SAGRES e LAGOS – Algarve, no Sudoeste de Portugal

19/01/2020

Muito bem, a propaganda aqui diz: Algarve, 300 dias de sol no ano. E hoje foi um dos... outros 65. Atrapalhou-me? Um pouco. Eu queria levantar cedo e recuperar o tempo perdido ontem. Coloquei o rel´gio para despertar às 7h40, no nascer do sol. Mas tinha olhado a previsão do tempo e dizia que choveria. Dei uma olhadinha pela janela e confirmou-se a previsão. Alterei, quando despertou, para 8h40. Desliguei na segunda vez. E levantei-me às 10 horas. Ando um pouco preguiçosa. Uma vontade de ficar na cama.

Como comprei os pertences para o café no quarto, e trouxe o pote com a cevada em pó solúvel, coloquei a água para esquentar naquelas garrafas elétricas, que tem no quarto, preparei o lanche, me arrumei e saí já era quase 11h30.

Fiquei pensando se valia a pena ir até o Cabo de São Vicente, lá na pontinha Sul de Portugal. E fui, por 94 km, de estradas sem portagens, com velocidade entre 50 e 70km/hora e muitas rotundas. Kkkk

Quase duas horas depois eu chegava ao Cabo São Vicente, e não me arrependi nenhum pouquinho. Ainda bem que, quando entrava no elevador do Hotel para passear, resolvi voltar ao quarto e trocar a jaqueta preta pela de chuva. Peguei uma chuva fraca, às vezes quase um chuvisco, por todo o caminho. E lá não foi diferente. Chuviscava. O que, com o vento, umedece a roupa e esfria o corpo.

Mas ainda de dentro do carro fui me aproximando e pensando: "Se é bonito assim com o céu nublado, imagine num dia de sol e céu azul?"

Parei o carro entre duas caravanas (estou aprendendo os nomes locais, um motor home), e desci, já agasalhada para capturar as imagens que minha retina não retém por muito tempo.

De um lado, de outro... As gaivotas fazendo pose.

Não posso deixar de partilhar minha melhor selfie (no exato momento que eu tirava o cabelo dos olhos).

Depois fui em direção ao farol e tinha outros ângulos de visão. Enquanto estava tirando fotos num extremo da instalação do farol, uma mulher se aproximou e aguardou que eu saísse para também fazer fotos. Como percebi que era portuguesa, iniciei uma conversação admirando a beleza do local e comentando quão melhor ainda podia ficar com sol.

Ela me disse que sim, a água do mar fica transparente com o sol, e na parte do Oceano Atlântico, no verão, a água é mais quente. E falou também que era uma região com muita história, pois seria ali a escola de Navegação na época dos Descobrimentos.

Segui meu caminho. Quando vinha, notei vários locais ao longo da estrada, que margeava a costa, nos quilômetros finais, passíveis de estacionar, e vi também pontos que mereciam a parada.

Assim, de tanto em tanto eu parava para espiar e tirar umas fotos. Primeira parada, percebi o quanto alguns trechos da estrada estavam na beiradinha das escarpas. E tinha até placas advertindo-nos, enquanto pedestres, para evitar alguns locais com risco de deslizamento. Dali avistava um forte.

Na segunda, já no Forte Beliche, avistei outra baía, e tinha uma vista do Farol do Cabo São Vicente. Este Forte está fechado para visitação, acho que só tem ali algumas poucas paredes. Mas vale a parada pelas vistas do entorno.

Saindo para a pista, olho para o lado esquerdo para entrar, e quando olho para o direito, parei de novo. Outro ângulo que precisava registrar.

Sabia que perto de uma faixa de pedestre eu queria parar também, mas quando vi a faixa não tinha mais onde estacionar. E fiquei observando até que vi um espaço grande com muitos carros estacionados, e alguns até com pranchas de surf. Muito bem, lá embaixo uma pequena praia, e com o mar bravo, até rendia umas boas ondas.

Dali eu já avistava a Fortaleza de Sagres. Não parei até chegar a este destino. Só para fotografar um comércio que me chamou a atenção. Nem desci do carro.

Encostei o carro e lembrei-me de pegar a bolsinha de moedas, caso tivesse que pagar ingresso. E o chuvisco tinha parado por um instante. Deixei a blusa de chuva no carro. Ela atrapalha muito. Saindo do carro não fui direto ao Forte. Queria ver a Baía dali, ver o Farol do Cabo São Vicente lá longe...

Enquanto caminhava para a Fortaleza o chuvisco engrossou, e eu comecei a rezar pra parar, pelo menos até eu ingressar no forte. Até aí, não parou.

Fiz bem em levar a bolsinha, 3 euros o ingresso. E quando entrei, não tinha nada coberto, kkkk. Aí vi a capela do forte. E apertei o passo para lá chegar. Mas a vista do mar novamente me desviou do caminho. E lá fui eu. E a chuva parou.

Assim sendo, resolvi fazer o circuito que se apresentava à minha frente, bem pavimentado, e na maior parte seguido por uma cerca de madeira. E continuava a reza.

Fui andando ligeiro para não abusar da sorte. Mais a frente, encontrei com um casal de nórdicos e os cumprimentei, eu parava para tirar fotos e ele me alcançavam.

Num ponto que seria a bateria nova, local de guarda da Fortaleza, fiz a fotos e tive que retornar por ela mesma para alcançar a pista pois o degrau do atalho era um pouco grande para eu me arriscar.

Quando fazia a volta eles ingressaram na bateria. E tentaram o mesmo que eu. Descer pelo degrau, e bem neste momento eu passava por ali. Fui até eles e ofereci ajuda. A senhora desceu, amparada por mim e pelo esposo, que ficou em cima. Depois eu estendi a mão para que ele pudesse descer. Não era tão difícil, desde que houvesse um apoio. Eles ficaram muito agradecidos e ansiosos, eu diria, para retribuir o favor.

Depois vi um caminho que ia para dentro do círculo, por assim dizer, e como na placa dizia: Furnas, eu resolvi ir olhar. Incrível! Um buracão que forma como uma caverna, e o vento forte que soprava fora, dentro dele parecia até assobiar. Fiz um vídeo, mas não sei se o som ficou como no local (vejam no Stories do meu Instagram, Lessa Meyre).

O caminho fazia todo o contorno externo junto ao mar, e o lado de dentro é de pedra, que uma placa indicava como sendo um campo de lápias, típico de paisagens calcárias.

E tinha mais de um pescador no local.

Uma vegetação rasteira aparecia entre as pedras, e muitas flores miúdas, de várias cores. 

Na beirada externa havia algumas gaivotas e outros pássaros semelhantes. 

E na parte interna tinha várias espécies de pequenos pássaros. Até consegui fazer foto de um com um penacho. Ou estava despenteado pelo vento, ou seria despenado? Espero que consigam vê-lo aí no meio da foto.

Depois achei que eles estavam se comunicando comigo. Um deles pareceu me advertir que um local poderia ser perigoso, e ficou gritando e voando para dentro, agitando as asas.

Depois apareceu um pretinho, com o peito vermelho, quando o chamei para fotografia, ele voou e se lançou sobre um muro. Quando fui lá verificar, para ver se ele não estaria em algum arbusto na encosta, vi foi uma vista incrível que já ia perdendo, pois eu seguia a estrada e não pensava em me aproximar daquele local.

E tinha uma caverna na escarpa, e aí eu segui me aproximando e podendo observá-la com mais detalhes.

E a cerca terminou. E desta parte eu avistava a praia junto à cidade de Sagres. Que privilégio, morar num local como este.

Uma graminha e umas mini margaridas me chamaram a atenção. Adoro margaridas.

Eu precisava ir ao banheiro, e tinha fome.

Mas quando decidi que devia ir até a igreja, vi lá no alto, junto ao muro da Fortaleza, uma fileira de canhões. Ah, não. Preciso ir até lá. Vou contar que ainda não vai chover. E subi. E tive outras vistas do mar. E vi o carro estacionado, e a vista da Baía, que fotografei antes de entrar no forte. E a porta da Fortaleza, com a bandeira de Portugal tremulando no mastro, da torre.

Desci e mirei na igreja. Nisso vi o casal de nórdicos que acabavam de chegar, não sei se fizeram a volta completa ou cortaram caminho, mas creio que fizeram sim o percurso de 3 quilômetros, como me disse depois o bilheteiro.

Eles procuravam o banheiro, mas eu queria ir na igreja primeiro e, fazer meu agradecimento.

Quando saí e fui olhar a placa para saber onde era o banheiro, eles tiveram a oportunidade de ajudar-me, e o senhor me indicou o lado oposto, atrás de um muro de pedras, como o local que eu procurava.

Quando me dirigi ao carro eles ainda estavam se acomodando no seu. Bem atrás do meu.

Olhando no relógio vi que já eram 15h29. Por isso eu sentia fome. De noite, após aquele trágico espaguete da tarde, eu só comi pipoca, maçã e chocolate. O café da manhã foi só um misto com cevada. E até aquela hora eu só tinha bebido água.

Marquei um endereço em Sagres mesmo, pertinho, mas estava fechado. Resolvi não arriscar mais. Acho que aguento meia hora até Lagos.

Coloquei no Google Maps o endereço do Mercado Municipal, mesmo sabendo que estaria fechado, mas também sei que, ao redor dos mercados costuma haver outros estabelecimentos para refeições.

Conseguir fazer o celular parar no porta-trecos é outra história complicada, e em cada rotatória ele despencava ou mudava de posição, e eu preciso ver o mapa. Não me basta ouvir os comandos.

Num dado momento, eu andando devagar, por não conhecer o local, por que voltou a chuviscar, por causa do celular caindo, e de ter que ficar ligando e desligando o limpador de para-brisa o tempo todo, por ser muito barulhento e, de repente, uma matilha de cães atravessa a pista. Parei com tranquilidade até. E por sorte, aqui em Portugal, de modo geral, com a atenção que os motoristas têm que ter com os pedestres, como preferenciais, estes são mais cautelosos e atentos, e os que vinham atrás de mim pararam sem problemas. Quando olhei para os lados tentando entender o que acontecia, vi que havia um pega de cachorros do lado esquerdo, num campo, e os cães que estavam do lado direito quiseram se juntar ao demais. Mas não foram todos imprudentes. De repente, um estancou e observou a rodovia, e os que vinham atrás dele também pararam. O último que passou correndo na minha frente olhou para o lado como quem pensa: "Vixi, esqueci." Mas, por sorte, nada aconteceu.

Estava me aproximando do destino e vi uma ótima vaga de estacionamento. Já fiz uma baliza perfeita, do lado esquerdo quase sempre o faço. Do direito tenho mais dificuldades. E quando olho, uma casa de lanches bem do outro lado da rua.

É aí mesmo que vou comer. Entrei, escolhi um pedaço de quiche e pedi um hambúrguer. Eu queria o de queijo e bacon, mas a garçonete me disse que o da casa, Reflesh, era o melhor. Olhei os ingredientes e lhe disse:

_ " É que eu não gosto muito de ovo no hambúrguer..."

_ " Mas aqui em Portugal eles fazem o ovo diferente, a gema fica um pouco mole. É como o nosso Bauru."

_ " Está bem, vou confiar na sua recomendação."

_ " E pra beber?"

_ " Um galão e um sumo de laranja."

Ela serviu-me a quiche e foi fazer o lanche. Eu devorei a quiche. Eles aqui não colocam nem sal nem açúcar em demasia. O meu paladar exige um pouco mais de ambos, e olha que minha comida é quase doce, para os padrões brasileiros.

Quando ela chegou com o lanche disse-me:

_ " Desculpe-me. Eu não lembro o que falou que queria beber."

_ " Eu queria um galão para beber com a quiche, e um sumo para o lanche, mas agora que já comi a quiche, estou em dúvida o que vai melhor com o lanche."

_ " O que combina com o lanche é Coca-Cola."

_ " Ah! Mas eu não gosto de bebidas com gás. Traga-me só o sumo de laranja mesmo."

Eu fui comendo o lanche com muita vontade. Um tempo depois ela passou e me perguntou:

_ " E aí? Gostou?"

_ " Sim, Delicioso."

Quando fui pagar perguntei de onde ela era. De Natal.

_ " Ah. Então você não estranha o vento daqui. Em Natal venta muito também."

Ao que ela comentou:

_ " E aqui, no verão, também faz muito calor."

Perguntou-me meu nome e eu o dela:

_ " Anne."

Paguei os 8,50 euros que a Anne recebeu, em dinheiro. Outro detalhe, é muito comum, em Portugal, estabelecimentos que não aceitam cartão.

Uma cliente, portuguesa, que tomava um café ao balcão, entrou em nossa conversa e eu aproveitei para pedir dicas do que fazer naquele horário em Lagos.

As duas se entreolharam e disseram com um muxoxo: " No inverno, nada."

Mas como perguntei do Forte da Ponta da Bandeira e do Centro Histórico, me disseram que estava perto e me ensinaram o caminho. Desejei sorte a Anne e fui, contra uma brisa úmida, pelo quilômetro que separava o Forte da lanchonete. Olhei para trás para marcar o local onde deixei o carro. Pois saio como uma destrambelhada, toda feliz, olhando só para frente, e esquecendo o meu passado.

Mas lembrei-me. Sim, está perto do Mercado. Aí dei mais uns passos e vejo quem? O Mercado. Ainda bem que eu marquei outro ponto de referência. kkkk

O Forte, que é também um Museu Municipal, estava ainda aberto. Encerra o expediente às 17h30. O ingresso custou 2 euros. E ele é bem pequeno. Mas de lá de cima consegui avistar um pouquinho do que torna as praias de Lagos reconhecidas por sua beleza. São grutas e rochedos junto ao mar, que dão um aspecto muito característico. Lógico que essa visão não foi suficiente nem abrangente, mas infelizmente foi o possível. Talvez eu tenha que voltar para o Algarve, um dia, quem sabe?

Como museu, ele abriga algumas exposições. Na parte de cima, ao ar livre, havia uma estruturas de metal erguidas por um mastro do mesmo material, que muito me agradaram pelo improvável.

Embaixo, uma capela. E nas salas de exposição, umas porcelanas com tema marítimo. Eu gostei de algumas peças, e particularmente, da montagem de cenário com umas águas vivas. Acho que virei fã destes seres após o aquário de Monterey.

Uma salinha junto à entrada exibe um vídeo curto falando das maravilhas da região. Em inglês e português. Assisti em inglês, e me orientei pelas imagens.

Dali fui em direção à muralha. Atrás dela estava o centro histórico. Pareceu-me até bem moderninho.

Entrei na Igreja de Santa Maria, rapidamente. Bem simples. Além de garoar, começava anoitecer. E fui subindo a rua onde encontrei muitos bares, pubs, restaurantes... Pareceu-me o local do agito. E estava já agitado.

Mais a frente, fugindo da chuva, e procurando minha sobremesa, já que não vai haver jantar novamente, parei numa pastelaria. Aí sim tomei meu galão, que é nossa média. Um pastel de nata e uma vieira de amêndoas. Tinha um povo vendo TV. Acho que era futebol. Eu estava de costas para ela.

Apressei o passo. Já estava pertinho do carro. E achei divertida esta vaquinha, que é muito comum ser vista pelos comércios daqui, mas esta estava mais prevenida que eu. Hahaha

Tirei das opções do Google Maps os caminhos sem pedágios, e peguei a estrada. Já escuro. Ele foi fazendo um caminho por dentro até que, em uma rotatória, me colocou na auto-estrada.

E eu descobri como são os pedágios daqui. São como os que foram feitos na Rodovia Santos Dumont, entre Sorocaba e Campinas. Não existem cabines. É como uma trave de gol, cheia de câmeras, uma placa ao lado informando o valor de acordo com o tipo de veículo, você passa normalmente e a câmera registra tudo. Acho que até excesso de velocidade. E há uma destas depois de cada saída para alguma vila ou cidade, e os valores diferem de acordo com o tamanho do trecho.

Pela via rápida eu vim aquém dos 120 km/hora permitidos. Chovendo e no escuro. Mas já podia andar a uns 100 km/hora o que me trouxe em meia hora até o meu destino, distância de uns 50 quilômetros entre Lagos e Albufeira, onde estou hospedada.

E fui olhando pelo retrovisor onde se confirmava que amanhã haverá sol. As nuvens distanciadas entre si abriam espaço para o sol iluminar e colorir de amarelo o céu. Pena que estava dirigindo e não vou poder compartilhar com vocês essa preciosidade.