TALLINN (ESTÔNIA) - CIDADE VELHA

13/09/2019

Tivemos que acordar às 6 horas para nos preparar-nos e irmos para o Terminal Portuário para embarcar no navio da Viking On Line. Quando lá chegamos às 7h17 para a partida marcada para 7h45 e vimos o tamanho do navio que estava nos esperando tivemos a sensação de um pequeno Cruzeiro marítimo. A Elisabeth ficou muito feliz. Disse que foi uma grande e maravilhosa surpresa para ela, que nunca fez este tipo de passeio e sonhava em realizar algum dia. Eu também fiquei surpresa pois esperava algo mais parecido com um ferry boat. Mal entramos no Terminal, nos localizamos, subimos a escada rolante para o Portão 3, apresentamos nossos vouchers e passaportes recebendo um tíquete para apresentar no leitor a laser e acessar a passarela de embarque. O tíquete serviria para ida e volta. 

Fomos caminhando pala passarela e de repente já estávamos embarcadas. Olhei para uma tripulante e perguntei:

_ " And now?"

Ela abriu os braços e falou algo como que dizendo que eu podia escolher, estava tudo à nossa disposição. E tinham escadas subindo e descendo a partir dali. Optamos por subir por verificar a existência de cafeteria no andar imediatamente superior, conforme placa luminosa.

Havia fila para a cafeteria e quando chegou nossa vez de fazer o pedido, descobri que aquela fila era só para quem queria usar o serviço selfie service. Perguntamos o preço e optamos por entrar, 16 euros por pessoa.

Mas lá dentro descobrimos o verdadeiro sentido do dito popular que diz que de manhã deve-se comer como um rei. A Elisabeth foi se servir enquanto fiquei com as mochilas em uma mesa que escolhemos. Neste tempo peguei um suco de laranja que estava próximo.

Ela voltou com uma prato de frutas que incluíam melancia e toranja. Foi minha vez de fazer meu prato. Nada de frutas. Peguei queijos do tipo ementhal e brie, caviar, uns tortilhas de espinafre, uns assados de sei lá o que, pão, e café com leite.

A Elisabeth foi fazer seu prato e voltou com um almoço, com caviar, salmão, salsichão, tortilhas de espinafre, torta de verdura, pimentão e etc. Comeu com gosto. Estava louca para comer salmão defumado.

Eu ainda voltei ao serviço e peguei panquecas com uma colher de mel e outra de nutella. Ela também foi atrás de panquecas ou pão e quase fica sem café, porque deu o horário para o encerramento do serviço e começaram a tirar as coisas e limpar tudo. 

Subimos, verificamos que o navio tem 6 andares utilizáveis pelos passageiros. Fora o primeiro e segundo que devem ser usados pela tripulação e conter, no casco, os motores.

Tem um andar para transporte de caminhões, outro para automóveis, e os demais distribuídos para diversas funções, sendo o décimo com uma pequena cobertura mas que dá acesso a área externa. No nono também tinha uma porta automática onde pudemos sair para ver o mar no ar gélido, e a Elisabeth chegou a chorar de emoção e gratidão a Deus por nos estar proporcionando esta alegria. Só é permitido fumar nestas áreas. O vento escancarou meu sorriso ainda mais, e quase leva minha cara embora. kkkk

Foram 3 horas de viagem por 36 euros a passagem de ida e volta. O gasto maior acaba ficando por conta da alimentação, para quem quiser. Até drinks, champagne e vinho são passíveis de consumo.

Depois de alimentar-nos, ficamos a maior parte do tempo sentadas num banco próximo às escadas, no nono andar, conversando.

Atravessamos os 80 km entre uma cidade e outra pelo Golfo da Finlândia. E não fiquei mareada. Mas também não fiquei olhando muito pela janela.

Ficamos admiradas de ver, no desembarque, a quantidade de caminhões que desciam, cheguei a fazer um vídeo que está publicado no Facebook e no Instagram (Meyre Lessa e @ lessa meyre).

Quando chegamos a Tallinn, capital da Estônia, tendo só um período de 6 horas para conhecer o máximo possível, nos dirigimos à Cidade Velha. Nem coloquei no Google Maps pois avistava uma alta torre de Igreja que descobri ser a da Igreja de São Olavo, que estava em reforma e fechada.

Já chovia e a capa de chuva que comprei ontem já foi útil outra vez. Tinha como objetivo uma torre que serviria de mirante mas passamos em frente a uma Torre que descobrimos ser um Museu e resolvemos entrar porque vimos embaixo umas armaduras.

As visitas de hoje foram se construindo de maneira errática, pois eu inocentemente imaginei que seria uma pequena cidade velha onde podemos avistar quase tudo de dentro dela. Me enganei, é muito grande e cheia de construções altas e não conseguia nem achar as muralhas para definir onde era o lado externo e o interno da cidade cercada por muros entremeados por 32 torres.

Muito do que vimos foi localizando as torres, ou das muralhas, ou das igrejas, ou das edificações.

A Torre Epping e seu museu tem 5 andares, custou-nos 6 euros cada o ingresso e decidimos ir direto lá para cima e descer olhando devagar. A Elisabeth me mostrou uma escada no cantinho da construção que levou-me ao topo da Torre, onde tinha um geringonça ou engenhoca dos tempos medievais e boas janelas para uma vista parcial da cidade. 

Passamos a seguir numa capela próxima à Torre, onde um homem explicava a um grupo de mulheres as características do lugar. Não entendemos nadinha. kkk

Quando passamos por um grande portão e chegamos a um jardim, onde a Elisabeth achou uma cafeteria e desceu para pegar água e tomar um café. A Garçonete é espanhola e ficou feliz por poder conversar em sua língua com alguém. Eu só desci depois de ter colocado minha capa de chuva pela terceira vez. A moça nos disse que chove demais nesta cidade.

Subimos uma escadaria logo em frente de onde tivemos uma boa visão do local, mas ainda parcial. Coloquei no Google Maps a Igreja Santa Maria e segui a sugestão da minha companheira, caminhando por um trilho num patamar intermediário entre a muralha e o parque. 

Até que o caminho ficava ruim  subimos outra escada, chegando a incrível Igreja de Santa Maria. Foram 2 euros para entrar.

Essa igreja possui bancos encapsulados em madeira, com portinhas em ambos os lados. Não conseguimos entender ou imaginar o motivo. E nas paredes, em vez de santos, brasões familiares. Algumas peças diferenciadas ainda servem de adorno ou tem função própria. Seu interior não é grande mas é muito interessante.

Nossa próxima parada foi a Catedral de Alexandre Nevsky. A construção é espetacular, com inúmeros detalhes arredondados e cores contrastantes que enchem nossos olhos de alegria. Não fotografei seu interior e nem passei da porta porque mais uma vez iria entrar e não poder fotografar.

Esta cidade tem armaduras para todos os lados, matrioskas, Papai Noel e troll. Não pude resistir. As matrioskas me fazem recordar minha filha mais nova que tem ascendentes russos e o Papai Noel minha amiga Graça, colecionadora. 

Nosso próximo destino foi a Igreja de São Nicolau, ou também Museu Nigulista, e por este motivo, podendo fotogravar sem flash, inclusive, achamos justo pagar os 6 euros para entrar.

Deixamos nossas mochilas e casacos no armário junto à portaria, usamos o banheiro e entramos apreciar o acervo desta enorme edificação. A Elisabeth me falou:

_ " O que dá para levar escondido no casaco que não podemos entrar com ele?"

Eu expliquei que a moça sugeriu que não levássemos o casaco pois dentro do Museu é quente. E ficamos muito confortáveis mesmo.

O andar superior, onde fica o altar, também  tem os brasões nas paredes, que entendo pertencerem as nobres famílias do local, em tempos remotos. Pinturas e esculturas. Uma que me chamou a atenção, depois vi num livreto ser São Jorge e o dragão. São João também é retratado em esculturas e pinturas, juntos a Jesus crucificado, ou não. Os pesados bancos de madeira têm um diferencial interessante, seus encostos podem mudar de posição.

Uma forma de arte sacra comum por aqui é uma pintura em forma de livro capela. Desconheço o nome que se dá a este formato, mas pode=se contar uma história através de vários retratos agrupados.

O destaque do Museu, ao que me pareceu, fica por conta de um grande quadro de nome Dança Macabra, que apresenta a morte conduzindo os humanos, mas observando sua posição social e respeitando esta hierarquia para esta condução final. Primeiro o Papa, seguido do Imperador, da Imperatriz, o Cardeal e o Rei.

Quando estávamos saindo a Elisabeth sugeriu tirar uma foto minha e um casal se apressou para não sair na foto e não atrapalhar. Então convidei a senhora para tirar foto comigo. Ela me perguntou de onde eu sou e devolvi a pergunta, descobrindo que eles são dos Países Baixos.

Era hora de procurar o Olde Hansa, sugestão de um internauta no grupo do Facebook, Europa lá vou Eu, e caminhar por uma parte mais central e comercial da velha cidade.

Como comemos muito bem no barco, mas já passavam de 14 horas, decidimos por comer um lanche neste restaurante com estilo medieval, onde garçons e utensílios são característicos da época. Meu prato tinha duas espécies de pão e três de peixe, além de ovas de salmão, ovos de codorna e um molho. O da Elisabeth era composto de patês e pão, azeitona e ovos de codorna. Eu tomei uma taça de vinho branco e ela um suco de laranja.

Depois do restaurante nosso tempo estava mais restrito, mas eu ainda via algumas torres por perto, e resolvemos explorar um pouco mais. Uma grande área como as praças de armas nos países latinos, muito gente se movimentando de um lado para o outro e uns carros se esforçando por passar.

A Elisabeth quis procurar um troll para carregar de lembrança, ver se os preços eram melhores que os de Bergen. Achou uns de plástico por 7 euros, os de resina ficavam a partir de 23 euros. Comprou também uma matrioska por 10 euros.

Fomos caçando as torres (não as da muralha), fotografando e saindo. A caminhada até o Terminal Portuário é de uns 30 minutos, com chuva talvez um pouco mais, e já vimos que aqui eles não são pontuais. Se antecipam.

Sobre a muralha vimos uma estrutura de madeira que forma uma passarela. Telvez fosse interessante andar sobre ela, deve-se ter uma vista interessante mas não será possível desta vez, ou não para mim, que provavelmente não visite mais a Estônia, ou pelo menos Tallinn.

Quis sair por um portão diferente, que estava em meu roteiro, o Viru Gate. Assim, além de ver mais algumas torres da enorme coleção de 32 (não sei quantas conseguimos ver), passaríamos por um local diferente no cainho de volta.

E vimos umas barracas de flores, uma pizzaria com um padrão de tábuas na vertical na fachada, bem bonita e diferente, penso que também funcional. A entrada de uma casa onde dois gatos pretos guardam os portões, lembrando que hoje é sexta feira 13. Um tronco de árvore que foi cortada e deixada para servir de adorno no jardim, A Elisabeth parou do lado dele para termos a ideia da dimensão de seu raio. Um prédio bonito com uma excêntrica escultura em frente.

E quando chegamos ao Terminal A o embarque estava quase começando. Só deu tempo de eu ir no limpo e solitário banheiro do Terminal. Fiquei bem à vontade, como se em casa estivesse.

O dia foi produtivo, apesar da muita chuva. Minha perna tem dados uns sinais estranhos, umas repuxadas por dentro. Acho que está cansada. Devemos ter andado quase dez quilômetros hoje.

Chegamos ao hostel depois das 20 horas. Banho um pouco de blog, meio chocolate, água em cama.

Amanhã seguimos para Turku, na Finlândia mesmo. E será um dia de SLOW MOTION.