Pela Costa Oeste da ILHA DA MADEIRA

29/12/2019

Hoje fizemos o outro contorno da Ilha, iniciando pelo Miradouro da Eira do Serrado. Dali nós observamos o Maciço Montanhoso Central, e no vale, o Curral das Freiras.

Esta localidade, antes muito isolada entre as montanhas, atualmente é servida por rodovia, o que promoveu a expansão de moradias devido à facilidade de acesso. E parece que, grande número de construtores da Ilha fez ali sua morada. Ainda assim, a vila se divide em três partes, espalhadas pelo vale. O acesso ao Miradouro é fácil, e gosto de ver os desenhos que o tempo esculpiu nas montanhas. Deve ser prazeroso passar alguns dias numa casa no vale, e acordar entre montanhas tão majestosas.

De lá pude observar também as trilhas que usavam anteriormente, que aqui chamam de veredas, para acessar áreas distantes.

Vamos percorrendo as estradas e parando nos locais que temos boas vistas das montanhas, todas muito deslumbrantes. Mas a semelhança dos relevos me tira a orientação e já não sei onde nós paramos, o que estamos observando. Só fico muito impressionada com a paisagem e com a presença do homem em cada cantinho. Casinhas penduradas no morro, cercadas de degraus de hortas e outras culturas, por vezes comerciais, por vezes de subsistência. Antes das estradas que ligam todos os povoados, as vilas tinham que ser autossuficientes. O caminho para as cidades da Orla ao sul era custoso, e feito a grandes intervalos de tempo, onde a produção era levada para venda e a compra de produtos industrializados ou beneficiados era para durar uma larga temporada.

Uma parada para almoço no sistema de buffet, e estava bem cheio. Soube depois que aqui na Ilha o feriado se prolonga até dia 26 de dezembro, e numa época não tão distante, também o era o dia 27, para que as famílias pudessem visitar as famílias por parte da esposa e do esposo. Acho que tem muita gente que ainda está de folga, porque aparentemente, eram mesmo portugueses os comensais.

Quando paramos em comunidades, como São Vicente, tenho outras referências, como a pequena e bela igreja com seu presépio.

E o cemitério que, pelo que soube, não tem túmulos de propriedade individual ou de famílias. Os corpos são exumados no tempo necessário e abrem espaço para outros mortos recentes. São locais pequenos, aprazíveis e até bem simpáticos, e notei em várias vilas, no mesmo estilo.

Em outros miradouros, é possível ver o zig-zag do antigo Caminho Real, construídas a época do rei Dom Manuel I, e que se distribuem em trechos por vários pontos da Ilha, havendo inclusive uma Associação que visa catalogá-los, resgatando a memória e as dificuldades de viver e construir esta Ilha.

E podemos ver a sombra das poderosas montanhas na água do oceano profundo. Natureza, quanta coisa nos tem a ensinar...

Fizemos um trecho do Caminho 23, que passa ao lado de uma ribeira, e tem trechos de caminho em pedras. Permanece em pé o arco pertencente a uma construção, que rende bonitas fotos. Ali também encontrei um arisco gato, que usa as pedras como esconderijo. E patos, a desfrutar da calma do lugar e da água doce.

Uma outra pequena hidrelétrica a aproveitar o curso de água e a velocidade em função da inclinação.

Estamos no Calhau, que como já disse antes, é o mesmo que seixal ou local de pedras. este foi, sem dúvidas, o lugar que mais gostei no dia de hoje.

Fomos até a Vila de Santana, onde foram reconstruídas algumas casas nos moldes antigos, com uma pequena estrutura de pau a pique, e uma cobertura de palha, com bastante inclinação, que permite criar um sótão, onde eram guardados os mantimentos, e no cômodo térreo vivia a família. Algumas destas casas eram destinadas às criações.

Uma delas é habitada e, sentada a sua frente está a moradora, toda de negro. As demais são usadas como lojas de souvenirs.

Um grande presépio e uma lapinha também estão montados na circunvizinhança. Achei muito interessante que, de um modo geral, são oferecidos os produtos da lavoura regional, e encontramos frutos e legumes em cestas, tanto nos presépios como nas lapinhas. Neste presépio, ao ar livre, alguns legumes estavam até brotando já.

Ali bem perto está a Rocha do Navio. Avistei a rocha, mas não o navio, ou será que a rocha parecia um navio? Eu não achei parecido. Dali se tem a visão de uma cachoeira, e é possível descer de teleférico ou por uma trilha, bem íngreme. Não fiz nenhum dos dois, mas até que fiquei com vontade de descer naquele teleférico pois, me pareceu que chegaria mais próxima à cachoeira.

Seguimos para o Faial, sendo Faia uma árvore ornamental nativa do centro-sul da Europa, No Fortim do Faial alguns canhões foram recuperados e hoje enfeitam o local que já foi ponto de defesa da Ilha. E lá embaixo vemos a Vila chamada Faial. E o bloco de pedra, parecendo uma mesa, um platô, é a Penha de Águia. E na ultima foto se vê o Cais da Sardinha, o extremo Leste da Ilha, avançando em meio à bruma.

E retornamos ao hotel já com o sol se despedindo, depois de mais um dia de travessias pela ilha, muitas miradas e muita admiração. 

O bom de fazer este tipo de viagem guiada com um habitante de mais de 40 anos de Ilha da Madeira, é que posso aprender, além de paisagens maravilhosas e informações sobre os lugares, atuais e históricas, mas também muito sobre os costumes da ilha, como por exemplo, a Vila do Espigão, que tinha uma animada música típica e que o Antonio me disse que sempre que passa ali há música.

E soube que os escoteiros aqui são muito importantes na formação das crianças, obtive várias informações sobre o sistemas de educação, sobre política, e religião. Sobre alimentos típicos, e vários aspectos culturais e folclóricos. Isso tem sido enriquecedor.

E acho que, a partir dos próximos passeios, serei menos expectadora e um pouco mais exploradora, apesar de saber que para fazer as veredas é preciso tempo e disposição física que não tenho. Mas acho que poderei ter um pouco mais de contato com os espaços e com a natureza, sentir além de olhar.