TOMAR e os Templários, muita história para contar PORTUGAL

11/03/2020

Não pudemos explorar a cidade de Leiria mas o local do café da manhã no hotel nos reservou uma bela surpresa. A partir do oitavo andar do prédio pudemos avistar o Castelo de Leiria, através da vidraça e refletido no espelho.

Nosso destino de hoje é Tomar. E a partir de Leiria, demora menos de uma hora até lá. Como íamos chegar cedo para ir ao Hotel, decidi por ir direto ao Castelo dos Templários.

Deixei o carro no estacionamento pago, bem em frente à atração. E a parte de fora já estava me impressionando mesmo antes de chegar lá. Açi também tem um miradouro, de onde ensaiamos um recurso fotográfico que não deu certo, mas criou uma foto muito engraçada.

A Cristina me acompanhou até a entrada em disse que faria só uma parte para não forçar muito o joelho. Ela veio aqui em outra ocasião com o marido e fez algo semelhante.

Passamos primeiro por umas salas e páteos e depois fomos em direção ao Convento de Cristo. 

Fiquei maravilhada com as pinturas do local, o octógono construído no meio do edifício, demarcado por colunas, cada uma abrigando um apóstolo ou santo, e entre elas, os arcos deixavam ver em seu interior outros santos e uma miniatura de capela dourada ( o vídeo pode ser visto no Facebook Meyre Lessa).

E ao redor mais pinturas, tão colorido e de tão bom gosto.

Desci para uma sala só para observar os detalhes da construção. E voltei ao encontro dela.

Saímos por um corredor e chegamos à Janela Manuelina, lindíssima. Uma olhada aqui e acolá e já nos dávamos por satisfeitas quando duas mulheres que por nós passaram, ouvindo a conversa em português brasileiro, nos convidaram a seguir com elas pois uma delas já conhecia o lugar, por ter feito uma visita guiada.

A Flora está morando em Portugal, aqui perto, há quase dois anos. E a Beatriz está visitando a amiga, já que estava na casa do filho em Madri e a situação por lá estava complicada.

E ela foi nos conduzindo por muitos lugares que ainda não tínhamos visto, e que a Cris nem ia ver, mas como fomos conversando e ouvindo a explicação, quando vimos tínhamos visitado todo o Castelo.

Passamos pela sala do Capítulo, pelo refeitório, vimos os fornos onde eram feitos os pães dos internos e o de distribuição para os pobres. O claustro com a ala dos iniciantes e dos demais. Pudemos perceber a diferença entre as celas, que no caso dos iniciantes oferecia ainda menos conforto. O sistema de calefação dos quartos. O sistema de aqueduto do Castelo. O armazém de azeite e vinho. O sistema de aproveitamento de água da chuva. As latrinas.

As nossas cicerones foram jornalistas, e já estão aposentadas também. A conversa fluiu bem, com muitas informações trocadas sobre viagens, já que todas já rodaram parte do mundo. E a parte engraçada foi que a Flora não se conformava de eu ter deixado o carro num estacionamento pago quando, bem em frente ao Castelo, tem um gratuito. E quando saímos, pelo outro lado do Castelo, ela mostrou-nos onde estava o carro dela. Muito bem, no mesmo local do nosso, com o agravante que o dela estava bem em frente ao parquímetro e ela já estacionou ali pelo menos 3 vezes, sem nunca ter notado.

Combinamos de almoçar juntas no centro da cidade e nós fomos seguindo-as até lá, que era bem pertinho. A cidade estava com obras no estacionamento público central e não conseguimos chegar ao restaurante que ela queria por esse motivo. Ela parou no meio da rua, desceu do carro e veio nos avisar do inconveniente, levando-nos até outro ponto onde havia três vagas conjuntas e onde deixamos os carros. Na rua paralela, um quarteirão à direita e dois e meio para frente, achamos um restaurante gracinha, com menu do dia e a la carte.

Sentamos na parte interna, para evitar fumaça de cigarro, apesar delas fumarem. E cada uma escolheu um prato diferente. Eu comi Alheira, uma espécie de linguiça, bem temperada , com carnes e pão molhado. A Cris comeu porco frito, arroz com cenouras e fritas. A Flora pediu outro dos pratos do menu com carne cozida, repolho e batatas, e a Beatriz pediu um prato do menu a la carte, com bacalhau.

Quando saímos dali elas começaram a fumar, mas caminhando atrás de nós para não incomodar com a fumaça. No carro nos despedimos, mas a Cris inventou uma forma de cumprimento para evitar o contato das mãos ou os tradicionais beijinhos. E nos separamos porque nós queríamos chegar ao hotel pois já era mais de três da tarde.

E o Hotel Cavaleiros de Cristo era bem perto. E passei por ele sem vê-lo. Fiz o retorno na rotatória e quando passávamos de volta a Cris viu uma placa e me alertou:

_ " É aqui."

E eu virei com tudo. E dei de cara com uma bifurcação. A rua do hotel, em frente, era contramão. Virei para a direita, mas pela posição dos carros estacionados em 45 graus, vi que ali também era. E logo um carro saindo do estacionamento veio de frente, e sinalizou o meu engano. Mas eu tinha visto uma vaga logo atrás e me posicionei para entrar nela de ré.

Fomos ao hotel para conferir se estava tudo certo para o check in e o moço da recepção me acompanhou até o carro para pegar a bagagem. E foi na minha frente. Quando lá cheguei com minha mochila e a mala, ele pegou e levou para o andar de cima, subindo até lá pela escada de madeira. E nós conversamos bastante, inclusive comentando sobre a dificuldade de subir aquela escada por causa dos problemas com o menisco e o ligamento do joelho direito da Cris. Ele viu minha data de aniversário e disse ser 14 dias mais velho que eu, e contou sobre uma namorada paulista, e sei lá, entende?

Subimos com dificuldade até o quarto, usamos banheiro, acomodamos nossas coisas, e saímos para ir até a Igreja de São João Batista, passando pela principal rua de comércio da cidade e parando para a Cris tentar encontrar umas lembrancinhas.

A Igreja, que também não era distante do hotel fica num largo bem bonito.

E eu queria também conhecer a Sinagoga e o Museu que tem ao lado. E achei que ficaria aberto até no máximo às 18 horas, o que fez com que nos apressássemos.

A Sinagoga é um local bem pequeno, mas muito representativo. No Museu, conversando com a responsável e lendo as informações, soube que já não há Comunidade judia na cidade, e que um casal de Belmonte está tentando estabelecer junto aos órgãos administrativos, regulamentação que possibilite a recriação dessa comunidade e utilização do espaço. Ainda tinha curiosidade sobre os novos católicos, ou os judeus perseguidos, que acabaram indo para o Brasil. Ela me disse que o governo de Espanha, muito católico, determinou a expulsão dos judeus daquele país. Depois, o rei de Portugal, interessado numa aliança política através de um casamento com a realeza espanhola, cedeu a pressão destes para fazer o mesmo. Estes judeus tiveram 10 meses para abandonar o país e muitos seguiram para Holanda, ou se converteram ao catolicismo. Depois, a partir da Holanda, foram para o Brasil se instalando em Pernambuco. Mas essa certamente é só parte da história que, por sinal, eu não conhecia.

A Cris ficou me esperando na porta do Museu, por causa da escadaria até lá. E quando fomos adiante, achamos uma lojinha gracinha para comprar outras coisinhas que procurávamos.

Deixamos as coisas no carro e fomos para o Jardim, do outro lado do rio, todo arborizado, vendo parte das construções beira rio refletidas nas águas calmas do rio Nabão, afluente do Zererê.

Sentamos num banco para conversar e observar o sol, por trás do Castelo, que dali, do Jardim, se vê muito bem, lá no alto.

Achamos estranho algumas pessoas passeando com bebês muito pequenos, quase recém-nascidos. Entendemos que bebês nesta idade devem ser protegidos do ambiente hostil das ruas, com intempéries e doenças, ainda mais em época de corona vírus.

Caminhamos pela beira do rio passando por uma pequena ponte de pedestre para a margem oposta, e caminhamos por lá até uma ponte com estrutura em arcos, que num primeiro momento a Cris achou feia. E mudou de ideia ao se aproximar.

Nosso destino final era a Cafeteria Estrela do Mar. Ela fica entre a rua beira rio e a de pedestres, que é comercial, pois o terrenos ali faz um triângulo, e a cafeteria ocupa toda extensão e tem porta pelos dois lados.

O proprietário é um português que passa de 4 a 5 meses do ano em Tomar, cidade da festa do Tabuleiro (que ocorre a cada 4 anos) e os demais na cidade de Prado, sul da Bahia, no Brasil. Sentimos que ele ficou muito feliz em atender-nos. Ele gosta muito do Brasil e lá ele vive de renda. Ainda mais com o valor do câmbio do Euro em relação ao Real.

Tomar tem alguns doces tradicionais e típicos locais. O Beija-me Depressa, que consiste num docinho de gema de ovo, açúcar e farinha de trigo. A Estrela de Tomar. Os Queijinhos e as Fatias de Tomar, que a Cris disse ser o Papo de Anjo.

A Cris pediu chá, o Beija-me e a Estrela, depois de uma tosta de queijo. Eu comi também a tosta com suco de maracujá, e depois o Beija-me, que mudei o final do nome para 'Muito', por esquecimento ou por vontade. E uma nata, tomando um chocolate quente.

Tinha uma senhora numa mesa distante, na pastelaria, que puxou conversa. E perguntou sobre o vírus, disse o que pensava, e disse que estava escrevendo sobre o budismo. Falou conosco bastante mesmo.

Ao sairmos, pela rua comercial, procurando um ATM para eu sacar um pouco de dinheiro, passamos por ela que perguntou:

_ " E onde irão jantar hoje?"

Ao que a Cristina respondeu:

_ " Não vamos jantar. Esta já foi nossa refeição final."

E na liberdade que a idade oferece ela retrucou:

_ " Jantar? Aquele monte de doces? Parecem duas menininhas..."

Sinal que ela estava mais que atenta em nossa refeição. E também comia na pastelaria, e ainda ia jantar.

Voltamos ao hotel depois de pegar o dinheiro e já não havia ninguém na recepção. Subimos corajosamente a escada e ficamos conversando até a hora de dormir.