PEDRAS – DISPOSTAS À ATRAÇÃO...

29/08/2019

Hoje foi mais um dia de conhecer as riquezas e colírios entre as belezas naturais e as construídas pelos homens do Alentejo.

É tudo muito perto, então não necessito começar cedo demais. Exatamente às 10h saí do Hotel Aqui Jardim. E procurei um local que o Google me indicava como atração. Não constava de meu planejamento. Por isso digo, o planejamento é um Norte, para saber das possibilidades. Não é um guia fechado e restrito.

Uns 20 quilômetros de distância a Noroeste. Caminhos estreitos e sem marcação de chão, péssimo para andar à noite, quando não é familiar/conhecido.

E o interessante, ele está dentro de uma propriedade particular, uma vinha. O portão da propriedade está aberto. O Castelo de Valongo está fechado para visitação, não sendo o único, pode não apresentar condições de segurança para visitação. Mas, pelo menos pelo lado de fora posso apreciar. Porém nem tanto. Quando me aproximo vejo uns cachorros grandes. Pareceram-me da raça São Bernardo ou mestiços. Muito grandes para eu arriscar. Tirei foto de dentro do carro e levei o carro para o outro lado na esperança de não ser seguida. Funcionou! E melhor ainda, pois pude me aproximar do parreiral e ver as pequenas uvas em seus pés, em menos de um mês estarão todas colhidas. São de uma espécie apropriada à confecção de vinhos, brancos creio. Não estão com cara de uvas verdes na maturidade.

Este Castelo foi o primeiro amontoado de pedras de hoje, amontoada entre os séculos XIV e XV. Fantástico! O que não falta na região são pedras, e até me parece que algumas espécies vegetais, como a oliveira, aprecia esta proteção.

Quando passei na ida vi um enorme campo de girassóis. E na volta consegui parar, apreciar e fotografar. Muitos já estão secos. Outros a caminho... Mas as flores deste campo são mais bojudas, porém tristonhas... Todas de cabeça baixa, apesar do sol, ou por causa dele. Eu também fico tentada a abaixar a cabeça neste sol de mais de 40 graus. Li que, na verdade, essas flores tem a tendência a virar e crescer para o lado que o sol nasce.

Depois desse fortuito acontecimento rumei para o Cromeleque do Xarez. Um ajuntamento de pedras semelhante ao seu meio irmão inglês, do período megalítico, sendo datado de cerca de 4 a 3 mil anos A.C. e composto de 55 menires, que são as pedras, que colocadas em disposição circular formam o Cromeleque. Ele fou reconstruído em 1969, pois as pedras estavam espalhadas em função da agricultura, baseando-se em sulcos existentes na terra. E com a construção da barragem de Alqueva, teve que ser transportado e realocado. Talvez por tudo isso ele perde em importância para seu irmão mais jovem, Stonehenge.

O meu roteiro de hoje foi muito louco, fiquei indo e voltando , passando pelos mesmos lugares.

Logo ao lado do Cromeleque está o Convento da Orada. Estava caminhando até lá quando lembrei que deixei o carro aberto com a chave no contato, já que só ia fazer umas fotos do Cromeleque e nem sabia que construção era aquela. Voltei. Tudo tranquilo.

Saindo dali passei em frente a um local com a indicação " Casa Saramago", portão aberto, será um museu? Tinha um trator e um homem trabalhando no caminho, mas ele me disse que era aberto ao público Conforme fui chegando percebi que era uma hospedagem rural. A proprietária me atendeu e me disse cobrar 50 euros no quarto individual, 70 no duplo. Compensava eu ficar ali, no pé da Vila de Monsaraz bem pertinho de todas as atrações e com galinhas, cavalos, plantas, e deve ter um bom café da roça. Paguei 46 no de Reguengos pois o blog que li indicava esta cidade como a melhor opção estratégica. 

Fui parar em outro amontoado de pedras, com uma história muito interessante. A Rocha dos Namorados. Diz a lenda que as mocinhas casadoiras ficam de costas para a grande rocha central, que tem um topo plano e jogam uma pedra. Se a pedra parar, casarão. O número de tentativas até parar indica os anos de espera. Se parar... Eu peguei uma pedra, mas não a atirei, quero um namorado, não um marido. Solteiros de plantão que não queiram casar-se e desejem um relacionamento alegre...

Uma árvore com galhos em forquilha fez um ótimo trabalho para me fotografar.

Depois disso fui efetivamente ao Convento da Orada, mas usando um acesso antes da entrada para o  Cromeleque. Já decorou este nome? Parece o de um omelete crocante não?

E depois à Ermida de Santa Catarina, outro amontoado de pedras em forma de edificação, abandonada, com muito capim seco e pegajoso em volta, mas onde se pode ver a Vila de Monsaraz ao fundo e no alto. Tem ao seu favor ainda o fato de ter sido erguida pelos Templários. Foi edificada do lado do sol nascente em relação à Vila e tem forma hexagonal.

Dali segui para a Praia Fluvial de Monsaraz pensando em me esbaldar nas águas do lago, considerando o calor.

Já eram 13 horas e fui chegando e já procurando onde almoçar. A praia não estava lotada, mas muita gente estava curtindo o sol e a água.

O restaurante não estava tão cheio, mas foi enchendo, enchendo, e o serviço estava meio devagar. Mas novamente não tinha pressa.

Pedi um Cachaço de Porco Preto, característico aqui do Alentejo, servido com batatas rústicas e salada. Demorou quase uma hora. A comida estava ótima, carne de porco é, deveras, minha favorita, seguida por frutos do mar. Resolvi pedir brigadeiro de sobremesa, já saudosa do doce. Mas o que recebi foi um pedaço enorme de bolo de chocolate, recheado e coberto de granulados. Mas estava gostoso. Gastei 18,50 e comi o suficiente para o dia todo. Mais tarde vou de iogurte ou fruta de novo.

Numa mesa em frente a minha sentou-se um casal de portugueses. Conversei um pouco com a mulher perguntando se entrou na água.

_ " Sim. Não é meu costume mas quis me refrescar."

_ " E a água está com a temperatura agradável?"

_ " Sim, acredito que com uns 25 graus."

Foi bem precisa.

Um pouco depois pedi a conta e antes de pagar um furdúncio na mesa ao lado. Uma família de casal e dois filhos adolescentes, que chegaram antes de mim, receberam sua bebidas e estavam a aguardar a comida resolveu pedir para cancelar o pedido pois esperavam há mais de uma hora e muitos outros que chegaram depois já tinham sido atendidos e eles ainda estavam ali a aguardar. Eu já estava admirando a paciência deles. O que estranhei foi a postura do serviço do restaurante. Entraram em conflito e ficaram contestando o cliente, chamando a atenção de todos os outros clientes. Eu, como sempre, tive sorte. O garçom que me atendia era o mais velho da equipe. Quando veio receber comentei o ocorrido ao lado, dizendo que, no meu ponto de vista era para eles terem conversado com o cliente dizendo que já estava quase pronto, que não precisaria pagar, coisa que, aliás, fizeram bem ao contrário, dizendo que ele teria que pagar o serviço pois já estava pronto. Ele disse que não pois não foi servido e esgotou-se sua paciência. Tenho quae certeza que, se fizessem como falei, o cliente sentaria e ainda iria querer pagar pelo menos parte da conta. Elogiei meu garçom dizendo que ele era o mais tranquilo dali e como consequência, o mais eficiente.

_ " Muitos anos de prática", ele me disse, " e se fosse uma mesa minha isso não teria acontecido, mas como não é, não vou me meter..."

Fiz um pouco de hora ali em volta, procurei um banco na sombra, porém não encontrei. E não consigo fazer nada por muito tempo de modo que me entediei e me fui sem desfrutar da água doce.

Fui para o Antas do Olival da Pega. Já tinha passado 3 vezes na frente do acesso, agora era a vez dele.

Mais um amontoado de pedras e muitas, muitas oliveiras, a maior parte devia ser bem antiga, com seus troncos retorcidos parecendo rugas.

Este lugar serve bem para quem está sem dinheiro e precisa de um abrigo para dormir. Só não pode ter medo de cobras e lagartos. Animal de grande porte não dorme por ali, não senti cheiro. Nem de urina no entorno.

Aqui pedi ajuda para umas pedras, as estrelas do dia, para fazer umas fotos minhas. Acho que elas até se saíram bem para quem nem mãos têm.

E de volta ao Hotel estava por volta de 16 horas. Tomei um sorvete com coca-cola, na improvisação de uma vaca preta e vim para o quarto banhar-me e escrever.

Agora a pouco o proprietário e seu filho vieram consertar a ducha. E já vou descer para publicar os relatos de ontem e de hoje.

Depois de fazer a publicação ainda tomei uma sopa de feijão verde com 1 fatia de pão e já terminei por hoje.

Amanhã vou direto para casa, terminar de preparar meu roteiro para Escandinávia e arrumar a mala. Previsão de temperaturas entre 5 e 17 graus, no verão deles. Mala com 8 kg e uma de mão com mais 2 kg. Só o notebook já pesa mais que 2 kg. O que fazer???

Assistindo a TV vi que a colheita das uvas brancas já começaram. As de uvas rosadas só dentro de uns 15 dias. Assim vou ficar 'expert' em agricultura e pecuária.