SEATTLE - ÚLTIMO DESTINO NOS STATES

18/06/2019

Primeiro dia

Hoje a viagem de trem foi usando a linha Cascades da Amtrak. Nessa o espaço era um pouco menor, não tinha tomada para recarregar o celular, e tem um vagão especialmente para as malas maiores. Tive que passar na bilheteria para apresentar o bilhete comprado pela internet e receber um cartão com o número de minha poltrona e vagão. Poltrona 25, janela, no vagão 8. Portão de embarque 5. Tem até TV que mostra, vez por outra, o mapa de navegação.

Fiquei pensando como é impregnado por filmes e desenhos americanos o nosso imaginário desde crianças. Ao ver tantos pinheiros por todo o caminho, tenho a impressão de estar em eterno Natal, ainda mais que em nosso caso eles nunca estão com neve...

Também é interessante observar como são floridas as passagens, nos canteiros das rodovias, junto à linha de trem, nos jardins das casas e nos jardins públicos, flores são apreciadas, e tenho sorte de estarmos no final da primavera. Seattle é uma grande cidade, com mais de 700 mil habitantes, com uma alta incidência de chuvas, chovendo quase todos os dias, pelo menos numa parte dele. Mas o verão é a época mais seca do ano. O dia escureceu hoje às 21h54, e a menor noite do ano ocorrerá em 21 de junho, quando eu estiver saindo daqui, no início do verão, em que ocorre também a maior noite no hemisfério Sul.

A região aqui é toda recortada por lagos, num desenho que mistura E.U.A. e Canadá. Estamos a menos de 1 hora de voo até Vancouver, meu próximo destino.

A viagem de trem iniciou às 8h20 pontualmente e chegamos a Seattle às 12h30, com 40 minutos de atraso.Uma multidão desceu nesta última estação. Ao longo do caminho, além do Rio Columbia, algumas cidades, um polo industrial, comboio de trem com carregando vários carros militares, palafitas, etc.

O UBER que me atendeu hoje tem como motorista o Niazi, de Dubai e foi a primeira vez que senti que o motorista esperava gorjeta. Já havia lido que os taxistas têm este hábito, mas no UBER não tinha notado, não dei assim mesmo, não tinha me preparado para isso. 

O Hotel reservado pela Bancorbras é distante novamente, fica em Shoriline, mas na Avenida Aurora, que leva ao centro da cidade, e a estação de ônibus fica a menos de 2 quarteirões. 

Em volta ainda tem o Echo Lake, um KFC ao lado, onde almocei, e próximo à estação de ônibus, vários estabelecimentos comerciais, incluindo um Starbucks. Aliás, a primeira Unidade desta franquia é aqui de Seattle. Devo visitá-la.

O quarto é bem espaçoso. Só tem carpete demais para minhas alergias. 

Falando nisso, hoje a corretora em Portugal entrou em contato. Mandou duas opções de imóvel para locação. Um em Almada, que é muito próximo à Lisboa e não me interessou, e outro em Évora. Pedi para que tentasse contato com o proprietário para este imóvel. Mas conto com a assistência divina, que nunca me falta.

Uma voltinha nas redondezas e meu dia terminou cedo. Amanhã começo as explorações programadas.

Segundo Dia

Muitas despertadas depois... o colchão pareceu-me mais firme, as costas doem bem menos agora! Começo o dia conversando com a Corretora em Portugal, a Ana Paula. Estamos com uma diferença de fuso de 8 horas, ela já estava terminando o dia e eu mal começando. Ela encontrou uma alternativa de moradia em Beja que atende às minhas necessidades. Peço para Deus, que conhece todos os meus anseios e necessidades, colocar a mão. A Ana Paula disse que hoje abriu os sites de procura com a cidade de Beja em vista. Logo achou esta oportunidade e ao ligar foi prontamente atendida. Mandou-me fotos e amanhã tem encontro marcado com a proprietária às 11h30. Aqui serão 3h30, mas programei o relógio para despertar às 4h, assim aproveito para ir ao banheiro e falo com ela. Quem sabe já fechamos esse negócio e abrimos esta porta. Grande expectativa o dia inteiro!

O café da manhã por aqui é só das 6 h às 9h. Já passam de 8 horas, é melhor eu descer. Pensei em já levar bolsa, mas mudei de ideia e subirei ao quarto antes de sair. São 3 ou 4 mesas e parece que todos tiveram a mesma ideia que eu. Aguardo até abrir espaço junto aos alimentos, pego uma banana e pergunto a um cavalheiro, que está sentado só numa mesa de 4 lugares, se posso sentar com ele. Assentiu. Vou atrás de meu café. Pego um iogurte de pêssego. E vejo que tem a máquina de fazer Waffle. Um homem estava ajudando um moço a fazer o seu. Fiquei em dúvida se era filho dele, mas vi que o moço tinha alguma dispersão mental. Pedi para o homem me ensinar, nisso um funcionário do hotel preparou um para mim, mas só peguei metade, e peguei pasta de amendoim e um pouco de Syroup. 

O outro senhor saiu da mesa, e sentamo-nos em 4 à mesa, o rapaz especial, o homem que o ajudou, sua esposa e eu. O homem perguntou o nome do rapaz, então compreendi que não se conheciam, e ele só estava prestando solidariedade a alguém com dificuldade. Conversavam e conclui que o rapaz sofrera um acidente em setembro, só não entendi se foi no ano passado ou antes. De repente o moço começou a chorar, ficamos todos constrangidos. A mulher estendeu um guardanapo para ele, o homem dava tapinhas de consolo em seu braço. A mulher se dirigiu a mim e eu disse que não falava bem o inglês. E a pergunta comum:

_ " Where are you from?"

_ 'I'm from Brasil", com S porque sou eu que estou escrevendo.

Explicaram para o moço e ele começou falar do Brasil, parando de chorar. Eu terminara o meu desjejum, pedi licença e retirei-me.

Choveu durante a noite, e o dia está um tanto cinzento. Isso me desanima um pouco. Olhei no Google Maps e tomarei o ônibus na 200th com a Avenida Aurora, bem pertinho daqui, e vou descer 3 ponto após a 46h, por aí dá para ver que é longe.

Após descer do ônibus, começo a observar vitrines, nesta loja tem uma moça provando vestido de noiva...

E esta construção parece um fura-fila... mas não vi nenhum transporte passando por aí.

Meu primeiro destino: Chihuly Garden and Glass, e não poderia ter escolhido melhor para alegrar e colorir meu dia. A entrada está bem ao lado do Space Needle, uma torre icônica que serve de mirante da cidade de Seattle, mas contento-me em vê-la de baixo mesmo. Talvez à noite seja uma vista bonita de cima.

A entrada do Chihuly adquiri na máquina, demorando só um pouco mais que o normal para entender cada passo e pegar meu cartão para pagamento. US$ 32. Adquiri para o horário de 11h à 12h. Faltavam só 15 minutos para minha entrada. Passei no café onde ficam as lembrancinhas, e vi umas obras de arte e  vidro que tenho certeza que encantariam minha mãe; 

Um mosaíco em colchas ou xales bordados que encantaria minha madrinha de casamento e amiga, Cristina; 

Uma touca de crochê em lá grossa e uns souvenirs que já iriam atiçar a artesã e amiga, Renata. 

Primeiro a parte interna do espaço. Uma palavra descreve meu sentimento: AMAZING! Chihuly é o nome do artista do vidro. Lógico que ele não trabalha sozinho, ele idealiza, realiza, acompanha, dá o formato final a obra...

A parte externa é o jardim, que se funde harmoniosamente com as peças de vidro.

O gostoso de viajar e carregar consigo os amigos é que em cada canto, a memória de um aparece, e familiares e amigos se fazem presentes. Num canto vi umas camisetas negras, com desenhos brancos, também roupinhas de bebês, filhos de roqueiros com certeza, e me fizeram pensar na minha filha Débora e seu marido. Cada comidinha que vejo ou experimento, lembro de minha filha Brenda. Cada bichinho de estimação penso na minha gata Sofia e nos cães, Salu e Lucky. Não é que eu esteja com saudades. A saudade não sai de mim. É impossível que assim não seja. Ela representa a construção de minhas boas memórias, do prazer que tenho em viver e estar com as pessoas, de conhecer gente nova amando a gente já conhecida. A minha capacidade de recordar, manter os meus sentimentos mesmo à distância é que me provam a genuinidade dos mesmos. Não deixo ninguém pra trás. Caminham todos comigo, sem exceção. E juntos construímos as teias de minha vida. Não temo ser esquecida ou esquecer. Isso não é possível, porque eu não quero. 

Quando penso em quem sou, sei que me preparei a vida toda para este momento. Sempre fiz de tudo para não ser indispensável e, pensando bem, acho isso até bem generoso de minha parte. Possibilitar um desprendimento homeopático, porque um dia, todos se vão, mas quando acontece de uma vez e definitivamente, é mais dolorido e doloroso. Mas, continuando meu caminho...

Segui em direção ao Parque das Esculturas, junto ao Pier 70. Nada de mais. Bonito, mas preferi o Pier. 

Acompanhei a avenida beira mar??? De repente as cancelas se fecham para a passagem de um trem de carga, uma única carga, um minério que não soube reconhecer, 2 locomotivas e 127 vagões. Uau!

Percebi que caminhando em frente, chegaria ao Pier Market Place, um dos destinos programados, de lá avistei a roda gigante de Seattle (acho que não será esta também a que vou embarcar). Enquanto fotografava o mar e a roda, um americano se achegou e começou a conversar. Falou de suas filhas e perguntou de mim. Simpático, mas estranho para uma cidade grande.

Vejo que a possibilidade de almoçar por ali é grande, mas muitos estabelecimentos são pequenos e a comida é servida no balcão, na grande maioria, algum tipo de lanche. Encontro um lugar com mesas e é ali mesmo que vou comer, colocando meu celular para carregar. Peço um combo perguntando se virá um mix das carnes, peixe, camarão, anéis de cebola, tudo empanado e frito, servido com uma maionese com salsa, e um molho vermelho que não provei. Pelo menos não tinha pão e gastei só US$ 13. Estava quentinho e bem feito, e a porção era generosa. Sobraram anéis de cebola. Tomei com chá gelado.

Quando sai, notei que durante o meu almoço, chovera. Entrei no pavilhão em frente e senti-me no Mercado Municipal, de qualquer grande capital brasileira. Uma diversidade de aromas, cores, texturas, provocando os sentidos. O ouvido atento reconhecendo diversos idiomas. O olhar curioso com a diversidade de frutas e legumes desconhecidos. Flores, bebidas, artesanato, diversas coisas para todos os gostos. Encantador!!!

Próximo destino, As Esferas. Num escritório conceitual da Amazon, criado para manter contato com a natureza, pois abriga mais de 40 mil espécies de plantas de diversos países, e atiçar a criatividade, abrange 3 quarteirões entre prédios, estrutura de aço, concreto e vidro. Combinam com a modernidade da cidade.

Não comi ainda minha sobremesa, e nem os famosos Cupcakes americanos. Então vou atrás, pois por aqui não se acham as coisas acidentalmente. è tudo muito grande, e as portas com ar condicionado afugentam os olhares curiosos. Em alguns estabelecimentos mundialmente conhecidos, fica fácil saber o que lá encontrar. Caso contrário, todo lugar é uma incógnita para mim.

Tenho que subir a colina. Fico sabendo que Seattle está construída sobre 7 colinas. Subi e desci algumas delas. Aff! Um grande prédio abriga diversos estabelecimentos, e agté o que eu queria fiquei em dúvida se era ali mesmo. Comi. Gastei 7,35 dólares e prefiro os donuts e os Muffins.

Estou cansada. Andei bastante, as constas ainda doem um pouco e o dia mais a expectativa quanto ao imóvel em Portugal, não estão ajudando.

Quero comprar algumas coisas antes de partir e sigo a indicação de um blog: Ross Dress for Less. Fui de UBER, ficou só US 5, e evitou outra descida de uma milha. Mas estou enjoada, acho. E quando estou assim, é didícil me contentar. Tudo misturado... Que bagunça. E os preços, não são la essa maravilha. Provo 6 peças de roupa entre calças e blusas. Separo uma calça e uma blusa. Pego outras duas blusas um pouco maiores, não sei minha numeração no padrão deles, e nem visual. Não gosto. Só levo as duas primeiras peças mesmo.

Quando saio, resolvo cotar um UBER. O QUE????  US$ 53???

Deixe-me ver o onibus da linha E por onde passa. Na rua transversal. Para que lado? Pergunto a um fiscal no ponto de ônibus, ok, no próximo quarteirão. Quando lá chego, está escrito num painel parecido com os de aeroporto: Linha E, Aurora Ville. Now. 

Olho pro lado e lá vou eu. Espero que seja este mesmo. Na hora de pagar foi uma confusão com as moedas. Mas o motorista me liberou. Então, talvez, os 25 cents que sobraram na ida, sem troco, tenham pago a volta, inadvertidamente.

Fui a última a descer, praticamente no ponto final. Thank you, driver.

Está garoando de novo, mas já estou quase chegando, louca pra tomar um banho e relaxar. E aguardar às 4h e talvez ter a definição de minha nova moradia pelo próximo ano. Quem sabe???

Terceiro dia

Dormi inquieta. Um pouco antes do despertador tocar ouço o fone do What'sApp. Atendo. É a Ana Paula, pede desculpas por ter me acordado. Pergunta se pode fazer uma chamada de vídeo?

_ " Ainda não."

_ " Então me ligue quando estiver pronta."

Ela quer me mostrar a casa para ver se eu gosto. Me conta que no caminho de Lisboa a Beja passou por lindos campos de girassóis. Já me deixa animada. Põe a dona Rosalita, a proprietária da casa e da vila, na verdade. É uma senhora simpática e sorridente. Também viúva, como eu. Tem várias casinhas alugadas e mora ali também. A minha será a de número 14. 

A Ana Paula passeia pelo lado externo das casas, todo pedregulhado, com algumas árvores. Depois passeia pela casa, uma lavanderia, a cozinha, uma pequena mesa com cadeiras e duas poltronas, o banheiro e um quarto bem grande com um roupeiro. A casa está mobiliada e tem até máquina de lavar roupa. Escolhi esta cidade e este lugar em função dos custos de moradia. Em Faro ficaria em torno de 500 euros o mesmo tipo de imóvel, dai para mais... Vou pagar 280 Euros, ficarei num lugar tranquilo, cuidado pela dona Rosalita e certamente vamos nos dar bem, e poderei viajar tranquila, na segurança de que tudo estará igual quando eu voltar. Sendo uma freguesia de Beja, fica a 4 km da cidade.

Um peso que tiro das costas, e a dor física diminui com a tranquilidade que chega.

Volto a dormir um sono repousante agora, sem fantasmas...

Estou num ritmo diferente, de final de viagem, de começo de uma nova vida, mesmo que momentânea, mas é um marco e isto me deixa contente.

Como teria 4 dias inteiros em Seattle, deixei para este lugar algum item de desejo que porventura pusesse em minha lista ao longo do caminho. Coloquei alguns poucos, nada muito importante, mas se achar...

Peguei o Linha E para Aurora Village ontem quase em frente a Macy's. Irei lá primeiro, pois assim estarei descansada e menos enjoada.

Devido aos atropelos da madrugada, não levantei cedo o suficiente para o café, então vou ao Starbucks repetir aqueles ovos com queijo Gruyére e bacon, parecendo uma empadinha, com consistência de suflê que ainda não tinha mencionado, mas jantei no primeiro dia aqui. Dessa vez tomei com um cappuccino quente e um muffin de blueberry, que conhecemos como mirtilos.

Por mais que pareça barato gastar US$ 13 num café da manhã assim, acho que é caro comparado com um excelente almoço de US$ 25, por exemplo. Também chego a conclusão de que o custo de vida sempre é balanceado pelo valor de cada moeda e o poder de compra. Não existe um custo de fabricação em dólares e venda do produto em reais. E quando os insumos são importados, você inviabiliza o produto final se a moeda do insumo de origem é mais forte que a sua.  Então, fazer uma viagem para os Estados Unidos com o dólar custando mais de R$ 4, faz parecer tudo extremamente caro. Melhor viajar pela América do Sul mesmo. Mas, já que estou aqui...

Vamos conhecer a Macy's. Agora sim!!! Uma linda loja de departamentos, de três andares, com todo tipo de roupa, desde produtos para crianças até homens adultos, passando pela seção feminina.

Na minha pequena lista constava um óculos de sol, um tênis, meias, lingerie, camisetas, legging, uma blusa de frio.  A blusa de frio comprei no Lago Shasta e já sai em várias fotos com ela, super prática com seu bolso canguru. A legging comprei na Ross Dress for Less, branca com listras azuis, ficou bonitinha. Hoje achei o óculos de sol, comprei um Vogue. Gostei de vários mas este era o com preço mais condizente com minha realidade. Camisetas e blusas, tinham umas lindas, mas caras. Deixa pra lá. Idem para as meias. Não estou precisando para já. Queria aproveitar se achasse com bons preços. O tênis, acho que tenho que ir a uma loja específica. E este que estou usando, que ganhei no dia das Mães do ano passado está excelente, confortável e sendo um fiel companheiro.  Não vou atrás.

Já estava pensando em ir embora quando resolvi usar o banheiro da loja, que fica no segundo andar. Banheiro com senha na porta de entrada, mas a senha fica disponível no corredor. Estou saindo e vejo as lingeries. Vamos dar uma olhadinha nos soutiens. Lindos, enormes, mas me atraíram. Vou até o balcão.

_ " I want buy soutiens, but I don't know my size."

A simpática atendente, já uma senhora, me fez entender que isso não seria problema.

_ " Follow me."

E fui atrás dela até as cabines de prova. Ela pegou uma fita métrica, e mediu meu busto, toda a circunferência e abaixo dele, onde prende o elástico. Pediu-me um momento e foi chamar a outra para conferir. Depois explicou-me, toda contente:

_ " Yeahhh!!! I'm learning."

Legal, estamos aprendendo juntas então. Ela me conduziu à parte externa e ficou procurando entre os modelos o do tamanho que ela concluíra, 42DDD. Pegou dois deles e me levou de novo a cabine de provas.  Eles tem muita cara de 'senhorinha', mas vestem como uma luva. Não tem enchimento, só as estrutura laterais e em curva, debaixo dos peitos. Estes ficaram redondinhos, altos, uma cirurgia plástica. Não interessa que sem roupa por cima, vou parecer uma senhora. Afinal, sou uma senhora. kkkk

Mostrei que queria um um pouco mais cavado, gosto de blusas decotadas. Ela trouxe um preto com um pouco de renda. Fantástico!!! Comprei dois. E vou deixar dois dos meus mais velhos no hotel. Não posso aumentar o peso das malas. Baratos não foram, mas pagaria com gosto no Brasil se achasse assim por aí.  Lingerie boa é cara em qualquer lugar. Saio satisfeita.

_ " I'm happy", digo a vendedora.

Ela responde que ficou feliz de me fazer feliz.

O que programei mais para hoje mesmo, ah , sim , ir até a Starbucks Reserve, a primeira unidade desta franquia, e ao Volunteer Park. 

A Starbucks fica na  Primeira Avenida, e descubro onde estão todos os restaurantes e sorveterias e cafés da cidade, concentrados...Mas agora não estou com fome. Chego a unidade da franquia e, nada demais, fica em frente ao Museu de Arte de Seattle.  Mas não estou pra Museu. Mas a fachada deste é muito bacana.

Aliás, a cidade tem uns prédios invocados. Coisa de quem aparece mais. Muita coisa que é só estética mesmo... Mas chamam a atenção.

O Parque fica a mais de três milhas de distância. Uns 5 km. Começo a subir... subo...subo... e canso.  Mas a subida valeu a pena. Cheguei até a primeira igreja Batista, da cidade, creio eu. Um prédio bonito, bem conservado, estiloso. 

Após fazer algumas fotos, decido terminar meu caminho de UBER e fico ali esperando o Felix. ele já chega com uma passageira. Vi em seu perfil que falava espanhol então já começo falando:

_ " Hola."

Ele me apresenta a outra passageira, não olho para trás mas a cumprimento. Ele diz que ela também fala espanhol. Pergunto de onde é e ele diz que ela é da California mesmo.

Depois que ela desce, ele me fala que era um Gay, mas sem nenhum preconceito no tom de voz. Eu disse que não observei.

Continuamos conversando e ele diz que gosta muito das brasileiras, que são muito bonitas. Ele é mexicano, mas já está há 20 anos em Seattle. Tem 37. Casou-se com uma mulata. Tem 3 filhos, a menor com 6 anos. 

_ " No va enojarse, pero me gustan las colas grandes" e faz um sinal com as mãos representando as ancas." Las americanas no tienen colas grandes. De niño en México yo yá sabia que me ia casar con una mujer de cola grand."

Mas disse que sua mulher já não anda feliz com ele, está meio depressiva. Ele acha que por influência da mãe, que sempre foi depressiva e que liga se lastimando todo o tempo.

Logo em seguida entraram mais dois passageiros, um casal, ele apresentou-me:

_ " This is Miuri, she's brazilian."

Eles sorriram e me cumprimentaram. Não falavam espanhol, mas nos comunicamos um pouco. E descemos todos no Volunteer Park, em frente a um redoma de vidro com flores e plantas diversas, logo após passar por um cemitério jardim onde o Felix disse estarem enterrados os atores Bruce Lee e Brandon Lee. Não que isso venha ao caso, mas algumas pessoas gostam de visitar túmulos de personalidades.

Este é outro lugar que vale muito a pena conhecer, o Parque Volunteer. 

A estufa abriga orquídeas...

Bromélias...

Cactos...

e uma infinidade de outras lindas plantas.

O Parque é grande, limpo, bem mantido, tem esquilos para todos os lados.

Tem áreas de diversão para os pequenos.

E muito espaço para divertir-se, pedalar, se exercitar...

Sabia de um prédio redondo e queria chegar até ele. Descobri ser a Torre de Água, que proporciona uma boa vista panorâmica da cidade, 360º. A vegetação encobre um pouco, mas vegetação nesta cidade é um item presente intensamente. Ótimo! Fica mais bonita e mais saudável.

Passei por uma lagoa artificial, vi patinhos, carpas...

E cheguei a Torre. Quando ia começar a subir o casal terminava de descer. Disseram que valia a pena, pelas vistas da cidade.

Lá fui eu 107 degraus acima, contei na descida, é óbvio. Na subida guardei o fôlego. E não contei os degraus externos.

E o Space Needle se vê de todo lugar que você vai. Ou seja, deve-se mesmo ter uma excelente vista da cidade a partir dele.

Hora de descer e pensar em voltar. Chamo o UBER colocando a Starbucks como ponto de referencia para comer na Primeira Avenida. Já passam de 15 horas. E a fome começa a se manifestar. Quero algo bem gostoso neste dia que resolvi gastar comigo, literalmente. Mas não chego ao lugar pretendido, e tenho que descer, ainda bem, da nona avenida até a primeira. 

Passo por outra obra monumental que é um Centro de Convenções. 

E não chego a Primeira Avenida, pois vejo um lugar que se intitula Fábrica de Bolos. A Brenda diz que os melhores bolos do mundo são os americanos. Adoro bolo. E ainda não comi nenhum. Buáááá´! Eu queria almoçar.

Mas meus pedidos foram atendidos. A moça me pegunta se quero almoçar, não entendo nada mas ela me apresenta o cardápio e, pasmem, lindos e deliciosos pratos. Deixa o bolo pra lá.

Elegi uma lasanha verde, uma bebida sem álcool, com ginger e soda e laranja acho. A garçonete me perguntou se eu queria pão. Olho com cara de interrogação após uma longa frase e ela reduz:

_ " Bread?"

_ " Yes."

Ela trás uma cestinha com um pão semi italiano e um semi australiano, ambos crocantes e deliciosos. Com manteiga. Água com gelo e minha bebida. O prato não demora a chegar. Um molho de tomates triturados, impagável! Delícia. O que eu estava precisando. Lá pelo meio do prato eu pensava:

" Chegarei ao fim??? Vamos devagar, já são quase 16 horas e este será também seu jantar.

Quando terminei, feliz e satisfeita ela vem perguntando se quero bolo. As especialidades da casa. Óh meu Deus. Simm. Apertadinho sai o meu sim. Mas para viagem. Agora mais solto.

Escolho um com sabor de cerejas e chocolate Ghiraldelli. Eles embalam e ela já trás na sacola. Gastei US$ 35 com gorjeta, bem gastos. Ela ainda trocou 5 dólares para eu pegar o ônibus. Depois de uma refeição desta, eu devia ir de limusine para o hotel. kkk

Peguei o ônibus bem cheio e fico pensando o que estou fazendo no ônibus naquele horário, afinal, tanto horário para passear, fico atrapalhando quem volta do trabalho. Mas depois de andar mais algumas vezes de ônibus, vejo que não tem hora que esteja vazio.

Um banho relaxante, escrever um pouco, comer o bolo gostoso e dormir. Assim termina meu terceiro dia na cidade.

Quarto dia

Acordei com o despertador às 7h30. Fiz um pouco de hora mas levantei 10 minutos depois. Se não estou despertando sozinha é sinal que a cama está boa. As noites aqui são frescas, aliás, os dias só não o são quando você fica no sol ou em ambiente fechado.

Hoje não perderei o café. Iogurte com cereal, banana e suco de maça. Está ótimo. O recepcionista troca mais 5 dólares para mim e lá vou eu de novo para o ponto. Já estou ficando familiarizada com o processo. Não entendi ainda como os locais pagam o ônibus. A maioria só entra, sem passar cartão nem nada.  O ônibus baixa a suspensão do lado esquerdo toda vez que um cadeirante, ou alguém com andador, ou muletas, desce ou sobe no ônibus, faz um barulhinho e o ônibus vai ficando torto.

Hoje vou descer na Galer. 

Quero conhecer o Union Lake, no lado Sul. Ali estão ancorados vários iates, alguns hidroaviões que partem para Victoria, no Canadá. Vejo também pessoas andando de caiaques, mas depois que tiro algumas fotos, me dizem que não posso fazê-lo sem autorização das crianças. Mas são fotos do horizonte, não foquei em ninguém, mas nem vou dar explicações sobre isso. Concordo e saio dali. 

Tem um Museu da História da Indústria que mais se parece com uma navio. Fontes de água, mais patos e corvos.

Vou caminhando, contornando o lago. Procuro pelas casas a sua beirada, que mostram um estilo de vida diferenciado. Já retratado em algum filme romântico, que assisti, certamente. Faço até uma selfie com minha calça nova.

Tenho que andar muito, mas tenho duas surpresas recompensadoras. Uma macieira com pequenas maças em formação e os ramos de blueberry. Que gracinha. Provei um, está azedo ainda. 

Andei...andei...andei... agora quero beber e comer. Não tem nenhum lugarzinho para isso? 

Oba, um restaurante. Entro. A moça me mostra umas listas e começa a falar um monte. Pergunto se é reservado, do meu jeito. Elas não tentam entender e nem se explicar. Acham mais fácil chamar alguém que fale espanhol, na cozinha, para me explicar. Jovens. Palavres curtas. Precisas.  É só isso que preciso.

Mas a mocinha vem e me explica tratar-se de uma escola de cozinha, que para estar ali precisa-se formalizar um contrato, não é como um restaurante. E haviam várias listas, e eu não estava em nenhuma delas. OK, sem problemas.

Depois de 2 horas caminhando,  quero chegar a alguma rua com mais movimento para chamar o UBER e voltar para o centro, comer.

Demora uns 10 minutos até ele chegar, já com uma passageira, e depois pegou mais uma ainda. Fui a última a descer. Na Primeira Avenida. 

Entrei num restaurante de comida turca. Pedi algo que me parecia uma esfirra em forma de barco. Sabor muçarela. Veio realmente um barco. Estava mais para pizza, pelo tamanho. A massa era adocicada como a de esfirra. Bem gostosinha. com um molhinho de sei lá o que. Tomei com um refrigerante de romã com laranja. Ficou por 13 e pouco.

E depois ainda fui tomar uma bola de sorvete, também de cereja, na loja vizinha. Agora já posso voltar pro Hotel. Não quero voltar tão tarde. Hoje vou publicar o relato dos 4 dias no blog, amanhã cedo faço as malas, o check-out é às 11h. Tenho que chegar ao aeroporto com no mínimo 3 horas de antecedência ao embarque. O que significa, até 15 horas. Então desocupo o quarto, como no KFC vizinho mesmo, e já vou para o aeroporto, que é longe.

Quando desci do ônibus comprei água num restaurante vietnamita que tem na calçada em frente ao hotel, mas não dá para atravessar a rua por ali, então volto para a esquina e decido explorar o quarteirão seguinte, onde acho uma conveniência para comprar castanhas, bolo e chocolate. Ok, meu jantar também está servido. Não preciso de mais nada. 

Entro de volta no hotel às 15h30. Foi um dia suave. Estou satisfeita com a conclusão de minha estada em Seattle e nos Estados Unidos.

Cheguei a conclusão que as cidades grandes causam uma certa demência e alienação em boa parte das pessoas, pela correria, pelas dificuldades de comunicação, pela falta de tempo, pelo excesso de concreto. Por mais humanizadas que sejam as paisagens, com flores, árvores, e aqui até pássaros, o trânsito intenso e caótico, as grandes distâncias a percorrer, o tempo perdido com o que não se quer fazer, tudo isso vai irritando as pessoas, acumulando num fosso de desilusão e até amargura. E elas se desprendem de si mesmas para suportar... As crianças, nem todas, não são assim. Não se importam com o exterior, vivem sua felicidade intensamente. E só quando se dão conta ou são limitadas pelo exterior extenuante, se entristecem e se isolam também.

Se queremos reverter os processos danosos que contaminam os ideais de nossos jovens e adultos, precisamos desconstruir as grandes cidades. Humanizar as relações. E aí, teremos chance.

Boa noite!