SANTUÁRIO EM MONTEREY - O AQUÁRIO

07/06/2019

Foi fácil subir para a cama superior do beliche, e até não demorei a dormir. O quarto estava silencioso e imagino que as outras 5 mulheres que lá estavam (tem um beliche vazio) já dormiam. Usei só a luz do celular para não incomodar muito, guardei minhas coisas e deitei. Consegui aguentar até 6 horas da manhã sem ir ao banheiro, e 7h30 fui despertada pelo meu celular, no What'sApp. Problemas nas terras longínquas, mas que espero ter ajudado a sanar.

Vou ficar de pé porque hoje vou visitar o Monterey Bay Aquarium, que inicia suas atividades às 9h30, e logo às 10h30 já tem mais atração do que os frutos do mar.

Como não dá para passar um dia sem uma trapalhada, estou pegando as coisas para meu café da manhã, bem sortido estava o serviço, com banana, morango, tangerina, presunto, queijos, pasta de amendoim, nutella, margarina, pão de forma. Servi-me de chá, suco de laranja, peguei meia banana, pois estavam cortadas e, como vi que uma turma grande de adolescentes que aqui está hospedada rodeava uma mesa preparando lanches, fiquei em dúvida se serviam-se de itens do Hostel ou eram itens pessoais, já que cercavam o espaço.  Perguntei ao moço em serviço:

_ "Bread is this?", ao que ele me olha com cara de quem está me achando idiota.

_ " Yes."

_ " OK".

Vou até a mesa e pego o pacote de pão. Nisso uma das garotas loiras me olha com uma cara de desespero, sem saber se fala, se fica quieta. 

_ " Is her?"

Será que eu já acordei, ou o Tico saiu de férias deixando só o Teco trabalhando. 

Entendo que o pão é delas, devolvo o pacote e ela lamenta:

_ "Sorry, sorry."

Depois deste equívoco, procuro o tradutor para ver que cacá eu falei. 

Pão é isto? e o atendente deve ter pensado°°°ela não sabe o que é pão?

Então como falo. o pão é aqui? Ah! sim. Obrigada Google. Bread is there?

O, is her não foi tão mal, mas eu podia ter perguntado, is your ou are your?

Is there, is there, is there. Aprendeu?

Bem, hora de ir ao aquário. Já tinha adquirido o ingresso pela internet, e encaminharam-me a uma fila sem ninguém onde foi lido o código de barra do bilhete que levei impresso. Mas esperei no saguão de entrada como todos. Ao entrar, fui abordada por uma senhora e vendo que eu não falava inglês, chamou um senhor que falava espanhol.

Muito conversador, ele me deu o mapa do lugar em espanhol, dizendo que havia também em português, mas não o quis. Contou-me que fala espanhol desde que nasceu, devido às fortes influências mexicanas na região, pois pelo que entendi, depois da independência do México da dominação espanhola (1821), pouco mais de 20 anos (1848) se passaram até os Estados Unidos absorver esta área em seus domínios. Contou também da importância de Monterey no estudo e cuidado com a vida marinha, já que em sua baía se encontra um Canyon marítimo maior que o Grand Canyon, que funciona como uma lavadora, onde a água vai circulando e trazendo a sujeira de baixo para cima, fornecendo muito alimento para todas as espécies marítimas que procuram a região por essa abundância.

Orientou-me o melhor caminho a seguir, e lembrando-me que às 10h30 tem alimentação dos pinguins, que só comem duas vezes ao dia. Já as focas, que também são alimentadas às 10h30, serão alimentadas outras 2 vezes que poderei ver. 

Quando entro na área dos tentáculos, acho um pouco escura mas, mesmo tendo que fotografar com o flash desligado, aliás, coisa que prefiro mesmo, vejo que as fotos saem com uma maior intensidade do colorido. A máquina capta a cor que está ali, mas o ambiente escurecido engana minha visão. De novo a ação da luz sobre a cor...

Fico enlouquecida! Já fui a alguns aquários na vida, em vários do Projeto TAMAR, mas nunca tinha visto nada parecido. É um pedaço de mar em toda sua vida ali, acessível aos nossos olhos.Na maior parte, não sinto como se os peixes estivessem sentindo-se limitados em sua natureza.

Tem peixe de toda cor, tem gente de toda fé , guitarras de rock'n Roll, batuque de candomblé... Me perdoe a Ivete Sangalo pela paródia de sua música. O som ambiente não é rock'n roll mas meu coração parece estar batucando ao som do berimbau. Tão lindo e tão intenso que me emociono, demais. Lágrimas enchem meus olhos e deixo-me encantar. O senhor falou mesmo para eu chegar junto ao vidro e deixar-me sentir no fundo do mar... A Natureza é impressionante!!! 

Mesmo no Brasil eu sempre acho que AMAZING define bem esse sentimento. Como algo que não sei bem explicar, que não sei o significado, mas que transborda dentro de mim. E este adjetivo começa com AMA, então, é completo. AMAZING!!!

Eu não sei como descrever o aquário, então eu só posso mostrar.

Tem um peixe escondido no coral, tão estático me encarando, que acho que pensa que é uma pedra e se não se mexer, não vou notá-lo.

Tem o menor polvo do mundo escondido numa caverninha. Eu não consegui ver. Fotografei na esperança da câmera fazê-lo. Vocês o enxergam?

Tem outro com os olhos grandes de quem aparentemente, vive na escuridão entre o coral. 

Muitos deles se camufam de alguma forma, para esconder-se dos predadores.

E o coral, parece uma lindo jardim no mar, com seres tão vivos como as plantas.

Tem um espaço que imita o habitat dos pássaros locais, e eles se alimentam naturalmente do que vão encontrando no lugar.

Uma piscina com arraias permite que os visitantes as toquem e sintam seu couro.

E um mar profundo... com grandes cardumes de pequenos peixes, e pequenos cardumes de grandes peixes, e peixes enormes que nadam sozinhos...

Um carrossel de sardinhas...

E uma hora depois, chego aos pinguins. Eles são alimentados com pequenos peixes que são atirados na água. Percebo que alguns não se atiram, e alguns se mantêm em suas tocas. Devem estar com ovos ou pequenas crias. A criadora os alimenta nas tocas. Tem horas que eles nadam sob a água e ficam se movimentando num só lugar, como se quisessem chamar a atenção das crianças, que estão sentadas no chão, próximo ao vidro. Dois apresentadores revesam as falas para explicar sobre os pinguins do mundo e os da região.  Mas para mim, parece que estão falando inglês, não entendo nada. kkkk

Até o Nemo, que estava perdido, eu achei... E a Dolly.

Tinha um aquário com cavalos marinhos, mas eles são bem tímidos, e só pude observar dua espécies. Observe no fundo, tem até a projeção da sompbra de um deles. E alguns parecem plantas, porque tem diversos raminhos.

Do lado esterno, junto ao mar, assisto uma apresentação da história da cidade e sua ligação com o mar. Desde a chegada de famílias chinesas que estabeleceram a indústria pesqueira, as indústrias de conservas de peixe se alinharam na então conhecida como Connery How. Monterey chegou a ser a capital da sardinha no mundo. O recuo e a preservação dos recursos marítimos. A representação do papel da fábrica, entrando os peixes e saindo os enlatados.

Estava eu tentando vistar o outro lado do grande edifício quando o senhor me encontra e me aborda, dizendo que já ia começar outro show. Apontando aquele áquario enorme que tato me encantou.

Os bancos estão quase vazios, tomo meu lugar e espero uns 10 minutos para começar a alimentação dos peixes, inclusive tubarões. Um apresentador externo e um mergulhador vão revezando as falas.

Agora vou olhar o outro lado, mas antes passo pegar um suco no restaurante e faço umas fotos externas. O dia está ensolarado. /que bom! mas frio. O vento não para.

Finalmente consigo chegar ao outro lado e já são quase meio dia. Agora o carrossel é em volta da gente. Não menos impressionante! A foto panorâmica não dá ideia do que realmente é.

As águas vivas foram talvez as minhas favoritas entre tudo que vi. Talvez porque não está fácil decidir ou escolher. Mas suas formas, movimentos, transparência, cores e tamanhos são algo de muito diferente. O diferente também me atrai.

O mar aberto já não é tão encantador, é certamente um lugar de peixe grande, e todos em movimento constante procurando o seu alimento. Peixe pequeno tem que andar acompanhado. kkkkk. Até para fotografar é ruim. Ah! E não vá pensando que porque está escrito em espanhol nesta foto aí que eles têm a devida preocupação em colocar as legendas em outro idioma. Essa é uma crítica que já fiz no Paraguai, ao contrário, lá só tinha espanhol. A maior parte dos países que recebem turistas têm essa preocupação. Alguns disponibilizam audio, onde o turista escolhe o seu idioma.

Depois tem um grupo de camarões que parecem soldadinhos...

Grandes cardumes que  de anchovas...

Um setor com esculturas representando a fauna marinha feitas com lixo plástico. É necessária a conscientização, Este é o país que mais produz lixo no mundo, é certo que eles reciclam a maior parte também.

Uns pássaros marítimos que se assemelham aos pinguins, para mim, e tem uma cabeleira loira...

Antes de descer para o o restaurante e, perto dele, aguardar a apresentação das lontras, tiro uma foto do movimento e expresso minha alegria.

Ainda tenho um tempo antes da apresentação das lontras, então vou comer. Banquei a gulosa porque queria carne e verduras. A mesma caixa que me atendeu na hora do suco me reconhece e diz:

_ " Again?"

Pergunta agora qual o meu idioma e lhe digo que português, mas falo um pouco o espanhol também. Oba. Ela também fala, agora facilitou bastante. Escolhi um creme de espinafre e almondegas.

E, finalmente, as lontras marinhas.

Só que não vi a alimentação, o espaço para as pessoas é um tanto apertado e já tinha muita gente. Subi quando terminou, mas algumas pessoas dominam os espaços e não facilitam para outras. São aqueles que ainda estão voltados demais para si mesmos. Mas isso está mudando, percebo.

Antes de subir percebi uma mulher quase caindo, depois seu esposo também tropeçando, quando consigo descobrir o motivo, vejo uma criança deitada no chão fazendo manha. No meio de toda aquela gente. Ela arriscou ser pisada. Ou derrubar mesmo alguém. Se fosse alguém com mais idade, certamente teria ocorrido uma queda. Vi poucas crianças manhosas nestes dias todos. 

Agora irei conhecer os Museus próximos ao Wharf Old. Com as obras de Salvador Dali e o Museu Oceânico.  Passei por um cacto lindo ontem, e hoje não tem ninguém por perto, vou lá tirar uma foto. Um casal me vê e se oferece para tirar uma foto, logo compreendendo que não falo sua língua. Vou virar especialista em linguagem de sinais mesmo.

Entrando...

Acho que o Salvador dali se drogava, porque as obras são muito piradas. Outros autores estão presentes, mas seguindo a mesma linha.

Tem três paredes de obras representando Inferno, Purgatório e Paraíso, da obra do escritor Dante Alighieri. Fotografei as que me chamaram mais a atenção.

Gostei mais das esculturas.

E da sala escura com luz negra. Deu um efeito diferenciado nas fotos.

E saindo:


E o outro Museu é histórico e pouco interativo, bom pra quem sabe inglês. Eu até consigo ler, mas tenho muito trabalho na compreensão e acabo me cansando.

Para encerrar bem um dia claro e frio, um capuccino com muffin de blueberry no Starbucks. Até o copo ficou feliz.