Passeando de ônibus em SEVILHA

13/11/2019

Já percebeu qual foi minha escolha de transporte para hoje. Fui dormir já eram 1h30. Deixei a janela do quarto entreaberta de modo que o ambiente ficou com uma temperatura agradável para dormir. E eu estava cansada. O vinho deve ter feito algum efeito também. Sei que não consegui levantar quando o relógio despertou às 8h40. Fiquei até às 10h na cama e quando levantei, lembrei-me que tinha um lanche e iogurte que trouxe de casa, com sobras de alimentos que, se ficassem, estragariam. Pão com folhas e lombinho. As uvas que trouxe, eu comi ontem, antes do jantar.

O ônibus turístico custa 20 euros para dois dias. Algumas de suas paradas são próximas a lugares que desejo visitar, assim, e por ter acordado tarde, e com os joelhos doendo (meu joelho direito ainda não se recuperou do tombo na Islândia), resolvi passear de ônibus.

Mas para chegar ao ponto mais próximo tive que passar por dentro de um jardim, o Murillo, aqui bem perto do hotel, avistar um monumento em homenagem a  Cristóvão Colombo, caminhando por pouco mais de 1 km até a Torre del Oro, ao lado do Rio Guadalquivir com suas águas verdes.

Depois que sai do Jardim, passei em frente a um Palácio, me pareceu, para depois descobrir que se trata de um Hotel, com H maiúsculo, confiram abaixo.

Bonita torre, bonito rio, o ponto era logo ali ao lado mesmo e já estava estacionado no ponto. Troquei meu ingresso que comprei no hotel e a moça me perguntou que idioma eu falava.

_ " Português, e um pouco de espanhol também."

Ela levantou as mãos e mostrou seis dedos. Não entendi o que ela quis dizer e supus que ela falava seis idiomas. Daí perguntei:

_" Você fala português também?", ao que ela respondeu:

_ " Eu não, mas o ônibus sim."

_ " Ônibus inteligente este não?", ao que rimos todos, ela, seus dois companheiros de balcão e eu.

Recebi os microfones, embarquei e fui para a parte superior. Está um dia lindo, de céu azul e sem nuvens, como ontem, e ensolarado. No sol dá para ficar sem agasalho. Logo em seguida o ônibus partiu e no áudio guia estava a ouvir, em espanhol, a história da charmosa Sevilha. Passamos pela Universidade de Sevilha e muitos monumentos. Tomei o ônibus no ponto 1 com a intenção de descer no ponto 4, Praça de Espanha. Passamos em frente à Praça das Américas, onde vi o Pavilhão do Brasil, e ao Jardim Maria Luisa, que estava em meu roteiro. Os dois estão entre os maiores jardins da cidade.

A Praça Espanha é diferente do que eu imaginava, muito melhor. Eu esperava uma praça de armas como já vi em algumas cidades espanholas e algumas de países colonizados por ela. Uma grande área onde estão os principais poderes em volta, civil, militar e religioso, e comércio. Mas o que vi foi uma magnífica construção em arco, com torres nas finalizações, e blocos de cores diferenciadas que fazem parecer um jogo de blocos de construção para crianças, algo como um lego.

E comecei a andar tranquila, fazendo minhas fotos. De repente, no alto-falante o anúncio de que haverá uma homenagem a um alto escalão do exército que foi reformado na data. Reforma, nas forças armadas, é o equivalente à aposentadoria para os civis. E logo em seguida entra um esquadrão do exército com banda inicia a marcha para dentro do conjunto, se aproximando de onde será a solenidade. Que privilégio, afinal é fortuita a minha presença exatamente neste momento. Ou será que não?

Porque meus planos iniciais foram totalmente alterados desde o acordar tarde até o passear de ônibus, e mais ainda começar justo por aquela Praça... Mais uma vez: Gratidão!

Só fiquei um pouco restrita quanto a livre circulação. Tive que retornar pelo mesmo local que iniciei o caminho. Mas não fui só eu que fiquei restrita. Lembrei-me depois que, minha amiga Cris, que esteve por aqui recentemente, preveniu-me quanto ao cuidado com as ciganas. E, com tanta polícia no local, elas também não apareceram.

Dali segui a pé para o Jardim Maria Luisa, sai para a Avenida e fiz o contorno, fotografando todos os monumentos e prédios ao redor. E, quando vi, estava de volta a Praça de Espanha, novamente me encantando com uma de suas Torres finalizadoras.

Fui para o ponto e logo em seguida o ônibus se aproximou. Era mais velho que o primeiro, o espaço para as pernas era mais restrito, no entanto, por não ter vidros nas laterais superiores, é melhor para tirar fotos. Queria descer no oitavo ponto, em Triana, que é um bairro de Sevilha, mas é uma outra cidade, do outro lado do rio, onde se encontra um lado mais artístico da cidade, se bem que não vi isso. Desci e fui procurar um local para comer. Foi uma boa opção pois encontrei local com preços menos turísticos.

Pedi lomos ao whisky, e veio acompanhado por dois ovos fritos, batatas fritas e salada, além de pão. Tomei um suco de laranja, e gastei 8,50 euros, mais um de propina. Os nomes mudam, mas no fim, comi praticamente o mesmo. Lomos é lombo de porco. Mas estava tudo ótimo.

Andei um pouco pelo bairro e fui até a Paróquia Nossa Senhora de la O. E de lá cheguei ao Passeio de Nossa Senhora de la O. A beira do rio, avistando Sevilha do outro lado, e a ponte Dona Isabel II.

No final do Passeio estava o Castelo de São Jorge. Fiz algumas bonitas fotos no nível do rio, e depois subi as escadas para alcançar a ponte e fazer a travessia.

Um grupo com caiaque passava neste instante. Eu até pensei em fazer esta atividade no rio, mas eles não usam coletes salva-vidas. Achei arriscado.

No passeio Cristóvão Colombo, já na margem de Sevilha, tem lindos jardins e locais para descanso e apreciação do rio.

Não cheguei até a Torre de Oro, precisava ir ao banheiro e resolvi já colocar o hotel como destino. Mas no caminho vi uma 'panederia', e estava louca por um café e um doce. Pedi um igual ao que vira um homem comendo no dia anterior, uma massa que lembra a das carolinas, recheado de chantili. E um outro de base circular, com uma fina camada de bolo, um recheio cremoso e um monte de chantili de chocolate. Tomei com um café amargo e água. E quando vi pessoas usando o banheiro, perguntei ao garçom se havia banheiro disponível para o público. Ele disse que sim, que todos os comércios precisam ter 'casa de banho'. Senão, não obtém o alvará de funcionamento. Eu disse que compreendia, mas que, nem por isso seria aberto ao público. Nisso ele perguntou se eu era brasileira e disse que ali trabalha uma brasileira também, e a chamou na cozinha.

A moça é paraense. Conversamos um pouco e ela voltou ao trabalho. Eu fui ao banheiro e minha urgência de retornar ao hotel acabou. Resolvi tentar novamente a Real Maestranza, arena de touros. Reconheci o lugar em que eu estava e a arena estava a menos de 200 metros. Mas, novamente fechada. Acho que não a conhecerei.

Ainda não eram 17 horas mas voltei ao hotel com a intenção de adquirir um convite para um espetáculo de flamenco para a noite. Comprei com o mesmo recepcionista da noite anterior. Eles ganham comissão sobre as vendas. Subi para o quarto, resolvi alguns assuntos domésticos com minha filha mais nova, pelo What'sApp, tomei meu banho, adiantei o post relativo a segunda feira, quando cheguei em Sevilha e sai para o show. Vesti uma saia que foi transformada em uma espécie de poncho, por minha mãe.

Andei uns 20 minutos na avenida principal, desta vez para a esquerda. Cheguei lá às 19h30. O show, sem jantar e bebidas iniciava às 19h45. Com jantar custava 69 euros, dinheiro demais para quem não bebe comer sozinha.

O espetáculo foi razoável, um pessoal jovem e não imbuído do espírito do flamenco. O show foi salvo por uma única bailarina e pelos músicos instrumentistas. Os demais pareciam estar brincando, e expressavam de modo inconveniente, fazendo notar-se até pela plateia. Algo mecânico, sem alma; O vestuário é pobre, mas seria perfeitamente compensado por uma boa atuação.

Ficou tão evidente isso que, quando a tal bailarina que falo, iniciou sua dança, levou consigo toda a plateia e o corpo de baile, incluídos os músicos e cantores, ao clima desejado no Flamenco. Era possível observar em sua expressão facial e corporal a essência da dança. Não sou 'expert' em flamenco e em nenhuma outra dança, mas como dançarina amadora, conheço e vivo a sensação de cada ritmo. Sei identificar isso nos demais também.

Passei minhas impressões para uma das dançarinas, quando sai. Não sei se levará ao grupo. E fui caminhando e chamada, pela Ingrid, que estava sentada perto de mim, e que, só ao sair, soube pelo porteiro que eu também sou brasileira. Ela é do Rio Grande do Sul, tem uma filha morando na Espanha e um filho nos Estados Unidos. E um namorado americano. Então está sempre viajando. Andou comigo boa parte do caminho de volta. E, depois que se despediu de mim, eu fui procurar algo para o jantar. Entrei em um mercadinho, peguei chá em lata, queijo curado fatiado e bolachas. E foi meu jantar.

E amanhã tem mais pessoal.