Pelo Norte da Ilha de TENERIFE, cidade, floresta e praia

26/02/2020

Hoje vou iniciar meu relato agradecendo a familiares e amigos pela preocupação com minha saúde diante da pandemia que se manifesta pelo Corona Vírus, já que em Tenerife estão quatro italianos em quarentena, com comprovada amostra da doença, no hospital de Santa Cruz de Tenerife. E vou dizer que faço o que posso para evitar o contágio, me alimentando bem, fazendo a assepsia das mãos, mantendo-me hidratada. Tenho viajado por muitos locais, vim agora mesmo da Itália. O vírus não é visível e a pessoa infestada nem sempre já apresenta os sinais da doença. E assim como posso ser atropelada ao sair de casa e atravessar a rua, ou tropeças e cair, quebrando um osso qualquer do corpo, ou batendo a cabeça e morrer, se tiver que ser infectada, pode até já ter acontecido. Vou me manter vigilante e cuidadosa. E esperar que não aconteça. E, se acontecer, deixar-me cuidar, assumindo as consequências de minhas andanças pelo mundo, para todos os possíveis acidentes ou doenças. Assumo o risco de viver. E por favor, fiquem despreocupados.

Dito isso, hoje contratei um passeio pelo norte da ilha, com a mesma empresa que cancelou o tour de segunda-feira por causa da calima, a Ctt (Comfort Tours Tenerife). Eles foram muito atenciosos, tanto no processo de cancelamento como na nova contratação.

Combinaram me pegar em frente ao Mercado Nossa Senhora de África,às 10h15. Eu tomei café da manhã num bar quase ao lado do hotel, e caminhei os quase 700 metros até o ponto de encontro, chegando com 10 minutos de antecedência.

O passeio foi guiado em francês, pelo Filip, que é holandês, e tinha um casal francês, e duas moças suíças.  Eles vieram do sul da ilha, e iniciaram a viagem às 9 horas. Percorri com eles cerca de 70 quilômetros.

Nossa primeira parada foi em San Cristobal de La Laguna, onde o Filip foi comprar uns lanches para um piquenique, mais tarde. E enquanto ele fez isso nós visitamos o que foi possível, sozinhos. Eu fui ao Mercado Municipal, ao Real Santuário do Santíssimo Cristo, e depois fui caminhar um pouco até uma praça que vi quando entramos, mas só tivemos meia hora na cidade. Foi só uma para técnica mesmo.

Nossa próxima para envolveu banheiro e café, para quem quis. Não foi meu caso.

Próxima parada, mirador De la Cruz del Carmen, dentro do Parque de Anagua.

E depois fomos em direçãoà trilha do Parque Rural de Anaga, uma reserva natural de Lauresilva, o mesmo tipo de floresta que vi na Madeira, e que nas Canárias é mais abundante na ilha Gomera. Ainda assim, a reserva protegida cobre todo o norte da Ilha de Tenerife e é responsável pela reserva de água ao norte da a ilha. Também através do solo de argila e das chuvas. O solo faz o filtro da água, formando um aquífero imenso que, segundo o Filip, sustentaria a ilha por 100 anos sem mais aporte de água. E também existem as galerias, que transportam a água da chuva para tanques que fazem a distribuição da água por toda a ilha. No Sul é onde está o Parque do Monte Teide, o terceiro maior vulcão do mundo e o pico mais alto da Espanha, com 3718 metros.

Fizemos dentro da floresta um caminho de 45 minutos, iniciando com uma descida e subimos por outro lado até voltar ao carro. São 3 trilhas as demarcadas, a trilha um pode ser feita por pessoas com mobilidade reduzida, a terceira é a maior e a mais limitante. O Filip seguiu comigo, que fiquei para trás e lhe disse que faria no meu ritmo. A trilha reserva uma vista panorâmica de onde pudemos apreciar a ilha Gran Canária. E uma camada de nuvens sobre o mar. Mas essencialmente, este lugar, chamado trilha dos sentidos, é para ser sentido, literalmente, cheiros, vento, escutar os pássaros e perceber as folhagens. O restante do grupo não pensou da mesma forma. E eu, mesmo apreciando de forma diferente, fiz no tempo determinado por ele no início do percurso. Mas ficaria mais tempo, se dependesse de minha vontade. 

Paramos novamente num mirador de onde se avistava Taganana, uma praia bonita, com muitas rochas, e de onde se podia observar bem a cadeia de montanhas pertencentes ao Parque de Anaga, bem arborizado. Ele nos mostrou uma rocha que parecia certinho um leão deitado. Não consegui fotografá-la no ângulo certo.

Já era mais de uma da tarde e ele parou, dentro da floresta, num local apropriado para piqueniques. Eu não comi nada, primeiro porque eu tomei café às 9h30, depois porque estava um pouco enjoada já, com a estrada. E eles comeram sanduíches de presunto serrano com queijo, tomates mix do cereja com o pera, chocolate e água.

Depois do lanche, atravessamos um túnel de ligação entre o sul e o norte da ilha, e ele nos informou que é possível estar sol de um lado e chovendo do outro. Aqui também é uma ilha de microclimas, e até neve é possível, no Monte Teide (em função da altura).

A estrada por dentro do Parque é estreita e tortuosa e dela pudemos observar os terraços para plantação que, a exemplo da Madeira, também utilizam aqui. Só me pareceu que aqui tem menos rocha, e mesmo com uma camada fina de terra, de uns 30 a 50 cm, parece mais linear. Aqui eles plantam bananas, uvas, papaias, batatas, tomates, milho, e também vimos árvores de abacate, manga, nespera. Mas estas últimas não me pareceram para comercialização. 

Dali fomos em direção a  Taganana e paramos na Praia do Roque das Bodegas, tida como uma das mais bonitas da ilha, onde pude fazer um pequeno vídeo do mar e apreciar um pouco da beleza do local. Ele nos disse que na próxima parada poderíamos tomar um café e ir ao banheiro, quem necessitasse.

E toma mais curva pela estrada, fui ficando mais enjoada, ainda bem que não comi nada. E quando enfim chegamos a San Andrés, perguntei:

_ " Vamos retornar pelo mesmo local?'

_ " Não, aqui já estamos perto de Santa Cruz de Tenerife e vamos retornar margeando a praia."

Ai que a francesa se manifestou com gratidão, pois ela também estava passando mal.

O marido dela comentou que, na primeira parada pediu um café e a atendente lhe disse:

_ " Expresso?"

_ " Não", disse ele.

_ " Americano?"

' Não, o café local."

_ " Ah, disse ela, Barraquito."

E eu quis saber como era este café. Eles me explicaram que vinha com leite condensado.

_ " Ah, eu vi sendo preparado um deste. Mas tem 1/3 do copo de leite condensado. Deve ser muito doce."

Foi quando me disseram que também vai licor, e decidi provar.

Em nossa parada em San Andrés, Praia Las Teresitas, as meninas se afastaram. Eu fui até a beira da praia, onde havia muita gente tomando sol e se banhando no mar. A praia lembra bem as nossas, mas o Filip disse que são artificiais, com areia trazida do Saara. Fiz umas fotos e fui até o bar procurar um café. 

Reuni-me aos demais na mesa, o francês pediu cerveja, sua esposa um suco de laranja, o guia uma cerveja sem álcool, e eu o barraquito. E recebi um copo muito bonito, com as distintas camadas dos ingredientes. Depois misturei tudo bem forte para que ficasse uma mistura homogênea e tomei aquele delicioso líquido. Acho que uma gema de ovo também cairia bem aqui. Bem gostoso mesmo. E a parte melhor, quando fui pagar, o francês tinha pago a conta da mesa. 

_ " Merci beaucoup."

Falamos sobre o Corona vírus no caminho e soube pelo guia que os italianos infectados estavam no hotel vizinho ao dos franceses. A grande preocupação com esta doença, mais do que com dengue, sarampo, febre amarela e outras tantas, é a facilidade na transmissão. Então vamos nos cuidar. E rezar para já não ter contraído o vírus. Ou se sim, que a manifestação seja controlável.

Pouco depois, antes das 16 horas eu fui deixada na Praça de Espanha.

E chegando ao Hotel tinha uma mensagem no What'sApp sobre um passeio para amanhã, que eu achei que havia sido cancelado. E se eles não me contatam, teria pago e não iria usufruir e nem reclamar. Por mais que eu tente manter tudo sob controle, não consigo. E amanhã tenho um passeio às 9 horas. E nem sei para onde. 

E agora vou ficar no quarto, mesmo com a festa do Enterro da Sardinha rolando solto lá fora. Já deu de Carnaval. Estou ficando mesmo velha. Nuca pensei que um dia ia recusar festa.