REIQUIAVIQUE - CAPITAL DA ISLÂNDIA

17/10/2019

PRIMEIRO DIA

Confirmada a disponibilidade de UBER em Luton logo cedo, não tardou 5 minutos de meu chamado. O aeroporto fica a menos de 15 minutos de carro, e su estava pronta às 3h30. O voo agora será pela easyJet, e fiquei com receio de ter problemas com a bagagem. Eles não limitam o peso da bagagem de mão, só a quantidade. Uma unidade por pessoa e esta tem que conter inclusive os eletrônicos. Eu já tinha verificado e cabia inclusive a mochila na mala. Mas fiquei com receio de exceder o tamanho, quando vi o critério da Ryanair. Porém, quando fui para a fila fazer o despacho da bagagem, vi o tamanho da caixa deles e fiz o teste, coube. Eu precisava mesmo conferir, pois em dezembro viajo com eles de novo, e desta vez não quero pagar extra. Só nesta brincadeira, gastei mais 60 euros, ida e volta.

O avião tem um pouco mais de espaço na largura, e é bom para minha altura, no espaço para as pernas. O voo foi de aproximadamente 3 horas. Achei muito chique o aeroporto de Luton, cada chamada de embarque usava a língua inglesa, da origem, e a do destino. Nunca reparei em outros aeroportos internacionais se isso acontece.

Cochilei bastante neste caminho também, estava super cansada.

Eu já tinha comprado antecipadamente o bilhete da FlyBus e é realmente o melhor. Você não fica parada no vento, tem um ônibus atrás do outro. Só entrei na fila da bilheteria para verificar e a moça me deu um tíquete rosa.

O motorista guardou minha bagagem e sentei no primeiro banco, no lado oposto ao motorista, ou seja, na direita. Ao meu lado uma japonesa puxou conversa. Quando disse que era do Brasil ela começou a falar em espanhol comigo. Disse ser do Japão, mas mora em Madri porque seu marido é diplomata. Veio para passar 10 dias na Islândia, mas está a trabalho, que consiste em fazer levantamento de informações turísticas relevantes. Então vai passear. Ela comentou que a previsão era de chuva por dois dias. E pegamos mesmo um pouco de chuva no caminho, mas eu estava olhando as nuvens e pedindo que elas se afastassem.

O ônibus chegou no terminal rodoviário e o motorista falou todo enrolado algumas cores de passagens tinham que descer, o meu er um deles, daí que notamos, haviam também tíquetes verdes, azuis, amarelos e vermelhos, como o dela. Vermelho era a única cor que devia permanecer no ônibus. Na nossa entrada a fiscal apontava num papel onde seria nossa parada. Quando descemos e pegamos nossa bagagem, alguns ônibus e Vans nos aguardavam com cartazes nas cores das passagens. Eu era a única rosa. No verde era um ônibus de gente.

Meu motorista falou para eu levar a bagagem para dentro da Van, já que tinha espaço. Eu disse o nome do meu hotel e ele parou o mais próximo possível, dentro de seu roteiro. Não sei se era o ponto que escolhi. Mas já não chovia.

Coloquei no Google Maps e vim parar no Alba Gusthouse, depois de andar quase um quilômetro. Escolhi este hotel pelo preço e por constar na lista de pontos de busca na trip que contratei pelo Guide to Iceland. Eles têm várias alternativas de passeios. Vi um de oito dias que dá uma volta bem completa na Ilha, com acomodação e transporte inclusos, alguns passeios são alternativos e os preços são à parte. Contratei só dois passeios opcionais, andar a cavalo islandês e apreciação de baleias. Tinha também para uma caverna na geleira, outro para caminhar na geleira, e para descer no vulcão e ainda um no SPA com experimentação de cervejas. Alguns eu iria se estivesse acompanhada, outros, nem assim. Também solicitei um sapato especial e por estar sozinha, tive uma taxa extra de hotelaria. Gastei neste pacote US$ 2151,00. Os hotéis que contratei, gastei, em média, 20 euros a diária, sem café da manhã. Dos 20 dias de viagem, 12 serão em hotéis da minha escolha. Serão 4 voos, num total aproximado de 350 dólares, já incluindo as bagagens extras. Estou carregando um 15 kg de bagagem. E com comida calculo no mínimo de 25 euros diários, um dia pelo outro. Gasto total aproximado de US$ 3.350. Obtive informações que, tem agências de turismo, no Brasil, pedindo 5 mil dólares para 12 dias de passeio, sem o aéreo. Mas, como a trip ainda não começou, não tenho garantias, além das expectativas em função das pesquisas que fiz em blogs de viagens e comentários dos viajantes no TripAdvisor. Mas tenho fé que dará tudo certo.

Bom, mas cheguei ao hotel e ainda eram 10 horas de uma fria manhã. O check In seria só às 15 horas. Estava tão cansada que perguntei se podia aguardar por ali.

_ " Six hours?, falou alto o proprietário.

_ " I don't know. What's time is it?"

_ " 10".

_ " Ok. Can I take my luggage here?

_ " Yes."

E foi bom que assim ocorreu, senão eu ia ficar cochilando no sofá e perder a oportunidade de passear.

De onde eu estava eu avistava a famosa igreja de Reiquiavique, Hallgrimskirjka foi meu primeiro destino. Um pouco mais de 1,5 km. Eu tinha pego um pouco das Coroas Islandesas no ATM do aeroporto, e pude pagar as 1000 coroas que cobram na entrada. Algo em torno de 7 euros.

A igreja é bem despojada, mas grandiosa, um velório ia começar a qualquer instante. E eu já ia saindo sem visitar o principal, sua cúpula, que proporciona uma bela vista da cidade. 

Mas ventava muito, e se já estava frio sem vento... Lá em cima parecia que o celular ia ser arrancado de minha mão. Assustador. Mas a vista é mesmo ótima.

Na orla marítima tem uma escultura famosa por aqui, chamada Sun Voyager, ou na língua local, Sófar. É bonita e contrasta com o mar e a montanha ao fundo.

Dali segui ao sabor do vento, só me agasalhando mais, para o Harpa Concerto Hall. E fui pensando em tudo que li a respeito das melhores épocas para se visitar este deslumbrante e exótico país, todos falavam que dependia o que você quer ver ou fazer mas, considerando que até que estou me sentindo confortável por aqui, posso afirmar com convicção, o melhor clima para se visitar a Islândia é o CLIMATÉRIO. Enquanto os locais andam com blusões abertos e blusas decotadas por baixo, os visitantes estão vestidos com pele de urso, enrolados até os olhos. E eu, estou conseguindo ficar no meio termo. E olha que sou de país quente...

O Harpa é um imponente prédio de vidro colorido que me faz pensar num acordeom. 

Já era quase uma da tarde e lá dentro tem um restaurante. Olhei o cardápio e gostei. Nos pratos do dia tinha o peixe COD, comum por estas paragens, servido sobre um purê de batatas e cenouras, com legumes cortados e cozidos ao ponto, por cima. Ainda acompanhava uma porção de rúcula e um molho levemente picante, que complementava muito bem o prato de sabores adocicados. Pedi ainda um suco de maçã que veio com pedras de gelo, como se fossem necessárias. Gastei 3960 coroas e 28,59 euros, que acabei de converter. Será a última refeição do dia. Tinha comido algo no aeroporto.

Meus destinos estão todos escritos em inglês ou islandês, caso eu precise mostrar para perguntar a alguém, e o próximo, nem eu mesma sei o que é, Baejarins Betzu Pylsur. É um restaurante, e de nada me serviu, kkkk, a não ser por ter andado pelo centro e visto mais algumas bonitas construções. A maior parte das casas aqui é feita toda de peças onduladas e leves que lembram as telhas Brasilit. Imagino que coloquem duas camadas, recheando de material térmico e acústico. Certamente estes materiais diminuem o custo de construção e possibilitam alguns movimentos da terra. Por aqui, o mais comum são as erupções vulcânicas, certo que nada para na frente deste fenômeno natural.

Por fim passei em frente ao The National Gallery, não sem antes apreciar os jardins e esculturas por toda a margem da avenida costeira.

Andei uns 5 km, vi coisas, almocei e voltei. Toquei a campainha e o dono, desta vez ainda mais mal educado, me disse:

_ " Às 15 horas, ainda são 2 da tarde."

E desta vez só respondi, está bem, mas preciso ir ao banheiro. Ele me apontou um banheiro junto à porta de entrada. Quando sai, sentei numa cadeira solitária que estava junto ao aparador de sapatos. Sim, porque aqui, como no Canadá, tem neve, e os sapatos chegam molhados e enlameados, sendo melhor retirá-los pois as casas tem carpete de tecido ou de madeira, e são aconchegantes. Ali fiquei quietinha enquanto ele e a faxineira se moviam pela casa, arrumando tudo. Peguei umas gotas de chocolate com recheio de creme que tinha comprado em Lisboa, comi uma e ofereci outra para a moça, que aceitou.

Quando ele achou conveniente, pediu-me para colocar minha nacionalidade e assinar a ficha de check-in. Já estava pago. Ele me mostrou onde é o quarto, no andar de baixo, mas quem carregou as malas fui eu. Entregou-me a chave dizendo que também abre a porta da frente. Ou seja, igual a de todos os quartos (tapa na testa, báhhh).

Não queria nem tomar banho, precisava dormir, e assim o fiz depois de descobrir o Wi-Fi e colocar o celular para carregar. As tomadas aqui são de dois pontos. Dormi das 16h às 19h, não lembro nem de ter deitado. E se não ponho o celular para despertar, tinha passado direto.

Daí levantei, fui tomar banho, no banheiro compartilhado. No meu quarto só tem uma pia, que já ajuda bem. Aliás, convém mencionar, li que toda a água daqui é potável, e só quem compra água é turista. Assim, vi que tinha copo na pia e eu não tinha mais nenhuma água. Servi-me e bebi. Que nojo. Fedida e com sabor. Passei o resto da noite com sede. Pode até ser que tenham água boa para beber, mas não sei qual o sistema de encanamento, de repente a água que vai para banheiros não recebe o mesmo tratamento, seria um desperdício. Até a água do banho fede.

E comecei a postar meus relatos. O Wi-Fi daqui é ótimo. E ainda assim tem duas redes. Num determinado horário uma delas caiu, não tive dúvidas, já passei para a outra. Os textos estavam prontos, faltava anexar as fotos. E assim o fiz. Com o relato de 4 dias em Portugal. Fui dormir já era quase meia-noite. O quarto tem sistema de aquecimento. O café da manhã, que aqui está incluído no preço, é servido das 7 às 9h. O sol ia surgir no horizonte às 8h22. O sol obedece também aos paralelos para surgir, e aqui é a terra do sol da meia noite.

SEGUNDO DIA

Levantei umas 6horas da manhã para ir ao banheiro, o relógio estava programado para 7h15. Ainda bem que quando ele despertou eu não estava apertada, pois tinha gente no banheiro, e saiu bem quando abri minha porta, um homem branco de quase dois metros de altura, com pouco mais de 40 anos, cueca e tolaha de banho no ombro, mas não me viu, estava de costas para mim, conversando com outro que já entrara no banheiro pois ficou esperando na porta. Este horário a fila é complicada. Amanhã vou ter que me levantar ainda mais cedo.

Depois do banheiro, me vesti e subi para o café, que eles fazem aqui prensando o pó numa vasilha, após colocar a água quente. Eu pedi chá, e tomei com leite, logo três xícaras, além de um copo de água. Estava seca. Na mesa lateral estavam os pães, frios, suco, geleias, pepinos, manteiga e etc.

Depois do café voltei e dormi mais um pouco. Estava frio e escuro para fazer algo. Quando levantei, fui escrever os relatos sobre Luton, vi que o sol estava brilhante, parecendo até aquecer, e antes mesmo de terminar o que estava fazendo, acei que já era ora de colocar o pé na rua.

Primeiro quis verificar com o dono se é normal eles virem buscar os hóspedes aqui, e quanto ao horário de meu retorno dia 26, que disseram ser entre 17h e 23h. Ele disse que não haveria problemas.

Peguei minhas coisas, deixando a blusa de chuva, e acreditando que uma camiseta de manga longa e a jaqueta corta vento seriam suficientes. E foram. Senti um pouco de frio nas pernas logo que sai porque hoje eu não coloquei outra calça por baixo, pois me aquece muito. No entanto, assim que comecei a caminhar, já passou.

E fui andando um quilômetro até o Perlan - Wonders of Iceland. O hotel fica bem no centro, entre a Igreja e o Perlan, os dois são muito altos e avistáveis daqui.

O Perlan tem uma abóbada gigante de vidro, e lá dentro tem um planetário, onde descobri que Saturno e Júpiter também têm auroras, boreal e austral, como na Terra. E também as explicações, reforçadas do vídeo que vi em São Francisco.

Tem quatro tipos de ingresso para o Perlan, o mais barato custa 870 coroas e autoriza o visitante a ir ao 4 andar, onde pode fazer uma observação 360 graus da cidade (vídeo completo no Facebook Meyre Lessa), e parcial no Instagram @ lessa meyre).

Dali eu fui olhar os cartazes com as informações sobre a formação da ilha. E pasmei, consegui entender a maior parte. Até o áudio no planetário entendi uma boa parte. Mas porque foi falado pausadamente e com clareza.

E fui para o quinto andar almoçar. Mas o restaurante só serve jantar, e o atendente me encaminhou para a lanchonete, onde comi um hambúrguer razoável, com um milk shake de caramelo, mas com uma vista lindíssima.

Desci tudo de novo e, no primeiro andar ainda, imergi no mundo gelado. Uma foto com o principal artista do local.

Depois um rápido vídeo explicativo. Depois vesti uma blusa extra, que eles emprestam para entrar num cenário de cavernas de gelo, com 50 graus negativos. É gelllaaaaadddooo!

Mas foi bem rapidinho, e já fomos descobrir sobre a deglaciação com o aquecimento das marés e a interferência no ecossistema, o prejuízo a fauna. Mesmo sem ler, entendi, e entristeceu-me. Não sei se existe esta palavra no português ou em qualquer idioma, deglaciação, mas é o que, definitivamente, está ocorrendo.

Num outro ambiente alguns aquários e mostras das vidas minúsculas ou microscópicas do ambiente, aquelas que ninguém se dá conta, é como a massa pobre na escala social, são maioria mas não interessam a ninguém pois não tem voz, nem são vistos.

E já estou satisfeita. Hora de voltar, passar num mercado comprar água e snacks para a viagem. E tomar banho antes que os outros hóspedes cheguem. E terminar as histórias para ficar em dia, pois a partir de amanhã, cenas impressionantes são esperadas.

Tá tudo muito bem, tá tudo muito bom, mas, realmente, vou terminar por hoje. Até mais.