REIQUIAVIQUE - FINAL DE SEMANA COM BLUE LAGOON

27/10/2019

Sábado.

Descansei um montão desde que voltei a Reiquiavique, a capital da Islândia. Levantei umas 7h30 para não perder o café da manhã e voltei a dormir. Acordei com preguiça de sair, mas o sol está radiante e, mesmo com medo do frio, preciso sair para comer. Já fiquei sem jantar, nem nada. E preciso comprar outros petiscos para comer fora de hora.

Procurei um café, o mais próximo que achei, cerca de 1 quilômetro. E foi bom porque pude passar por dentro do Parque, grande, que fica do outro lado da avenida, rumo ao centro da cidade. E o dia está gostoso, não venta agora. E estamos com a marca de 2 graus positivos. Quase calor. Vejo pessoas passeando com cães, que vão soltos e correm, aproveitando o espaço. E crianças, encapotadas, mas acostumadas com tanto volume de roupa, correm felizes brincando umas com as outras. É sábado, o dia de desfrutar.

Ainda no caminho para o café, vi umas pontas de construções, umas com crucifixos. Desviei-me do caminho e fui até lá para ver. Tenho tempo, está um lindo dia, que pressa eu tenho em voltar para o quarto?

Hateigskirkja fica inserida num amplo espaço verde. E tem um formato bem diferenciado. Só pude registrá-la por fora.

E mais adiante uma torre com um relógio, Taekniskolinn, uma escola secundária num imponente prédio, e vazia neste dia.

Perto destas duas instituições achei o que eu esperava, paisagem de outono com árvores ressequidas, folhas amareladas ou avermelhadas, caídas ao chão... Esta era a paisagem e a temperatura que eu imaginava encontrar no início do outono islandês. Não toda aquela neve, que convenhamos, teve seus momentos maravilhosos, mas me senti num rigoroso inverno que estou a todo custo tentando evitar. E ele me pegou. Não tem jeito de fugirmos daquilo que nos pertence.

Volto ao caminho original. Cheguei ao café e peguei o menu, escolho:

_ " One bread, with cheese and ham", estava escrito jam, que em espanhol se lê ram.

A atendente me corrigiu, jem no rem. Achei que ela estivesse corrigindo minha pronúncia. Aquiesci e acrescentei um brownie, que pedi apontando o dedo e um Moka com creme.

Levei meu brownie para a mesa e depois recebi minha bebida e meu lanche, de croissant, que foi o pão que escolhi, queijo e... geleia. Agora entendi, ela não estava corrigindo minha pronuncia, eu que pensei que era presunto, que se escreve: ham. Idiota! Kkkk

Agora vou ter que comer só doces no almoço. Fazer o que? Ainda bem que o lanche não vem montado, e coloquei parte da geleia para comer com o brownie. Todo ambiente interno é muito quente para meu gosto. Aproveito o Wi-Fi aberto, que parece ser o padrão por aqui, e já vejo o mercado mais próximo. Já tinha visto pessoas carregando compras em sacolas do Bonus. E ele ficava a pouco mais de 200 metros.

Indo até lá, avistei o mar, e indo até mais perto do mar, avistei um grafite, e algo obscuro que toda cidade tenta ocultar. Também existe lixo e partes não tão belas.

No mercado comprei dois lanches prontos, destes que ficam no freezer. Dois sucos. Um pacote de pistache, outro de bolinhas de chocolate e ainda um nachos assado e um pacote de bolachas de chocolate. Isso tem que durar até Londres. Os lanches serão meu jantar de hoje e meu almoço de amanhã.

Quando estou voltando para o hotel, me dou conta que não estou carregando mais minhas luvas, gorro e cachecol. O corpo estava mais aquecido, o dia também, e como guarda-chuva quando passa a chuva, esqueci em algum lugar. E só podia ser no café, foi onde tirei os agasalhos e sentei-me. Como estava bem próximo, resolvi voltar na esperança de ter sido encontrado. Nas mesas em volta a que eu estava usando, as mesmas pessoas. Perguntei a uma moça, da mesa direita se tinha visto. Não, disse ela, mas veja no caixa. Agora era um rapaz no caixa. Abriu uma grande gaveta com achados e perdidos e não tinha nada lá. Acho que quem encontrou não era tão honesto como eu gostaria de pensar ou esperaria. Fico triste porque ainda me farão falta nesta viagem, e o cachecol foi minha filha que me deu. Mas espero qe quem pegou faça bom proveito. Será minha boa ação do passeio, tornar a vida de alguém um lugar mais quentinho. Descobri a duras penas o rigor do inverno e a penúria de quem passa também frio.

O meu joelho está melhor. E o andar aquece o corpo, e ele vai destravando aos poucos. Demorei pouco mais de 3 horas neste meu passeio alimentar.

E volto ao hotel para sair somente amanhã no final da tarde, quando conhecerei a Blue Lagoon, onde vou comemorar meu aniversário. Isolada, no meio de muita gente, e no coração de tantas outras. Penso que não me sentirei só.  

Domingo

Iniciei igualzinho ao sábado, com exceção de já constarem algumas felicitações em minhas redes sociais, e, bem na hora que estava pronta para sair do quarto para tomar café, vejo que minha filha mais jovem já deixou uma mensagem antecipadamente no Face, e já me ponho a chorar. Assoo  o nariz, e desço de cara lavada. 

Até às 15 horas daqui, ou seja, meio dia do Brasil, estarei escrevendo e lendo mensagens, ajeitando minhas coisas para voar para Londres amanhã pela manhã, onde permanecerei até dia 31 de outubro, contando mais algumas aventuras para vocês. Depois, vou colocar meu traje de banho e conhecer este SPA de lagoa azul e quente, com direito a um drink e uma máscara facial. Voltarei um ano mais jovem. kkkk

Passei o dia inteiro cuidando da vida e respondendo mensagens de gente querida. Foi muito reconfortante e, realmente, não me senti só nem por um minuto.

Por volta de 15 horas me preparei para ir ao Blue Lagoon. Li que a hora prevista era 16h30 para me retirarem no hotel, com meia hora de tolerância, que pensei ser às 16 horas, ansiosa que sou. Fui para a área externa faltando uns 10 minutos para às 16 horas. Sem luvas, sem toca. Depois de esperar mais de meia hora, me movimentei, e percebi o quanto as pernas da calça estavam geladas. Daí fui olhar o papel e percebi que teria que esperar ainda, talvez mais meia hora. Um pouco antes das 17 horas uma Van verde apareceu pra me pegar, e levou-me até uma estação Central onde tomamos o ônibus para Blue Lagoon.

Fica meio longe de Reiquiavique, uns 50 minutos.

Minha passagem previa horário de retorno para 22h15, mas dizia que eu podia voltar antes. E eu imaginei que o faria. Só não imaginei que seria tão antes.

Este deve ser o ponto mais turístico da Islândia. Chegamos lá um pouco antes das 18 horas. E o fluxo de gente era grande. Logo depois de atravessar um corredor cercado de rochas, vi um pedaço da lagoa azul, daquele azul brilhante, que depois li que é por causa da sílica que a água contém. Tirei uma foto por não saber como ia ser lá dentro.

Na entrada me foi dada uma pulseira de plástico, coloquei no braço e com ela abro as portas, inclusive do armário. Recebi uma toalha e li umas instruções em espanhol, dizendo inclusive que eu devia tomar banho, sem roupas de banho, antes de entrar na piscina. Desci de biquíni e saída de banho, levando minha toalha.

Lá fora estava um gelo danado, já achei que não tinha graça aquela brincadeira. Mas quando entrei na água quentinha, esfumaçando, azul, limpinha, já não queria mais sair. Era água salgada, e me fazia flutuar. Fiquei ali por uns 40 minutos, creio, e já comecei a enjoar. Tinha direito a uma máscara de creme na cara, mas não é a minha cara. Não fiz. E um drink. Beber pelada e sozinha. Tô fora. Fiz o caminho inverso, tomei meu banho, me vesti e, às 19h10 estava saindo. Sabia que haveria um ônibus às 19h15, mas fui para o lado errado, o que me possibilitou tirar uma foto da piscina, mas perder aquele ônibus.

O próximo só em uma hora.

Mas quando estou saindo pelo corredor de rochas vejo as pessoas tirando fotos. E eis que avisto minha segunda aurora boreal. Tentei fazer foto, mas não sei se o problema é o celular que não ajuda ou sou eu. Essa estava ainda mais bonita, e pude ver uns reflexos rosados. Acho que, se a foto registrasse direito, sairiam as duas cores. E vejam vocês, não é necessário sair à caça da aurora. Basta estar um pouco distante das luzes de grandes cidades, o céu estar limpo e escuro. E sou uma privilegiada.

Fiquei mais uma hora tomando friagem, peguei o ônibus da 9h15, e no caminho de volta ainda vimos a aurora uma vez mais, anunciada pelo motorista, do lado esquerdo, o mesmo em que eu estava sentada junto à janela:)

Ainda respondi algumas mensagens e fui dormir, pois às 6h30 deveria estar de pé para minha viagem de volta a Londres.

O que achei de Blue Lagoon: caro. Bonito, uma experiência diferente, mas não é definitivamente a minha cara. Acho que muito explorado, perde a naturalidade e fica extremamente comercial. Gastei 118 dólares com o transporte, e o banho foi muito gostoso. Mas valeu demais pelas auroras boreais. Talvez tivesse pago ainda mais para um caçador de auroras.

Previa sair umas 8 horas do hotel e caminhar um quilômetro até o ponto de partida do Fly Bus, mas quando sai vi que chovera. Até aí tudo bem, porque já não mais chovia. Comecei a andar e escorregar. Uma fina camada de gelo se formou sobre as ruas e calçadas, devido à chuva e às temperaturas negativas.

Voltei para o hotel e pedi para me chamarem um táxi. Caro, pela distância, mas me mantive em pé.

E esperei outros 50 minutos até aparecer o ônibus Pick-Up On - Drop-Off da Reiquiavique Excursões. Antes da 9 horas, como estava previsto.

E tudo foi dando certo, troquei de ônibus no terminal, tive tempo ainda de tomar um chocolate quente com um muffin antes de embarcar. O voo saiu uma meia hora atrasado. E vim cochilando o tempo todo.

Desci no aeroporto de Gatwick, caramba, este sim enorme. Desci numa ponta do terminal e andei, por dentro, sozinha porque os demais passageiros se adiantaram já que eu fui ao banheiro. Depois passei na alfândega também atrasada, porque minha fila é a de outros passaportes e não andava. Além de passarem várias famílias com crianças como prioritários. Quando cheguei a esteira só havia duas malas, uma era a minha, a outra de um oriental que foi levado para a salinha. E só chegou para apanhar sua mala um pouco depois de mim.

Eu tinha passagem comprada já, de trem até a Estação Victoria. Troquei minhas coroas norueguesas por Libras e aproveitei para perguntar onde pegar o trem.

Suba para o primeiro andar e pegue o trem para o terminal Sul, me explicou a senhora.

Tem um trem só para conduzir passageiros entre os dois terminais. Só aí saí na estação para ir para O Centro de Londres.

Mas troquei meu bilhete na bilheteria e quando fui passar não entrava. A fiscal falava comigo e eu não entendia. Daí apareceu o Super-Homem, quando perguntei a ela se falava espanhol, ele interferiu, num espanhol razoável e me explicou que aqueles bilhetes não eram para ir para a Estação Victoria, eu teria que trocar.

Ok. Obrigada. Olhei para ele e ele me deu uma piscada de olho que fez minhas pernas amolecerem. Senti-me uma adolescente. Mas ele já estava voando pelas catracas enquanto eu ainda teria que trocar meus bilhetes. Adeus Super-Homem, foi um prazer tê-lo conhecido.

Na bilheteria tive que comprar outro bilhete. E só no hotel pude ver que aquele é para o percurso contrário. Não entendi o que aconteceu. O papel está escrito em português, de modo que o funcionário não o entende, mas o código saiu para o percurso inverso. Vou ter que ver isso depois. São quase 20 libras.

O trem faz só 3 paradas até a estação final Victoria. Antes de lá sair, procurei o que comer e beber, já são quase 18 horas e eu praticamente só estou com o café da manhã, o chocolate quente e o muffin.

Achei uma comidinha com arroz integral, almôndegas de frango e salada de repolho, um pouco apimentada, mas bem gostosa. Tomei com meio litro de água saborizada. E depois... tenho que chamar um UBER. São 2,5 milhas de distância até o hotel. E já está escuro.

Tenho sorte, como sempre, e o motorista é um negro super simpático. Pergunta-me se sou de Portugal, pelo sotaque em inglês, disse ele. Uia! Já sou quase portuguesa.Me disse também que o frio aqui não passa nem perto do islandês. Mesmo no inverno, é raro chegar a temperatura negativa. E hoje estamos com confortáveis 9 graus. Quase calor depois de tudo que passei.

Tenho um quarto individual no Leisure Inn, com banheiro compartilhado e café da manhã incluído. E amanhã vou conhecer um pouco da cidade de Londres.