Rodeando toda a Ilha de TENERIFE - ILHAS CANÁRIAS (ESPANHA)

28/02/2020

Quero me desculpar por algumas erratas no relato anterior, já corrigidas. Não costumo me fiar de informações de terceiros sem conferi-las, mas, ou por falta de tempo ou por falta de ânimo, acabei não verificando. E acabei levando-os ao engano.

Feitas tais considerações, iniciei meu dia no mesmo bar para tomar o café da manhã, hoje sem croissant com chocolate e sem suco de laranja, e fui ao Cabildo, onde encontraria o guia. Cheguei uns 5 minutos antes, mas o Cabildo é enorme, e eu não sabia onde devia ficar. Mandei uma mensagem para oficina dizendo que chegara e sentei. No instante seguinte recebi um mensagem pelo What'sApp perguntando onde eu estava e pedindo para eu ir para a porta principal, que eu não sabia onde era, mas decidi arriscar e encontrei o Angel.A Van já estava ocupada por dois casais e mais um senhor, sozinho, que estava sentado na frente. E eu fui entre ele, o Sr.Eddin, e o Angel, que era guia e motorista. Na próxima parada pegamos o último casal e estava completa a lotação, 8 passageiros e o motorista.

Nosso tour previa um giro bem completo pelas principais cidades da ilha, e tendo uma visão bem ampla da mesma.

Foi nos dito que ao Norte de Tenerife chove 200 dias por ano, enquanto ao sul, só 20 dias. Vimos a chuva e nada mais é que um chuvisco, mas suficiente para manter a umidade, a vegetação e o aquífero no subsolo. Deve haver época que a chuva é mais forte. 

Começamos passando por La Orotava e nesta cidade apreciei principalmente os balcões Canários, que na verdade foram executados na Espanha, mas com projeto daqui. Madeira aqui é algo raro. São eles muito marcantes e característicos de uma epóca. Também passei pela igreja de la Concepcion, com suas colunas ricamente ornamentadas, nesta pequena cidade histórica ao norte de Tenerife.

Depois passamos por Laguna, pra mim, de novo, e Laguna é uma continuação de Santa Cruz, porém longe do mar. Isso fez dela um ponto estratégico para evitar ataques por mar, e por isso foi a capital de Tenerife por muito tempo, só perdendo seu posto quando Santa Cruz começou a ter um desenvolvimento econômico muito forte e os piratas deixaram de existir. Dessa vez ficamos mais livres e com mais tempo. Fomos deixados justo na Praça que eu queria ter visto ontem, e o Angel ainda me mostrou a Casa onde nasceu o Padre José de Anchieta. Mas eu segui com o Sr. Eddin pela rua que levava ao Mercado Municipal, tomamos um café num bar ao lado, e passamos novamente na Igreja que eu já tinha visto, mas achei que merecia a atenção dele também. E depois eu queria ver a Catedral, mas perdemos um tempo precioso no café, até sermos servidos e cobrados. Ainda assim nós chegamos à Catedral para descobrir que a entrada era paga e não nos valia a pena entrar, já que estávamos em cima da hora marcada para o encontro e ainda tínhamos que caminhar um pouco. E acabamos nos atrasando uns 10 minutos. Até chegou uma mensagem no celular, que só vi no final da tarde, já que deixo os dados desligados. kkk

Laguna e Santa Cruz juntas tem mais de 400 mil habitantes, o que ressalta a importância da Ilha de Tenerife no arquipélago das Canárias.

Fomos até a cidade de Candelária, que abriga a Basílica e Real Santuário Mariano de Nossa Senhora da Candelária, pois ela é a padroeira das Ilhas Canárias, então tem uma importância muito grande na religiosidade e cultura local. É a que recebe o maior número de peregrinos anualmente. Perto dela uma capela construída numa cova da rocha é muito impressionante. Aí fiz minha primeira selfie com meu companheiro de viagem, o Sr. Eddin.

E as ondas que castigam o muro junto à Capela e a Igreja, junto ao caminho de pedestres, às vezes surpreendem algum desavisado. Nós fomos avisados. E vimos o molhado no chão para comprovar.

Neste mesmo muro estão 9 esculturas de Guanches, o povo originário da Ilha, que pelas múmias encontradas, que podem ser vistas no Museu de Santa Cruz, eram homens de cerca de 1,80, muito além da altura dos homens daquela época. Nas esculturas eles parecem índios guerreiros, mas o Angel nos disse que eles eram pastores. Seus nomes ainda hoje inspiram os pais na hora de darem nomes aos seus filhos.

É um lugar muito bonito e místico, reunindo o antigo e o novo, da cultura popular, da história de um povo. E a Basílica completa esse cenário.

Como a ideia era ter uma visão geral da ilha, fomos ver uma praia ao Sul, que é a região de Los Cristianos e Adeje, com uma grande concentração de turistas, principalmente ingleses. O Angel até comentou que os locais chamam de Tenerife a parte da ilha até o túnel de chegada a essa parte, de tão forte é a rede hoteleira e o turismo na região. E ele escolheu nos levar a uma praia onde se praticam esportes áquaticos.  Chegando lá ele nos mostrou uma estilosa casa numa das covas da montanha de pedra, dizendo-nos que ali vivem muitos hippies. É estilo de vida e não falta de oportunidade.

E a praia El médano, paraíso do windesurf e kitesurf local, junto à Montanha Vermelha, o ponto mais ao sul da Ilha foi o local escolhido por nosso guia. E eram tantas pipas no ar que me pareceu com o céu da Capadócia, guardadas as proporções. 

A próxima parada foi num Miradouro que eu tinha muito interesse, para ver os acantilados de Los Gigantes, e não me decepcionei. São formações rochosas de 500 a 800 metros, que sobem do mar, as quais chamamos falésias. O contraste de cor da rocha com o azul do mar deixa tudo mais bonito.

E, apesar do reflexo do vidro do carro, as paisagens do caminho precisam também ser registradas. É tudo muito bonito.

O almoço ocorreu depois das 14 horas, num restaurante pequeno que serve comida local de excelente qualidade e ótimo preço. O serviço é a la carte mas também tem duas opções de menu com pratos pre determinados, o menu do dia e o menu turístico canário. O menu do dia, que foi o escolhido por mim, envolve uma entrada, o prato principal, uma bebida, sobremesa ou café. Pedi uma sopa de peixe, ternero estofado com batatas fritas, um pudim e um vinho seco, e custou 10 euros. Sai satisfeitíssima com a comida, as companhias, o local e o preço.

O Monte Teide é realmente um marco, dada a beleza e a altura, e quando o céu está limpo como hoje, não se pode perder o registro de fotografia. Além disso pudemos observar as florestas de pinheiros e as plantações.

Depois do almoço pegamos o pior trecho de estrada,  muito sinuosa e estreita, com o barranco nos ameaçando quase o tempo todo, mas também com belas vistas que nos distraem a atenção, fazendo esquecer o medo, além é claro, da habilidade do condutor. Na segunda foto é possível ver como a estrada serpenteia pela montanha abaixo.

Fizemos outra parada na pequena e encantadora Garachico, que já abrigou um importante Porto Natural, destruído pela lava vulcânica do Trevejo, tendo literalmente renascido das cinzas, e atualmente a Puerta de la Tierra é o marco de onde se encontrava o porto, destruído, mas com a costa estendida uma  boa quantidade, e formando piscinas naturais entre as pedras.

As estradas pela ilha são muito tortuosas e estreitas, e por isso a demora para ir de um local ao outro, e a dificuldade. Mas os condutores locais, na área de turismo, são muito cuidadosos e exímios condutores. Pelo menos com os que andei. O Angel além de tudo é muito divertido, bem humorado e criativo.

Num determinado momento perguntou se alguém estava mareado.

_ " Aqui eu fico montanhada, mareada eu só fico no mar."

Ele entendeu logo a brincadeira. 

Nasceu aqui, e é um viajante do mundo também, de modo que conhece muitas histórias que viu acontecer, e tem bases de comparação.

Contou-nos sobre uma lenda que envolve o aeroporto Norte de Tenerife, já que a maior ilha das Canárias, em tamanho e população, tem dois aeroportos. Disse que o então governador da ilha na época pediu para os maiores especialista do mundo, na ocasião, no início do século XX, para fazerem um estudo para o segundo aeroporto, estes fizeram um X no mapa, após análise de todas as condições e disseram:

_ " Pode ser feito em qualquer lugar, menos aqui."

Mas começou a primeira Guerra Mundial e tudo ficou no projeto. Quando pensaram em recomeçar, os alemães, responsáveis pelo estudo, estavam ocupados na segunda Guerra Mundial, e então chamaram os espanhóis para darem sequência. Quando estes viram o mapa deixado pelos alemães concluíram que ali era o local escolhido por eles, e assim fizeram o aeroporto Norte, que é numa área de muita nebulosidade. Inclusive foi onde aconteceu o segundo maior acidente aéreo da história da aviação, em 1977 entre dois jumbos, e morreram 580 pessoas, tudo pela nebulosidade e por falha na comunicação. Resultado, a comunicação aérea sofreu alteração e padronização mundial após esta fatalidade.

Nossa última parada foi para ver El Drago, uma árvore milenar do tipo dragoeiro, que fica num parque com o mesmo nome, tendo sido declarada monumento nacional em 1917. O parque onde está localizada cobra o ingresso para vê-la, mas é possível vê-la gratuitamente do Parque da cidade, em frente. E ali também pudemos provar o vinho de plátano e o de cactus. O de plátano tem um cheiro espetacular, e sabor também. O de cactus eu gostei menos, apesar da coloração vermelha ser chamativa. E comprei um potinho de geleia de figo da índia, para provar em casa. E a Praça da cidade em si é muito encantadora, reservando-nos a visão de belas espécies vegetais, incluindo um enorme ficus. E até uma escultura dedicada ao amor.

Quando desci na Praça de Espanha, junto ao hotal, me despedi do Angel com um forte abraço, o que muito me alegrou, pois me senti abraçada por um amigo. Ele foi realmente muito amistoso e transformou uma jornada de 9 horas de excursão, que poderia ser muito cansativa, em um dia de satisfação e prazer, para todos. Ele nasceu para isso. Disse que gosta de dirigir e assim une o útil ao agradável.

Interessante que disse que muita gente, quando vem a Tenerife, comparando com Lanzarote, diz que aqui seria um local bom para viver. Eu lhe disse que me sentiria tolhida pelo mar, até porque tenho medo de água. E ele me passou uma visão de quem nasce em ilha muito interessante:

_ " A terra, por maior a extensão que tenha, pertence a alguém, mas o mar não tem dono, e isso nos dá uma sensação de liberdade. Qualquer coisa, é só ir para o mar, e ninguém pode reclamar aquele espaço." Não foram exatamente estas as palavras, mas a essência. E isso me faz pensar sempre em como cada realidade traduz uma sensação do que é a vida, e como não podemos julgar, não conhecendo a realidade do outro.

O Angel me indicou uma pastelaria junto à Praça do Príncipe de Astúrias para eu comer um doce denominado Polvo Uruguaio. O Sr. Eddin desceu na Praça de Espanha junto comigo e fomos a tal pastelaria. Chegando lá o doce já tinha se acabado, mas pedimos dois Barraquitos. Ele ainda não o havia provado e ia colocando seu adoçante. Eu o impedi. Misturamos vem o líquido composto de leite condensado, café, licou, limão e canela, e quando ele deu o primeiro gole quase engasga. Não esperava um sabor tão forte e doce. Mas depois se acostumou e gostou da experiência. Adicionei-o no Facebook e cada uma foi para seu lado. Espero que mantenhamos contato.