TAORMINA, pequena gigante, na Sicília (ITÁLIA).

29/01/2020

Taormina fica logo ali, a menos de uma hora de trem partindo de Messina, e olha que paramos em algumas estações no caminho. E não fiz fotos do caminho, no entanto, mal cheguei à estação e já me encantei. O mar estava ali ao lado, brilhante. E o local tinha aquela quietude de cidade do interior, aquela paz. E logo do outro lado está a montanha, de pedra.

Eu sabia que a estação Giardini, em Taormina, era distante do centro velho da cidade, e por consequência, de minha hospedagem.

Perguntei na bilheteria e o homem me indicou a cafeteria para comprar a passagem do ônibus. E quando estava indo para lá, vi um ônibus passando. Não sabia se era o meu, mas também não dei importância. Tenho tempo.

Na cafeteria pedi um café duplo além do bilhete, que custa 1,90 até o Terminal de Taormina. O percurso do ônibus é bem grande, pelo que observei depois. Eu só fiz um pequeno trecho, por isso este preço. O moço da cafeteria foi super simpático e falou comigo em espanhol.

Esperei um pouco no ponto, observando um casal de orientais apaixonado que já estava no ponto quando cheguei. Notei muitos orientais aqui, e não tantos em Marselha. Depois ainda chegou mais um casal de idosos e, quando o ônibus parou, o casal jovem foi o primeiro a entrar. Dei vez ao outro casal e quando fui subir com minha mala, o condutor explicou que eu devia colocar no porão. Melhor.

A subida da montanha se faz por uma estrada esteira e muito tortuosa, mas logo que iniciou já avistamos o vulcão Etna. E as belas praias locais. Que visão espetacular. Já senti outra vibração.

A subida foi rápida e o ônibus ainda ia mais acima. E eu também, mas tinha que completar meu perurso de 1,4 km a pé. E fui chegando à cidade, e fiquei um pouco confusa com a orientação do Maps. Perguntei a um senhor a direção de um hotel que era no meu caminho, e ele me esclareceu que era do lado oposto ao que eu estava indo. Pronto! Agora ficou fácil, E o restante do caminho era mais plano, com pouca descida. A subida já havia acabado, já passei a pior parte.

E portas da cidade vão surgindo para todo lado. E uma energia vibrante do lugar e das pessoas.

No caminho avistei um '500' bem tomatinho. E não pude perder a foto com paisagem.

A hospedagem me recebeu antecipadamente, conforme combinado, só ia deixar as malas. Mas a proprietária já me liberou o uso do banheiro e fez meu check-in, ainda tendo o cuidado de se informar com relação ao meu check-out e se manifestar de deixar itens para meu café da manhã no frigobar do quarto, já que eu sairia bem cedo. E ainda me forneceu o site da empresa de ônibus para eu pesquisar os horários.

O quarto era bem ajeitado, e o lugar bem lindo, com algumas pequenas árvores de kin-kan à porta. Lembrei-me que em Lucca, quando viemos em 2010, também havia. Acho que é para dar sorte.

Saí logo para aproveitar o tempo e fui direto para o Teatro, mas antes passei por uma igreja. Simples e acolhedora. Caminhei um tanto pelo importante Corso Umberto até chegar ao Teatro Romano.

Como sempre, não sabia o que esperar. Paguei 10 euros no ingresso e achei que valeu cada tostão. Que lugar fantástico. Eu li nas previsões meteorológicas que estaria chovendo em Taormina no dia de minha visita. Ainda bem que a previsão não se confirmou e o sol e o céu garantiram o show. O Teatro Romano é grande, está bem conservado, dá para ver o Etna, dá para ver o mar e a gente fica sem saber para onde olhar com tanta vista bonita.

Saindo de lá fui garantir energia para resto da tarde. E apesar de muitos restaurantes só abrirem aos finais de semana ou na alta temporada, ainda nos restam algumas ótimas opções. E foi o que aconteceu. Entrei num pequeno restaurante e vi que as mesas estavam todas reservadas, inclusive chegou um grupo grande de chineses junto comigo. Mas como eu estava sozinha, me arrumaram um cantinho junto à mesa de taças.

Pedi um nhoque à sorrentino e uma parmegiana. Recebi um nhoque com molho de tomate e muçarela. E a parmegiana era de berinjela. Estava tão boa, mas tão boa, e supus ser o azeite a principal diferença. Senti falta só do queijo ralado, mas como o prato é com muçarela derretida, achei que não vinha mesmo. Pedi ainda uma taça de vinho tinto e um sorbet de limão, para beber junto com a comida. E uma água sem gás.

Comi tranquila e fiquei observando, inofensivamente, dois mebros da comitiva chinesa que se sentaram na ponta da mesa, mais próximos de mim. O primeiro prato deles foi de penne com molho ao sugo. Eles só beliscaram a comida, e depois tomaram o sorbet, que no cardápio deles, que era um menu tipo combo, era servido em pequena quantidade. Este eles tomaram tudo. Mas fiquei imaginando como se mantêm nutridos com tão pouca comida. Sério. Devem ter comido uns quatro ou cinco macarrões cada um. Até uma judiação jogar fora aquele tanto de comida.

Eles saíram um pouco antes de mim. E fui caminhando pelos incríveis becos da cidade até chegar à Catedral. Em frente a ela um monumento numa praça sem árvores. E ela guarda um estilo renascentista também, sem tanta ornamentação. Um quadro da Nossa Senhora com o menino Jesus me chamou a atenção pela ausência de face. Isso mostra como os ícones funcionam em nossa mente. A imagem apresentada repetidas vezes se torna um padrão. Isso facilita muito a comunicação entre diferentes idiomas.

Continuei pelos becos da cidade, e tinha um com a desembocadura tão estreita que eu mesma não conseguiria passar de frente no local, depois ele se alargava. E vi um grupo de jovens asiáticos fazendo divertidas fotos no local.

E de um mirante pude contemplar a Isola Bella. E lá fui eu pensar novamente sobre a formação das palavras. Isola em italiano quer dizer ilha. E tem todo o sentido. Ela está isolada do resto da terra, cercada de mar por todos os lados. Em espanhol ela passou a ser Isla. Já comeram um 'o'. Mas os espanhóis usam, por exemplo, o termo 'aislado' que significa: isolado. Então, da forma que usam, também faz sentido. No entanto, no português a palavra virou: ilha. E não tem mais a conexão com as outras formas... Estou gostando de aprender novos idiomas, mesmo que só algumas palavras.

Em frente ao Mirante tem outra igreja, a de San Giuseppe. E nela a Via Sacra em quadrinhos, que tanto gosto por me recordar de Juquiratiba.

Meu próximo destino era A Isola Bella, lá embaixo. Pensei em descer a pé e subir pelo teleférico. Coloquei no Maps e fui seguindo meu caminho. E vi um parque encantador, que não estava em meus planos. O Giardini dela Villa Comunale. É como o próprio nome diz, um jardim, mas além de ter belas árvores, arbustos e flores, tem umas construções que enfeitam e criam um cenário diferenciado. O acesso a elas não é permitido, e não consegui definir se são ruínas ou foram construídas desta forma. Descobri depois, pesquisando na internet que foi residência de Lady Florence Trevelyan, uma inglesa, parente da rainha Vittoria, que casou-se com o prefeito de Taormina. Mas seu legado para a cidade é maravilhoso.

Como o jardim é num terreno em declive, tinha a esperança de ter uma saída para a parte mais baixa, e desci para fazer umas fotos. Mas tive que subir de novo. E um funcionário me informou onde havia o segundo portão, que era mais adequado à continuação de meu percurso.

Porém logo depois, outro mirante apareceu em meu percurso, e ao lado dele um caminho em declive, com uma escada larga. E parecia ir longe. No meu mapa eu não a via. Resolvi arriscar. O caminho era bonito, bem arborizado, com vistas da praia a todo instante. Mas também muito isolado. E eu estava bem tranquila. Até que dei uma enganchada do calcanhar do tênis e tive que me equilibrar nem sei bem como. Certo que meu anjo alado me segurou. Pedi para que ele continuasse me protegendo porque, se eu caísse ali, além de me trumbicar toda, ainda podia ficar uns dias sem ser encontrada. Por toda a extensão do caminho, só quando ela cruzou por uma pequena estrada, de passagem, junto a um estacionamento, é que vi alguém passando. E depois deste trecho a escada virou mesmo um beco, e havia casas do lado esquerdo. E até um gato tomando banho de sol. Neste trecho até pode passar gente com mais frequência. 

Vi umas árvores com flores muito bonitas, e descobri depois que são de amendoeiras. Elas estão adiantadas por causa do clima. Normalmente florem no final de fevereiro.

E meus joelhos já estavam reclamando de toda aquela descida até que cheguei numa estrada em que o Google se achou novamente. E me mandou virar à direita. E eu fui. Mas os caminhos que ele sugeria eram propriedade privada. E tinha uma senhora na sacada de sua residência, a quem perguntei por onde chegar à praia?

E eu tinha que ter virado à esquerda e pegar outra escada. Já estou tendo que me segurar em qualquer borda para meus joelhos não me derrubarem.

Desço a escada da Reserva Natural Isola Bella. E chego à praia de pedras. De mar transparente e calmo. E há um caminho de pedriscos por onde se pode chegar até a ilha. E um barco que faz o caminho até as grutas, mas ninguém parece muito animado a fazer o percurso. E o lugar é fenomenal. Muitos casais passam ali um tempinho, curtindo juntinhos a maresia. E tem até famílias com crianças. Eu fico o tempo suficiente para tirar umas fotos, descansar meus pezinhos, ver o trem passar e voltar, não sem antes perguntar a uma moça onde é o teleférico, porque olhando em volta não vejo seus cabos de aço.

Eu devia retornar e subir o último lance de escadas. E em vez de virar à esquerda, que é de onde eu vim, virar à direita, e o terminal do teleférico Taormina-Mazzaró fica a esquerda, um pouco afastado da rua. Eu já estava me arrastando e paguei os 3 euros para subir com muito gosto. E ainda pude ir sozinha num carrinho, fotografando o caminho. Achei engraçado porque os carrinhos sobem todos juntos. Quando junta um tanto de gente na base, o responsável libera a entrada e as pessoas se espalham pelos diversos carrinhos.

Mas do terminal superior até a casa ainda tinha um quilômetro de caminhada. Mas com pouca subida e muita vontade de chegar. Mas já estava na hora de comer algo mais. O almoço foi bem consumido. E parei para comer uma fogazza com um chá gelado. O dono do bar, um senhor, também todo galanteador. Mas não inconveniente. Ali comendo tive a possibilidade de descansar mais um pouco.

Na sequência, quase chegando no B&B Rosangela, vi uma ave no terraço de uma casa, mas de tão grande pude avistá-la de longe.  Lógico que não era assim como um condor... mais para o tamanho de uma águia. Não soube identificar. Não é minha especialidade.

E cheguei de volta ao hotel com o dia terminando. Exausta, feliz e agradecida.

E uns pães, queijo e salame me aguardavam para o lanche matinal. Vou tomar um banho gostoso e relaxante e escrever o que der, já que a internet não é tão boa. Foi só o que falhou um pouco neste local. No mais, tudo de bom.