Segunda-feira em GRANADA

18/11/2019

Finalizada a estadia em Málaga, na primeira moradia que tive um tratamento profissional, tomei meu café na mesma lanchonete do primeiro dia e parti.

Cheguei aqui por volta de 11 horas, depois de 130 km de estrada nervosa. Muito vento e alta velocidade. Aqui não tem diferenciação para a velocidade dos caminhões e carros menores. A velocidade da estrada era, na maior parte, 100 km/h, mas os veículos andavam um pouco acima. Muita curva forte, daquelas que você passa mais de um minuto segurando o volante em curva... Ainda bem que este trecho eu fiz de dia. Quando vou chegando a Granada começo a avistar uma cadeia de altas montanhas. As mais altas, com seus picos nevados. Trata-se do terceiro maior maciço montanhoso da Europa, a Serra Nevada, com vários picos com alturas superiores à 3000 metros. E, observando o mapa, nos meus dois próximos destinos, ficarei encostando nas nas várias serras que tomam conta do país.

Mas, estou ficando mais esperta. Coloquei o endereço do Hotel no Maps e quando fui me aproximando do local, e do centro da cidade, já tratei de achar um Parking (estacionamento). Sabia que em espanhol existe um verbo aparcar? Que quer dizer estacionar. Não sei se ele foi criado como o nosso escanear, printar, e tantos outros, como forma de aculturar o termo, mas achei deveras interessante.

Estacionado o carro e já ciente que pagarei 25 euros diários, e minha hospedagem está custando 16 euros diários. Acho que é porque ocupo menos espaço né?

Não fui para o hotel, é cedo. Comecei passando pela Plaza de la Universidad, só ao lado.

Depois fui ao lindinho Santuário do Perpétuo Socorro. A Santa Milagrosa se apresenta na forma de ícone, o que não é muito comum na Igreja Católica. E interessante notar, depois de ouvir e assistir um vídeo explicativo, que os olhos são grandes e as bocas pequenas nestes ícones, em geral, para fazer o espectador aguçar os sentidos. Da visão certamente, um sábio conselho, prestar mais atenção e falar menos.

Mas foi a Basílica de San Juan de Dios que me cativou. Paguei 4 euros na entrada. A visita também é áudio guiada e inicia pela sacristia.

Dentro da Igreja, entrando por uma pequena porta e passando por uns poucos degraus, um senhor cuidador me indicou a primeira capela. A de San Rafael.

Depois vieram a Nossa Senhora de belém.

A de San José, muito significativa.

Mas o ponto alto é mesmo a nave central e o oratório. Ele representa um círio (vela grande com toda uma preparação e data especial de utilização). Ele está dividido em 3 partes iluminadas. O sacrário na base, o corpo central tem a urna com as relíquias (partes do corpo ou objetos do santo) de São João de Deus. E a parte superior é Nossa Senhora, que está como junto a chama divina.

Depois vi anida as capelas de São Migeul e de Cristo das Penas. A capela do Santo padroeiro da igreja e abaixo dele uma  cabeça representando São João Batista.

A cúpula, ricamente adornada está a 41 metros de altura, seno a mais alta da cidade.

Subi para o espaço onde estão as relíquias, sendo este ricamente decorado. É um espaço pequeno, mas tá cheio de detalhes que precisei filmar para captar ao máximo a natureza do lugar. (vídeo no Facebook, Meyre Lessa)

Cheguei ao Monastério de San Jeronimo e estava fechado para o almoço. Só reabriria às 15 horas. Então vou para a Catedral... De segunda-feira só abre às 17 horas para visitação.

Então deixa eu almoçar logo para ganhar tempo. Pensei que ainda não estava com fome, mas quando cheguei ao restaurante me deu uma sensação de pressão alterada. O prato do dia era composto de um aperitivo, no caso um pedaço de pão crocante e quentinho, uma entrada, que elegi o salmorejo, por se tratar de um prato típico da região, como prato principal um guisado de ternera, e de sobremesa, um pudim. A refeição completa custou 11,50 euros. Mais duas garrafas de suco de abacaxi, 3,80. Adorei a salmoreja. Trata-se de uma sopa fria cujo principal ingrediente é tomate. E gostei do restaurante.

Neste momento resolvi ir até o carro e já pegar minhas coisas para levar para o Hotel. Coincidentemente, cheguei logo após duas francesas e a recepcionista atendeu-nos juntas. Até porque nossos apartamentos não eram naquele endereço. Depois de resolvidas as questões burocráticas, lá vamos nós, seguindo a mocinha pelas ruas da cidade. Passei por caminhos já conhecidos. E chegamos A Calle Tundidores, número 10. Bem perto da Catedral. E um pouco mais longe do estacionamento.

A localização não podia ser melhor. Bem no centro mesmo. O quarto é amplo, com um beliche só pra mim. Tem uma mesinha com banquetas, e até uma varanda no estilo dos prédios antigos aqui do centro. Depois de instalada vi que já podia voltar ao Monastério.

Mas ali, bem perto da Catedral, vi uma porta aberta para visitação e as fotos me chamaram a atenção. É o Palácio de la Madraza. Paguei 2 euros para visitar, basicamente, duas salas, mas a história de uma delas é muito interessante. Suas paredes foram encobertas com tapumes de madeira para esconder a motivação muçulmana. E, sem querer, fazendo uma reforma no prédio, elas foram descobertas, bem conservadas, tendo resistido a muitos anos e serviram de orientação na restauração de Alhumbra.

Chegando lá havia um grupo de idosos comprando bolachinhas e lembrancinhas, e falando em espanhol com a atendente. Esperei ela terminar e peguntei se era ali para visitar o Mosteiro. Ela ficou com aquela cara de quem não entendeu nada. Refiz a pergunta incluindo o nome do lugar. Ela continuou sem entender e falou que ali era o monastério. Pedi desculpas e perguntei se era possível visitar. Ela respondeu sim e apontou uma porta. Então me dirigi à porta. O que você faria? Daí ela me chama e me pergunta:

- " Yá hay pagado?"

Se era isso que eu queria saber...Paguei os 4 euros e sai sem nenhuma orientação. Pessoa difícil esta. Acho que ficou decepcionada de deixar ir tão simpáticos espanhóis e receber uma 'gringa' que nem sabe falar direito.

O Monastério, a princípio, não foi muito diferente da recepcionista. Muito austero. Ali vivem umas monjas silenciosas. E pede-se não falar com elas, caso as encontre. Ao contrário do que se vê nas igrejas, ornamentadas e coloridas, cheias de vida e esplendor, ali é tudo muito despojado de luxo e de conforto, pelo menos nos aposentos que podemos visitar, como refeitório... Um prédio magnífico, imenso, e o lugar mais caloroso é o jardim de laranjeiras. 

E a igreja. Só pela igreja valeu a visita. Ela tem uma decoração única.

Quando saia encontrei um casal que estava em dúvida se entraria no Monastério. Conversamos e descobri que a Marta é de Córdoba e seu marido é de Madri. Ela leu minha programação para sua cidade Natal e achou que contemplei as principais atrações turísticas.Me aconselhou a ver a Cartuja, aqui em Granada e realmente, esta não estava em meu roteiro. Vou revisá-lo. Deixei-os a decidir se iriam entrar ou não, depois de adicionar o telefone da Marta em minha agenda, pois ela gentilmente o ofereceu caso eu necessite de alguma informação sobre a cidade. Ou até se passar algum apuro, quem sabe? Já precisei de contatos na cidade e não os tinha. Por sinal, perto de Córdoba na Argentina.

Depois voltei à Catedral. E as visitas já tinham iniciado. O ingresso custa 5 euros e também tem áudio guia. O prédio é imenso, e tem uma maquete do mesmo logo à entrada. Mas apesar disso e de ser a Catedral, ela não é tão ornamentada em suas estruturas como outras tantas que vi ao longo do caminho. Na explicação foi dito que na Catedral atua o Bispo. Interessante!

Outra curiosidade sobre ela foi referente El Coro e seus dois órgãos. Notei mesmo que em todas as igrejas maiores visitadas na Espanha têm estes dois órgãos de tubos um em frente ao outro. E foi dito que essa é uma característica comum às igrejas espanholas deste período.

O púlpito é o ponto alto da Catedral, mas se nota uma forte devoção à Maria, coisa que, aliás, aprendi que, no Catolicismo, sempre foi muito forte. Em algum momento a Igreja trouxe de volta o louvor ao Cristo como objeto principal da crença e religião.

Algumas Capelas também são bem decoradas e ornamentadas, mas distante do que já vimos anteriormente.

Saindo dali passei em frente a uma curiosa loja de produtos naturais, ou talvez nem tanto, mas onde achei sanduíche de presunto serrano, garrafa de suco de laranja, salada de frutas, torta de massa folhada com creme e maçã, água. E com 16 euros comprei meu jantar e café da manhã.

E voltei para o hotel, e me perdi. No quarteirão praticamente. Mas me achei. E foi mais um belo dia para agradecer.

E só para constar, agora estamos com 7 graus, sensação térmca de 5 e a previsão que às 7 horas da manhã esteja com 1 grau. A que horas irei levantar?