PARQUE NACIONAL DE PENEDA E GERÊS por três dias - PORTUGAL.               .

17/03/2020

Domingo

Estamos observando muitas mudanças, e para nós está refletido muito além do comportamento do povo, mas também no clima, na energia e em nossas emoções.

Resolvemos fazer o caminho até ao Parque Nacional de Peneda e Gerês, o único parque Nacional de Portugal, localizado ao Norte do país e fazendo fronteira com a Espanha, por estradas pedagiadas mesmo já que o caminho sem portagens gastaria 1/3 a mais de tempo. Além disso, o dia amanheceu com muita névoa. Refletindo também a situação atual de grande parte da humanidade, não estamos vendo com clareza.

A estrada, na maior parte do tempo, prevê uma velocidade máxima de 120 km/h e mínima de 50 km/h. Eu trafeguei, em média, a 100 km/hora até porque conversava com a Cristina. E como falamos...

Falamos sobre nossas famílias, sobre vivências que nos construíram como pessoas, sobre nossas experiências com os familiares e nosso entendimento e compreensão de suas histórias e de que modo estas interferiram no modo de agir de cada um, inclusive os nossos.

Durante o percurso de 3 horas aproximadamente, pegamos trechos de garoa, chuvisco, névoa, vento... E observamos avisos de possibilidade de neve já que a temperatura estava caindo. E eu rezando para isso não acontecer. E não aconteceu, efetivamente.

Num determinado momento, com três faixas de tráfego, após passar pela cidade de Porto, eu usava a faixa central. Um carro foi me ultrapassar e ele buzinou, eu levei o carro levemente para a direita, e não vi que havia outro carro transitando por ali. E levei outro 'buzinaço'. Acho que estava devagar demais para a faixa escolhida por mim.

Conversamos tanto que chegamos ao destino sem perceber a passagem do tempo.

Passamos em frente ao Santuário São Bento de Porta Aberta. E não achamos o local de nossa hospedagem. Troquei a referência, buscando o localizador fornecido pelo Booking, e tive que retornar uns 300 metros e pegar uma acentuada descida, agora à esquerda. Mas não gostei do 'buracão' em que estávamos nos metendo. E resolvi voltar de ré, já que não havia espaço de manobra. No paralelepípedo e, desta vez, com chuva. Cheguei à conclusão de que nossos carros 1000 CC são mais fortes que os deles. A Cristina pegou o guarda-chuva e desceu do carro para aliviar o peso, já que agora ainda estava com as malas. E queimei mais um tanto da embreagem. Antes de fazer todo este procedimento eu liguei no Hotel reservado avisando que não conseguia chegar.

E paramos no Hotel São Bento, bem em frente ao Santuário. Era um hotel mais luxuoso e pelo menos já estaríamos seguras e acomodadas, diante das chuvas e dificuldade em encontrar o outro destino. Mas quando entramos para solicitar um quarto a moça identificou-nos como as da reserva pelo Booking, dizendo que a outra hospedagem era em frente, porém o check in era feito por ali. Pedi que elas confirmassem o cancelamento com devolução do valor pago, já que o que faríamos era um up-grade. Ainda estou aguardando uma resposta quanto a essa solicitação, mas nos foi oferecido o quarto 202 com varanda, conforme nossa demanda.

A Cris foi ao banheiro no andar térreo e já fomos para o restaurante devido ao horário. Usei o banheiro no andar do restaurante - o segundo - e a Cristina já ficou sentada e olhando as opções.

No cardápio havia a opção de cabrito assado para duas pessoas, e concordamos em pedir este prato, acompanhado de batatas assadas e uma verdura que eles chamam de grelos ou punhetas, que é a folhagem do nabo, cortada rente à raiz. Ele tem gosto e consistência de espinafre, só com um pouco mais de amargor e um pouquinho de fibras. Parecia espinafre misturado com alguma verdura mais amarga, como catatonia, por exemplo. Estava delicioso. E pedimos sobremesas. E após deliciosa refeição, pegamos nossa bagagem no carro, pois a chuva tinha parado, e subimos ao quarto para relaxar neste resto de dia.

No entanto, quando abri as mensagens do What's App, já no quarto, notei uma Nota de Falecimento, enviada por meu cunhado. Achei que podia ser algo sobre a pandemia instalada, mas me surpreendi com o comunicado de falecimento de minha sogra. Isso me desestabilizou um pouco. E entendemos o motivo da vinda da minha amiga, apesar de todos os pesares, nesta época. E até a data de chegada dela. Tivemos tempo de conversar bastante e eu equilibrei minhas energias, diminui a saudade, coloquei a conversa em dia e coloquei para fora medos e angústias. E a Cristina ainda observou:

_ " E hoje, especialmente, você passou o dia todo falando dela (minha sogra). Contei para ela as coisas que me ensinou como pontualidade, sofisticação, decoração de pratos e tantas outras coisas.

Tentei ligar para minha cunhada, filha dela e irmã de meu falecido esposo, para meu cunhado e para a tia, irmã dela, mas ninguém me atendia. Fui buscar informação no Facebook e não obtive maiores esclarecimentos. De repente vi que meu cunhado estava ONLINE e finalmente consegui falar com ele. Fiquei muito triste com tal perda, ela ainda estava cheia de planos... Completaria 85 anos em setembro, viveu quase quatro anos além de seu marido, falecido em 2016, como o meu. Mas fiquei aliviada ao saber como ela morreu. Tinha tanto receio de estar sozinha e precisar de alguém e não ser assistida, e ficar agonizando até a morte. Mas, aparentemente, morreu sentada, assistindo a TV, no final da tarde ou começo da noite, pois a faxineira esteve com ela até às 14 horas. E ela ainda falou com minha outra cunhada, por ocasião de seu aniversário, por telefone, mais tarde. Isso me tranquiliza. E teve a oportunidade de se despedir dos netos no Natal, da filha e do genro, no Carnaval, e dos amigos da AFPESP, vizinhos e colaboradores, moradores de Termas de Ibirá, onde residiu nos últimos 3 anos e meio, numa celebração de despedida da cidade, pois estava se preparando para voltar a morar em Santo André, o que deveria acontecer no final de março. E eu falei com ela também pelo What's App depois desta festinha, não o suficiente, mas não deixa de ser uma despedida.

Um pouco depois a tia Inês falou comigo por telefone, estava por sair em viagem, a caminho do velório e enterro.

Descanse em paz, querida sogra. Espero que já tenha se reencontrado com seu esposo e filhos amados, e toda sorte de entes queridos que agora festejam sua chegada aí no céu.

E fiquei meio como 'barata tonta' uma boa parte da noite dali em diante. E pedimos serviço de quarto para um lanche antes de dormir. E coloquei minha atenção no blog. E o dia 14 de março foi um marco a mais em minha vida.

Segunda

O café da manhã daqui foi servido na mesa do restaurante, acho que só haviam quatro quartos ocupados. Trouxeram as frutas, os pães, doces e salgados, os frios. Pegamos na mesa do buffet só sucos, café e chá.

O dia amanheceu com poucas nuvens e muito frio, com previsão de 15 graus de máxima e mínima de 7 graus. O vento estava bem forte. Saímos para passar no mercadinho e pegar água e obter informação sobre o estado das estradas. Eu programei de irmos às Cascatas do Tahiti e do Arado, no Miradouro da Pedra Bela e na Vila de Gerês. Mas primeiro entramos na Igreja São Bento da Porta Porta para agradecer e pedir.

Enquanto a Cristina comprava a água, eu fui tirar fotos do Rio Cávado e aproveitei para conversar com uns homens e perguntar sobre a estrada. A informação que obtive foi de que até a Cascata do Tahiti a estrada é de alcatrão (como eles chamam o asfalto por aqui), mas até a Cascata do Arado tinha um pedaço de estrada de terra.

Primeiro errei o caminho, na verdade não fui eu, o Google inseriu o hotel como primeiro destino e me fazia dar uma volta louca para retornar a ele. Quando era para entrar numa estradinha íngreme e muito acanhada, critiquei o aplicativo. Recoloquei os destinos e a rota foi devidamente corrigida.

Passar na margem desta grande rio é estonteante, tanto que a Cristina nem quis fotografar, porque as curvas da estrada e a altura também são de dar tontura. Acho que é mais que um rio, é uma albufeira ou represa.

Mesmo sendo de asfalto, a estradinha é estreita e sem sinalização, cheia de curvas perigosas, e lugares lindos. Pequenas fontes, formações rochosas, vegetação multicolorida.

A Cascata do Tahiti é no Rio Arado, na baixada, bem perto da estrada. Existe uma escadinha para chegar mais perto da água, e a Cris não quis descer. Não era difícil e só valeu a pena porque consegui avistar uma parte um pouco além, que tem um pequeno represamento, onde as pessoas devem banhar-se no verão. Mas subindo, em cima da ponte, a visão do rio e da cascata são tão bonitas que nem é necessário descer mesmo.

O sinal de internet some de vez em quando, na serra e meio do mato. Não sabia se tinha que voltar ou seguir adiante. Resolvi voltar, mesmo porque estava com receio de ir até a Cascata do Arado, já que disseram ser em terra o acesso.

Fomos subindo até um local que a Cris viu um camponês de trator usar o celular, em busca de um sinal de internet. Mas ali não tivemos sinal. Um pouco adiante vimos umas duas ou três cabeças de gado bovino, raridade em terra de porcos, cabras e ovelhas. E pouco depois vi uma casinha e um terreno gracinha. Como não havia nenhum trânsito, parei para fotografá-la e vi que entraram mensagens. Ar! Então aqui tem sinal? Só não vê milagres quem não quer.

Na sequência o caminho estava muito cheio de pequenos galhos e folhas, resultado das chuvas de ontem. E fomos subindo de volta. Mas começou a ventar, forte, e até bem assustador, com todos aqueles pinheiros e eucaliptos balançando. E de repente acalmava de novo. Chegamos passar por uma árvore caída no meio da estrada, impedindo-a em parte.

Havia um miradouro perto de um posto de informações, o lugar era bonito e paramos um pouco.

Chegamos ao fim daquela via e a outra tinha placa de indicação de Cascata do Arado para direita e Gerês e Pedra Bela para esquerda. Parei e perguntei para Cristina se ela queria tentar ir até a Cascata. Enquanto refletia, o carro sacudiu com o vento, e eu mesma tomei a decisão de não ir, e ela agradeceu ao anjo da guarda dela.

Mesmo com aquela ventania inconstante, passamos por quatro jovens, 3 homens e 1 mulher, caminhando pela rodovia em sentido contrário ao nosso.

_ " Para onde eles estão indo? perguntei. " E onde estará seu carro?"

A Cristina me disse que eles são jovens, destemidos, e isso é explicação suficiente para nós, que também já fomos jovens assim. E somos mulheres maduras com um bom grau de coragem ainda.

Não demorou muito para chegarmos ao Miradouro da Pedra Bela. Aquela floresta em volta me fez pensar no Robin Wood. E as pedras dispostas na borda do mirante já proporcionavam um lindo cenário a partir do carro. A Cristina chegou primeiro ao mirante e:

_ " Uau!"

Mas o vento não parava, pelo contrário, começou a aumentar de intensidade e ela voltou para o carro quase correndo. Eu resolvi fazer um filme enquanto fotografava. Receosa também, as folhas e gravetos levantados pelo vento por vezes atingiam meu rosto. E voltei para o carro andando de costas para proteger-me. Soubemos no final da tarde que a região esteve sob alerta amarelo, com ventos de até 85 km/hora. Que medo. Minha amiga disse que estava superando seus limites. Foram muitos enfrentamentos: vento, medo de altura, estradas estreitas e tortuosas...

Retornamos sem saber a direção a seguir, mas fui meio que pela única possibilidade. Minha amiga tentava obter dados para colocar o Maps a funcionar, pois queríamos agora chegar à Vila de Gerês e almoçar.

Mas o vento continuava a castigar, e pegamos umas subidinhas de ter que transitar na contramão nas curvas, com o carro em primeira e segunda marcha. E a Cris achava que já tínhamos passado por ali até avistar uma cachoeirinha, e uma fonte, e termos a certeza de que aquele era um caminho novo. Mas numa destas paradas fui verificar o celular e vi que eu estava com os dados móveis desligados para não gastar bateria. E ao religar já conseguimos nos localizar no Maps. Ainda bem.

E fomos nos aproximando de casas, a altitude foi diminuindo, e o vento também, e fomos nos tranquilizando.

Num determinado ponto, podíamos seguir em frente, cruzando outra estrada, ou mudar de direção. Olhei as placas que indicavam, por esta outra estrada, vários pontos de interesse turístico, menos o Gerês, e supus que seguir em frente seria o óbvio. Ainda assim, havia uma família fazendo um piquenique numa das esquinas. Pedi para a Cris perguntar e ela não queria incomodar o almoço deles. Mas:

_ " Por favor, em que direção fica o Gerês?"

O homem apontou para a direita, e a moça para baixo. Ihhh.

Mas o homem corrigiu a direção e lá fomos nós, depois de agradecermos a informação.

Perto da curva, logo em seguida, havia um galho grande caído na estrada, e para desviar dele fiz a curva mais fechada. Só que vinha um carro de baixo e fez a curva bem aberta, para conseguir subir. Levamos, ele e nós, um belo de um susto.

A Vila de Gerês parecia uma vila fantasma, só o rio corria em seu leito pedregoso. No mais, tudo fechado, para prevenção. E não ficamos aborrecidas. Só que precisaríamos apressar a nossa volta para chegar a tempo de pegar o restaurante aberto no hotel. Quando saímos questionamos sobre este horário e sabíamos que era até 15 horas.

E será que teremos que voltar. Coloco no Google e começo a rodar no sentido donde viemos, na esperança de não ser para lá. Parece que não. Então faço a volta, depois de passar um ônibus em direção a Braga. Vou no mesmo sentido que ele.

E pouco depois o Rio Cávado reaparece, e a estrada era um pouco mais larga, e tinha mais carros também. Mesmo assim dou umas diminuídas que permitem a Cris tirar umas fotos. Até chegar num estacionamento que ela já me avisara, na ida, que queria parar para fotografar a ponte. E bem nesta hora a nuvem que encobria o sol se moveu, e a água mudou de cor, com suas nuances de verde e azul, muito lindas.

E logo depois chegamos ao hotel. Levamos blusas e bolsas para o quarto, usamos o banheiro e descemos para o restaurante às 13h45. Lá chegando vi a porta fechada, mas abri e passamos. E lá vem o garçom, dizendo que tinham fechado. Perguntamos se íamos ficar sem almoço, e ele disse que não e foi pegar os cardápios enquanto nos sentávamos, mas resmungando coisas que não entendemos.

Escolhi um estrogonofe de cogumelos com tagliatele, pensando em facilitar a execução, já que os pratos são mesmo 'a la carte'. A Cristina pediu um bife à Portuguesa, acompanhado de batatas fritas em rodelas. E isso diminuiu o tempo de preparo. De sobremesa comemos quindim, o primeiro que como em Portugal, viu Brenda?

O que nos causou estranheza, ou talvez não, foi que, conversei com a Cris para já deixar avisada a nossa intenção de almoçar amanhã no restaurante. Quando disse isso para o garçom ele me alertou para chegar mais cedo, pois os portugueses estão acostumados a almoçar por volta de meio dia, e que com estas questões do Corona vírus, com tudo vazio, eles já tinham fechado a cozinha e apagado tudo pensando que ninguém mais iria aparecer.

Expliquei que fomos passear e só voltamos dentro do horário informado na recepção por não achar outro local para comer.

Ainda, pensando em ser prática e evitar transtornos, falei que não iriamos jantar.

_ " Mas o jantar não é problema. É comum os hóspedes saírem para passear durante o dia e jantarem no hotel à noite."

E para terminar o perfil do cidadão comum e popular, dito pessimista, por eles próprios, anunciou seu temor com a possível piora da situação. Mas também disse que eles estão acostumados com essas situações, são mais preparados, tanto para se ajustar às ordens do estado, como para prevenir a proliferação da doença. Diferente do Brasil, supôs ele, que tem muita falta de higiene e pobreza. Se a doença chegar a locais como o Brasil e a África, é difícil conter.

Eu concordo com ele, em alguns aspectos, e até dissemos que no Brasil já chegou a doença. Mas também disse que não há interesse econômico em que essas doenças se alastrem em países pobres.

_ " Não há interesse que a doença se alastre por nenhum lugar."

Como ficou clara a genuína preocupação dele, o que acho louvável, e aprovo, tomando também as minhas precauções, mas sem deixar de criticar a informação para tentar entender quem ganha com tudo isso. Nosso mundo capitalista já demonstrou muitas vezes que nessa guerra de poderes, ninguém dá ponto sem nó.

E a Cris, toda preocupada, perguntou se eles têm recebido turistas de outros países, depois dele comentar que a manifestação dos sintomas se dá após 3 a 4 dias, com tosse seca, e até 15 dias os demais sintomas.

_ " Sim, lógico, aqui vem gente de todos os países."

_ " Mas quero dizer nos últimos dias, no tempo de incubação da doença..."

_ " Mas essa doença começo em janeiro, de lá para cá veio gente do mundo todo..."

_ " Mas o que importa são nos últimos 14 dias, já que vocês não tiveram manifestação da doença."

_ " Estamos em circulação, eu posso estar contaminado sem saber, ou vocês, ninguém sabe. Mas aqui, por ser um grande hotel com muita gente trabalhando, não pode parar."

Essa é a lógica do pânico que vem assombrando o mundo. Esse moço representa muito bem as pessoas crédulas envolvidas pelas teias do poder, num treino de obediência a que somos submetidos pelo temor, e instinto de sobrevivência, como fez a religião, como faz o Capital. Um pânico sem raciocínio. E enfim...

Temos que nos cuidar sim, para não pegar gripe, dengue, sarampo e corona vírus também, por que não? A vida é preciosa, assim como a paz, a harmonia e o equilíbrio. Estas coisas também são necessárias para nosso bem estar. Não se esqueçam disso. A VIDA É BELA. Se não lembrar como, assista o filme, da resistência do ser.

O jantar:

Terça

Minha intenção neste dia era avançar um pouco mais por dentro do Parque, chegando a fronteira com a Espanha, ao Norte de Portugal. Porém, as estradas do parque, por vezes ingressam no outro país para chegar ao destino desejado. E considerando que as fronteiras com aquele país estão fechadas, o estado das estradas e o medo que passamos ontem, que também é reflexo de nosso estado de espírito, cada vez mais contaminado com a avalanche de informações que recebemos pela mídia e redes sociais, optamos por seguir a estrada principal no sentido oposto ao que já tínhamos trafegado. E fomos em direção à Terras do Bouro.

Por ali também se chega a Braga, e a distância que percorremos foi de pouco mais de 10 km, já nos distanciando da zona delimitada do Parque. Neste trecho pudemos observar pequenos núcleos de casas, talvez de clãs familiares, não muito distantes e nem muito perto uns dos outros.

A vila de Terras do Bouro tem aproximadamente 700 habitantes, sendo sede de um município com 14 freguesias, sendo Rio Caldo, o local em que está o hotel que nos hospeda, uma delas. O município tem mais de 7 mil habitantes, mas pelo que pudemos constatar, as freguesias são bem espalhadas.

Ao longo do percurso vimos várias quedas d'água e alguns locais onde era possível estacionar, já que a pequena estrada não tem acostamento. Numa destas paradas, na ida, vimos uma pequena igreja e seus anexos, bem típicos de centros religiosos e comunitários de regiões interioranas.

E paramos em alguns locais também só para apreciar o colorido da floresta.

E conforme passamos, memorizamos os locais para parada na volta, onde poderíamos registar, em fotos, algumas das belas quedas d'água.

A Vila de Terras do Bouro é a maior que vimos por aqui. O Supermercado apresentava fila externa, já que o número de clientes no lado de dentro estava limitado. O atendente, à porta, estava com máscara.

Fomos até os limites da vila, onde fiz algumas fotos do horizonte e resolvemos voltar, fazendo as paragens das quedas d'água. 

Só conseguimos parar em duas delas. Em uma a Cris não foi junto porque teria que andar um pedaço de estrada sem acostamento. Eu fui caminhando pela mão oposta à dos veículos. E voltei do mesmo jeito. Fiz um vídeo para mostrar para ela e para vocês (está no Facebook=Meyre Lessa).

Na segunda parei mesmo ao lado, e era até mais bonita, com a água escorrendo em vários cursos diferentes pela pedra. E aí ela desceu também, é lógico.

Voltamos para o hotel com o intuito de almoçar mais cedo e não atrapalhar o curso da cozinha, o que foi bem recebido pelo garçom, que estava mais alegrinho. Nós pedimos um Bacalhau com Crosta de Broa, que vem acompanhado de batatas ao murro e punheta. Simplesmente delicioso. E de sobremesa ela pediu Clarinhas de São Bento, que são acompanhadas de sorvete de tangerina, e eu pedi Pudim Abade de Priscos, que me fez lembrar pudim de pão.

Saímos de novo à rua, para apreciar melhor o entorno, agora sem chuva e sem vento. E constatei um caminho da Via Sacra, na subida, vindo da represa em direção à igreja. Parece-me um lugar de peregrinação já que o São Bento de Porta Aberta é um santo italiano, considerado padroeiro da Europa. E vimos que atrás do hotel tem um parque também. Mas não o visitamos.

Combinamos de ir abastecer o carro, comprar água e parar de novo no estacionamento junto a Albufeira da Caniçada, a mesma que avistamos do hotel.

A primeira parada foi no mercadinho, e desta vez, quem desceu para comprar água fui eu. Na entrada um aviso de limite de 5 pessoas dentro do mercado. Entrei porque estava vazio. E recebi a orientação de higienizar minhas mãos com o álcool gel que estava na porta. Pedi desculpas, pois não tinha visto o recipiente nem o recado. Peguei rapidamente a água, paguei e já saí ao encontro da Cristina que já tirara suas fotos e estava descendo as escadas.

No posto de gasolina, a seguir, percebi que as bombas foram todas lavadas, já que é autosserviço. Mas não havia nenhuma recomendação quanto ao número de pessoas dentro da conveniência. Como já tinha duas pessoas lá dentro, além da funcionária, esperei do lado de fora. Ao ser atendida comentei com ela sobre a falta de advertência e ela me disse que era incomum acontecer de chegar mais de um por vez. Naquele momento estávamos em 4 carros sendo atendidos, o que era surpreendente.

Na volta paramos para olhar de novo a represa sob outra luz, e é mesmo muito bonita. E a Cristina conseguiu fazer minha foto espelhada. Que legal!

E já é hora de voltar para o hotel e aquietar-nos, amanhã partimos para Porto, passando por Guimarães.