PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA E JARDIM DA LIBERDADE

08/07/2020

Fato incontestável: cansado e com sono, até o chão é acolhedor. Assim como, com fome até pedra é apetitosa. E tive uma noite de sono espetacular. Até o banheiro só foi visitado uma vez pela noite. Certo que dormi menos do que as oito horas desejadas. Fui deitar muito tarde. Mas passei bem.

E hoje com calma preparei minhas coisas para sair, com o tempo nublado, e a temperatura na casa dos 19°, em pleno verão. E fui de novo à Pastelaria O Moinho, já que é ótima e perto, com estacionamento bem em frente.

Pedi uma omelete mista e o tal travesseiro. Calma, não estou com sono novamente. É só o nome do doce típico da região, o mais famoso de uma doceria chamada Periquita. Eu estava determinada a não comer doces, mas minha amiga Maria me pediu que comesse um por ela. E já que tem dois dias que como quase nada e me esforço muito, achei que não faria mal. E a atendente disse que tinha o muito bom, o bom e o bom também, e escolheu para mim o muito bom, recheado de creme de ovos e amêndoas. Envolvido por a excelente massa folhada portuguesa, fina, crocante, sequinha. E o formato é o de um travesseiro. E bebi um galão, que consiste em um copo americano de café com leite, chamado de média, em São Paulo.

Marquei meu destino como Estação de Comboios de Sintra, com a intenção de deixar o carro no mesmo local, e caminhar o restante. Hoje o local de destino era mais próximo. Mas, não havia vaga e fui em frente, localizando uma vaga em frente a uma obra. Que pensei ser gratuita.

E lá fui eu, passando primeiro em frente ao bonito prédio da Câmara Municipal. 

E apesar do Google me indicar o caminho pela rua de baixo, um comerciante me disse que pela rua de cima era melhor. Evitava ter que subir uma escada chata no final. Então andei coisa de 1,5 km subindo até o Palácio Nacional de Sintra, edificação marcada por duas enormes torres cônicas pintadas de branco. Já havia passado em frente ontem, e imaginei do que se tratava. Lá chegando subi as escadas para a bilheteria e apresentei meu ingresso comprado antecipadamente pela Tiqets.

E lá vou eu para mais escadarias internas. Neste eu não poderia tirar a máscara nem nos jardins, porque são muito pequenos. E no mais, é semelhante aos demais castelos, com seus aposentos ricamente decorados, e os maravilhosos pisos e tetos. As salas deste levavam, na maior parte dos casos, o nome em referência à decoração do teto, tendo a sala dos Cisnes, das Pegas, das Sereias e outros.

As latrinas têm me chamado a atenção nestes dois últimos. Neste havia um sanitário e um bidê, e quando questionei o funcionário disse que são do século passado, então possuíam encanamento de água para a eliminação dos dejetos.

Fiquei maravilhada com um salão de abóbada oval dourada, com os brasões de todas as famílias nobres portuguesas (se não me engano, em número de 72), e cenas retratadas em azulejos em branco e azul, no padrão típico português, pelas diversas paredes. Chamado de Salão dos Brasões.

As escadas, internamente, em caracol de madeira, ou retas em mármore, ainda assim, muitas. Mas nem se comparam ao número e forma dos degraus do Castelo dos Mouros.

Gostei muito de ver um Leito de Aparato. Por si só ele já me chamou a atenção por sua beleza e riqueza, mas quando li a descrição e sua função, eu gostei ainda mais. Ele foi adquirido em 2016 para compor o acervo do Palácio, no entanto é uma peça que pertenceu à Casa Ducal de Cadaval. É o único exemplar da espécie em solo português e foi confeccionado em pau preto, ornado com prata. E não era um leito para dormir. Reflete o status social de seu proprietário e era colocado em local de destaque, coberto por tecidos nobres como o veludo, e usado em situações especiais como nascimento, casamento e morte. Ter uma cama só para se mostrar para a sociedade é de uma ostentação tremenda, não?

E por último, em ambos os Palácios eu adorei ver a cozinha. Neste ainda mais por causa das torres cônicas, tão impressionantes e pertencentes à cozinha, funcionando como coifas. E tinha uma estufa, um assador, com enormes barras de metal apoiadas em tripés. E panelas imensas sobre os compartimentos de lenha. Realmente, inspirador para quem gosta de cozinhar. Na minha família, minha mãe, filhas e eu sempre gostamos muito desta arte, umas com mais habilidades que outras, mas todas boas cozinheiras.

Já do lado de fora, uma gruta de banhos em afrescos de azulejos, com pequenos orifícios projetavam a água para os banhistas, tal como algumas duchas modernas.

Saí para o pequeno jardim, que circunda a casa, e de lá para a rua. A visitação só do jardim é gratuita. Mas também não acrescenta muita coisa. Já no Palácio da Pena, vale a pena, hahaha. Mas não é gratuito.

E num canto, no lado exterior, um tanque com a negra desenhada na parede. Retratos de uma época que, por mais que possamos desprezar, devemos respeitar enquanto história.

Eu programei algumas atividades ecológicas para hoje, e ir também até a Quinta da Regaleira, mas com o tempo ruim, achei melhor não fazer. E como a previsão do tempo para amanhã também não é boa, faço a Quinta e o Monserrate amanhã. O último dia na cidade.

Assim desci pela mesma rua, cumprimentando uma artista plástica com quem conversei um pouco ontem, amabilíssima. E um cantor destes que cantam em lugares públicos e estendem o chapéu. Já previa entrar num jardim que cobria a montanha, no lado direito da avenida, descendo para a Estação de Comboios.

E entrei no Jardim da Liberdade, para subir mais escadas e explorar o local, registrar algumas flores diferentes em fotos, e descobrir um rinque, onde devem ocorrer apresentações públicas, pois possui arquibancadas de pedras nos dois lados maiores do retângulo.

E tinha uma grande árvore que me convidou para foto, e consegui achar um muro para acomodar o celular.

Quando saí percebi que duas árvores altas de troncos grossos se posicionam alinhadas aos pilares do portão principal. Muito bonito. E só então percebi um homem na cabine de entrada. O que é bom. Alguém tem que saber quem entra e se sai.

Ainda era cedo para o almoço, já que tomei um bom café às 11 horas. Mas se eu voltasse para Colares sem almoço, passaria mais um dia mal alimentada. Fui até o carro deixar uma sacola de coisas que comprei pelo caminho. E já vi de longe um envelope. Droga! Mas aqui também é estacionamento pago? Bom, se for, espero que as condições sejam semelhantes às de ontem. Mas não eram. Como não havia pagado nada pelo estacionamento, eles consideram, adequadamente, que a pessoa se evadiu da despesa. Acho justo, mas muito obscura a demarcação dos locais. E obsoleta a forma de pagamento, já que as máquinas só aceitam moedas (que por acaso já tinha reservado cinco euros para esse fim), e as primeiras horas são mais baratas, mas quanto maior o tempo que o veículo ficará estacionado, o valor proporcional aumenta. Se aceitasse cartão já seria bem funcional. Se pudesse ser feito virtualmente, por aplicativos, melhor ainda. E tive que mandar um e-mail para o órgão regulador, com os dados pessoais, da Carteira de Habilitação e da moradia, além dos relativos ao auto de notícia. E isso para pagar o valor mínimo, que é de 30 euros. Brincadeira cara. E agora já sabem: não há vaga gratuita no centro de Sintra.

Bom, deixei para tomar as providências quando voltasse ao quarto, e já o fiz. E sosseguei. Vamos procurar um bom local para almoçar. Entrei no Restaurante dos Frangos, higienizei as mãos e fiquei esperando. O ambiente sombrio não me agrada, a não ser para refeições românticas. E ninguém veio me atender. Saí.

Logo adiante encontrei o Incomum, e olhei o menu do dia. O garçom veio logo me atender e perguntei se não atendiam a La Carte?

- Sim, temos várias opções.

- Ah. Que bom. E aceitam cartão?

- Sim.

- Então vou ficar.

- A senhora prefere dentro ou fora?

- Dentro, porque aqui fora é permitido fumar. Mesmo não tendo ninguém neste momento, é uma possibilidade.

E lá dentro o ambiente estava todo preparado conforme as novas recomendações de higiene. As mesas distantes, separadas por biombos de acrílico transparente, e em cada mesa um spray de álcool. Ele me ofereceu os diversos cardápios e se colocou à disposição para sugestões. E se afastou para que eu pudesse observar o cardápio.

Quando retornou, logo depois, eu já havia me decidido por uma carne com batata doce e legumes. E água, pois logo em seguida ia dirigir por aquelas estradas tortuosas. E eu sou responsável.

- Esqueci-me de perguntar o ponto da carne.

- Por favor, um ponto acima.

- Fique tranquila, não costuma vir com sangue. Mas vem vermelha por dentro.

- Eu prefiro que venha quase assada, pouco vermelha.

Enquanto eu esperava me foi oferecida, como cortesia, uma entrada. Uma flor, feita de rodelas de rabanete, com miolo de purê de batata doce e o estigma da flor era um pedaço de peixe cru, cortado bem fininho. E ainda havia uns galinhos verdes que me pareceram de aspargo trigueiro. Um encanto!

E não demorou quase nada para vir o prato principal. Dois grandes filés sobrepostos, e além da batata doce havia abóbora, abobrinha e tomate. E o molho estava divino. E o chef acertou direitinho o ponto da carne. Mas por mais saboroso que estivesse o prato, a comida era muita. E não consegui vencer toda, mas comi quase toda a carne.

Não posso de deixar de mostrar duas casas na rua do restaurante, paralela à rua da Estação de Comboios de Sintra, dado o charme de suas fachadas. Uma delas me pareceu ser uma pousada. 

E voltei feliz para Colares, mesmo me intrigando com o caminho diferente que o Maps me indicou. Cheguei até parar em um local e conferir se o destino estava correto. Mas estava. Contudo, acho que o caminho foi mais longo que o de ontem, para os mesmos pontos de partida e chegada.

Parei no mercado porque minhas provisões no frigobar já acabaram. E o moço do caixa já não estava com a máscara do sorriso de grandes dentes, da segunda-feira.

E cheguei por volta de 16h30 no Meu Canto, E hoje posso descansar um pouco da dura jornada de ontem.

Ah, encontrei a Delfina logo que cheguei à cidade hoje. Ela passou por mim e buzinou, acenando para mim. E como fui caminhando, a encontrei parada adiante. E conversamos um pouco. Contei o que fiz ontem e que fiquei com as pernas bambas. Ela disse, muito polida, que não teria aguentado. Que linda!