha mãe. Eles não se falavam. Mas isso foi um dos vieses onde minha mãe ocultava informações de meu pai. E às vezes a gente ia à casa dela. Ela também teve um casal de filhos do segundo relacionamento, a Susan e o Celino, mas não conheci o pai deles. Ambos são um pouco mais velhos que eu, e não brincamos muito juntos. A Susan também se tornou uma grande amiga, com a maturidade, nós a chamamos de Susi. E atualmente moram em Suzano.

Eu me recordo de um dia que encontrei na rua minha avó e a mãe dela, Angelina, e eu estava passeando com meu primeiro namoradinho. No primeiro encontro em data posterior, minha vó deu um jeito de fazer minha mãe saber disso, só para convencê-la de que ela não tinha completo controle sobre nós, como pensava. Ela perdeu minha confiança definitivamente neste dia. Mas não meu amor. Eu adorava ir até a casa dela quando ela estava mais velha, já em Suzano, e ouvi-la contar as histórias de família. Ela tinha excelente memória. E era adorada pelas famílias, dela e de meu pai. Sempre foi uma mulher muito trabalhadora, de grande simpatia e beleza. Era muito vaidosa, a quem puxaram minha mãe, irmã e filhas. Agora sei, sou a ovelha-negra da família.

14 - Seus avós moravam perto? Em caso positivo, o quanto eles eram envolvidos em sua vida? Se eles moravam longe, você alguma vez viajou para 2

visitá-los? Ou vice-versa? Como eram essas viagens?

R: pergunta tardia, resposta acima.

15 - Quem eram suas tias e seus tios? Você tem tias ou tios que realmente se destacam em sua mente? Escreva algo a respeito deles (nomes, personalidades, eventos que você se lembra de ter participado com eles, etc.).

R: Entre todos os parentes, minha pequena família sempre foi a que gostava de ir atrás dos pequenos tesouros familiares, assim, todos meus primos e tios são importantes e tiveram fatos marcantes na minha história. E olha que a família é grande. E até tios e primos de meus pais estão neste combo. Talvez, por isso, quis fazer a árvore genealógica da família de meu pai, já que uma prima de minha mãe fez a do lado dela, por parte de meu avô.

Meus tios por parte de pai são: Antônio, Alice, Joana, Almira, Almiro, José e Paulo. Foram casados com Valmira, Alberto, Sinval, Áurea, Marilene e Zilda. Só da tia Alice não sei o nome do esposo, e também não conheci. E meu tio Antônio teve outras duas esposas, Josefa e Carlinda, antes e depois da tia Valmira.

Almira e Sinval, pais de Marielça, Neusa, Neide e Nilson, foram como meus avós. E estes primos foram sempre muito próximos, tendo cuidado de nós, ainda cuidando. Eu era a mais velha na segunda leva de crianças nascidas em São Paulo. O Nilson era o mais novo da primeira leva, sendo seis anos mais velho do que eu. Tenho muita saudade de minha madrinha.

Já com tia Alice eu tive menos contato, mas lembro de que fui obrigada a comer um tatu cozido em sua casa, com a justificativa de que era o que ela tinha para servir, devido sua condição na época. Mas a criança visualizou um tatu bolinha, daqueles que dá em jardim, e chorei enquanto comia, apesar da carne não se parecer nadinha com daquele inseto asqueroso.

Minha tinha Joanita, que é como a conheço de por vida, é a única filha do casal Francisco e Isabel, ainda viva, já com seus 93 anos e lúcida. Tenho muita admiração por ela, pois usa o What'sApp e dessa forma ainda conseguimos nos comunicar. Estive com ela em outubro passado. Ela está um pouco debilitada fisicamente, mas a idade explica isso. Percebo como uma nuvem de proteção que minhas tias colocam sobre mim, principalmente depois da morte de minha irmã. Talvez para que Deus poupasse meus pais de maior sofrimento. E tenho muita gratidão por isso.

Ela só teve filhos: O Luiz, Luciano, Alberto e Alfredo, cada um com suas peculiaridades, mas todos queridos. O Luciano, infelizmente, também já não está mais neste mundo. Meu tio Antônio tinha a mesma idade que meu avô materno, já que foi o primeiro dos 18 filhos de meus avós. Eu me lembro de irmos para o sertão da Bahia, lá perto da Chapada Diamantina, mas num lugar muito seco, onde ele tinha um Secos&molhados, plantava mamona, tinha gatos esfomeados caçando rãs, um açude, e onde passava ótimos momentos comendo frutas do quintal, balançando, e brincando com as primas. Só a mais nova tem idade próxima a minha, mas todos eram muitos queridos. O primo mais velho, Valtonio, e um do meio, o Nivaldo, chegaram morar em São Paulo, na casa dos tios, mas não se adaptaram e voltaram para Wagner. E a turma toda é constituída por estes e Antônio, Licivaldo, Vilma e Valdice, além de Estelita do primeiro casamento e Antônio Carlos do terceiro.

Meus tios eram todos engraçados, muito brincalhões, ainda mais quando se juntavam e a seus primos. O mais parecido com meu pai era o Tio Almiro, fisicamente, eu quero dizer, e isso me aproximou muito dele, já que eu e meu pai, dentro das possibilidades, eram muito próximos. Pena que eles moravam em Brasília, e nos vimos em raras ocasiões em que lá estivemos ou que eles vinham para São Paulo. Já seus filhos tinham todos idades muito próximas às nossas, sendo Carlos Almiro, Áurea Cristina, Sandra, Vera e Jorge.

Meu tio José, denominado Zeca, era o de idade mais próxima ao meu pai, e morava perto também. Sempre o associei ao Trapalhão Renato Aragão, ele tinha a mesma molecagem. Sempre foi um imã para a família, ou uma espécie de cola. Sua casa sempre foi refúgio para os parentes, que se sentiam acolhidos. Além dos anfitriões serem muito amáveis, também tinham muitos filhos, e talvez valesse a máxima, onde comem sete, comem oito, nove... Meu tio faleceu relativamente cedo, sofreu de mal de Parkinson. Verdadeiramente sofreu. E creio que isso fez embranquecer o cabelo de minha linda tia antes do tempo, mas nunca desvanecer o sorriso. Eles tiveram quatro filhas, em busca do varão, que levou o nome do avô: Francisco, o mais jovem. E seria o mais novo dos netos de Isabel, não fosse pelo Antônio Carlos, do tio Antônio. As meninas são as sereias: Maria de Fátima, a quem chamamos só de Fátima, Marcia, Marta e Mara. Sereias pela beleza de seus corações e por serem todas com MAR, como a mãe.

Termino os tios paternos pelo mais jovem, Paulo, que tive a oportunidade de reencontrar depois de 36 anos. Andava sumido em seu trabalho de perfurador de poços artesianos pelo sertão da Bahia, e só recentemente Deus nos reuniu em Salvador. Alguns chamarão de acaso ou coincidência, e eu já disse que não creio nestas coisas. Parceiro de brincadeiras, com seus olhos puxadinhos como de minha prima Mara, casou-se, tem um casal de filhos e já tem até neto. Não tive o prazer de conhecer sua família, ainda, mas sei que os filhos chamam Paulo Victor e Amanda.

16 - Onde você frequentou a escola? O que você achava da escola?

R: Basicamente, os primeiros oito anos de minha educação foram na Escola Coronel Bonifácio de Carvalho, em São Caetano do Sul. Era uma escola padrão, mesmo sendo de educação estadual. Naquele tempo, diziam que as escolas públicas eram de altíssimo nível. Acredito que eram mesmo boas. Certamente não se comparavam a algumas renomadas escolas cosmopolitas, mas muitos de nós, saindo dali, ingressaram nas Universidades. Conservo os melhores amigos dessa fase da vida. Amigo de infância é igual ao primeiro namorado. Fica agarrado no coração para toda vida.

Depois fiz um curso Técnico em Edificações no Colégio Técnico Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo, no período noturno, e era particular. Eu pagava com meus próprios recursos, já que naquele ano de 1980 comecei a trabalhar.

Iniciei um curso superior em Matemática, na Fundação Santo André, por ser o único que eu podia fazer em meio período compatível com minha renda. Abandonei. Meu sonho era Engenharia Civil ou Arquitetura.

Depois comecei a cursar Tecnologia em Processos de Produção, na Fatec do Bom Retiro em São Paulo. Era pública e muito concorrida. Mas era longe e difícil para quem já iniciava com cargos de chefia num metalúrgica em outra cidade bem, bem distante: Mauá. Também desisti.

Terminei por me formar em Administração de Empresas pelo Instituto Municipal de Ensino Superior São Caetano do Sul, ingressando em 1992, mãe solteira de duas filhas, e terminando em 1995, já casada (1994). Escolhi este curso e esta faculdade com base em minhas experiências fracassadas anteriormente, para evitar a desistência, pois começava a sentir falta da qualificação superior nas entrevistas de emprego. Então, não podia ser longe, nem difícil, nem cara. E não podia consumir muito do meu exíguo tempo. O fato de já ter 27 anos, trabalhar desde os 16 anos, me proporcionou experiência suficiente para levar a faculdade, como diríamos, 'com um pé nas costas'. Sempre fui ótima estudante. Tenho boa memória e gosto de aprender, então sou do tipo que, quando está na aula, está prestando atenção. Se a atenção não estiver lá, também não estarei.

Nessa época passei num concurso, e não necessitei de meu diploma de graduação por muito tempo. Até que em dado momento eu achei que teria que voltar ao mercado, e quis me atualizar. Nessa hora eu estava morando em Juquiratiba, subdistrito da cidade de Conchas, interior do estado de São Paulo. Em 2002 então eu ingressei num curso de especialização em Gestão de Recursos Humanos, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Descobri que tanto administração como a gestão de pessoas era sim uma de minhas maiores vocações. Sempre fui muito boa com os números, mas meu diferencia é, justamente, ser também boa em humanas. E estas graduações abriram minha mente como gestora, nos anos vindouros, na organização em que continuei trabalhando.

17 - Quais eram suas matérias favoritas na escola? Por quê?

R: Só não gostava de química e, provavelmente por não ter tido uma boa professora. Só tive química por um ano em toda minha formação escolar. Das demais, gostava de todas, com ênfase em matemática, física, história, geografia e português.

18 - De quais matérias você gostava menos? Por quê?

R: Vide acima.

19 - Quem foram alguns de seus amigos na escola? Como eles eram? O que eles fazem hoje?

R: Meus amigos de escola eram crianças divertidas, como eu. São médicos, professores, advogados, comerciantes, políticos, autônomos, administradores...

Os registros da infância ficam mais nos trabalhos de grupo, nas brincadeiras da hora do intervalo, nos lanches compartilhados...

Já na adolescência, numa classe com 90% de homens, as coisas eram diferentes. As brincadeiras já eram mais picantes, com a malícia que as crianças não tinham. Mas todos me respeitavam muito, até os professores. Eu me sentia quase como uma mascote do grupo. E isso fez com que minha classe fosse bastante unida.

Na Faculdade tive uma amiga muito importante, que me ajudou a atravessar períodos de dificuldade, já que tive um problema de saúde que fez eu me ausentar por quase 60 dias no último bimestre do último ano. E ela fazia os apontamentos, e meu marido pegava com ela as cópias das matérias para que eu pudesse estudar em casa. Eu passei. Ela acabou ficando com uma dependência para encerrar o ano. E nos afastamos. O que lamento muito. Eu acho que ela me responsabilizou, pois se não tivesse perdido tempo em me ajudar, poderia ter atingido seu objetivo. Mas nunca soube o que realmente passou.

20 - Se você frequentou uma faculdade ou um ensino técnico, em qual escola estudou? O que você estudou? Que recordações você tem daqueles anos? Três

R: Acima

21 - O que você vê como seus pontos fortes?

R: Sou conciliadora, tenho muita fé, acredito no meu potencial e na humanidade, sou muito otimista, muito alegre e amorosa. Tenho boa capacidade de síntese, quando necessário, e facilidade de ensinar, aliás, meu grande talento desperdiçado. Descobri tarde que meu talento era para ser professora. Subestimei a profissão porque seus profissionais já estavam subvalorizados na época de minha decisão. Acabei sendo professora de vida para muitas pessoas com quem convivi, assim como aluna de tantos outros. Mas tenho profunda admiração por aqueles que não se sentiram ameaçados, com eu, pela baixa remuneração e abraçaram seu dom.

22 - Quais foram alguns desafios que você teve de enfrentar?

R: Os mesmos que todo mundo, creio. Principalmente o medo e a insegurança, de novidades, pelas perdas, pela falta de dinheiro, pela necessidade de aceitação, por não me fazer entender, por sentir o mundo pesando em minhas costas, dores, doenças...

23 - Com quais problemas de saúde você teve que lidar durante sua vida?

R: Quando era menina, alguns amigos me chamavam de Meiroca. Pedi recentemente que parassem, pois estava ficando oca mesmo. Tirei útero aos 40 anos, a vesícula depois e aos 53 tirei o rim direito. O útero apresentava pólipos com anomalia complexa, eu tinha uma vesícula na pedra, de tão grande que era a pedra, e o rim desenvolveu uma massa anormal maligna. Depois disso tudo eu tive uma pequena Isquemia cerebral, em 2017. E, desde então, passo bem, obrigada.

24 - A religião foi uma parte importante de sua vida familiar? Em caso afirmativo, qual era a religião de sua família e o que isso significou para você? Ela ainda é uma parte importante de sua vida hoje? Se a religião não fez parte de sua vida, por qual razão isso se deu?

R: Sempre tivemos religiosidade, mas não religião. Eu fiz catecismo e primeira comunhão por minha conta, porque as amigas também iriam. Não recebi incentivo, mas não fui desestimulada. No entanto a religiosidade sempre foi uma parte muito importante na minha vida. Hoje me considero Universalista, considerando o conhecimento superficial que tenho de muitas religiões e encontrando nelas pontos comuns que me levam a crer na essência de todos, conduzindo-nos para a mesma direção. Creio na força do amor, na energia vital, no campo de energia cósmica e nas vibrações. E venho construindo minha forma de pensar e agir nas constatações que tenho a partir de minha própria vida e a capacidade de observar, escutar e aprender que sempre carreguei comigo.

25 - De que tipo de comida você gosta? De que tipo de comida você não gosta? Você tem algum tipo de alergia a alimentos ou medicamentos?

R: Gosto de comer, essa é a verdade. E entre tudo, prefiro os doces. Costumo dizer que tenho dois estômagos: o de salgados pode estar satisfeitíssimo, se oferecem um doce, o outro se abre num sorriso.

Não tenho alergia a alimentos ou comidas.

26 - Cite dois ou três pratos que sua mãe ou seu pai faziam que eram especialmente memoráveis?

R: Minha mãe é ótima cozinheira, assim como minhas filhas e eu mesma. Mas gosto muito da lasanha e torta de coco que ela faz. E tem um prato que é memorável, carne seca frita com anéis de cebola.

Meu pai não sabia cozinhar, fazia o básico para não morrer de fome, e só se não tivesse nenhuma mulher na casa. O que era difícil, com esposa, duas filha e duas netas, posteriormente.

Cozinhava para os amigos quando ia pescar, mas nunca comi nada que tivesse feito.

27 - Como você conheceu seu cônjuge? 4

28 - Como você descreve seu cônjuge?

29 - Como foi o seu namoro? Descreva o dia de seu casamento.

R: Vou responder as três questões de uma só vez. Conheci meu falecido esposo numa reunião para um encontro de jovens. Ele disse que gostou de mim e me viu conversando com uma prima, que era amiga dele. Pediu que ela nos apresentasse. Durante o encontro, num final de semana, ele foi um dos rapazes que ficou me cercando. Nessa época eu tinha muitos admiradores, e nem entendia o porquê, já que eu não me via como alguém atraente.

Depois do curso ele descobriu onde eu morava e fez um amigo levá-lo até minha casa. E continuou aparecendo algumas poucas vezes, até que surgiu a festa de noivado de uma vizinha, e ele foi convidado, mas resolveu ir embora cedo porque estava de ônibus. Meu pai lhe disse que ficasse, e depois o levaria até em casa.

No dia seguinte ele me pediu em namoro, dizendo que meu pai tivera uma conversa muito franca com ele, onde informava que o único bem que possuíamos era o nome, e se ele estava interessado, que fizesse as coisas direito e o honrasse. Eu tinha 16 anos e ele 18. Namoramos por um ano e meio, até que rompi, pois estava ficando sério demais e meus pais ficavam cada vez mais controladores. Cada um foi para seu lado, e nos reencontramos depois de mais de 10 anos sem nos falarmos, nem nos vermos, apesar de morarmos em bairros vizinhos. Eu já era mãe de duas meninas e ele estava noivo, e namorava a mesma pessoa tinha oito anos.

Num determinado dia, depois de estarmos nos encontrando por uns dois meses, ele chegou para mim com uma pergunta importante:

'Quer se casar comigo? Porque já não tenho mais idade para perder tempo com namoro, e se for abandonar a relação em que estou, é por algo certo.'

E eu respondi: 'Quero.'

Isto aconteceu em janeiro de 1994, em outubro nos casávamos, no dia do aniversário dele: 07, uns dias antes de eu completar 31 anos.

Minhas filhas se referiam ao casamento como: 'Nosso Casamento'. Elas foram minhas damas de honra. Foi numa sexta-feira, chovia, e ainda assim a igreja estava lotada. Escolhemos uma igreja em que as paredes são de vidro, em Santo André. Por ser onde foram batizadas minhas filhas, já que igrejas de meu próprio município se negaram a batizar filhas de mãe solteira. Muitos convidados já começaram a chorar assim que as meninas ingressaram no corredor da igreja, uma a uma, primeiro a mais velha, com quase sete anos na ocasião. Depois a menor, que eu tinha a esperança que seguisse os passos da irmã, e ela não deixou a desejar, caminhando temerosa, a princípio, no alto de seus três anos mal completos. E confiante, assim que viu o pai no altar. Ele recebeu ambas com abraços, o que foi um diferencial, já que elas eram importantes peças naquele casamento, tanto quanto a noiva. E ele foi o melhor pai que elas poderiam ter, no meu conceito, enquanto homem de princípios, valores e caráter. Ele se dizia ateu, ou agnóstico. Mas fui testemunha de uma infinita bondade, acolhendo em seu coração uma família constituída, e sendo feliz ao lado desta. Eu acredito que não seria o melhor pai biológico para elas. Ele tinha alguns problemas de saúde como glaucoma, diabetes e hipertensão. Acredito nos desígnios de Deus. Os pais biológicos, depois resultaram ser bons conselheiros e amigos delas, além de fornecer bom material genético. E dão continuidade a um trabalho bem feito. O pai da mais nova, infelizmente, faleceu em 2012.

O Roberto, meu falecido esposo, tinha tantas qualidades, era o homem com o maior Q.I. Que eu conheci, e sabia falar sobre qualquer assunto, para quem se interessasse em aprofundar-se. Não era afeito as conversas vazias. Mas pelo mesmo motivo conseguia ser muito pedante. Não tinha muita facilidade em sociabilizar, era muito irritável, gostava de viver em seu próprio mundo. Estou escrevendo aqui e pensando como ele era parecido com o Sam, a personagem autista do seriado Atypical. Talvez isto justifique o fato de ele ter sido internado pelos pais numa escola para especiais quando adolescente. Era um borrão no livro da vida dele, o qual ele nunca me permitiu questionar. Minha sogra me disse, depois da morte dele, que este foi o aconselhamento que receberam de professores e médicos, na ocasião. E não sabiam como lidar com ele. Ele era muito ativo e avançado, e tinha muita dificuldade de externar seus sentimentos. Mas nos amávamos profundamente. Amo minhas filhas, meus pais, toda minha família e amigos, mas meu marido foi a pessoa de vital importância na minha vida. Restabeleceu minha autoconfiança, me acolheu, me amou incondicionalmente. Era meu cúmplice, conselheiro, fiel escudeiro, meu par para tantas coisas. Mas nem todas: não gostava de dançar, e nem de bagunçar.

30 - Compartilhe algumas histórias sobre seu cônjuge.

R: Acho que já falei o suficiente sobre este assunto

31 - Quantos filhos você tem? Quais são os nomes deles? Compartilhe algumas recordações sobre cada um de seus filhos.

R: Minhas filhas, meus tesouros, sem querer ser brega, mas agora entendo o significado disso. Elas carregarão o que tenho de valor dentro de si. Os mesmos valores que recebi de meus pais, que receberam de seus pais, e assim por diante. Valores ligados à moral, ao respeito, à integridade, à solidariedade. Não conseguia perceber isso enquanto elas estavam em formação, mas agora que as vejo mulheres, e as vejo atuando profissionalmente, se relacionando com amigos e pares, vejo o quanto de mim e de todos os nossos ancestrais elas carregam. São os únicos tesouros que possuímos. Que não se desfazem com o corpo, que levamos com a alma, mas que permanecem na Terra através de nossos filhos, frutos da árvore da vida.

Minha filha mais velha é a Débora, nascida em 1988, em São Caetano do Sul, sempre foi uma ótima aluna, aplicada e inteligente, perspicaz, tem raciocínio ligeiro e algumas vezes esta qualidade me colocou em 'saia justa', como quando cruzamos com um homem na rua, que ela encarava desde longe, e ao chegar bem ao seu lado exclama:

- Mas que homem feio! - completando com uma pergunta para ver se eu assentia: Né mãe?

Aquariana como minha mãe, acabou substituindo naturalmente minha irmã na afeição de minha mãe. Elas formam uma aliança tão forte quanto a minha com a filha mais nova, a Brenda.

A Débora é advogada, artista plástica, musicista, está envolvida em causas ambientais e sabe que tem que assumir sua parcela de ação na transformação do mundo, que já está acontecendo, e da qual se sente corresponsável. É casada com o Ruan, que considero que trouxe para ela a leveza que ela precisava para se completar. Ele também é musicista e artista plástico, mas considero que seu principal talento são os cartuns, no âmbito profissional. Além de seu espírito bonachão.

A Débora não me deu trabalho, mas se afastou de mim muito cedo. Acho que por falta de atenção e tempo da minha parte, e pelo ciúme da parte dela. Até seus 10 anos ela esteve sob os cuidados constantes de minha mãe, já que enquanto eu trabalhava fora, elas ficavam na casa de meus pais. Mudamo-nos para o interior e a partir de 14 anos ela passava mais tempo na acolhedora casa do namorado do que em nossa casa. Aos 18 anos ela voltou a morar com meus pais, após passar num concurso público em que teria que trabalharna cidade de São Paulo. E desde os 22 vive só, ou com seu parceiro.

Ela descobriu já adulta, após a ocorrência de uma trombose na perna, alguns problemas de saúde que exigem muita atenção. Isso determina, com certeza, algumas escolhas importantes de vida. E exige ainda mais respeito em relação às suas decisões.

A Brenda sempre foi para mim um desafio. Diferente da irmã, ela necessitava de muito estímulo para aplicar-se nos estudos. Inteligente também, mas dispersa. Foi uma aluna sofrível nas matérias em que os professores usavam uma metodologia de ensino muito ortodoxa. E para mim era inconcebível alguém tirar notas ruins, deixar as coisas para fazer na última hora, e até hoje ela é assim. Foi um desenvolver paciência e mais paciência.

Canceriana, de signo da água como eu, é também muito passional, e emotiva. Mas, ao contrário de mim, muito apegada às coisas e as pessoas, o que lhe causa muito sofrimento. De todos, na família, ela foi que teve mais perdas de entes queridos em curto espaço de tempo, e numa fase complicada da vida. No exato momento de se tornar adulta. Perdeu o avô paterno, a avó paterna e o pai biológico em pouco mais de um ano, entre 2011 e 2012. Em 2014 faleceu meu pai, que também foi figura paterna para elas durante um tempo, e em 2016 o padrasto. Creio que isso retrasou seu amadurecimento em alguns aspectos, mas a fortaleceu emocionalmente.

Como eu, também postergou os estudos universitários, por motivos bem diferentes, é óbvio, mas está em vias de concluir o curso de Administração de Empresas, também. Seu grande talento é para a culinária, em especial a confeitaria. Tem capacidade de liderança e é boa com argumentos, quando domina o assunto. Mas não é muito autoconfiante, coisa que vem se modificando. Sempre fomos muito próximas, e o fato dela ter vivido desde seus sete anos só comigo e o Roberto, e depois da morte dele termos ficado só as duas, nos aproximou ainda mais. Mas eu quis desatar este cordão e foi um dos motivos que me levou a sair do país, sozinha. Hoje ela mora só, se vira como pode, e está amadurecendo, além de ter encontrado um ótimo companheiro.

32 - Quais foram alguns dos eventos mais importantes da comunidade, nacional e mundial que você vivenciou?

R: Já vivi muitos anos, mas de um modo geral, estou vivendo o presente, e um dia o meu passado será história. O evento mais importante que presencio é a sensação de que as pessoas começam a enxergar o mundo sobre outros prismas, e que estamos no fim de um sistema econômico que foi preponderante ao longo de minha existência: o capitalismo. Eu sou uma sonhadora, e acredito que nos veremos livres das cordas de manipulação que sempre coordenaram nossos movimentos, meus e de 97 por cento da população mundial. Tenho a esperança de estar vivendo o fim destes tempos, e a crença num mundo de paz e amor.

33 - Como alguns desses eventos mudaram sua vida?

R: O único evento que me preocupa e me faz querer mudar algo e tomar atitudes mais assertivas é a fome mundial. Eu tenho ajudado pouco, a medida, do possível. Mas sinto que posso fazer muito mais, e talvez este seja um próximo passo.

34 - Quais são algumas das suas filosofias de vida ou os pontos de vista que você compartilharia com outras pessoas?

R: A filosofia de vida que eu quero compartilhar com os outros não é minha. E é muito conhecida: Amai ao próximo como a ti mesmo.

E o que tento fazer é escrever mensagens de reflexão e incorporar essa filosofia na minha vida.

35 - Quais são alguns dos valores pessoais que são muito importantes para você? O que você fez 5

R: Respeito é o meu principal valor. Respeitar a individualidade de cada um, suas preferencias, sua forma de ver a vida, seus desejos, suas escolhas, suas dores, seu modo de se comportar, de agir. Respeitar mesmo que seja completamente dispare do que sou e penso, mesmo que eu não goste. E descobri que este respeito cabe perfeitamente dentro de meu ideal de amor. Porque o amor é ainda mais abrangente, pois também é tolerante, compreensivo, altruísta, solidário, empático, virtuoso, acolhedor, paciente, sábio.

E aí resolvi que mais que valor, eu tenho que ter amor. E venho me policiando e aprendendo a cada dia. Treinando principalmente nas adversidades, com os diferentes, que criticam, brigam, esperneiam, contestam. Quem me apoia oferece grande estímulo, sem incentivo não vamos a nenhum lugar. Mas meus críticos são os que me fazem crescer. São eles que me desafiam. Minhas filhas o fazem. Minha mãe o faz. E isso demonstra o importante papel que elas têm em minha vida.

(e está fazendo agora) para ensinar esses valores a seus filhos?

R: O único argumento que tenho para todos meus irmãos e filhos de Deus, grupamento a que pertence também minhas filhas, é minha vida e exemplo.

36 - Liste pelo menos cinco pessoas que você classificaria como verdadeiros grandes homens e mulheres. O que fizeram para serem grandes?

R: Meu pai, sogro, marido e avôs, que foram homens de valor que mantiveram minha confiança no sexo masculino.

Minha mãe, sogra, filhas e avó, que me mostram o quanto a mulher é forte, lutadora, e independente, e quanto é convincente, quando quer.

Alguns chefes que se tornaram amigos como Regina Palombo, Haroldo, M.Cristina Giglio, João Sabino, Raul Abu B.M. Wahbe, me educaram na arte de liderar com respeito e simpatia.

Alguns parentes que se tornaram irmãos como Marta Cristina, Marta Regina, Valéria Lessa que me acolheram em seus corações e a quem confio minhas angústias e vitórias.

Eu teria que colocar aqui todo o círculo de amigos, que ao contrário do que dizem muitos por aí, não posso contar com os dedos de uma única mão. E muitos de meus familiares. A lista de gente que me inspira é enorme. E dou graças a Deus por isso. Sou uma privilegiada.

As grandes mulheres e os grandes homens são pessoas comuns, que fazem de seus dias 'um constante aprendizado' lutando para oferecer seu melhor, errando e consertando. E só posso falar destes porque os conheço, vivi muitas de suas aventuras e desventuras.

De todos os demais só me foi oferecida parte da história, e só a que achavam que interessava ao meu saber, mas, ainda assim, citaria Jesus Cristo, não pelo que a Bíblia me oferece de informação, mas por tudo que ele representa para a humanidade: Esperança. Mas talvez ele não se enquadre, já que não era necessariamente um homem.

37 - Cite 20 coisas ou mais sobre si mesmo(a).

R: Falante

Boa Ouvinte

Apaixonada

Gulosa

Valente

Organizada

Preguiçosa

Dedicada

Alienada

Feliz e risonha

Otimista

Solitária

Amiga

Mandona

Controladora

Respeitosa

Minha fé é minha proteção

Privilegiada

Bem sucedida

Gostosa, kkk

38 - Liste 20 coisas ou mais que você acha que faria do mundo um lugar muito melhor se não existissem.

R: Medo

Fome

Ódio

Crueldade

Antipatia

Dominação

Arrogância

Mentira

Incerteza

Dúvida

Lateralidade

Superioridade

Competição

Orgulho

Ganância

Desespero

39 - Liste 20 coisas interessantes que você já experimentou na vida.

  • Fui plantonista do CVV Samaritanos. Foi um aprendizado importante em minha vida, e uma experiência interessante.
  • A gestação e a maternidade foram experiências únicas, e diferentes entre si. Ainda mais que, no meu caso, mantive as gravidezes ocultas até os quatro meses.
  • O diploma universitário e realizar o desejo de falar no palco, para quase três mil pessoas presentes. Não fui a oradora das turmas, mas dei um jeito de falar em nome da Comissão de Formatura, da qual tomei parte.
  • Acampar com a família quando jovem era uma alegria só, e reforçava nossos laços familiares.
  • Assistir aos shows do Ney Matogrosso, Rita Lee (presente da Brenda), Ivan Lins, Guilherme Arantes, Morais Moreira, Elton John, e tantos outros artistas, principalmente brasileiros. Gosto de shows onde o artista se movimenta no palco e interage com a plateia. Ou ao menos que agite o povo com suas músicas.
  • Assistir uma partida de final de campeonato brasileiro entre São Paulo E.C e Flamengo. Eu era Palmeirense.
  • Andar de Tirolesa na Chapada Diamantina, depois em Socorro e Campos do Jordão.
  • Praticar Rafting sem saber nadar, na Argentina, perto da Cordilheira dos Andes
  • Nadar cachorrinho com o celular na mão após a maré voltar a subir e conseguir alcançar sozinha, o barco, em Maragogi.
  • Aprender a dançar com passos e técnicas, já que dançar sempre foi algo natural para mim.
  • Aprender espanhol depois de madura.
  • Arriscar-me a aprender a pedalar, também já velha e gorda.
  • Viajar de carona pela América do Sul e pelo Nordeste brasileiro.
  • Viajar sozinha e de forma independente pelas Américas e Europa, falando só português e espanhol.
  • Assistir ao Cirque de Soleil
  • Ficar perdida na neve, na Islândia. E ver a aurora boreal.
  • Aprender a dirigir carros, e ter dirigido vários veículos de 4 rodas ou mais ao longo da vida, passando por caminhão, Kombi, trator.
  • Alguns parceiros foram muito interessantes, de dar água na boca até hoje.
  • Conhecer vulcões
  • Fazer tudo com alegria, um pouco de loucura e sobriedade, sempre careta, pois só me embriaguei uma vez na vida, com uns 16 anos. Nunca fumei nem usei drogas. E isso é genial.

40 - Se você pudesse passar um dia com qualquer pessoa famosa do mundo, quem seria e o que você faria durante o seu dia com essa pessoa?

R: Nunca tive este tipo de aspiração.

41 - De que você tem medo?

R: de minha imaginação

42 - O que faz você parar e pensar: "Uau!"?

R: A natureza; a vida; crianças e a continuidade que elas representam.

43 - Cite algumas coisas que você gosta de fazer em seu momento de lazer.

R: escrever, dançar, ler, ver filmes, viajar, cozinhar.

44 - Quais foram os problemas de saúde que você enfrentou?

R: já respondi anteriormente

45 - Que conselho você daria sobre a criação de filhos que você aprendeu ao criar seus próprios filhos?

R: Não me julgo apta a aconselhar já que não fui nem de longe uma mãe ideal. E o principal motivo disso foi minha ausência. Dediquei-me tempo demais ao trabalho e insuficiente às minhas filhas.

Talvez isso sirva de alerta.

46 - Quais são alguns de seus talentos? Como você os descobriu? O que tem feito para cultivá-los e melhorá-los? Como eles ajudaram sua família?

R: Meus talentos estão ligados ao que faço nas horas de lazer. Além de ensinar e apaziguar. Todos eles eu consigo melhorar praticando, e ajudam a minha família à medida que fico menos aborrecida e estressada quando os pratico. Descobri casualmente. Tenho até certo talento para artesanato, mas não sou caprichosa o necessário. E creio que ainda possa descobrir outros talentos ocultos.

47 - Qual a sua carreira? Por que você escolheu essa carreira?

R: Fui bancária porque foi o melhor que me apareceu, me oferecia as condições de salário e assistência que necessitava enquanto mãe solteira. E depois fui ficando porque me convinha, e galgando algumas posições e cargos.

48 - Quais foram alguns empregos que você teve ao longo de sua vida? Relate sobre algumas das experiências memoráveis que teve com esses empregos?

R: Meu primeiro emprego foi num escritório de advocacia, aprendi ali que minha capacidade de observar se aplicaria também no ambiente profissional para me ajudar a desenvolver minhas tarefas.

Depois trabalhei no Departamento de Contabilidade de uma Indústria de Produtos Alimentícios, ali também era telefonista na hora do almoço da titular, num antigo PBX. Nunca questionei por que eu? Foi um ótimo emprego, pois como era ainda adolescente, e os colegas de trabalho, na maioria, eram jovens como eu, formamos laços como com os amigos de escola. Ainda levo muitos deles no coração, dois deles de forma mais próxima.

Meu terceiro emprego era como técnica em edificações, numa empresa de lajes, ali eu conheci meu primeiro homem. Mas não é uma experiência que goste de rememorar.

O quarto emprego foi numa indústria metalúrgica, onde trabalhei com o pai da Débora. O proprietário, Sr.Leone, era um velho italiano, que deu um duro danado para constituir aquela empresa. E por quem eu tinha profunda admiração. Ele, às vezes, me dava carona, e se assemelhava ao Mr. Magoo dirigindo.

O quinto emprego foi num comércio de conexões elétricas, e foi o Haroldo que me convidou a trabalhar com eles. Foi a primeira vez que sofri rejeição por ser mulher e jovem assumindo o cargo de chefe de almoxarifado, onde só havia homens. E dali sai grávida pela segunda vez, mas meu par não trabalhava comigo.

O sexto e último emprego, passei 21 anos, como bancária, mas em agências diferentes, começando por São Caetano do Sul, São Paulo, Conchas, Itu, Cotia, Indaiatuba e terminando em Campinas, todas estas cidades do estado de São Paulo.

49 - Faça uma lista de cinco acontecimentos ou experiências importantes em sua vida e explique quais efeitos eles causaram em você.

R: Acho que serei repetitiva se responder esta pergunta, mas vou elencar os acontecimentos:

Maternidade

Casamento

Viuvez

Doença (câncer e AVC)

Viajar pelo mundo

50 - Quais são algumas das lições de vida que você gostaria de passar para sua posteridade?

R: As lições que aprendi e que estou publicando no livro, e talvez em outros, se este primeiro for bem aproveitado.

51 - Em quantos lugares você morou durante sua vida? Forneça uma breve descrição de cada lugar que já viveu e por que se mudou.

R: Em São Caetano, com meus pais, em quatro casas em diferentes bairros, sendo a última a sonhada casa própria.

Em São Carlos com a vó paterna da Débora, durante a gravidez de minha filha. Ela foi uma verdadeira mãe para mim naquela ocasião, e nos demos muito bem.

Em Santo André depois de casada.

Em Juquiratiba - Conchas, quando percebi que estava em depressão por excesso de serviço e estresse, e pedi transferência com perda de cargo e função, de São Paulo para Conchas.

Em Itu quando fui promovida e transferida, adquirindo a casa própria.

Em Cotia, onde morava sozinha durante a semana, porque fui promovida para agência naquela cidade, e morava no quintal de uma prima querida.

Em Beja - Portugal, que foi onde me instalei durante minha aventura do conhecimento, no ano que passei fora do Brasil.

Minha casa continua lá, em Itu. Mas agora estou morando em Peruíbe, continuando minha jornada de aprendizado.

52 - Se você pudesse voltar no tempo e fazer as coisas de novo, o que você mudaria?

R: Eu me dedicaria mais tempo a minha família e a mim. Percebo que não foram só eles os relegados ao segundo plano. Queria ter estudado francês, inglês, aprendido a nadar, andar de bicicleta, participar de concursos de dança. Tenho feito muitas destas coisas, mas com muita valentia e pouca flexibilidade. Queira ou não, o corpo e a mente já impõem alguns limites.

53 - Depois de tudo terminado, por quais motivos, eventos, atributos, etc. você gostaria de ser lembrado? Que legado você gostaria de deixar? O que você está fazendo agora para que isso aconteça?

R: O livro é meu legado para a humanidade. É o talento que me foi dado de graça, e que devo oferecer ao mundo. Não sei se ele poderá ser gratuito, mas não tenho ganas de obter resultado financeiro com o que resolvo compartilhar através dele. Porque todo o mais, quando eu me for, só restará na memória dos que me conheceram, e quando estes também se forem, não sobrara nenhuma recordação.

Questionário Biográfico

Perguntas extras

1 - Se um jornal quisesse fazer uma matéria sobre você, qual seria o tema escolhido?

Provavelmente, minhas viagens...

2 - Se alguém lhe desse cem dólares e lhe dissesse para dá-los a outra pessoa, mas que

NÃO pudesse ser para alguém de sua família, o que você faria?

Andaria pela rua procurando alguém que eu julgasse necessitar e fazer bom uso do dinheiro

3 - Você já viajou para algum lugar fora de seu país? Qual foi o motivo da viagem ou viagens e

que coisas memoráveis aconteceram durante algumas dessas viagens?

Sim já viajei muitas vezes para fora do país, para alguém de classe média que nunca achou que isso fosse possível. A primeira vez foi em 2010, com marido e sogros, viajamos de carro pela Europa, e conheci Paris, um sonho de adolescente. E a primeira vez que avistei a Tore Eiffel lá de longe, já quis fotografar. Meu sogro disse: 'Nós iremos vê-la de bem de perto. ' - e eu: ' Não importa, esta é minha primeira visão e a realização de um sonho que julgava impossível.'

Viajar pela Bolívia e Peru também foi mágico, em 2012, com meu marido e minha mãe. E foi uma experiência que considerei fortuita, já que meu marido ficou muito feliz em conhecer aquelas civilizações antigas, e ter contato com coisas que ele só conhecia através de livros e documentários. Sou muito agradecida pelas experiências que pudemos compartilhar, já que o livro da vida dele já estava por terminar.

4 - Quais foram alguns modismos populares pelos quais passou ao longo de sua vida?

Quando adolescente vivi uma época de cores berrantes, não lembro se era New Wave, só me recordo de ter ido trabalhar, de ônibus, e me chamaram de Peter Pan. Eu estava, literalmente, todinha vestida de verde claro, blusa, calça bufante, alpargatas... E brincos, pulseira e colar... Só tinha a meu favor a juventude.

Também usei o corte de cabelo à Chitãozinho e Xororó.

Peguei o final das bocas de sino, e fui ao casamento de meu tio Clóvis com uma calça dourada, de boca de sino, com um grande galo colorido desenhado de cima a baixo, em cada perna. E meu lindo sapato era de napa azul e branco, com plataforma.

E de repente as calças ajustaram, e viraram cocotinha. Ajustei as pernas, mas nunca as usei com a cintura baixa.

E depois virei bicho grilo. Desligada das aparências. Gostava de calças jeans, camiseta e tênis. Roupa confortável e fácil de vestir. Sem acessórios.

5 - Como você passava seus verões?

A maior parte dos meus verões foi passado na Bahia, em Brasília ou no interior de São Paulo, principalmente em Pacaembu. Ficávamos na casa dos familiares, avô, tio, tio-avô... Acho que íamos trocando o destino para não cansar demais quem nos recebia. Às vezes ainda levávamos primos ou tios de São Caetano conosco. E era ainda melhor.

6 - Quais foram algumas de suas férias mais inesquecíveis?

Lembro em especial de uma delas, em que viajamos para Pacaembu de Kombi. Estavam também meu tio Clóvis, seu amigo Sérgio, meu avô José, e dona Maria, meus tios Valéria e Adilson e nós, meus pais, minha irmã e eu. E a Kombi quebrou na volta. E não foi a primeira vez que arrumamos uma carreta e colocamos o carro lá em cima, com toda a família dentro. E viemos cantando alegremente. E às vezes a carreta parava e descíamos todos, pendurando nos canos, para ir ao banheiro. Não me vejo fazendo isso, mas sim à dona Maria. Talvez porque me impressionou ver que ela podia, e eu em minha meninice a considerava velha. Creio, no entanto, que ela devia ter em torno de 40 anos.

7 - Como você descreve sua personalidade?

Forte, autoritária, mas também complacente.

8 - Descreva sua filosofia sobre o dinheiro.

Dinheiro é bom enquanto suficiente para nos servir. Quando é demais, nos tornamos seus escravos. E mesmo desfrutando dos prazeres que ele pode nos proporcionar, vivemos em função de acumular e ter sempre mais. Gosto de ter dinheiro, e costumo usá-lo para comprar carinho e atenção, admito. Talvez foi a forma que aprendi a fazer para suprir minha ausência.

9 - Você já teve animais de estimação? Fale

Sobre eles.

Tive um gato chamado Alfredo, na infância. Era preto e branco, dormia comigo, algumas vezes ao menos, em uma cama de campanha que era de meu uso, na sala de nossa casa. Minha irmã usava o sofá. E ele gostava de chupar o lóbulo de nossas orelhas.

E periquitos, um casal verdinho, que teve um filhote azul, e que era muito mansinho, subindo em nossas cabeças. Não lembro se tinham nomes. Mas morreram todos de uma espécie de loucura que acomete os pássaros. Também não é para menos, viver em cativeiro leva qualquer um à loucura.

Depois deles só fui ter pets já casada, porque queria que minhas filhas tivessem essa experiência. Começamos com o Thor, um mestiço de dog alemão e fila. Um enorme cão preto, do tamanho de um bezerro recém-nascido, mas muito dócil com as meninas. E um protetor da casa.

Antes do Thor, ainda em Santo André, tivemos uns peixinhos betta.

E um boxer que foi presente da Débora para o Roberto. E ele o nomeou de Salu, do beato. E o cachorro é mesmo bonzinho. Ainda está na família. Já tem nove anos e mora com a Brenda.

Quando o Thor morreu, o Salu ganhou um amiguinho boxer também, o Monet. Mas este viveu somente cinco anos e morreu infartado. Foi o Gustavo, que namorava a Brenda, que o encontrou morto no jardim.

Em 2012, após o falecimento do pai da Brenda, ela viu um gato para doação no Pet Shop e pediu se podia pegar o gato. Coincidentemente, eu tinha visto o mesmo gato cinza e me encantei. Sempre gostei muito de gatos. E adotamos o Toulouse, que viveu conosco até 2018, tendo abandonado a casa logo depois que peguei o Lucky, um jovem cachorro abandonado na zoonose, e que uma amiga acolheu em sua casa até achar um novo lar para ele. Esse SRD é muito ativo, e não respeitava o limite do pequeno portão que separava o quintal da garagem, passando por cima deste. E dificultando a vida do gato, que até então circulava pela garagem, sossegado, em seu caminho de ida e volta da rua.

A Sofia apareceu na garagem em março de 2016, logo após a morte do Roberto. Aquela linda gata malhada, de três cores, foi vista pela Brenda, que já entrou em casa com ela no colo. Eu lhe disse que a alimentasse e hidratasse, mas a mantivesse fora. Dois cachorros e um gato já consumiam bastante recurso de meu orçamento e tempo. Assim ela o fez. E eu continuei trabalhando em meu notebook. De repente vejo a gata andando pela sala. Ela entrou pela janela do quarto, que estava aberta. Quando a peguei para colocar para fora, percebi que estava prenhe. Eu não podia fazer isso com ela. Já estive em situação similar e sabia da importância de se sentir acolhido. E ela ganhou um lar. Teve seis gatinhos em abril, no feriado de Páscoa, e que foram todos doados. Vive com a Brenda e é sua fiel protetora.

O Lucky, depois de muito brigar com o Salu, muito ativo e ciumento, enfim parece estar no lugar dele. Junto comigo, aqui na praia. E passou a ser um cachorro mais calmo e carinhoso, já que só somos ele e eu.

O Relógio e os anos.

Estava eu divagando no ônibus interurbano, sentada ali, no primeiro banco, logo atrás do motorista. E de tanto não ter o que fazer, notei um relógio digital e fui calculando o horário em que chegaria ao meu destino.

Mas como faltava muito ainda, a mente escorregou pelos números e percebi que estava no começo do século vinte, mais precisamente nos idos anos 30. E eu me distraia e olhava de novo a passagem dos anos, agora muito rápido, 1937... 1944... e foram nascendo meus pais e tantos outros amados seres.

De repente já estava em 1957 e percebi que a qualquer momento chegaria minha hora de nascer, só mais 6 aninhos.

Só que, num passe de mágica, o século virou para o XXI, e eu não cheguei a nascer. Ou será que devo somar aqueles seis anos e nasço em 2003. Assim seria eu agora uma adolescente, uma menor púbere, antenada ao mundo digital, em pena forma física e com uma montanha de ideias dentro de uma cabeça pronta para conquistar o globo, com muito espaço livre no hardware, e talvez com os ponteiros do relógio ao meu favor. Ponteiros não! Porque o relógio é digital, e os anos se escoam em minutos...


MINHAS FILHAS

Minhas filhas representam lados diferentes de minha pessoa, porém, logicamente, elas são muito mais que isso. Enxergo em ambas aspectos físicos e comportamentais de mim mesma, porém lados bem distintos entre elas. Tive menor convivência com a mais velha, e isso faz com que não a conheça tão bem, e as afinidades fiquem prejudicadas. Mas amo-as igualmente.

Quero expressar minha gratidão pelo privilégio de ter-me tornado sua mãe, Débora Lessa S. Alcaraz. Você, sendo a primeira filha, deu-me a satisfação da maternidade.

Quero lhe dizer quanto sou grata pela filha que sempre foi, inteligente, dedicada, formosa, aplicada, determinada. Nunca me deu trabalho para nada, pelo contrário, sempre me deixou orgulhosa, satisfeita e tranquila. Seu nome significa abelha, e como ela você é laboriosa e organizada, aproveita o melhor do que a vida te oferece, e tem construído uma história de sucesso. Tem demonstrado talentos em muitas áreas como: música, gastronomia, esportes, relacionamentos, além dos já conhecidos relacionados à sua capacidade cognitiva. És um orgulho para mim.

Sou grata por ser mais fácil de entender, poderia dizer previsível, se isso não soasse pejorativo. Na verdade, tinha comportamentos mais parecidos com os meus, ou reações semelhantes às minhas. 

Sou grata por perceber o quanto independente se tornou, e isso sempre foi alvo de minhas preocupações.

Agradeço pelo cuidado e carinho com que se dedica ao seu trabalho, a sua família, aos seus animaizinhos de estimação, aos seus amigos, aos seus hobbies, e as suas causas.

Obrigada por ser essa pessoa engajada nas causas sociais e politicas. Obrigada por estar em construção e demonstrar o ser iluminado que és.

Espero ter feito a minha parte nesta construção. Deus a abençoe. Continue neste sentido que manterá sua alegria com sabedoria.


Também foi um privilegio ter me tornado sua mãe, Brenda Lessa S.Galini. 

Agradeço a você pela companhia incessável, pelo choro compartilhado, pelo grande poço de amor e paixão que é seu coração.

Agradeço também porque você tirou-me da zona de conforto, foi uma filha desafiadora em suas atitudes diante da vida desde a mais tenra infância, com aa falta de confiança que expressava em mim. A Débora estabelecia o elo, coisa que ela faz até hoje. Depois, pela forma com que lidou com os estudos, as amizades, as tatuagens, sua determinação quando deseja ardentemente algo. Foram desafiadores e fizeram-me crescer na aceitação, compreensão e tolerância.

Obrigada por ser este ser sensível e brilhante que sempre tem um ombro amigo a oferecer.

Obrigada por sua competência e responsabilidade com as coisas que julga importantes.

Obrigada por ensinar-me o desapego com tantas outras coisas.

Deus a abençoe e fortaleça, com clareza de propósitos para que alcance a felicidade almejada.



MODELOS DE GRATIDÃO

MEU MARIDO (in memorian)

Sou grata a você meu marido, Roberto Davini Junior, que se tornou a pessoa mais importante de minha vida, durante nosso convívio, por ser meu cúmplice, confidente e parceiro, aquele que estava sempre comigo e não me abandonava.

Obrigada por ter me proporcionado a sensação de ter uma família minha.

Obrigada por fazer-me sentir amada, desejada e cuidada, devolvendo-me a auto-confiança.

Obrigada pelo amor que dedicou a mim e as nossas filhas como só um verdadeiro pai poderia fazer.

Essa talvez seja a certa mais difícil de escrever pois minha gratidão é enorme, não só por mim e nossas filhas, mas também por meus pais, pois a eles devolveu a honra  e demonstrou a classe de homem que era.

Obrigada por ser um Ser nobre, de elevado espírito, de grande inteligência, com muita pureza e inocência até, mas de enorme coração.

Nossa intimidade levou-me a conhecê-lo melhor que a qualquer outra pessoa até então.

Talvez eu esteja lavando a minha alma ao expressar tal gratidão, mas espero,tê-lo feito suficientemente enquanto vivia.

Espero também ter ter demostrado minha gratidão com amor e cuidado, como você sempre fazia.

Obrigada pela felicidade que me proporcionou, garantindo minha fé nos relacionamentos homem/mulher, na instituição família e em toda a humanidade.

Obrigada pelas qualidades que enxergava em mim.

Nem tudo foi um mar de rosas, mas tenho, certamente, muito mais a agradecer do que criticar.

Deus o abençoe! És um fiel.

MODELOS DE GRATIDÃO 

MINHA MÃE

Sou grata a você minha mãe, Cleuza Lessa da Silva, por conceber-me e dar-me a luz.. Pela presença edificante e construtiva desde a minha primeira infância até os dias atuais.

Obrigada pois foi você que me ensinou todas as coisas da vida, até as mais complicadas. Ensinou-me a ser crítica e não aceitar respostas simples e convincentes. Isso proporcionou-me um salto na evolução como ser.

Obrigada por ter sido um modelo de força e decisão, que sempre me inspirou.

Sou grata por sua atenção, por seus conselhos e até por suas críticas. Elas me fizeram entender o mundo de outra maneira, compreender melhor seu jeito de ser e como lidar com isso. Você, como eu, só deseja ser amada, respeitada e acolhida. E isso eu posso fazê-lo com alegria e satisfação.

Obrigada pelas longas conversas que sempre me levam a refletir e crescer.

Obrigada pela companhia constante.

Obrigada por ter ajudado a construir nossa maravilhosa família. Obrigada pelos tios e avós que me proporcionou, e toda a família.

Obrigada pelo cuidado e atenção comigo, minha irmã, minhas filhas, meu marido e principalmente com meu pai.

Obrigada pela assistência financeira ao longo de toda a minha vida.

E ainda serão muitos obrigadas pelo restante de nossas existências.

Deus a abençoe com saúde, lucidez, autonomia e alegria. 



MODELOS DE GRATIDÃO

06/02/2019

Resolvi fazer um treinamento de gratidão para realçar os valores de minha vida, e fazer fluir mais facilmente. O programa propôs, em um de seus 28 dias, agradecer às três pessoas mais importantes em sua vida. Teria muitos para eleger e agradecer, e não consegui ficar só em três como pedia o exercício. Então, elegi os 5 principais, por ordem de nascimento.

Assim, começo com :

MEU PAI (in memorian)

Sou grata a você meu pai, Orestes Gonçalves da Silva, por ter me conduzido nos caminhos da retidão com paixão. Tenho como certo que a paixão com que me dedico as coisas em geral, herdei de você.

Agradeço os sábios e ponderados conselhos que me deu em ocasiões importantes de minha vida com o Roberto ou no trabalho.

Agradeço pelos cuidados que dispensou a mim, meus amigos, meu marido, minhas filhas e minha mãe principalmente.

Agradeço pela família em que me incluiu, sua família.

Agradeço seu esforço e dedicação ao trabalho para nos proporcionar todo o necessário financeiramente, e todo seu suporte moral e pessoal que ajudaram na construção do meu ser. E também de minha irmã.

Agradeço por ter proporcionado o equilíbrio necessário a um lar exitoso.

Agradeço por todo o amor com que nos cercou por toda a sua vida.

Se houve alguma falha, os acertos foram maiores e melhores.

Eu poderia escrever um livro sobre tudo que tenho a agradecer e ainda faltariam coisas.

Mas sua honestidade e exemplo foram determinantes. Obrigada meu pai. Você cumpriu sua missão com louvor.

Saudades! Deus o abençoe.

Cartas aos amigos

12/04/2018

Primeiramente resolvi verificar se o termo: 'Cartas" se aplica ao que vou escrever. Na Wikipédia assim está definido:


"é o termo que descreve um manuscrito, um datiloscrito ou um impresso destinado a estabelecer uma comunicação interpessoal escrita, entre pessoas e/ou organizações, de cunho particular.[1]A legislação brasileira, em sua regulamentação dos serviços postais, define carta como: "objeto de correspondência, com ou sem envoltório, sob a forma de comunicação escrita, de natureza administrativa, social, comercial, ou qualquer outra, que contenha informação de interesse específico do destinatário".[2]"

Assim esclarecido, vou abaixo transcrever cartas, comunicações pelas novas mídias, denominadas redes sociais e que sinto que precisam ser agrupadas para demonstrar um movimento, uma forma de ser e fazer, que espero, transforme, pelo menos, o mundo que me cerca.

Começo com uma citação que recebi de um de meus interlocutores, de Mahatma Gandhi:

"Ser tolerante não significa aceitar o que se tolera". 

Sim. Certamente. Iniciando a conversa, ser tolerante é algo extremamente difícil, mas o primeiro passo a ser dado antes de qualquer ação. A aceitação. Tem coisas que são intoleráveis. Diante delas você age. Mas se você atingiu o estado de tolerância ideal, aprendeu também o respeito, e está talvez bem próximo de amar. Assim, sua ação será racional, e não guiada pelas emoções do intolerante. Ou mesmo de quem foi castigado e fustigado, decepcionou-se e frustrou-se ao longo de toda uma existência. Uma ação eficaz necessita disciplina da razão aliada a um coração preparado, na fé, na esperança e no amor. 

"Aceitar não é ser passivo. É ser compassivo e não sofrer desnecessariamente. É economizar energia e aplicá-la de forma racional. É usar a mente e o coração, não os músculos, a força bruta. ACEITE que dói menos."

Eu, "tenho que vigiar minha intolerância no que diz respeito às tais rodas partidárias. Está tão difícil a convivência devido a enxurrada de manifestações partidárias. Em todos os grupos. Sinto- me atolada na lama de um pensamento comum. Tentando desesperadamente mudar o assunto, a sintonia, a vibração. Sem ter que solicitar literalmente a mudança. Permitindo, talvez, ao próximo, a clareza e a criticidade em seu próprio tempo. Mas todas as mídias informativas vão em sentido contrário. E turvam a mente tocando os corações. O que fazer para não ser omisso? E ajudar no processo com uma voz tão inaudível quanto a minha?‎


Assim que decido juntar os ditos, os lembretes, as cartas. Tudo junto pode fazer mais sentido, e gerar mais efeitos positivos, espero.


"Acalma Senhor o nosso coração para que sejamos capazes de superar nossa ignorância e entender, como, onde e porque. Sem sofrimento e nem raiva. E assim transformar: Eu, o outro e você. Sem revolta, sem guerra. Na PAZ! "

"A esperança é uma grande virtude, e fonte de grande energia. Que nossa esperança hoje esteja centrada em um único SER. O DIVINO. Em um único humano. Cada um de nós. Que sejamos capazes de não submeter a nossa esperança a nenhum outro."

‎"E eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... Ou mesmo não parar de bater na mesma tecla. Que sejamos capazes de "sacudir a poeira e dar a volta por cima."‎

"Se desejo ser fruto, tenho que começar semeada, romper a terra, crescer, fortificar, florear. Enfrentando pragas, sol e tempestade. Até chegar o dia de frutificar."‎

"Que eu me ame o suficiente para apreciar minha própria companhia. E tenha a certeza de que Deus sempre está comigo. Mas se alguém mais quiser me acompanhar, será sempre bem vindo."‎

 "Não sou de esquerda. Nem de direita. Acredito que o poder corrompe. Que precisamos lutar sim, com exemplos. A mudança de comportamento se faz necessária. Também não ligo mais de parecer chata quando exijo meus direitos ou reclamo de atitudes oportunistas em alto e bom som. Acredito na justiça divina. Também acredito que todo aquele que for culpado deve ser condenado e punido. Fico feliz por perceber que cadeia também é pra poderoso. Mas creio que alguns passaram do amor ao ódio por um partido especificamente. Como nunca projetei minhas esperanças de um Brasil melhor em nenhum político, estes me causam asco, mas nenhuma frustração. Me preocupa se alguém acreditar que, com essas medidas, o país irá melhorar. O país só irá melhorar se deixarmos os maus sentimentos de lado e agirmos na mudança de valores do povo. Creio que o que tínhamos, e que hoje nos falta. Na época dos militares era o amor a pátria o que prevalecia. E respeito, uns pelos outros e pela Nação de brasileiros. Hoje tememos. Não acreditamos que o outro seja capaz, pelo contrário, temos a certeza de sua má atitude, má intenção. Enquanto não nos unirmos como cidadãos, trabalhando em prol do crescimento de todos, só mudarão as moscas. E esse trabalho não se faz com escárnio, ira ou mágoa. A ira contamina, e trabalha em prol do ego, do eu mesmo. Só o amor trabalha em prol do coletivo. Temos agora menos tempo do que quando o partido tomou o governo (por voto popular, é claro). Talvez não tenhamos muito mais tempo de lidar com futuras frustrações...  Minha bandeira, assim, continua a da paz. Espero oferecer bons exemplos. E ensinar. E que muitos me sigam. E que outros façam como eu. E talvez ainda possa ver a volta do respeito e o orgulho de ser brasileiro.

Ao que fui questionada:

"Quais são ou serão suas ações?‎"

 

"Estou escrevendo. Mando mensagens para todos os meus contatos. Procuro as pessoas, e ofereço minha amizade, familiares, amigos e desconhecidos. Demonstro os meus valores através de meus atos. Foi citado Gandhi. É um de meus ideais (acho que não devo ter ídolos) . Citarei Jesus:

 "Ide e evangelizai". 

"Comprovei ao longo da vida que pude influenciar muita gente com meu comportamento e modo de ver a vida. Não sou nenhum destes mestres. Mas posso ser luz pra muita gente. Você pode até não acreditar, mas muitos se perguntam: o que a Meyre faria numa situação desta (desculpem-me se pareço prepotente)... Penso que consigo trazer amor com sorrisos abertos e coração acolhedor. Parece pouco? Às vezes também me parece, mas cada dia sinto que chego mais longe. E encontro adeptos pelo caminho. Como acredito que bons pensamentos refletem em alegria. Alegria reflete em boas ações. Boas ações geram boas coisas. Ou pelo menos as pessoas alegres enxergam boas coisas em todas as facetas da vida. Creio ter um poder transformador. E pessoas que vão transformando-se, preocupam-se muito menos consigo mesmas. Querem ver também a alegria do outro. Não importa se o que tenho para comer é só um ovo. Se estou vestida, abrigada, posso me locomover, sentir, falar, ouvir, sou rica. E me sinto verdadeiramente feliz. Ainda o que me preocupa é ficar em dívida. Qualquer que seja. Compromisso para mim é coisa séria.‎

Acredita que estou fazendo algo?‎"

"Em meio a tanta mágoa, raiva ou descaso, tento ser o patinho feio, diferentão, mas conservo minhas cores da alegria. Quero ser visto e imitado. É o que sinto que posso fazer, mostrar- me, como sou, de bom astral, sorridente, e fazer meu quá- quá. Mas também creio que cada um tem uma missão diferente. Faça a sua parte da melhor forma possível, como entende fazer a diferença. Só não deixe envenenar seu coração, senão a razão ficará deturpada."


(AS CARTAS E CITAÇÕES ENCONTRAM-SE ENTRE ASPAS AO LONGO DO TEXTO)


Agentes do Bem

16/02/2018

Em minhas divagações sobre o mundo e sobre mim mesma, vou tirando conclusões que podem não ter nenhuma relação com a verdade, mais mesmo do que com a realidade, mas que vão me satisfazendo em cada etapa de minha evolução.

Nunca consegui assistir à série de filmes Matrix, porém, em sua essência, ela satisfaz uma ideia que faço do mundo, e de como somos pequenas peças de uma máquina Universal. Casualmente, me deparei com um texto que fazia referência a essa Matrix como a algo da espiritualidade. Fui pesquisar. E vejo que o filme todo foi cuidadosamente elaborado sobre crenças espirituais e sobre mitologia, conferindo a alguns personagens e lugares, curiosos nomes associados à importância de seu papel diante da essência humana. O espírito.

Mas também fala de física, de filosofia, da relatividade, da virtualidade. Encaro nosso pequeno planeta como um ponto microscópico num gigante corpo que, se quiserem, podemos chamar de Deus. Ou não. Um corpo que pode ser como o nosso, em crescimento. E o nosso planetinha tem lá as suas funções. Na vida e manutenção do corpo, do todo. Não sei dizer se ele é um órgão, ou uma célula. Se faz parte do sistema nervoso ou do circulatório. Mas se está lá, tem alguma importância.

E nós? Nós somos agentes. Divididos em Higiênicos e Patogênicos. Benéficos ou maléficos.

Podemos ser parte da ilusão criada por cada um de nós. Mas nessa ilusão criamos uma pseudo-realidade decidindo como vamos atuar no pequeno pedaço do corpo onde estamos alojados. Podemos ser o vírus, a bactéria nociva, o verme, o agente patológico, que chega sozinho, mas tem grande influência e poder de persuasão. Quando não encontra resistência, vai se multiplicando e se espalhando por toda nossa Terra, adoecendo-a. Destruindo-a. Destroçando-a. Ou, podemos ser o exército da salvação, atentos leucócitos, que se juntam para exterminar os invasores.

Talvez estejamos criando o mundo em que vivemos, e se assim for, está na hora de viver uma nova realidade (se é que existe algo real). Projetar talvez seja o termo mais adequado. Nosso corpo, numa visão microscópica do mundo, já nos ensina como agir. Glóbulos brancos. Mobilidade. União. Sistema nervoso. Comunicação.

Passemos ao mundo numa visão macroscópica, sendo nós os pequenos seres unicelulares. Agentes do bem, eu convoco, unam-se para expulsar de nosso corpo as doenças que o contaminam. Existe um ditado que diz que a união faz a força. Nossa união não é de força, mas de energia. Em física, energia é a capacidade de realizar um trabalho. A energia do bem, a energia do amor, precisam ser ativadas. E não pode ser complacente. Tem que ser convincente. Sejamos, nós, os agentes higiênicos, tão envolventes quanto os vírus, tão contaminantes quanto as bactérias, e provoquemos a mudança através de escolhas responsáveis e comprometidas. Não consigo mesmo. Não comigo. Nem com sua 'família'. E sim com o órgão do qual faz parte. E com o corpo, que é muito maior, e você nem sabe onde é mesmo que você se encaixa.

Vamos curar esse corpo que nos pertence!


Fontes

https://profeciasoapiceem2036.blogspot.com.br/2015/06/matrix-decodificada-os-significados.html

https://evoluasuaconsciencia.blogspot.com.br/2014/10/a-ilusao-de-tempo-e-espaco-matrix.html

Vivo de recordações ou recordo porque vivo

Bem sei que as pessoas são diferentes. Graças a Deus! Nada aprenderíamos se todos iguais fossemos. E em meu jeito muito peculiar de ser, e de não gostar de sofrer; e não me venha com a conversa de que ninguém gosta de sofrer; evito as recordações que me entristecem.

Preciso passar um par de anos sem muito contato com algo que perdi, perdi para o tempo, para a situação, para a vida, mas que de alguma forma afastou-se de mim. E olha que as perdas foram muitas. Até órgãos. E quando alguém pergunta, eu respondo chorando por algum tempo, mas assim que paro de falar, o esquecimento toma conta do meu ser, bem treinada que estou. É como  respirar. Simplesmente. Está lá, numa caixinha, tampada, às vezes trancada. Ouvi dizer que isso tem um nome na psicologia: compartimentação. Ponho lá e esqueço minha caixa de Pandora.

E um dia, sem mais nem menos, eu esbarro com a lembrança, e já não dói mais. Aí eu posso inferir, guardo ou descarto? Sempre guardarei, na lembrança, na memória. Mas o contato físico com a recordação, às vezes não me é mais necessário. Cada fase de nossa vida acontece para nos proporcionar algo de aprendizado e de conhecimento. Se já cumpriu sua função, não preciso mais. 

Aquele contato é por vezes prazeroso agora. Enxergo-o como uma oportunidade de vida. Que tive de viver naquele momento, com aquela pessoa, e naquela situação. Uma oportunidade de emprego, e que fui demitida, mas que me levou até onde estou hoje. Um amor perdido que me fez forte e valente, me tornou uma pessoa madura para me relacionar não só com meu parceiro, mas com filhos, e com outros seres humanos e que agora me sinto bem até comigo mesma. Uma oportunidade de ter convivido com seres tão maravilhosos, como foram minha irmã, meu pai, meu esposo... E tantos outros importantes na história da minha vida. Que ainda está sendo vivida.

E vivendo estou construindo novas recordações. E que talvez, só talvez, no livro de minha história, ao ser lido no lugar pra onde irei quando aqui terminar minha jornada ou missão, alguém me diga:

" São tantas páginas. Sem manchas de choro, e com muitas recordações."

E VIVO para ter o que recordar.


CANTANDO EM INGLÊS

Eu não sei falar em inglês. Já tentei várias vezes aprender e nunca desisto. Acho que agora até tenho me saído um pouco melhor para interpretar leituras, e tentar estabelecer uma comunicação se os interlocutores falarem o básico e bem devagar. Lamentavelmente! Mas não é o fim. Então ainda há tempo.

No entanto fiquei observando várias pessoas que também não dominam esta língua, em meu círculo de relacionamento e que, no entanto, ao iniciar uma canção, no rádio, na TV, em num show, em um baile, ou onde quer que seja, que elas gostam e decoraram a letra, se pões a cantar. Alguns imitam os sons e por vezes não estão falando nada certo. Outros no entanto, tem alguma noção, e encaixam direitinho as palavras, mas não sabem o que estão cantando.

Por que eu não consigo? Já tive que decorar algumas canções em inglês ao longo da minha vida, em função dos cursos de inglês que fiz. As que decorei quando criança, que se resumem a duas: "How deep is your love" e "Three times a ladie", que ainda sei parte da tradução e consigo cantar uma parte corretamente, ainda. Depois disso, decoro e esqueço, e não consigo nem inventar algo com sonoridade parecida para acompanhar.

Mas comecei a pensar em mim mesma. E finalmente compreendi. Sim, porque sou uma pessoa de compreensões. exatamente isso. Sou uma pessoa de compreensões. Nunca consegui decorar nada na escola. tinha que entender, compreender. Depois que compreendia, era capaz até de ensinar aos outros. Sempre fui boa aluna, Mas tinha que prestar muito a atenção. Se não entendesse, procurava ajuda, em livros, outros estudantes, outros professores, mas sem compreender não de-cor. 

Afirmam que a expressão 'de cor' é uma abreviatura para: de coração. Ou seja, aprender de coração, absorver, assumir o conhecimento, não simplesmente repetir como um papagaio. Não que veja nenhum mal nisso. é a forma como cada pessoa lida com suas necessidades. Mas eu. Eu preciso absorver, sentir, entender, compreender. Então, só me verás falando ou escrevendo sobre aquilo em que acredito. Se são verdades, não sei. O são para mim.

E, se me virem cantando em inglês, é porque aprendi me comunicar nessa língua, e já sei o que estou falando. Ou cantando.

QUE TIPO DE MULHER VOCÊ É

Eu estava assistindo, num outro dia, um vídeo de um comediante que concluía com que tipo de mulher o homem está lidando baseado na quantidade de shampoos em uso que ela tem no box do banheiro. Era para ser engraçado, tudo bem, até foi. Mas fato é que ele foi muito simplista.

Classificou dois comportamentos:

- a mulher decidida, com um único par de shampoo/condicionador. A que não perdoa. Se o homem pisar na bola, adeus meu amor.

- e a que tem vários pares de shampoo/condicionador e que espreme até a última gota sem querer jogar fora aquele que lhe é tão precioso. Neste caso o homem deve entender que ela sempre estará disposta a lhe dar mais uma chance, como se na última gota ainda tiver conserto. A possibilidade de mudar definitivamente suas madeixas para melhor.

Ao ver esta transmissão, senti que não me encaixava em nenhum dos dois perfis. Pois gosto de ter pelo menos três pares de shampoo em uso. E fiquei comparando-me às situações propostas. Eis que entendi um terceiro perfil. E tenho certeza que não será o último. Cada mulher deve tentar descobrir o seu tipo.

Sou daquelas que precisam de mais que um shampoo para deixar meus cabelos volumosos e com brilho. A atenção de um só, faz com que meus cabelos vão perdendo a beleza natural. Se um acaba, logo troco por outro. Agora, se o shampoo for muito bom mesmo, que faz bem para o meu cabelo, como tenho um, antes de acabar já compro outro igual, e deixo de prontidão, para repor assim que necessário. Esse é o meu eleito. Aquele que resolve meus problemas. Se eu ficar alguns dias sem um dos outros, não tem problemas. Desde que esse não me falte. Os outros me fazem bem ao ego. Ajudam a manter meu brilho. Mas esse me garante as formas, a essência verdadeira de meus cabelos. É aquele que não quero dispensar, até que apareça marca melhor, ou seja retirado do mercado. Aí, não tem jeito. Tenho que procurar um substituto, porque ficar sem lavar o cabelo é que não dá.

O ENGODO QUE É TRABALHAR

Passamos a maior parte de nossa vida adulta e produtiva em algum tipo de trabalho visando ganhar dinheiro para poder viver, ter as coisas, sustentar a família. E temos, ao longo deste tempo a sensação de utilidade. Fazemos algo que nos torna útil à sociedade. 

Nada poderia ser mais enganoso. Ao pararmos de trabalhar, por qualquer motivo, desemprego, doença, aposentadoria, maternidade, qualquer, passamos sentir um vazio.

Essa sensação de vazio é porque entendemos que a vida deve ter um significado, um objetivo. Não devemos estar aqui só para comer, dormir e conversar. Enquanto estamos trabalhando, o serviço nos distrai e pensamos que somos úteis. 

 Na verdade, temos tempo de trazer significado para a vida agora, que não estamos trabalhando. Fazendo-nos felizes e contagiando outras pessoas. Isso pode ocorrer na forma de um trabalho voluntário. Participando de grupos de atividades diversas que te proporcionem satisfação. Viajando e conhecendo pessoas, como fiz. Tomando café da tarde com amigas. Reunindo-se com pessoas para fazer artesanato, e doar seu trabalho e sabedoria para outros. O importante é cercar-se de gente. E fazer a diferença na vida de alguém.

O trabalho dignifica o homem só serve de base para o capitalismo selvagem.

A palavra trabalho tem sua origem latina tripallum (três - madeira), e era um instrumento de tortura para forçar os homens sem posses a pagar seus impostos. E daí para o francêns travailler que significa, sentir dor. 

Não é o trabalho que dá sentido a vida, e nem depende dele a nossa identidade. Somos mais que isso, e nossos momentos fora do trabalho nos possibilitam a criatividade, e a pratica de bondade, caridade e tantas outras idades que o tempo vai deixando para trás.

Nunca é tarde para ingenuidade.

Vivendo e aprendendo é um jargão muito utilizado. Penso que a vida não teria sentido se não fosse o aprendizado. Para que aprender é uma outra questão importante que vai de encontro aos seus valores, Principalmente religiosos.

Mas não é esta a questão aqui. Dos altos de meus vinte anos de idade, recepcionando um cliente vistoriador de qualidade de uma grande empresa, me vi olhada de cima abaixo, como uma ninfeta inexperiente. E não me via assim.

Hoje, nos meus mais de cinquenta anos, me vejo diferente. Uma pessoa que sabe bastante aprendeu observando e aplica o que decora, ou seja, aprende o que gosta, o que o coração assimila. Já me recuso a aprender algumas coisas. E me sinto incorfomada por cair em tolas armadilhas, cometer erros bobos, me sentir como uma adolescente e, por muitas vezes ainda me envergonhar.

Se não estou cometendo nenhum delito, do que me envergonho?

Por que, por mais que o tempo passe, nos sentimos jovens dentro de corpos maduros? E quando jovens, nos sentimos tão experientes?

Ainda lido com emoções latentes, vontade de amar e ser amada e com estranheza aos que se contentam com menos.

O que faz alguém submeter um tempinho, um tempão ou a vida à infelicidade?

Ou é só forma de dizer? Não é o que realmente se sente?

Não. Eu da vida quero tudo que ela possa e queira me oferecer. Que venham amigos, que venham sorrisos, que venham filhos e amores, que venham amantes. Só não quero decepções. Nem ilusões. Quero a palavra bendita. A clareza nas coisas e gestos. Não tenho mais tempo nem idade para ser enrolada. Venham-me com verdades. Aprendi a administrá-las. Isso eu aprendi a fazer!

Lidando com a melhor idade

Cheguei a conclusão de que aqui, no Brasil, somos a primeira geração que está literalmente, convivendo com os maiores de 70 anos. E descobri que isso não é muito fácil, ou talvez possa dizer que é bem difícil.

Por que essa constatação?

Por aqui eram raras as pessoas que atingiam essa idade, as doenças, acidentes e exaustão levavam à morte prematura. Poucos eram os idosos que, por via de regra, acabavam indo parar em casas de cuidados para esse grupamento.

As pessoas hoje estão envelhecendo com mais vigor físico e sanidade mental, tendo independência financeira e pessoal, às vezes ainda até sendo responsáveis pelo provimento da família.

E então nos deparamos com suas manias, seus esquecimentos, truculências e intransigências. Estamos a meio caminho da melhor idade, mas ainda sem a docilidade e paciência necessárias, se é que um dia as obteremos, para esses cuidados.

E assim, vamos observando, em cada lar, o amigo e seus pais, a prima e seu tios, você e sua mãe ou seu pai, parece que o filme se repete, às vezes até entre esposo e esposa, se houver uma diferença significativa de idade, uma dificuldade enorme, até intolerância.

Mas aquele velhinho ou velhinha de aparência tão inofensiva, tão frágil, tão bonzinho com todo mundo... Pode se transformar num cruel convivente, e você, num monstro incompreensível aos olhos de todo o mundo exterior. Onde já se viu um filho ou filha tratar assim aos pais? Vamor precisar de orientação profissional. Quem sabe com nossos comtemporâneos europeus!

E que venha o tempo para mais uma vez nos ensinar.


Por que assim?

A maior parte dos mochileiros que andei pesquisando, relatam suas experiências ao longo ou depois da viagem.

Resolvi fazê-lo durante a preparação pois não me considero uma completa inexperiente no assunto. Nunca viajei de mochila nas costas, mas fiz muitas viagens ao longo dos meus mais de 1/2 século, utilizando vários meios de transporte. Em um única viagem pela Europa, com carro de aluguel, rodei mais de 7000 km. Pelo Brasil, foram inúmeras viagens, em carro próprio, de aluguel, de avião. E aqui, rodar 2000 km é "peixe pequeno".

Mesmo o percurso que pretendo seguir neste primeiro, e notem bem quando digo: "primeiro" mochilão, parte dele já fiz de carro. Ainda não conheço o Chile nem o Paraguai, a não ser aqui na fronteira com o Brasil, em Foz do Iguaçu.

A maior parte das viagens com períodos mínimos de 15 dias, e máximo de 35 dias.

Viagens de 200 a 300 km, faço quase todo fim de semana.

Então, algumas coisas aprendi nestes muitos quilometros rodados. E é isso que venho dividir com todos.

Espero que minhas experiências sejam úteis.

Várias facetas da mesma Eu

O caderno de anotações

Meu celular é minha agenda, mas nesse projeto, a ausência de um caderno se fez notar logo no início

Insights

Conforme o projeto vem tomando corpo, me percebo, em muitos momentos, pensando na viagem. Me ocorrem coisas que não posso esquecer, muitas delas que não encontrarei em nenhuma, ou quase nenhuma outra fonte de informação, pois são bem específicas, considerando minha faixa etária, gênero e condição de saúde, por exemplo.

Meu celular não deu conta desse tipo de informação. Adotei então um caderno, espiral, pequeno, com 50 páginas, que me ajude, não estorve.

Pretendo que as páginas deste blog se tornem seu caderno de lembranças. Que, ao ler minhas postagens sintam que não falta nada, que possam seguir confiantes as informações que aqui encontrarem e não ficarão em dificuldades em suas futuras aventuras.

Ao mesmo tempo, o caderno serve para anotar meus devaneios, que serão postados aqui também, para que conheçam melhor essa que vos escreve.


Eras

Transcrevo abaixo, um dos devaneios de minha vã filosofia:

"Quem falece, era?

Era isso e aquilo. Não é mais.

É triste perceber que não é, era.

E deve ser por isso que os séculos, assim juntados, viram eras.

E todo mundo que é, ao longo dos séculos, eram.

Eras!