PORTLAND - FINAL DE SEMANA

16/06/2019

Alonga pra lá, estica pra cá, faço o gato, enrolo, mas as costas continuam doendo. Foi mal jeito do colchão, muito tempo deitada, a longa viagem de trem, a idade, ou um pouco de tudo???

Fiz meu café, estou melhorando até nisso, com estes sachês de café. Resto do suco de laranja, um big muffin de chocolate e estou pronta para sair. Olhei o caminho, um pouco mais de 3 quilômetros até a Steel Bridge. Mas esta dor nas costas está me desanimando a caminhar. Vou de UBER mesmo. E lá vem o simpático e imenso Robert.  Quando pergunto, apontando a ponte em frente se aquela é a Steel, ele diz que não. Fala o nome das 3 pontes que avistamos dali, sendo Steel a última. Diz que Portland tem 15 pontes sobre o Rio Willametee.

O dia amanheceu nublado e frio, mas o Robert diz que a previsão é de melhoria às 15h. São 10h, será que vou aproveitar esta melhora? Aproveitei.

Escolhi como ponto de partida o Centro de Informações aos visitantes, pois quero contratar uma excursão pela cidade e para Multnomath Falls. 

A atendente fala espanhol o que facilita nossa comunicação. Primeiro me indica a linha de trem elétrico, que são muitas por aqui, dizendo que em determinado ponto terei ônibus gratuito para o Washington Park, que é o destino que desejo, num primeiro momento. Explico que normalmente faria isso mas, particularmente hoje, desejo me poupara por causa da dor nas costas. Ela diz que também está com dor nas costas. E me indica uma agência de turismo que tem posto na Rua Naito, a beira do Rio, a Gray Line, Hop On Hop Off. Devo descer 6 quarteirões e ela está logo ali. Desci bem devagar, tentando controlar a dor. Passei pelo local e não vi. Era no número 535, como vi no folheto. Já estava no 213. Vou ter que voltar.

Enfim, achei, é só um trailer rosa, escondido atrás de um arbusto, no sentido que eu vinha. Expliquei para as mocinhas que queria fazer as duas excursões. Sairia mais em conta. Paguei US$ 99. E já fiquei na espera para embarque ao meio-dia. Sai um bondinho rosa a cada hora. Ao lado do rio acontece aos sábados uma Market, mas verei na volta.

O bondinho sai serpenteando pela cidade, com o motorista falando o tempo todo, aliás, amanhã é aniversário dele. Mas só descubro que é no estilo de Curitiba e tantas outras cidades pelo mundo quando ele para perto do teleférico e sobem uns passageiros. O trajeto todo tem 1 1?2 hora. E recebi junto com a etiqueta de colar na roupa, uma tabelinha com os horários previstos para passar em cada ponto.

Meu destino é o Jardim de teste de Rosas dentro do Washington Park.

Mas vou fazendo fotos pelo caminho. O parque é um pouco mais afastado da cidade. E enorme. Tem 10 km de estrada dentro dele, por onde circulam os carros e ônibus, levando aos pontos principais, o jardim de rosas e o japonês, o Zoo,  e dois ou três Museus. Comparando, a BR-363, dentro de Fernando de Noronha, tem 7 km de extensão.

O jardim de experimentação de rosas é surpreendente. No meu entender eles fazem misturas de rosas, buscando novas espécies, maiores, ou mais coloridas. E alcançam o objetivo. 

Vi rosas em tons de lilás, com várias cores, grandes como jovens pés de alface, com muitas pétalas, com poucas...em arbustos, solitárias... Um deleite para os olhos.Aproveitei para fazer um book. kkk. Me disseram que até pareci mais jovem, e bastante mais jovem, com um elogioso: 30 anos. Grata! Isso foi muito generoso. Fruto de olhos amorosos.

Usei uns 40 minutos dos 60 que o próximo ônibus passa. Depois sentei e aguardei. O caminho de volta foi mais difícil, senti mais os pulos do bonde meio vazio, mais leve. E as costas gritavam a cada pulo.

Resolvi descer no Jardim Chinês, penúltimo ponto do percurso. Mas o ingresso para entrar de US$ me desestimulou. Queria banheiro e almoço. Estávamos próximos ao Chinatown. Fui andando no que pensei ser a direção do rio. Muita gente estranha pelo caminho. Cheiro forte, mas bom, de marijuana pra todo lado. Sou careta, e assim quero continuar, mas o cheiro estava bom perto do que já senti por aí.

Neste pedaço da downtown também tem mais moradores de rua no que nos demais... Vi um neon escrito pizza numa esquina e o lugar me animou. Tinha um ar de Sallon. 

Pedi uma pizza pequena sabor Margherita. Recebi uma carta da Dama de Paus numa presilha. Pedi para o moço deixar ali enquanto eu ia ao banheiro. E o banheiro era uma graça. Tive que fazer uma selfie, dentro da cabine. Vejam se não tenho razão.

Resolvi tomar uma cerveja. Portland é famosa pela fabricação destas. Pedi a Summer of 74, com Tangerina na composição. Deliciosa. A pizza veio logo depois, e apesar da fome enorme, não consegui comer toda. Trouxe dois pedaços para o café da manhã.afinal, já passam das 15 horas e este almoço servirá também de jantar. Um espetáculo! Pizza padrão americano, no estilo Pizza Hut. Já risquei da lista de itens que considero tipicamente americanos: Hot Dog, Hamburguer, Muffin, Donut, Pizza Pão, falta o cup cake. Quem sabe amanhã.

Achei um charme a decoração do local, inclusive do banheiro. A foto abaixo tirei dentro da casinha do banheiro...

Agora vou ao Saturday Market. Primeiro rodo um pouco, desorientada, depois coloco o Google Maps, passo de novo em frente ao Jardim Chinês, não sei como, porque tinha ido para o outro lado, e finalmente sigo, devagar, já sabem porque, para a feira.

Nunca vi tanta gente estranha junta. Acho que terá algum show ou movimento, vejo placas com dizeres tipo:  Nazis de comida para tubarões... Muita gente com as cores LGBT, muitas pinturas, roupas estranhas. Acho que estão pregando as liberdades de escolha, mas não acho muito adequado quando você não aceita quem não te aceita... Entendeu? Sigo até o fim da feira, fazendo umas fotos do rio e de lá chamo o UBER.

Tomei um Tramadol para a dor, não posso tomar anti-inflamatórios. Agradecida, Dr. Paulo, e viu Thais, tomei agora os dois primeiros (um à noite e um pela manhã), apesar da caixa ser de 20 unidades. Será suficiente para o próximo ano. Só tomo quando a dor está beirando o insuportável.

Dormi poucas horas mas bem, e acordei com a dor menor. A excursão de hoje inicia às 8h30. Tenho que estar lá às 8h15. É domingo e não deve ter trânsito, mas melhor prevenir do que remediar. Comi todo o restante de coisas que tinha no quarto. Não sobrou nem água para levar.

Cheguei cedo demais, os moradores de rua ainda estão dormindo, e observem, alguns acampam nas ruas. Outros usam sacos de dormir. Não deve ser fácil  morar na rua por aqui. Li que eles só têm 68 dias sem chuva por ano. Em dois deles, estive aqui. E estamos quase no verão e a temperatura matinal é de 13 graus.

Vejo uns patos com suas crias buscando guloseimas no espaço vazio da feira de sábado e atravesso a avenida para chegar mais perto (vídeo no Instagram e no Face). Ainda são 7h30 e vou pra perto do rio ver as pessoas correndo, caminhando, pedalando na calçada para esse uso. Muitos estão com blusas cavadas e shorts, e eu ali toda agasalhada. Alguns passam carregando cachorros grandes que, invariavelmente, ao observar os patos, de longe, já se posicionam para o ataque. E o pato vem pra cima, defendendo as crias...

De repente já são 8h13 e eu ali 'morgando'. Só falta ficar com lugar ruim no ônibus, tendo chegado uma hora adiantada. Quando vou entrar, a motorista me pergunta de onde sou, como fez para todos os demais. Mas a maioria vem de outros estados. Minha resposta a impressiona. Às 8h30 pontualmente, deixamos o estacionamento. Como na excursão de ontem, a motorista é também a guia e já começa a falar.

Nosso primeiro destino é Multnomah Falls, a segunda maior cachoeira em altura da queda d'água, nos Estados Unidos. Vamos passando ao lado do enorme Rio Columbia, que é o divisor natural das fronteiras do Oregon com Washington, vamor observando um pouco mais da formação das Montanhas Cascades, importante parte das Montanhas Rochosas.

A primeira parada é de 43 minutos. Inicialmente, achei muito. Mas quando vi que era possível subir ao topo e ver a queda de cima, achei pouco porque faltou um tantinho assim ó, para chegar... Usei 25 minutos subindo, e onde consegui chegar neste tempo, parei, fotografei e voltei, para não me atrasar no ônibus. Não entendia quase nada do que a guia falava, só palavras soltas, apesar da clareza da voz e boa dicção. Mas informações importantes, eu ficava atenta. Retorno às 9h45.

Achei essa foto interessante, parece que a moça está sentada no meu ombro, e ainda afastei o cabelo para ela aparecer melhor:

O tempo é meio estranho. Você olha e está tudo nublado, você olha de novo e está o maior sol. Por ali também têm uns vulcões ativos, não sei bem quais e aonde.

De lá fomos para Bonneville Lock and Dam. Fica à 64 quilômetros de Portland, os seja, o preço do passeio compensa só por toda esta distância. É uma estrutura de várias represas, com geração de energia hidroelétrica e também aproveitamento para um incubatório de peixes, criado para minimizar o declínio da corrida de peixes da Bacia do Rio Columbia o Boneville Fish Hatchery. Possui instalações para quarentena de ovos e alevinos. Podemos observar os tanques, e por uma janela de vidro, a natureza dos peixes Salmão Coho e Chinook nadando contra a correnteza. 

Minha boca amargava, com sede. Perguntei na recepção e informaram-me que no nível 1 tinha água para venda. Desça pelo elevador e, no piso 1, vire a esquerda. 

Lá chegando, máquinas... E agora. Vou até onde encontro uma das visitantes, que está na mesma excursão que eu e peço ajuda. Quero comprar áque, mas não sei usar a máquina. Ela me acompanha, coloca dois dólares no lugar destinado e aperta o botão da água. São três boto~es de água, e nenhuma água. Acabo pegando um refrigerante de limão, ruinzinho, mas vai resolver. Ela mostra onde pego o troco. 50 cents.

Nas proximidades, um centro de visitantes possui, para divertimento e aprendizado, alguns tanques de trutas arco-íris, que podem ser alimentadas, e o quiosque com venda do alimento está logo ali também.

Outro tanque possui um esturjão branco com mais de 3 metros de comprimento. É um peixe pré-histórico e é cartilaginoso. O esturjão é o peixe cujas ovas são muito apreciadas e muito caras, chamadas Caviar.

Também vi por ali algumas espécies de patos, num ambiente bem natural e agradável.

Seguimos pela Rodovia até a saída para Corbert, rumo a Vista House, de onde se pode avistar bem o rio e o Estado vizinho, e depois descemos por uma pequena estrada que serpenteia entre as montanhas e donde avistamos várias cachoeiras, mas nessa hora o açúcar no meu sangue deve ter baixado muito, me causando uma certa sonolência. Já eram 13 horas. Meu café foi leve, às 7 horas, e no caminho foi servido meio donut e água somente.

Voltei feliz e cochilando confortavelmente. A guia não para de falar um instante sequer mas desliguei completamente o botão da atenção. Chegamos depois das 13h30, com algum trânsito.  O evento de ontem continua, só que com muito mais gente nas ruas. Estou com muita fome mas quero COMIDA. Please.

Coloco no Google procurando um Shopping Mall. Não acho nada. Vou tirando fotos e decido administrar minha sensação e não entrar em desespero. Recordo que perto do Centro de Informações ao Visitante tem alguns estabelecimentos para refeições.

E não é longe. Asim, caminho uns 8 quarteirões e lá estou. No caminho entrei num The mother's mas a espera era de 45 minutos. Atenção, hoje se comemora o dia dos pais por aqui. Então, tá todo mundo mesmo na rua.

A cidade não é grande, são só 600 mil habitantes, mas estão todos aqui no centro agora. Estando junto ao Centro de Informação, resolvo olhar de novo no Google indicação de restaurantes e, alegria, alegria, o Fogo de Chão, Brazilian Steak House está a menos de 400 metros.

Está cheio também mas eles oferecem alguma coisas no balcão. Então quero ver o que seria isso. Tem lá uma opção de feijoada que posso comer no balcão. Nem lembrei que não podia comer carne de porco por causa da tatuagem. FOMEEEEEE.  Peço um suco de abacaxi com limão e hortelã. O barman capricha. Coloca os talheres à minha disposição no balcão e depois pede para que eu o siga. O outro barman aponta os próprios olhos indicando que ficará de olho na minha mochila. Quando passo pela ponta do balcão, um homem que estava ali comendo pergunta para eles se sou brasileira, pois reconheceu o meu acento vocal. O barman me entrega um prato apontando para um selfie service de saladas, e a mesa de feijoada. Deu tudo certo! O porco só estava presente nuns bacons fritos, que não comi. Farofa, feijão preto e arroz. Está bem, admito, estava com saudade do tempero, não propriamente da comida, brasileiro. Entre as saladas peguei espinafre, tomate, palmito, azeitonas, atum, maionese com maçãs, uma fatia de um queijo tipo roquefort, e me pareceu suficiente. Quando comecei a comer ele , o barman chega com umas vasilhas com purê de batatas, 2 polentas fritas, três banas a milanesa, 3 pães de queijo. Do purê, só desprezei a parte que tinha uns grãos de pimenta do reino. Sobrou também um pão de queijo. Comi o queijo Roquefort comi com a polenta, e ficou bom. A melhor parte foi o arroz com feijão e farofa. E, pasmem, por 19 dólares, mais 2 que deixei de gorjeta.

Aqui, comer bem é mais barato, mas difícil de achar. O gostoso foi observar o restaurante cheio de turistas, não brasileiros, apreciando nossa comida como fazem por todo o mundo com as comidas típicas de cada país.

Na volta para o Hotel, um barulhinho urgente dentro do UBER e a mtorista e eu procurando, até que vejo um celular no chão do banco de trás. Eu estava na frente, e uma passageira acabara de descer daquele lugar. Mas é um rapaz que está procurando pelo aparelho perdido. Ela conversa com ele, vira a esquina e já chega ao meu endereço provisório.

Só guardo minha mochila e vou à conveniência, seguir o aconselhamento da minha amiga Dilza, para comprar outro chip de banana com chocolate, já que gostei tanto, para viagem amanhã. Ela também ficou 'aguada'. Mando umas fotos no 'zap' pra ela pedir para o irmão comprar quando vier. Compro água, mais sorvete, desta vez com massa de hortelã, porque não coloquei o óculos para escolher. Ainda bem que estava gostoso. Mais bolinhos para o cafe da manhã e iogurte.

Volto ao hotel, tomo meu banho, ajeito minhas coisas e ligo para minha mãe, por vídeo. Até que enfim nossos horários coincidiram. Falamos uma boa meia hora, e venho terminar meu relato do fim de semana. Estou sonada ainda, mas daqui a pouco durmo um sono só. O trem parte às 8h20 no meu último percurso terrestre em terras americanas. Seattle. A cidade do seriado da Tupi da década de 70: E as noivas chegaram.