VILA NOVA DE MILFONTES E ARREDORES                     .

18/06/2020

Saí cedo de Sines e passei no mercado para comprar comida para o dia, já que minha intenção era ir parando para conhecer todas as praias possíveis no caminho até Vila Nova de Milfontes.

Minha primeira parada foi na Praia de São Torpes, bem próxima a Sines, com uma extensa faixa de areia, um bom estacionamento, mas com o céu nublado, me pareceu só um local para tomar sol na areia, sem nenhum outro atrativo.

No caminho parei numa bela vista e achei a Praia do Serro da Águia.

E continuei de carro até a Praia Grande de Porto Covo, uma região conhecida por suas belas praias. Deixei o carro no estacionamento e fiz o percurso entre as pequenas praias do local a pé, talvez por pouco mais de um quilômetro, contando as reentrâncias do relevo. E fiquei extasiada. As pequenas praias só são atingidas depois de algum ou muito esforço porque todas estão a vários metros abaixo do nível do povoado. A praia Grande é a maiorzinha.

Depois fui para a que mais gostei entre todas que eu vi, e olha que são todas maravilhosas. Mas a Praia do Espingardeiro tem uma lagoa de água do mar, separada por um banco de areia, parecida com  El Golfo, de Lanzarote de que mais gostei. E a lagoa cria algas, deixando a cor da água num tom esverdeado muito diferente do que a gente vê no mar em volta. E para chegar até ela é um sacrifício. Uma trilha estreita e íngreme, com areia solta, que dá a impressão que se vai escorregar. Eu não me arrisquei, mas filmei um homem que o fez. E as mulheres que o acompanhavam estavam com sérias dúvidas se desciam ou não (o vídeo está no meu Instagram e Facebook - @lessameyre e Meyre Lessa).

Como a reentrância dessa praia é muito grande, fiz uma enorme volta e acabei seguindo pela rua até chegar à Praia do Banho, que além de lindíssima, favorecia mesmo o banho, já que possui uma escadinha de acesso. E lá embaixo as pedras escavadas pelo mar proporcionam uma espécie de parque de diversões para os banhistas, que acham muitos cantinhos diferentes para se banhar.

Eu, lá de cima, fiquei andando para lá e para cá procurando as melhores paisagens. E vi um jet-ski navegando, e logo descobri que se tratava de um salva-vidas. Ele deu um apito que achei que era pra mim e rapidamente me afastei da encosta.

E depois eu vi a Praia Pequena. Ela está separada da outra por uma espécie de península, e junto da parte mais estreita existe uma pequena e graciosa ponte. Esta outra praia tem uma faixa de areia bem pequena mesmo, e muitos seixos, ou pedras, como preferirem. De tamanhos variados, alguns até bem grandinhos. E eu não vi forma de chegar até lá. E nem havia nenhum banhista.

A próxima praia tinha me deixado muito curiosa quando li algumas postagens sobre ela. A Praia dos Buizinhos aparentava ter umas rochas calcárias, depositadas em camadas, que faziam um bonito cenário para os que até ela se atrevessem a chegar. Olhei pelo lado de quem vem da Praia Grande e achei bonita, mas não o que eu esperava, mas quando a vi pelo outro lado, me surpreendi com uma pequena caverna na rocha, dentro do mar, mas próxima a praia, e percebi as rochas que eu esperava, mas a maré estava um pouco alta e encobria parte das pedras.

Queria andar até a Praia do Porto Covo, realmente a praia portuária do local. Também observei de longe e o cenário é bonito, mas a praia serve ao seu fim. Entretanto, ali foi onde encontrei logo um restaurante para almoçar. O Restaurante Miramar. Sentei-me na área externa, servida por coberturas semelhantes às de eventos, quadradas em plástico. E quando cheguei o tempo estava razoável, com nuvens e vento, mas quente. Escolhi um polvo alentejano, pois o garçom me disse que ele é picadinho no molho. Mas tinha questionado sobre o modo de preparo também do bacalhau da casa, e como ele disse que era frito, preferi o polvo. Mas adivinha o que recebi? O bacalhau, com batatas chips. Por sorte ele estava macio, e o empanado crocante e saboroso. Não reclamei, pois fiquei em dúvida se deixei clara a minha opção. Enquanto eu esperava o almoço começou a chover e mudei de posição, pois eu estava num local descoberto. Ainda assim, a aba da proteção deixava pingar a água da chuva em minha mesa. Mas só na lateral. E como as chuvas por aqui costumam ser rápidas, invoquei meu anjo para que a chuva passasse até o término de meu almoço. E assim aconteceu. A conta demorou mais de dez minutos para ser trazida e eu preocupada em voltar a chover. Não aconteceu, mas isso e a troca do prato me fizeram não deixar a gorjeta habitual. Mais essa demora. Eles precisando da mesa para acomodar mais gente e ainda assim demoram em trazer a conta.

Voltei ao carro com o tempo melhorando. E dali eu fui para a Praia da Ilha do Pessegueiro, já um pouco mais ao sul. Para chegar até ela tem uma vicinal que, conforme vamos descendo a estrada de pouca inclinação, avistamos já a pequena ilha. E depois de virar a esquerda no final, fui parar junto ao Castelo, e nessa hora chuviscava. Mas isso não me impediu de ir até a beirada do mar, fotografar a bela praia com a ilha ao fundo, e nela outro pequeno Castelo, que junto ao do continente, fazia fogo cruzado para defender sua costa de possíveis invasores. Circundei o Castelo, já com uma garoa incômoda, e fui fotografada com um grupo de rapazes que se alinhavam para fazer uma selfie enquanto eu pedia passagem. Um disse:

- Deixa a senhora passar...

- Não, espera aí, saia na foto também.

E não devo ter saído lá grande coisa, mas eles podem apagar a foto sem nenhum prejuízo. E eu continuei com o peso do senhora sobre as costas. Não adianta, logo estarão se levantando para ceder-me lugar no ônibus. O tempo passa, não tenho que lamentar e sim agradecer. Nem todos chegaram até aqui. Muitos se perderam no caminho.

E, de novo no carro, vamos para a última praia do dia. Nesta eu tinha pensado em me banhar, mas como a previsão era de chuva a partir das 14 horas e com temperatura de no máximo 20°, não coloquei meu biquíni por baixo da roupa.

E depois de uns vinte minutos de estrada estreita, cruzando com muitas caravanas (motorhome), entrei numa estradinha de terra por uns três quilômetros e cheguei a um amplo estacionamento e uma escadaria de madeira, com proteção, e mais de 130 degraus, que para descer foi uma beleza. E o céu estava limpo e azul quando lá cheguei. E estava quente, até seria possível colocar os pés na água, mas não o fiz. No entanto caminhei por boa parte da praia, pisando em areia fofa, de tênis, e cheguei até umas pedras espalhadas na areia. Blocos imensos de pedras. E qual não foi minha surpresa e alegria ao perceber que um deles possui uma fenda em V invertido, onde pude tirar umas selfies. Minha felicidade foi tanta que a estampei no perfil do meu Facebook.

E agora já podia me dirigir ao Quinta das Varandas, o hotel de Vila Nova de Milfontes. A vila é uma freguesia da cidade de Odemira, mas de muita importância devido a sua localização, na quina entre a desembocadura do Rio Mira e o Oceano Atlântico. E o lugar é uma gracinha. Fez me lembrar das pequenas vilas em que vivi na minha infância e adolescência. Têm várias casinhas brancas, com detalhes em azul, estacionamento no centro e um corpo principal onde fica a recepção e os quartos para casais. As casinhas, pelo que pude observar, acomodam famílias, que as alugam para passar uma temporada na praia. Mas meu quarto, mesmo pequeno, tem varanda, como não podia deixar de ser, pelo nome do local. E a varanda é quase tão grande quanto o quarto, ou maior. Estou bem acomodada, não fosse pela falta do WiFi. Isso me entristeceu muito, porque não posso fazer as publicações no blog e nem assistir aos meus filminhos na Netflix. Ainda bem que tenho ficado bem cansada das andanças do dia, e durmo cedo, e consequentemente, acordo cedo também.

No dia seguinte, uma sexta-feira, segui minha programação para visitar as praias das cercanias. Mas primeiro preciso tomar um café e vou até o centro da Vila, caminhando os primeiros dois quilômetros. E vejo que o mar está próximo dali. Passo pelas ruas com o pequeno comércio local e me aproximo da encantadora Forte de São Clemente, toda tomada por trepadeiras, modernizando sua roupagem. Não o visitei, e dali eu já avistei a Praia Fluvial da Franquia. Um areão e a água transparente, e calma. Fui caminhar pela areia fofinha, e ainda fresca. Os dias estão melhores do que indicava a previsão. Mas as temperaturas não ultrapassam os 23 graus. Mas estando no sol a sensação é outra. Não sei se suportaria o verão daqui. 

E logo adiante vejo muita gente na água praticando esportes náuticos e me dá aquela vontade enorme de andar de caiaque. Paro em uma das estações de locação do equipamento e pergunto o preço:

- Dez euros a hora, para uma pessoa, para duas sai por quinze euros.

- E tem colante salva-vidas?

- Sim.

Sempre pago mais caro por estar sozinha, mas neste caso o preço não é assim um absurdo. Não estou vestida adequadamente. Vou ou não vou? Vamos lá. Talvez não tenha outra oportunidade tão cedo. Vou!

Deixo minhas coisas na barraca onde faço o pagamento. Peço para o rapaz que vai me ajudar a embarcar que fique com meu celular e tire umas fotos para mim. Eles sugerem que eu o leve num porta celular plástico, para poder tirar fotos desde o meio do rio. Mas alego que não terei coragem de largar o remo para isso. Que para mim já é um grande desafio navegar, considerando que não sei nadar. Ele reforça alguns comandos para eu saber direcionar o caiaque e lá vou eu.

- Vire para cá e sorria (clique).

E lá vou eu, toda feliz, em direção ao mar, e depois em direção à Praia de Furnas, no outro lado do rio, e depois vejo a ponte, do lado oposto ao mar, e vou um pouco para o lado dela, e às vezes paro e deixo a corrente me levar, sentindo o vento no rosto, me vendo rodeada de água, numa paz, longe de tudo, do barulho, das pessoas, perto só de mim mesma. E isso faz me lembrar do Anjo, em Tenerife. Deve ser esta a sensação de ser um ilhéu. Não ocupo minha uma hora. E quando retorno outro rapaz me ajuda a sair da água, já que o primeiro foi ajudar uma menina que fazia o stand up paddle. E sai da água com a calça do moletom molhada na bunda e na barra, isso porque eu a levantei até a altura do joelho, mas para mim é mais fácil entrar e sair do caiaque pelo lado mais fundo, dentro da água, e não ter que dobrar os joelhos. Comentei com o rapaz:

- Agora vai parecer que fiz xixi na calça, ainda bem que aqui venta bastante e está calor, e num instante devo estar seca.

Enquanto eu me arrumava, na barraca de apoio, tirando a areia dos pés e voltando a calçar o tênis, fui conversando com ele e brincando com um feroz filhote que latiu muito quando me aproximei, e depois veio me lamber e se enrolar em meu braço.

O outro rapaz voltou e eles me ensinaram a chegar na praia que tem um barco encalhado. Disseram-me que eu podia ir até o restaurante, passar pela Praia do Carneiro e de lá seguir pela praia até o barco. Eu já tinha lido sobre este barco e queria mesmo ir vê-lo.

- E depois posso voltar por baixo.

- Sim.

(se alguém quiser verificar este fornecedor o endereço deles é

www.swsup.pt ou no Facebook a página é SWSUP.alentejo )

Porque de onde estávamos eu via um caminho de concreto construído junto às pedras e que dava passagem à próxima praia. E queria ir lá também. Mas resolvi começando por onde eles falaram. E quando cheguei ao restaurante, vi que era o Choupana, onde pretendia fazer uma refeição. É uma grande palafita pousada na areia da Praia do Farol. Então, como já era hora de almoço, umas 14 horas, parei.

E louca para comer um pescado no molho. Aqui eles gostam de tudo grelhado. Tudo bem que nós temos o churrasco, mas é muito diferente comer carne bovina na grelha e peixe. Falando nisso lembrei-me da primeira vez que comi sardinha assada. Foi feita por um descendente de português, amigo do meu pai. O Osvaldo, já falecido também. A mulher dele, Vera, e minha mãe são amigas até hoje. E continuando, quando vejo no cardápio camarão cozido pensei: "É esse mesmo, nem importa o tipo de molho."

- Quantos gramas a senhora deseja, porque este é vendido por quilo?

- Trezentos está bem.

Pedi um queijinho para ir petiscando já que a fome estava grande. O pequeno almoço foi bem pequeno mesmo. E eu já havia caminhado bastante e ainda navegado. Ufa!

Um pouco depois o garçom trouxe uns molhos em sachês, tipo mostarda, azeite. Nem olhei. Só queria saber do molho do camarão mesmo. E vocês não imaginam a minha frustração quando colocaram na minha frente aqueles camarões enormes, inteiros, cozidos em água e sal. Gente, aqui ninguém descasca camarão não? E pego meus talheres e começo a manobrar os camarões para deixar só a carninha branquinha e macia. Depois de um tempo o garçom aparece com lenços umedecidos, para eu limpar as mãos. Confidencio que não gosto de manusear a comida. E tenho alguma dificuldade com o primeiro, som o segundo, no terceiro já estou mais jeitosa, e quando passei da metade já estava craque no descascar.

Embrulhei a metade do queijo que não comi e coloquei na minha pochete, para comer a noite, no quarto. Ao pagar a conta perguntei ao garçom se seria possível chegar no barco pela praia? Ele olhou para o mar e me disse:

- Sim, a maré está baixa. Dá para ir.

E realmente se avistavam muitas pedras cobertas com líquens verdes, e era possível perceber que as águas cobrem aquelas pedras na maré cheia. E fui caminhando para a ponta da Praia do Farol, e as pedras foram aumentando de tamanho e variando em formatos. Algumas pareciam pisos esculpidos. Outras eram redondas e nem sempre estavam firmes. E também havia as achatadas, mas também estavam pensas, algumas vezes. E com cuidado fui passando, pé ante pé, por uma longa extensão de pedraria. Até que cheguei à Praia do Carreiro da Fazenda. Ali uma grande extensão de areia me aguardava até a outra ponta, e olhando de longe, achei que não conseguiria passar por ali sem molhar o tênis. A água já começava a avançar na maré enchente. 

E vi uma saída pelo meio da praia, com muita areia, e passei por entre as dunas, cobertas de vegetação, num longo trecho. E saí na rua que margeia a costa, a mesma que chega até ao Forte. Mas em vez de ir na direção deste, fui para o outro lado na expectativa de contornar aquele pedaço de morro que bloqueou minha passagem à próxima praia. E quando percebo, estou na rua do hotel, passei em frente a ele e segui para o que descobri depois ser a Praia do Patacho. 

É na Praia do Patacho que está o barco de 17 metros, que partiu da Holanda, naufragou. Seus tripulantes foram resgatados e não reclamaram a embarcação. E por falar nisso, tenho feitos vídeos narrados das praias que estou visitando. E estão disponíveis no meu Facebook ou no Instagram. Os mais longos só no Face. (Meyre Lessa e @ lessameyre).

Fiz umas fotos lá de cima e tentei descer por uma trilha bem estreita até a praia, mas o final dela era com degraus bem altos, de pedra. E achei melhor não me arriscar. Se conseguisse descer, nada me garantia que conseguiria subir de volta. Retornei e segui num trilho até o top do morro que separava as praias do Carreiro da Fazenda e a do Patacho e dali conclui que realmente não conseguiria passar, a não ser que não tivesse parado para almoçar. Mas corria o risco de não consegui voltar pelo mesmo lugar e não conseguir subir os altos degraus que mencionei. E agradeço ao meu anjo protetor por me colocar sempre no melhor caminho.

Acho que andei milhares de quilômetros hoje. E mesmo sem Wifi, vou tomar um banho e curtir a varanda do quarto, até o anoitecer. E depois fazer um pouco de nada até a hora de dormir, que não será muito tarde, com o cansaço que fico.

E tinha pensado em conhecer a Praia do Porto das Barcas para ver o por do sol no sábado, mas depois de levantar tarde, fazer meu desjejum no Fajardo, que por sinal eu recomendo, inclusive para outras refeições. 

E fui fazer umas comprinhas já que li que as lojinhas daqui são interessantes. E depois de deixar as coisas no hotel, fiz uma coisa mais improvável do que navegar no caiaque. Fui para a praia, estender a toalha na areia e ficar fazendo nada, comendo cerejas e cantando. E consegui ficar um pouco mais de uma hora assim, o que para mim é um grande feito. Cheguei até a deitar na toalha, uns vinte minutos. E descobri que a areia fofa faz uma ótima cama. 

E me cansei e fui passar pela ligação para a Praia do Farol. Olhei e percebi que o sol ia se por naqula direção. E lá em cima tem um muro e um mirante. Primeiro fiquei observando um homem surfando com seu cachorro, em ondas pequenas. E curtindo a movimentação das ondas, já que esta praia já é de mar, bem na desembocadura do Rio Mira. E subi um monte de degraus até o mirante. E já passava de 19 horas, me confundi achando que o sol ia se por às 20 horas e sentei para aguardar. E o sol ia alto ainda. E de repente percebi que faltava 90 minutos e não somente 30. Mas eu não tinha mais nada para fazer mesmo, e ficar ali tomando uma brisa, olhando o mar e cantando não seria nada mal. E assim o fiz. E muita gente chegava, olhava o horizonte, fotografava e seguia seu caminho. Logo vi dois homens que também aguardavam o por do sol, e passaram por mim duas vezes, e um deles me cumprimentou com a cabeça. E sentaram-se adiante, mas ficavam me olhando de canto de olho. O vento aumentou e começou a esfriar. 

E coloquei minha saída de banho. Até então estava com o biquíni e a calça legging. E quando faltava pouco para o mergulho do sol no mar, um casal sentou-se numa posição que iria atrapalhar minhas fotos. Eu me movimentei e fiquei num local onde ninguém me atrapalharia. Mas era mais perto dos rapazes. E eles se aproximaram. E o mais bonitinho falou comigo algo como:

- Patrichi.

Acho que ele queria saber se eu era compatriota dele. Eles são hindus. E não entendiam nada do português. Tentei falar em inglês e um deles me entendeu, dizendo que o amigo gostou de mim. Eu agradeci. E ele queria o número de meu celular para comunicar-se pelo What'sApp. Eu coloquei no tradutor que não tinha sentido eu fornecer o número pois já estaria indo embora no dia seguinte. E apareceu na tela um monte de rabiscos e ele leu. Incrível.

Eles ainda insistiram mas eu também e não passei meu número. Não é que eu seja modesta e nem nada, mas acho que o interesse dele foi na mulher solitária, como não haviam muitas por ali. Ou talvez nenhuma. Vi famílias, casais e até grupos de amigas ou amigos. Mas solitárias, não vi. E ele talvez tenha enxergado nisso uma oportunidade, com uma ocidental, que tem hábitos bem diferentes das suas compatriotas. Mas era um jovem, sem nada em comum comigo. E acho que amadureci. A mulher que para cá veio, com certos anseios e expectativas já se sente bem consigo mesma. E só quer companhas que acrescentem algo. O que poderia me acrescentar se não haveria comunicação?

Eles foram embora e eu terminei minhas fotos do por do sol, e voltei para a Quintas das Varandas, já quase anoitecendo, às 21h10. E deixei minhas coisas arrumadas para sair antes das 10 horas do domingo, quando se encerra a estadia.