PRAIAS DO ALENTEJO – CIDADE DE SINES E RUÍNAS DE MIRÓBRIGA.

10/06/2020

Que delícia! Já posso passear de novo. E meu destino é logo ali. As praias do Alentejo ficam a uma distância de aproximadamente 100 km de Beja. Escolhi cidades próximas e quero explorar o máximo essa região costeira, nem sempre de praias, mas de lindas encostas e mar multicolorido.

No entanto na preparação de meu roteiro eu vi que existe uma ruína romana, de uma cidade que existiu entre os século II a.C. e I d.C. e fiquei muito interessada. Era caminho mesmo, então não custava dar uma paradinha. A paradinha custou 3 euros de ingresso e uma hora bem empregada do meu tempo.

As Ruínas de Miróbriga se situam nas proximidades da região urbana da cidade de Santiago do Cacém, com pouco mais de seis mil habitantes, mas com uma infraestrutura que me surpreendeu. Nesta cidade, no alto, encontra-se um bonito Castelo. E certo que eles proliferam por aqui. Mas como não tinha essa informação antecipadamente, só o vi de longe depois de passar pelas ruínas e já na estrada a caminho de Sines.

Na ruína existe um pequeno estacionamento, mas eu era a única visitante logo depois das 10h30, quando cheguei. O Centro de visitantes é bem estruturado e, além da bilheteria, possui uma sala com alguns objetos encontrados nas ruínas e o WC bem higienizado. Falando em higiene, para ingressar neste Centro tive que colocar a máscara, usar o álcool em gel disponível na porta com as instruções, e continha o limite de pessoas que poderiam visitar cada setor, inclusive para usar o banheiro.

E em torno da área encontrei os figos da índia em fruto e flor, e estavam tão bonitos. O dia está ensolarado com muito vento, mas não quente demais. O termômetro não deve ter passado de 30 °. Usei a escada e rampa conforme a orientação do funcionário e achei que seria só aquilo, uma base de uma casa antiga. E lá embaixo vi duas mulheres comendo, parecia um piquenique. E vi uma seta indicando o caminho que passava perto delas, cumprimentei-as e segui em frente, achando mais algumas ruínas. E uma descida íngreme, de pedra chapada, feito uma estrada, passava entre lindos pinheiros. Não via nada além, mas o lugar convidava a descer. E lá embaixo uma fantástica ruína do que foi uma terma romana, onde as águas quentes estavam nas estações circulares, com paredes duplas, para manter o calor das águas aquecidas por uma fornalha. Uma ponte graciosa em uma das extremidades de um prédio de grande dimensão e que mostra a grandeza da cidade de Miródriga na antiguidade. Eles ainda aproveitaram a característica do terreno para facilitar levar a água até o local mais baico. Continuei na estrada que fez uma curva e agora ia para uma parte mais alta. Passei por outra série de cômodos ao que me parecia, e logo atrás estava um conjunto de colunas que eles chamam de Basílica. Em frente a ela uma grande área livre, para concentração do povo. Gostei muito tanto das termas como da Basílica, principalmente. E a estrada levava de volta a inicial, num ponto pouco depois do local do piquenique, que depois descobri ser, na verdade, uma área de exploração. São duas arqueólogas que estavam trabalhando nas descobertas e as peguei no horário do lanche, certamente.

Sines fica só a 26 km mais adiante. E eu queria ir direto ao Farol do Cabo, já que cheguei cedo para fazer o check in no Residencial Habimar. Mas quem disse que eu conseguia chegar? Nisso peguei uma estrada, rodei uns 3 km nela e tive que retornar. Mas ao fazer isso vi várias vagas para estacionamento, e dunas, e avistava o mar ao longe. Parei. E parece que foi no melhor local possível. Tranquei o carro e meti o tênis na areia. E de lá do alto avistava vários conjuntos de rochas na encosta ou dentro da água. E o mar verde, e azul. E pescadores sobre um ilhéu de rocha. E era tão lindo. Foi tão emocionante, depois de setenta e cinco dias em casa, na maior parte deles respeitando o isolamento social, as praias em Portugal reabriram em 06 de junho e já tratei de agendar uma semana para mim, antes que chegue o verão. Senti-me como se estivesse vendo o ma pela primeira vez, e acho que foi mesmo. Ele agora tem outro significado para mim, assim como o vento no rosto e bagunçando meu cabelo. O sol e o ar. O barulho de gente. Tudo me parece mais lindo, mais colorido, mais vibrante, mais intenso. Rezo para que o mundo inteiro sinta essa mudança no olhar.

Fui parar duas vezes no estacionamento do complexo portuário, ainda procurando o Farol do Cabo, e desisti. Já é hora de ir para o Hotel, deixar o carro por ali e tentar chegar a pé aos locais desejados. E encontrei uma vaguinha, do tamanho certo para meu Aygo, bem no quarteirão do Residencial. E saí a procura de restaurante. Vi que o hotel está bem localizado, com um mercado em frente, farmácia e restaurantes muito próximos. Queria comer peixe, mas o que eu pedi não tinha mais. E os demais, como sardinha, espada e robalo, não me interessaram no momento. Aí solicitei uma costeleta de vitela (que é o que chamamos de bisteca) acompanhada de ovo e bata frita. E estava muito gostosa. Encerrei com um café na esperança de me deter o sono, já que dormi menos de cinco horas nesta noite.

E aí sim deu a hora de fazer o check in. A atendente nem pegou em meu documento, olhou de longe para conferir o nome, e na recepção estávamos ambas mascaradas. Meu quarto é no primeiro andar, eu subi, deixei as coisas que carregava comigo e depois fui buscar a bagagem, tomei informações com ela para ir até a Praia Vasco da Gama. E era no caminho que passa pelo Castelo.

As indicações que li nos blogs diziam que o Castelo não abre. Então fiz as fotos externas, e perto da Estátua do Vasco da Gama, o mais ilustre cidadão daqui, um casal fazia fotos. Perguntei se seria problema ele tirar uma foto minha, preocupada com a ideia de ele rejeitar pegar em meu celular. Mas o senhor foi simpático e fez minha foto, Ainda não olhei se ficou boa. E pediu para que eu os fotografasse também. Que bom! As pessoas não estão tão apavoradas. Minha amiga Maria me disse que Portugal foi um dos poucos países que recebeu o selo verde para o turismo. Talvez isso influencie, já que a política aqui não atrapalhou a área da saúde nas medidas de contenção da pandemia. Pelo contrário, segundo minha vizinha, foi uma das poucas vezes que todos se uniram numa causa comum.

Dali se via a praia com seu nome gravado na calçada, e o Porto, responsável por cerca de 50% do tráfego portuário de Portugal, devido a grande profundidade de sua orla. E uma gentil escada encurtava o caminho até embaixo.

A praia é bem semelhante ao que estou acostumada, uma boa extensão de areia fina e clara, o mar manso e em tons incríveis. Fui para a esquerda primeiro e cheguei junto a uma montanha de pedras onde esperava poder subir e avistar a baía a partir do alto. Li num blog de viagens que existe uma escadinha de pedra. E existe mesmo, mas a passagem está proibida, sob o risco de desmoronamento. O mundo muda e as publicações se tornam obsoletas.

Mas segui em frente e fui bem além, para a área portuária. Vi uma rotatória com uma fonte e quis me aproximar. A avenida é bem praiana, com grandes palmeiras enfeitando-a.

E logo retornei para chegar ao outro extremo da baía. E ia observando a praia, assim como um cachorrinho que esperava o mergulho de seu aupai, como diz uma amiga minha. Sendo dia de semana, são poucos os banhistas, mas se divertem assim mesmo, principalmente as crianças.

Enquanto andava pela larga calçada observei a estrutura de alvenaria, em amarelo, das escadas pelas quais desci. E um pouco adiante um elevador. E para chegar até ele eu vi escadas e passarelas que pareciam de estrutura metálica. Mas as passarelas cercam o morro de maneira interessante. Achei uma boa e diferente alternativa para o retorno.

Lá no outro extremo está um restaurante muito bem recomendado, O Beijinha, com peixes frescos, e pareceu-me que aloja pescadores também. E depois uma pequena pista de ciclismo e cooper aproxima-nos de um dos faróis. São três, um em cada extremidade da baía que forma a Praia do Vasco da Gama, e um para o lado da Refinaria, que deve ser o do Cabo, que eu tentei chegar de carro e não consegui. E nem a pé. Mas andei até os arredores dela.

E na volta subi pelos degraus vazados da estrutura metálica, e caminhei pelas passarelas, me divertindo com a vista.

E quando cheguei ao Castelo, suas portas estavam abertas, mas eu li que ele não era aberto à visitação. Mais uma mudança, mas essa me favoreceu. Eles não cobram o ingresso. E tem um caminho interno por cima das muralhas, de onde vi a cidade e o mar. E o pátio interno, com algumas árvores e a grama sendo regada por dispositivos automáticos, além de umas poucas construções. Foi uma surpresa bem vinda.

E depois de tanta andança voltei ao hotel para tomar um banho, relaxar um pouco e escrever. Queria estar disponível às 20h52, quando o sol se põe, e voltei para a região do Castelo. Mas não é porque estamos em uma praia do oeste do país que a praia estaá voltada para esta direção. E o sol se foi por trás da refinaria, e eu só pude ver parte do colorido que ele deixou no céu, e nem estava assim tão impressionante. Mas caminhei ainda pelas ruelas da cidade, observando a iluminação e o tipo de casas, algumas com portas de entrada tão pequenas que me fazem recordar alguns locais do sertão nordestino. Deve ser pela altura dos habitantes, na época da construção já que, na maioria dos casos, são casas seculares.

E encerrei meu dia comendo queijo e tomando iogurte no quarto. Estava exausta. Caminhei por uma hora nas ruínas e mais três horas na beira do mar. Tinha dormido pouco e ainda assim só fui me deitar passava da meia noite. Mas com muita alegria e gratidão.

Apesar do barulho da rua, de noite de gente, de dia, de carros, desde muito cedo, dormi bem. E como estava a previsão indicava nuvens para a parte da tarde, tratei de ir logo cedo conhecer a Praia Canto do Mosqueiro e a Praia da Costa Norte. De carro a distância era grande, mas a pé tinha um atalho por uma estradinha de terra que é praticamente a continuação da rua do hotel. Do outro lado do prédio da antiga estação ferroviária, restaurada e bem bonita, por sinal. Tive que caminhar uns dois quilômetros até lá, passando por uma parte mais nova da cidade, onde as casas até possuem um pequeno quintas na frente.

E quando chegava às praias, vi uma sinalização indicando um restaurante, e já pensei que ali seria minha parada para almoço quando terminasse a caminhada. E logo depois passava em frente a ele. E dali do alto eu avistava a pequena e linda praia do Mosqueiro, de difícil acesso. Em seguida a praia da Lagoa que emenda com a praia da Costa Norte. Uma extensa faixa de areia clarinha, com um mar de ondas azuis e verdes. O Acesso a essa era mais fácil, mas ainda por escada. Como meu objetivo era caminhar e fotografar, não nadar, ou tomar sol, vi um trilho na areia entre a linda vegetação rasteira, arbustos cheios de flores e segui por ele para apreciar a diversidade de paisagens por aquela encosta. Não tem mais praias adiante, mas sim muitas pedras, onde alguns pescadores se arriscam para ganhar o peixe ou simplesmente se divertir.

Fixei um ponto até onde eu queria chegar, e parte do caminho era de areia seca e fofa, por onde também passam carros, adequados ao perfil da estrada. E cruzei com poucas pessoas no caminho até ali. E estava tão distraída e sossegada quando, de repente, um homem surge correndo e me assustei bastante. A areia encobriu seus ruídos. Mas ele só estava mesmo fazendo exercícios e passou por mim sem atropelos. Logo adiante resolvi voltar, agora mais rápido e direto para o Restaurante Estrela do Norte.

A situação nos restaurantes está muito esquisita. Temos que entrar de máscara, as mesas estão distanciadas. Alguns lugares nem estão oferecendo cardápio e sim escrevendo nas lousas, para não ter que desinfetar o cardápio também. E fazemos o pedido mascarados. Depois, muitas pessoas deixam a máscara embolada sob o queixo. Mas aí não vai ter contato com a parte exterior dela em outras partes do corpo? E na hora de pagar a gente coloca a máscara de novo, e os atendentes evitam ao máximo o contato com os objetos do cliente, como celular, documentos, cartão ou qualquer outra coisa. Eu comi dois espetos de salmão com camarão sete barbas, entremeados com pimentão vermelho, e servido com brócolis, cenoura e batata no vapor. Estava ótimo. Eu li em algum lugar que o camarão é a barato do mar. Será que barata é tão gostosa quanto seu primo marítimo? Se for, talvez valha a pena experimentar.

E até sair de lá e caminhar o trecho que separa aquelas praias da hospedagem, já eram três da tarde. E eu estava bem cansada, depois insuficientes horas de sono nos dois últimos dias e de tanta atividade. Tirei um cochilo das 17h até às 19 horas e depois assisti um pouco de Netflix, já que a internet estava ruim e não estava carregando minhas fotos para postar o blog. E assim termina minha excelente passagem por Sines. Amanhã sigo para o Sul, em direção a Vila Nova de Milfontes, com muitas paradas pelo caminho, me aguardem.