Transitando entre a SARDENHA e NÁPOLES – ITÁLIA.

06/02/2020

Sai de Ólbia agradecida e com calma. O trem partiria só às 10 horas e eu já conhecia o caminho, até um atalho. Como comprei maionese, pão de forma, queijo, um bacon da bochecha e um molho de berinjela, jantei um lanche, preparei outro para a viagem, e comi o que sobrou com croissant do hotel. Ainda sobraram queijo e maionese, que carreguei também.

Acordei com o ciático repuxando um pouco, e a junta junto à bacia também doía. Sei que estou forçando muito, mas hoje vou dar uma tranquilizada. E quando estava a caminho da estação dei um tropeção e um grito, avancei uns passos ligeiros me segurando na mala para não cair e tentando me equilibrar e, graças a Deus não cai e não fiquei com o pé torcido. Mas foi um belo de um susto, inclusive para quem passava, por causa de meu grito. Agora acho até engraçado.

Sentei-me de costas para o sentido de movimento do trem porque a maioria dos assentos estava nesta posição. E percebi que o caminho era diferente do da vinda pois teria que fazer baldeação em Ozieri, a caminho de Sassari. E olhando no mapa vi que eu tive a mesma sorte que na Sícilia. Nenhum dos dois percursos foi beira-mar mas um foi pelo interior do lado leste da ilha e o outro voltou pelo interior do lado oeste. E assim pude ter uma visão mais geral do relevo, hidrografia, agropecuária... Deste lado oeste a criação de ovinos é ainda mais abundante. E vi até um porco no pasto.

As divisas entre propriedades são feitas, de um modo geral, com muros de pedras, às vezes com parte em cerca de arames e alambrados, e outras vezes só pedras mesmo, de tantas que existem. Fica bonito.

E a quantidade de água é bem maior que na Sicília, assim como o relevo mais ameno.

Em Ozieri troquei de trem e agora o destino é Cagliari. O total de tempo foi de 3 horas e meia, mas ainda assim dá sono. E comi batata chips para espantar o sono.

E passei em frente a Estação Elmas, do aeroporto, para lembrar-me de comprar o bilhete para a viagem do dia seguinte. São uns 15 a 20 minutos só de distância da estação de Cagliari.

Comprei o bilhete por 1,30 euros e já achei uma porta alternativa a que usei na ida para Ólbia, mais adequada ao meu itinerário.

Agora, para ir para o hotel, seriam 2 km de subida. E eu estou bem cansada. E dói aqui e ali.

Já tinha mandado mensagem para o Alessandro avisando que chegaria por volta de 14 horas. E eles estavam arrumando os quartos no hotel. Instalei-me, usei o banheiro e sai logo em seguida. Seria conveniente se quisesse almoçar.

Refiz metade do caminho para baixo de novo e achei um restaurante que atendia ainda para o almoço, pois passava de 15 horas. O menu que escolhi foi uma massa assada, porpetas, e uma salada mista. Bem servido, acompanhado só de água, e gastei 13 euros. E estava muito bom de sabor também.

E passei comprar uns docinhos antes de voltar ao hotel. Colocar as postagens em dia, tomar banho, falar com a família, e descansar.

Queria pegar o trem das 7h44. Coloquei o relógio para despertar às 6h10. E entre a meia noite, quando apaguei a luz para dormir, e o horário de levantar, fui 3 vezes ao banheiro urinar, fora logo antes e na hora que acordei. Cinco vezes da meia noite às 6h15. E nem tinha tomado tanto líquido. Mas esfriou um pouco por causa da ventania. Pode ser por isso.

Correu quase tudo como o planejado, perdi um pouco de tempo com luzes, portas e malas na hora de fazer o desjejum, e quando olhei no relógio, já eram 7h08. E eu fixei às 7h10 como horário para sair em direção ao terminal ferroviário. Nem comi meu lanche, que ainda estava na mala. Só tomei meu chá com duas fatias de bolo formigueiro. E sai na pressa. Já vi que ansiedade e medo nos fazem esquecer as dores. Ou melhor, cabeça ocupada tira a atenção de uma coisa para a outra.

Eu sabia que logo após às 8 horas tinha outro trem, mas achei que ficaria muito em cima da hora de embarque no aeroporto. Pois cheguei à estação às 7h40 a passo rápido. Mas tranquila. Se não desse tempo, pegaria o próximo.

Fui para a plataforma 2 e o fiscal do trem ainda estava do lado de fora. Perguntei-lhe:

_ " Ainda dá tempo?"

_ " Si, dá."

Eu entrei e ele entrou logo em seguida. E 2 minutos depois o trem partia. Mal deu tempo de me sentar.

Mesmo! Porque rapidamente o trem chegou a Elmas. Gastei sola, tempo e energia. Virei o pé de novo. Tenho que tomar cuidado, este sapato é super confortável, mas não tem a mesma estabilidade do tênis. E economizei 18,70 do traslado. É uma economia boba. Talvez! Mas se posso economizar em algo que posso fazer diferente... eu escolho onde. E estou feliz!

Na estação fui seguindo outras pessoas com mala. E as placas. É uma boa pernada até o aeroporto, como na estação Brás entre o trem e o metrô. Mas tem esteiras, escadas rolantes e elevadores.

E eu estava preocupada com a a bagagem, de 'encresparem' no embarque.

De novo fizeram-me vistoria corporal no controle de bagagem, e dessa vez foi minha mochila que ficou retida. E a moça mostrou algo na tela que nem tinha na mochila, e passou aquele papelzinho. Só que desta vez já o inseriu na máquina e me liberou. Estes destinos devem ser problemáticos quanto ao tráfico de drogas. Mas eu não abandono minhas malas a não ser no quarto, e ainda com cadeado.

O voo foi rápido e sossegado, pela Volotea, até chegar em Nápoles. Aó o avião começou a balançar levemente, como quem pegou alguma turbulência. E já estava quase no chão e, de repente não estava mais, voltou para o ar. E ainda balançava. Fiquei tensa, e me perguntava se alguém mais? Até que ele desceu e pousou com certa tranquilidade. E algumas pessoas aplaudiram. Então não fui só eu que fiquei tensa.

Bom, eu li ontem no Google que a Alibus faz o percurso do aeroporto para o Estação Central por 5 euros. E quando sai do aeroporto, depois de pegar minha mala na esteira, pois foi novamente despachada sem custo extra, fui olhando as placas e achei fácil o ponto.

E o ônibus estava cheio. De repente ele parou num ponto de rua e quase todo mundo desceu. Eu não tive tempo de decidir-me assim que, acionei o botão de parada e fiquei rezando para ele parar perto. O que não ocorreu. E nosso eu vi o trajeto pintado na lateral superior do ônibus. Com 4 paradas. A primeira na Stazione Centrale. Se tivesse visto antes... Mas não vi. Se ficar muito longe, volto de UBER ou ônibus. Não tenho condição de carregar a mochila, que hoje está com o lap-top dentro, e fica bem pesada, por toda esta distância. Já basta de manhã.

E quando ele chegou à próxima parada, junto ao Porto, tinha lá um outro Alibus fazendo o percurso contrário. Eu bati na porta e perguntei ao motorista se ele estava indo em direção ao aeroporto.

_ " Sim."

_ " É que eu perdi o ponto de descida. Queria ter ficado na estação central. Eu pago de novo."

_ " Você já pagou?

_ " Sim. Aquele."

_ " Então não precisa pagar de novo."

_ " Grazie mille."

E quando eu vi que o ônibus estava chegando na estação, tratei de tocar a campainha para não correr o risco dele passar direto.

E foi ótimo. Agora sei o local para pegar o ônibus quando for para o aeroporto no dia 11. E fiquei numa posição mais fácil de atravessar a rua para chegar ao hotel, que é mesmo aqui, na Piazza Garibaldi.

Ainda assim encontrei um vendedor ambulante que me vendeu meias pretas. E explicou-me onde ficava o hotel. Todo galante.

Vejam vocês, achei que minha calça preta está curta para andar com este tipo de sapato. Fica boa com tênis. E minha meia cinza não estava ajudando em nada. Pensei: " Preciso comprar meais pretas." E elas aparecem na minha frente. Não pode ser coincidência isso. A força de meus pensamentos positivos... a fé move montanhas... Enfim, isso tem ocorrido com muita frequência, acreditem ou não.

E num instante estava no local do hotel, me batendo para abrir as portas do elevador. E eu não conheço. E tento, e nada. E tento, só uma das bandas. A outra eu já tinha aberto.

Aí um homem veio, um que já tinha me indicado a Scala B, e empurrou a porta e ficou me olhando com aquela cara de quem pensa: " Que idiota, incompetente."

Mas e se eu quebro o troço. Não. Deixa ele pensar...

O Dino é muito legal, fez meu check-in, me mostrou o apartamento e ainda disse que, se eu precisar, também faz o serviço de táxi-guia. Só coloquei minhas coisas no quarto e já sai para almoçar. O lanche eu tinha comido no aeroporto.

E aqui perto vi um restaurante que gostei. Pedi de novo berinjela a parmegiana. Berinjela em italiano é melanzana, e pra mim parece melancia. Kkk Este prato estava bom, e veio com um pão tostado, e com molho saboroso, apreciei. E depois pedi um espaguete. E recebi uma massa crua, e um tanto grudada. Foi decepcionante, considerando que esperava comer a melhor massa do mundo na Itália. Acho que o cozinheiro não estava num bom dia. Só consegui dar umas poucas garfadas. A garçonete percebeu que havia algo errado e perguntou:

_ " Está tudo bem?"

_ " Não. A massa está dura. Não está ao ponto. Está dura."

Eles iam tomar alguma providência mas pedi para deixar pra lá. O molho tinha pimenta do reino, que não gosto. Então só o cozimento não ia resultar em positivo. Eles até queriam dar desconto, mas eu não aceitei. E ficou tudo bem.

Passei comprar água e já não sairei mais hoje. Ainda tenho queijo, cevada solúvel, e 2 kinder delice. E no quarto tem uma garrafa de aquecer a água. Será o sudiciente para encerrar o dia.

E o café da manhã será servido no quarto às 8 horas da manhã, antes de minha visita às Catacumbas de San Genaro.