UM DIA DE TRÂNSITO - SEATTLE À VANCOUVER

22/06/2019

Hoje o dia mereceu um relato especial, mesmo sem fotos.

Acordei dentro do horário programado, me arrumei e desci para o café por volta de 8h30. Hoje decidi testar a máquina de torradas, comi duas, suco, café com leite, iogurte. Voltei para o quarto terminar e pesar as malas, que já estava m quase prontas.

Quando foi 10h15 a arrumadeira bate à porta, abri e expliquei que era meu dia de check-out, às 11 horas, mas como estava pronta, 10h30 sai do quarto e fui para recepção.

Escrevi no Goggle tradutor de eu poderia ficar ali e depois ir almoçar no KFC ao lado, deixando a bagagem na recepção. O atendente consentiu.

Mas como o tempo demora a passar quando você não tem o que fazer. Não podia ficar usa do a internet porque gastaria a bateria do celular e não sabia se teria onde recarregar. No destino é sempre importante estar com boa carga, nunca se sabe os infortúnios pelos quais podemos passar, fora as fotos que gosto de tirar, quando tenho oportunidade.

Passou uma meia hora e fui perguntar a ele se tinha a possibilidade de algum hóspede estar saindo para o aeroporto para dividir o UBER comigo. Estava cotando a US$ 53, mas já tinha visto por mais de US$ 55.

Cansei. Não vai me dar fome ao meio dia para ir no KFC, quer saber? Vou para o aeroporto e como por lá mesmo. Pelo menos terei banheiro, cadeira e talvez até tomada de energia.

O motorista chegou em 3 minutos, era ali do Shoriline mesmo, Um senhor muito gracinha. Pegamos a Free Way, que não estava nem um pouco Free. Muito trânsito e o aeroporto fica em Tacoma, uma cidade vizinha, bem longe.

Quando estávamos chegando ele perguntou qual seria a companhia aérea e eu disse:

_ " Copa Airlines."

_ " What?"

Acho que não é essa a pronúncia. Vou soletrar:

_ " C - O - P - A."

Ele continua com cara de quem não conhecia. Pego o Voucher da Agência Mary Lemos e está lá: Air Canadá.

Toin oin oin oin.

_ " Sorry, no Copa. Ari Canadá. Copa I go to Panamá."

E ele faz uma expressão de espanto, dizendo que estou viajando por toda a América.

Caramba, se ele não pergunta, talvez rolasse um desespero ao não achar o balcão da Copa, até eu olhar o Voucher.

Ele me deixa na partida correta, quase no fim da rua. Achei fácil o balcão mas acho que é cedo para despachar minha bagagem, ainda assim, vou para a fila.

Quando chega minha vez eu pergunto:

_ " Can I Chech in to flyer at 6h p.m.?

A moça fala umas coisas mas só entendo o before, mas também não lembro o que significa.

Minhas caras de dúvida devem ser de dar pena. Ela chama o colega que fala um pouco d espanhol e ele me explica que só posso fazer o check in 4 horas antes do voo.

Saio pelo grande aeroporto com toda minha bagagem, procurando um café para me encostar e esperar o tempo passar. Não acho nada. Se tem, está muito longe. Mas vejo umas cadeiras encostadas na parede, próximas a um bebedouro, e que posso me acomodar junto a uma tomada sem atrapalhar ninguém. Maravilha!

Passam um pouco de meio dia, só posso fazer o check in a partir das 14h. Mas estou bem acomodada e sem fome. Estava quase dando 14h e um homem se aproximou para colocar o celular para carregar na mesma tomada. Eu fui tirando a minha e ele disse não ser necessário, tinham dois pontos. Ele falava espanhol. Eu expliquei que já estava saindo mesmo para fazer o check in. Ele perguntou-me para onde eu iria, eu informei Vancouver. Ele disse:

_ " Que pena, eu estou indo para o Alaska, a trabalho. Bem que eu gostaria de ir para Vancouver com você."

Dou um sorrisinho amarelo, sem graça, ele estende a mão e deseja-me boa viagem.

Volto ao balcão, a moça pergunta o horário de meu voo, estendo o voucher para ela e, para minha decepção, o voo é às 18h35. Tenho que aguardar mais meia hora, e agora começo a ter vontade de ir ao banheiro. Pergunto a ela onde é, ela manda eu seguir em frente e virar a esquerda. 

Qjuando lá chego, vejo a porta do banheiro mas não vejo como chegar lá, tem um monte de gente numa fila. duas moças, de turbantes, que estão orientando, se dirigem a mim e eu peço:

_ " Restroom?"

Elas apontam a fila. Nossa" Toda esta fila para ir ao banheiro, será?

Mas, fazer o que, ponho-me na fila. Outra moça aparece, com mais boa vontade e me vê com toda aquela bagagem e me explica que tenho que fazer o check in no balcão. Pergunta qual a companhia e orienta o caminho. Como não consigo explicar que já passei lá mas é cedo para fazer o check in, e o que quero mesmo é o banheiro, desisto e saio da fila. 

Fico encostada num corrimão a meio caminho do balcão da Air Canadá e do banheiro. Quando dá 14h35 certinho, volto ao balcão. Agora não tem ninguém para me atender. Aguardo. Uns 10 minutos depois aparece uma moça simpática, nenhuma das anteriores, e pede para eu colocar a bagagem de despacho na balança. Posso levar 2 Carry-on bagagge. Tenho a bolsa de mão mas já aviso que coloco dentro da mochila. OK. Mas a mala grande pesou 54,5 libras. Pergunto qual o custo para o peso extra:

_ " Onde hundred."

Posso transferir para a mala de mão, pergunto em linguagem de sinais, e ponho a mala de mão para pesar. Vejo que o peso desta não importa, só o volume. Assim, me abaixo, tiro o cadeado das duas malas, separo-os, abro a mala grande com dificuldade porque ela esta meio estrupiada, retiro dela 3 shorts jeans, 2 vestidos. Coloco na mala menor sem dificuldades. Ambas as malas tem espaço. Fecho o zíper da mala grande e a coloco na balança à minha frente. 50,5 libras. Pergunto para ela se está bem? Ela confirma e diz para eu permanecer ali mesmo. Já tinha emitido minha passagem, agora etiquetou a mala e me deu o comprovante. Fechei a outra mala e segui confiante para a grande fila, que, como eu imaginava, era a de controle de embarque. A entrada para o banheiro era um pequeno corredor encostado a parede, com uma entrada tão pequena, a mesma dos clientes premium que evitavam a fila enorme, que só quem conhece ou fala inglês direito para entender a explicação de onde seria. Agora que estou na fila, deixo para ir ao banheiro junto aos portões de embarque.

Fico observando o movimento, e tira sapato, e coloca tudo nas caixas, e antes disso mostra o passaporte e a passagem para um cara. Qaundo chega minha vez de passar por ele, me pergunta:

_ " How are you?"

E eu na minha tradução simultânea, mentalmente (Quem é você?)

_ " I'm Meyre Lessa da Silva Davini."

Gente, vocês não imaginam o pânico. Depois fiquei pensando na pergunta e até agora, enquanto escrevo, estou gargalhando.

Ranco meu tênis, minha blusa de frio, coloco na caixinha, mais uma caixinha para o computador, outra para a mala, e outra para a mochila. Entro numa cabine, com o óculos de grau na cabeça. Coloco meus pés sobre as marcas e faço o que o homem anterior fez, e que vi no desenho. O segurança fala algo dos óculos, eu tiro e estendo para ele, ele dia que não, para segurar na mão, e estender os braços para cima, co mo se estivesse sendo assaltada.

Depois disso as caixas vão chegando por lados diferente. Logo pego o computador,  a jaqueta e o tênis. Passa um pouco e vejo minha mala parada num lugar, vou lá e pego. Mas minha bolsa e a mochila estão represadas. Fico olhando de longe para ver se vão verificá-las e liberá-las. A moça olha e pergunta se são minhas. Pede licença e abre a mochila, averiguando o seu conteúdo. Me libera. Não é para ficar atordoada?

Agora vou procurar o portão A20. Lá no fim, longe. Agora é hora então de ir ao banheiro e comer. Cada cantinho que passo, tenho que observar bem as pessoas para saber usar o que está a minha disposição, descargas automáticas, torneiras e dispenser de sabonete e papel toalha, muitos elétricos, com sensor de presença.

Resolvi comer comida japonesa, mas quero saber onde posso sentar para comer. A senhora me aponta uma área adequada.

Escolho uma, ela diz:

_ " Spice."

_ " No. I don't spice. This.." e aponto outra comida.

_ " No spice."

_ " So this."

Ela mostra as caixinhas, escolho a menor. 

Ela aponta as bebidas e digo "orange".

Pego dois canudos pensando ser hashis, mas perto das mesas de refeição tem talheres descartáveis. Comi sem pressa, mas era bastante comida. E tudo que como tem me dado mal estar. Vou no banheiro de novo, até o mal estar passar. E vou, usando as esteira rolantes, até o portão A20. 

Estava bem vazio quando cheguei, mas o voo já estava com previsão de atraso. Saída às 19h. E foi amontoando gente para diversos voos. E dava a impressão que o desembarque também era por ali.  Muito tumulto e confusão. Muito desorganizado. Daqui a pouco, nova previsão: 19h20. Caramba! Desse jeito vou chegar a Vancouver e já terá escurecido.

Autorizados, tomamos um ônibus e fomos ao embarque. Estava feliz porque me colocaram no assento 13C, e previ ficar no primeiro 1/3 do avião. Mas era praticamente um teco-teco, chamado Expresso. E fiquei quase no fim. Deviam ter umas 20 fileiras de 4 lugares. A aeromoça era uma simpatia, ambas, mas uma era muito sorridente e divertida. Falavam inglês e francês, já facilita  minha vida.

O casal na mesma fila que eu pediu um Up-grade, acho que estavam em lua-de-mel. Foram agraciados. E eu pedi para colocar minha mochila sob o assento deles. Já ganhei espaço para as pernas, depois de mais de 7 horas de aeroporto. Mas o voo aqui serão só 35 minutos.

O avião começa a taxiar, faz um zumbido de mosquito grande. Anda tanto que penso que chegaremos ao destino por terra mesmo.

Mas a subida é tranquila, melhor do que de avião grande, até fiquei olhando pelas janelinhas. E no ar ele é mais silencioso. Apesar do pouco tempo de voo, eles ainda tem serviço de bordo, só com bebidas. Tomei água que era o que precisava. A descida judiou um pouco dos meus ouvidos e tive que descomprimir várias vezes usando a técnica de encher a boca de ar e forçar a saída pelo ouvidos. Só assim não doem depois do pouso. 

O aeroporto em Vancouver é todo arrumadinho, organizado, as plas indicaticas em inglês, francês e desenhos que podem ser mandarim, japonês, não sei... Mas sei que por aqui têm muitos asiáticos. Vancouver tem a segunda maior Chinatown da mundo, segundo milha filha. Mas também, estão bem pertinho.

Passo pelo agente de imigração me sentindo leve. Ele me pergunta o que vim fazer, e em que idioma eu falo. Respondo toda solta que falo un peu français, poco español, little english e tudo pouco em português, já não estou mais assustada. Ele me libera. Quando começo a procurar no painel onde estarão as malas, a moça, no auto-falante informa que estarão na esteira 33. Chego lá e já vejo minha mala passando, espero dar mais uma volta enquanto me ajeito. Guardo tudo, e saio feliz a caminho da rua. Mas um homem me para, penso que ele está oferecendo taxi e não aceito, mas ele insiste. Então pegunto se fala espanhol ou francês. Ele chamam o mais jovem, pergunto se fala português, ele diz que português também não, mas me explica, em francês, que tenho que apresentar o impresso que fiz na máquina, nos mesmos moldes de quando entrei em Los Angeles. 

_ " Sorry." e pego o papel dentro da bolsa.

O homem mais velho diz que tudo bem, acontece.

No final do corredor, entrego o papel e sou liberada. Agora pra rua. Antes tiro uma foto dentro do aeroporto para mandar no What'sApp da Débora, minha filha, que já morou aqui. 

Fico tentando ver o melhor lugar para chamar o UBER e questiono um moço do serviço de informação de transporte. Não tem UBER aqui. Só táxi e o transporte que ele fornece. 

Pego um táxi então. Ainda bem que troquei meus últimos dólares antes de pegar a fila de fiscalização. 

Falo o endereço, mas como ele não entende, soletro. E ele me traz por CAD 35. Me deixa na porta de uma casa. A SETEVEN HOME. Mas como faço para chamar, bati palmas, chamei a atenção de vizinhos. Daí fui até uma delas tentando descobrir como fazia para chamá-los. Bater palmas, bater na porta. Ela disse bater na porta, então subi as escadas e vi uma campainha, mas já estava dentro do quintal. Dois meninos orientais me atenderam, me ajudaram com as malas até o fundo da casa, me colocaram no quarto dois e me informaram a senha da porta. E sumiram. Onde acendo a luz. Vejo um abajour. Mas não sei como acender. Olho as paredes e nada. Daí olho a lâmpada. O pé direito não é alto, e tem um cordão para acender a lâmpada. Voilá.

Na janela, persianas e além delas, a rua frontal. E como fechar? Nunca tive persianas. Olha para lá, olha para cá, vi umas hastes que, rosqueando, fecham para um lado ou para outro. Resolvido. Vou olhar meus e-mails e recebi um da casa informando o horário, a senha da porta, a senha do Wi-Fi. Beleza, já vou poder escrever hoje no blog.

E amanhã vou encontrar o Mr. Bonn logo para o café da manhã. Ele disse que reservou o fim de semana para me acompanhar em Vancouver. Eu o conheci em Assunção, do Paraguai, em 2017. E agora vamos nos rever e vou conhecer sua esposa. Muito legal como vão surgindo essas amizades. 

Só escureceu às 21h55, mas vi o sol brilhando amarelo sobre o lago quando cheguei.

Dá pra chamar uma cidade de soft? Foi assim que senti Vancouver, leve. E eu também fiquei. Ou foi o contrário???