PENICHE - EXTREMO OESTE DE PORTUGAL - CABO CARVOEIRO

12/08/2019

Meu próximo destino é pertinho de Nazaré e inicialmente o que me chamou a atenção foi sua posição geográfica. No Brasil conheço dois dos 4 extremos cardeais. Ao Sul o Chuí, e à Leste a Ponta do Seixas em João Pessoa (PB). Quase cheguei ao Oiapoque, no Norte. Estive em Macapá.

Mas quando fui olhar as atrações deste local, fiquei encantada com as fotos do Cabo Carvoeiro, extremo Oeste de Portugal, e de saber da existência de um arquipélago denominado Berlengas, que é área protegida, e tem paisagens incríveis.

Já me habituando aos horários de check-in programei-me para fazer inicialmente a visita ao Cabo Carvoeiro, mas não achei que ficaria por tanto tempo explorando este M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O local.

Logo que cheguei a Peniche, e consegui ultrapassar o trânsito da beira mar, e iniciei a subida de uma avenida, vendo a minha direita formações rochosas incríveis e um mar multicolorido, comecei a chorar. Não consigo lidar com mi has fortes emoções de outra forma. E em seguida agradecer, não tenho como esquecer de ser grata. Mesmo que não estivesse aqui para apreciar, devo ser grata pela existência de tantas maravilhas.

Mas o GPS mandava seguir em frente. Ainda não chegara ao meu destino. E se eu paro por ali e perco o sinal. Tenho andado Off Line e programado meus destinos antes de sair das hospedagens, enquanto tenho Wi-Fi.

Vou deixando cair o queixo e seguindo, até que vejo uma placa indicando Cabo Carvoeiro. Passo ao lado de um Farol e já encontro algumas vagas de estacionamento.

Estou encantada e pareço uma criança saltitante, querendo explorar cada cantinho e registrar tudo.

São tantas as formações rochosas que sugerem o solo lunar, ou de qualquer outro planeta, é só ser criativo, ou lunático!

Percebi a sorte que tive em estar de carro, e sozinha. Porque, ao longo de uns 5 quilômetros ou pouco mais ou menos, parei o carro por mais quatro vezes. Cada cantinho que eu achava apropriado para estacionar, e saía a pé, uns 500 metros para cima e para baixo, caminhando entre as pedras e a areia, chegando próximo aos barrancos, mas sempre atenta a minha segurança, só para captar aquele momento e deixá-lo eternizado em uma foto. E sentir a brisa e os cheiros, captar as cores e deixar a emoção flutuar com o vento, feito as gaivotas do local, tentando por vezes ir contra o vento num esforço absurdo, e deixando-se pousar para recuperar as forças.

Se estivesse com o Roberto dirigindo, sei que ele pararia também, só ia reclamar para eu avisar com mais antecedência. Mas como avisar? Se a cada instante uma sensação nova se apodera de mim, e só a deixo passar se não encontro onde parar. Mas logo ali, se paro, volto a pé para resgatar a emoção deixada para trás.

Há ali uma Capela, de Nossa Senhora dos Remédios, o que supus ao ver o nome do espaço com a cruz, junto ao mar. Pquena, mas preciosa.

Ainda faço uma parada mais e uma caminhada filmada, que coloquei no Instagram (@lessa meyre) e no Facebook, Meyre Lessa. 

Até um escorpiaõ, escondido entre as pedras, fez questão de me fotografar. kkkkkk, consegui prender o celular numa fenda das rochas e programar o disparo;

Depois de toda esta saga, vou conhecer a Fortaleza de Peniche. E vou usar meu primeiro estacionamento pago. Será que vou entender? Me pergunto porque fico criando bichos de sete cabeças onde não existem? Cheguei na máquina, não tinha instruções de uso, só dizia o preço, 40 cents para cada hora, nas duas primeiras, a terceira e a quarta, 20 cents cada, e daí em diante 10 cents por hora. Apertei qualquer botão porque nada dizia onde colocar o tempo que quero ficar. A máquina me informou:

"Coloque as moedas no no local indicado", num mensagem em sua tela.

Coloquei um euro que me rendeu 3 horas. Ela emitiu um cupom que eu levei até o carro, estacionado lá na PQP, numa vaga que tinha um poste no 2/3 da vaga, o que me facilitou estar com um carro pequeno. Mas aqui, diferentemente de nos EUA, a preferência é por carros pequenos.

Mas antes, deixe-me aproveitar para comprar o passeio para as Berlengas amanhã. Não é sempre que saem os passeios, dependem da condição do mar e dos ventos. Hoje, domingo, está boa. Mas não tem mais vagas e nem eu queria pois não estou preparada física e mentalmente para isso. Quero para amanhã cedo. 

_ " Amanhã cedo os ventos estarão mais fortes mas as condições ainda serão favoráveis. Tem um passeio num barco pequeno e rápido, que leva só 20 minutos para lá chegar, e custa 29 euros. E um passeio num barco maior que leva 40 minutos e custa 26 euros."

_ " A questão, para mim, não é o preço nem o tempo de demora. Eu enjoo e quero saber onde me sentirei melhor, pois, minha experiência como bancária me diz que o pouco tempo desconfortável ou'enforcado de dinheiro' parece maior que o muito tempo confortável ou ' com uma dívida que cabe no orçamento'."

_ " Tem razão, Neste caso recomendo o barco maior. A senhora terá encosto no assento. O barco menor é como uma montanha russa no mar."

O que? Para mim, estar no mar já é uma aventura suficiente. Mas não tinha os 26 euros em dinheiro e eles não recebem com cartão. Existem várias operadoras, mas já fui tratando direto com a primeira que achei e a moça foi muito simpática. Ela pegou um caução de 10 euros e completo o valor amanhã cedo. O barco sai às 9h30.

Vou tentar sacar dinheiro mas os dois terminais da Euronet estão indisponíveis.

Antes de ir à Fortaleza, melhor almoçar, creiam-me, já são quase duas da tarde, fiquei bem uma 3 horas curtindo os rochedos. Achei um lugar que continha no cardápio Feijoada de mariscos por 8,50 meia porção. Perguntei se aceitava cartão e como disse que sim, pedi meu prato, com um chá. Na hora de pagar, a máquina estava com problema. Fui a um outro ATM indicado pela atendente, e estava fora do ar também. Ela tentou de novo e conseguiu, finalmente passar meu cartão.

Junto ao portão de entrada da Fortaleza tem um monte de barraquinhas de doces, lanches, sorvetes e churros, parece a entrada de um circo.

Ali também estão uma pequena praia, conhecida como Prainha de São Pedro, onde o mar ultrapassa um arco da Fortaleza, formando um bonito cenário.

Logo na entrada da Fortaleza um homem muito bem apessoado, quando lhe dirigi a palavra para saber se havia cobrança de ingressos, me ofereceu um folheto dizendo que a entrada era livre e perguntou-me se eu sabia o que era aquele edifício.

Começou explicando o óbvio, que era uma Fortaleza, construída estrategicamente para combater piratas e outros invasores. Mas em seguida explicou-me que foi usada como presídio na época da ditadura de Salazar, chamada de Estado Novo e que foi constituída com a Constituição de 1933 e derrubada, 41 anos depois, com a Revolução, em 25 de abril de 1974. 

Dentro dela foram recuperados vários espaços, pois desde 2017 o espaço tornou-se um Museu Nacional. Ele disse que tentaram privatizar o espaço, mas uma força de resistência dos próprios ex-presidiários políticos que ali estiveram, não permitiu este destino. Durante um tempo foi um Museu Municipal com objetos de pesca sendo expostos, e só agora revela a crueldade de sua história. Parte da reforma e liberação das instalações para visita só devem estar prontas no final do ano de 2020.

Logo na entrada está o espaço onde os presos podiam comunicar-se com sua família, e algumas recomendações dos guardas estão hoje escritas nos vidros.

Notem que necessitava ser da família para visitar o preso, então lá dentro tinha uma capela para realizar casamentos e possibilitar às noivas e namoradas a visitação.

Mais adiante, num edifício redondo e pintado de amarelo, estão transformadas as antigas solitárias. Eram 7 cabines. Demoliram as paredes intermediárias entre as três de cada lado, ficando só uma, ao meio, com as medidas originais, três passos de largura, por outros três de comprimento, sem janelas, com chão batido. Sem espaço para evacuar e nem se movimentar, sem saber se era dia ou noite, tudo por não concordar com a forma de administrar do governo, e se manifestar. Os tempos mudaram, mas continuamos cometendo os mesmos erros, subjugando os mais fracos, sejam eles animais ou outros seres humanos, com uso da força física ou do poder econômico.

Saber desta história me fez sentir tristeza ao andar por ali. Acho que seria incapaz de ir visitar um antigo campo de concentração de judeus.

Mas ainda fiz umas fotos bonitas do mar em volta.

E depois fui comer um churro recheado de oreo, doce, doce, chega a encolher a boca.

Ates de pegar o carro, subo numa barreira de cones de concreto que visa proteger a área de estacionamento  na época de ondas fortes de inverno. Ali constam avisos indicando o perigo nestas ocasiões. Mas o mar está tranquilo, estamos no verão.

E já posso ir para o hostel, já são quase 17 horas. O carro ficou na rua, no quarteira seguinte, mas bem pertinho. O quarto agora é misto e tem um alemão comigo. Expliquei para a atendente o que aconteceu no outro hostel e ela achou estranho a moça dormir em hostel. Falei o que ela me disse, que mulheres não roncam, e que ela tinha agora encontrado a exceção.

Acomodei minhas coisas e fui atrás de dinheiro. Pertinho do hostel tem um Santander e a Caixa Geral de Depósitos. Consegui no ATM do Santander. 

Agora já posso tomar um banho e depois procurar algo para o jantar.

Decidi por um  sorvete no Cascão, de melancia e iogurte. Estou com sede, mas já bebi um  montão de água e não adiantou. Sobre ele uma camada do que chamam de nata, mas é um chantilly não muito bom. O sorvete, em compensação, é uma delícia, e eles têm um menu com diversas opções, feito torta, como lazanha, com frutas, uma variedade imensa mesmo.

Caminho junto a uma muralha que tem perto do hostel e descubro que do outro lado está um rio grande, na largura, mas pequeno na extensão, são só 22 km que percorre o solo português o Rio São Domingos. Mas dentro da cidade ele possui uma Orla toda enfeitada.

A quantidade de fotos foi tão grande que estou abrindo, no Facebook, o álbum completo de fotos, para quem quiser ver as demais.