VISEU – uma grande cidade, para o padrão de PORTUGAL

14/03/2020

O Cleysson, nosso guia na Serra da Estrela, nos disse que na cidade de Viseu devíamos visitar a Sé, e o Shopping Palácio de Gelo. Considerando que já sentíamos o começo das ações preventivas por causa do Corona vírus, a possibilidade de ir a um shopping, aberto, foi atrativa.

Não tivemos pressa para sair de Covilhã e fomos direto ao Hotel. Mas com a baixa frequência e muitos cancelamentos, já nos autorizaram a entrar. Depois fomos ao shopping de Viseu, e realmente, já de longe ele nos pareceu bem bonito. Rodeamos para achar a entrada do estacionamento, e de novo fiquei sem saber como usar a Via Verde. O estacionamento estava com poucos veículos. Foi fácil encontrar uma vaga.

Mas passear no shopping foi desolador. A maior parte das lojas estava aberta, mas vazias. Algum movimento no supermercado.

Eu queria comprar um escapulário, para fazer presente, e já tinha procurado em várias lojas de igrejas. E de repente vi um quiosque destes que trabalham com artigos de aço. E encontrei. O rapaz que me atendeu é brasileiro, e sua mãe é a dona do quiosque. Ele está há pouco tempo em Portugal, mas disse que não é normal num domingo de manhã o movimento estar daquele jeito.

Depois fomos para o último piso, onde se encontra a área de alimentação, e as coisas não estavam diferentes. Ainda fiz pose junto a uma limusine, sem medo de fazer papel ridículo já que não tinha ninguém, além de minha amiga, para ver isso. E agora vocês, kkkk

Únicas clientes do restaurante, fomos muito bem atendidas, e eu resolvi experimentar a 'Francesinha', enquanto a Cristina comeu bacalhau, com batatas ao murro e salada. A francesinha é um lanche típico da região, composto de pão, bifana, linguiça, coberta com queijo, derretido, e um ovo frito. Vem mergulhado num molho apimentado, que pode ser servido à parte. Como eu não sabia e não gosto de pimenta, pedi que fosse passado para um outro prato o lanche. A Cristina adorou o bacalhau, numa posta grossa, servida com muito azeite, do bom, português. E comi uma gelatina de sobremesa.

Na saída ainda passamos na farmácia, onde comprei a própolis sugerida por minha amiga Maris, como forma de proteger a garganta e o corpo de vírus. Só podíamos entrar na farmácia quando chamado por senha, o que aqui é normal, mas havia um cordão de isolamento mantendo a distância de 2 metros entre atendente e cliente, e as mãos são esticadas para entregar e receber, pagar. E depois de cada atendimento elas limpavam as mãos com álcool gel e também a máquina de cartão, se for o caso.

As igrejas não estão fechadas, ainda ao menos. Estacionei o carro ao lado do Parque Aquilino Ribeiro e fomos ver a Igreja dos Terceiros de São Francisco. Em frente a ela uma grande escadaria. Conduzi a Cristina pelo portão lateral do Parque, indicando um banco, e voltei para subir as escadas e verificar se havia um caminho alternativo para ela. Mas enquanto fiz isso e tirei algumas fotos, ela mesma achou uma rampa, que iria economizar mais da metade da escada. 

E entramos na pequena igreja, com vários motivos decorativos em azulejo português. Achei um encanto a Via Sacra.

Em seguida entramos no Parque a caminho do portão lateral, na rua onde estava o carro. Algumas poucas pessoas passeavam com as crianças ou com os cachorros por ali. O dia estava lindo e era domingo. Mas o medo e a prevenção falam mais alto, ainda bem.

Procurando a Sé Catedral de Viseu, passamos por algumas praças, cheias de charme. E estava muito fácil encontrar lugar para estacionar. E aproveitamos.

A Cristina estava analisando a cidade e considerando-a mais nova, em função da largura das ruas. Mas, falou cedo demais. Logo em seguida, para chegar a Sé, os caminhos estreitaram e inclinaram. Cheguei o mais perto que achei aconselhável com minha 'carrinha'. Deixamos na rua, com parquímetro, e deixamos lá umas moedas para garantir a legalidade.

Uma subidinha, curta mas bem íngreme, nos aguardava para atingir as duas igrejas no alto. A Catedral da Sé, meio obscura, fria, e que causou um mal estar na Cristina, e a mim pareceu bem medieval, com aqueles tapetes vermelhos estendidos. Fez-me pensar numa noiva da Idade Média, sobre o rio de sangue, nem sempre casando por vontade própria. 

A igreja em frente, no entanto, a da Misericórdia, foi logo identificada pela Cristina como inspiração para nossas igrejas mineiras, principalmente as de Congonhas do Campo, com o que concordei.

Ali é um grande Largo, onde também está o Museu Grão Vasco, fechado por determinação do governo, como já esperávamos, e não nos frustramos. Pelo contrário, estamos seguindo com nossa viagem como nem podia deixar de ser, alguns hotéis já pagos, nem aceitam cancelamento. E tendo uma experiência única, de uma situação de contingência em um país com uma cultura de guerras e tantas outras crises de saúde. E observar a reação do povo, a serenidade e a seriedade com que a maioria se comporta, é reconfortante, uma lição. Raros são aqueles que parecem hostis, e mesmos estes, compreendemos, pois sabemos dos medos que por vezes nos afligem.

Voltando paramos numa espécie de miradouro, e chegando no carro vi os uma crítica social, que ao meu ver, retrata um mundo muito mais mortal do que o do vírus que parou tudo, o mundo da fome.

Agora rumo ao Hotel Príncipe Perfeito, resolvemos procurar um café ou uma pastelaria. E passamos em frente a uma Gelateria que a Cristina tinha visto antes e gostado, pois é perto da Esplanada do Rossio (ou Praça da República), do Mercado Municipal e da Igreja dos Terceiros, que já tínhamos visitado.

Enquanto escolhíamos no menu, observamos uma movimentação de mesas, intensa. Os funcionários estavam ocupados em levar mesas não sei para onde e não vinham nos atender. Achei até que havia algum grupo grande chegando... Mas depois um garçom tirou nosso pedido, e logo em seguida recebemos um bolinho de chocolate, que pedi apontando e um galão (o café veio numa vasilha a parte, tão lindinho), a Cris pediu o Viriato, um pão de massa folhada, em forma de V (de Viriato e de Viseu), com recheio de creme de ovos. Mas ela não gostou, achou que tinha pouco creme. É um doce típico de Viseu. Ela tomou um café americano. Observando em volta, cheguei a conclusão de que a retirada das mesas era para distanciar as pessoas. E na hora de pagar descobrimos que foi determinação governamental para que se mantivessem abertos, só com um terço de mesas, e não precisa ninguém vir fiscalizar.

E fomos para o Hotel. Que hotel, no meio de um lindo jardim, muito grande, mas sem muitos andares. Ficamos encantadas. Pena que só teremos uma noite aqui. O Cenário que se apresenta, nos fez ficar com vontade de permanecer mais tempo nesta cidade acolhedora.

Novamente não tivemos pressa em sair no dia seguinte.

E fomos para Peneda, no único Parque Nacional de Portugal.