SETÚBAL, UMA GRANDE CIDADE E SUAS PRAIAS URBANAS

21/07/2020

Como cheguei bem tarde à cidade de Setúbal, fui atendida no DP Room e o rapaz, muito simpático, ajudou-me a levar as malas para cima, já que eram dois lances de escada, e bem íngreme. Depois me deixou à vontade para pedir qualquer coisa que eu precisasse. Senti falta de um cesto de lixo no quarto. O banheiro é externo, e normalmente, compartilhado. Mas ele me disse que o outro quarto do andar estava com o ar-condicionado avariado, de modo que eu estaria sozinha naquele piso. Melhor!

O quarto é amplo, mas muito simples. Só tem a cama de casal, uma cadeira e um pequeno guarda-roupa. Nem espelho tinha. Mas tem ar-condicionado e, com o calor que anda fazendo, é muito necessário.

O alojamento local, como eles chamam, fica ao lado da Casa da Cultura, em uma rua para pedestres, e a poucos metros da Praça Bocage. O escritor Bocage é filho célebre da terra. E como tal, é bastante homenageado. Ali mesmo na Praça estão vários restaurantes e pastelarias, onde encontrei meu café da manhã, logo às 9 horas, horário em que tive que abastecer o paquímetro com dois euros, por duas horas, período máximo.

Depois do café eu tirei fotos da praça, da Igreja de São Julião e dos encantadores canteiros, espalhados por todos os lados. 

E dirigi-me ao Mercado do Livramento, não muito longe dali, e me deparei com um grande edifício avermelhado, com afrescos de azulejos na entrada, e uma organizada e limpa estrutura de bancas de produtos in natura, inclusive pescados. Numa das barracas a cabeça de um Marlin me chamou a atenção, com o bico comprido apontado para o alto, jazendo ao lado de seu enorme corpo.

A Avenida Luísa Todi, onde está o mercado, possui um imenso jardim central, com várias estátuas interessantes. E segui por ela até a Casa da Baía e a Casa da Poesia.

Depois eu precisava comprar uns objetos pessoais e sabia que nessa grande cidade havia algum shopping. E fui para o Alegro. O que foi muito conveniente, pois o estacionamento do mesmo é gratuito. Fiz minhas compras, guardei tudo no carro, chamei um UBER e fui para o Forte de São Felipe. Gastei pouco mais de quatro euros no transporte. A entrada do Forte é por um túnel, todo decorado, muito chique, e logo no final, à esquerda, encontrei uma bonita capela, aberta, e foi a oportunidade de fazer meu agradecimento formal, ao qual estou habituada. Mesmo agradecendo a cada instante por todo este privilégio, gosto de fazê-lo diante do altar. E depois fui caminhar por dentro do Forte e avistar o mar e a cidade lá do alto.

Mal sabia eu que para chegar ao mar, que parecia tão próximo, ia ter que fazer outra grande caminhada sob o sol. Contornar grande parte do Forte e foram mais um quilômetro e meio para minha conta.

Quando cheguei à Praia da Saúde estava com tanta sede que, assim que avistei um restaurante à beira da Praia, entrei na fila e pedi uma jarra de sangria e uma água. E depois tinha que arrumar lugar para sentar-me. E não havia lugares à sombra. Vi duas mesas com um homem sozinho em cada. Corria o risco de estarem esperando alguém, ou mesmo de não me autorizarem a sentar por causa do Corona vírus, mas não tinha outra opção, a não ser ficar aguardando uma mesa ficar vaga. E eu estava cansada de andar e muito sedenta. Já levava comigo a minha garrafa de água.

- Com licença, eu poderia sentar-me aqui, já que não há outras mesas disponíveis?

- Só você?

- Sim, só eu.

- Então tudo bem.

Eu agradeci e me sentei. E ficamos um tempo sem nos falar, cada um olhando seu celular. Por sorte, quando a bebida chegou, o garçom trouxe duas taças, e pude oferecer um pouco ao meu acompanhante de última hora, e gentil cavalheiro. Ele não queria, e acabou só provando. A bebida estava bem doce, mas tinha muito gelo e era bem refrescante, exatamente o que eu precisava.

Depois começamos conversar um pouco e o Hugo me disse que é de Elvas. Que coincidência, afinal foi o último local que conheci antes dessa viagem. Pelo jeito o Alentejo exporta bastante gente para a região da capital do país.

E foi o Hugo que me falou também que aquela parte do mar foi assoreada recentemente, fazendo com que, cada vez maiores embarcações cruzem aquele oceano. E me deu dicas para visitar a Praia de Albarquel, logo em seguida, mas que exigiria uma bela caminhada. Ele saiu um pouco antes de mim. 

Logo terminei minha bebida, fui ao banheiro público, tipo cabine, com custo de dois euros, mas que faz uma higienização completa antes do próximo utilizador adentrar. Na porta deste encontrei duas senhoras e travamos algumas palavras acerca do banheiro, já que elas estavam usando também pela primeira vez, e ficaram confusas quanto ao funcionamento.

Depois fui caminhando pela beira-mar, onde tem um simpático gramado que convida as pessoas a tomarem sol, fazer um piquenique, jogar bola ou apenas sentar e apreciar o mar e o movimento. Era o Parque do Albarquel. Achei que por ali podia alcançar a estrada, mas não. Subi um escadão e sai num estacionamento. E tive que retornar um pedação para alcançar a estrada que leva até a Praia do Albarquel. E nessa caminhada já computei mais 1 ½ quilômetros nas minhas andanças.

Essa praia é mesmo mais bonita, é extensa e, lá no final dela tem uma área com pedras, mas como ao invés de areia, neste pedaço existe cascalho miúdo, tem poucos banhistas também. Caminhei por toda a extensão da praia com os pés na água.

Evitando as subidas, fiz a volta com um ônibus. A passagem tem valor único de 1,40 para ida e volta. E o azar foi meu de fazer só a volta. Mas a caminhada e as vistas compensaram. E, sem saber onde estava, desci exatamente no ponto próximo à Praça Bocage. Mas chamei o UBER para voltar ao Alegro, almoçar e pegar meu carro.

E foi no tempo adequado para chegar de volta ao parking da Praça após as 19 horas e encontrar uma última vaga, ainda mais perto da hospedagem, e não ter que pagar. O problema, neste caso, não é o pagamento, é a obrigação de reabastecer o paquímetro a cada duas horas. Certamente porque eles não desejam que ninguém permaneça além deste tempo no centro da cidade.