OSLO - BEM ESTAR E ALEGRIA

05/09/2019

Gostaria de dizer que não foi fácil para mim preparar este roteiro e, sempre conto com pesquisas em outros blogs de viagem. Dessa vez encontrei um bem detalhado, sensacional! E quero agradecer a Josiane Bravo do

https://umaturistanasnuvens.com/2018/10/18/roteiro-de-6-dias-na-noruega/

Seu planejamento foi essencial e determinante para que eu conseguisse preparar este roteiro. O resto agora é comigo.

A primeira parte se deu saindo de Beja às 8 horas da manhã do dia 04 de setembro, dia do aniversário de minha sobra, por sinal, com destino a Lisboa de ônibus, ou autocarro como eles gostam de dizer. Cheguei na estação 7 Rios às 10h30 e chamei um UBER para o aeroporto. Meu voo estava marcado para às 13h30 com a TAP, e já havia feito o check in on line e não levava bagagem de porão, só uma mala com 8 kg e a mochila com o notebook e duas blusas de frio. Saía de um verão com mais de 30 graus de temperatura para um verão de 15 graus. A viagem deve durar 20 dias e os 8 quilos de bagagem terão que ser suficientes.

Nesta viagem algo bem diferente está acontecendo. Estou acompanhada. A Elizabeth, brasileira, morava em Brasília e já está há um ano em Portugal com o mesmo tipo de visto de residência que eu, o de aposentada. Me achou num grupo do Facebook chamado Visto de Residência D-7, de pessoas que viveram ou vivem as mesmas dificuldades que nós vivemos na preparação da documentação no Brasil e aqui em Portugal para pedido da residência. Pediu contato e me contou que já tinha lido meu blog e algumas informações que achoe em meu perfil do Face, perguntando quando e para onde eu iria fazer a próxima viagem, e decidiu fazê-la comigo. Confesso que no início achei bem estranho e fiquei até um tanto temerosa. No entanto, quem me conhece sabe o quanto sou crente e otimista. Pensei que, se fosse para acontecer, algum motivo teríamos para este encontro e deixei nas mãos de Deus.

Dois dias antes da viagem ela já avia conseguido comprar todas as passagens aéreas e fazer algumas reservas de hospedagem baseadas no roteiro que passei para ela via What's App. E combinamos que a primeira que chegasse ao aeroporto mandaria mensagem para a outra dizendo onde estava. 

Quando cheguei ao aeroporto e liguei os dados móveis do celular entrou uma mensagem dela dizendo para ir direto para o portão de embarque porque havia uma fila enorme na triagem. Assim o fiz. Tentei ligar para ela mas a ligação foi interrompida. Fui comer um pedaço de pizza Hut do menu Kids, após a triagem e ainda não nos encontramos. O portão de embarque só foi definido às 12h40. Segui para o portão 23 da zona S do Terminal 1 e ainda não a encontrara. Mandei nova mensagem dizendo que o embarque iniciaria em 15 minutos e ela devolveu dizendo que lá estava. Assim que nos conhecemos e menos de uma hora depois seguíamos, em bancos separados conforme escolhidos pela companhia (assentos marcados ficam mais caros), eu no 28 C e ela no 35 F. 

O voo foi espetacular, tanto a decolagem mas, principalmente a aterrizagem foram excelentes. Nem senti o toque das rodas no calçamento do aeroporto de Oslo. O serviço de bordo também foi atencioso e a comida boa, tendo como bebidas água, refrigerantes, sucos, chá, café e vinho. Penso  que seja uma estratégia devida a livre concorrência e à necessidade de agradar o cliente para conquistá-lo.

Já havia me programado para tomar um trem para a Estação Central de onde caminharíamos um pouco mais de 2 quilômetros até o Anker Apartement Hostel. Mas a aterrizagem foi embaixo de chuva torrencial, e apesar de ser possível pegar o trem previsto, a caminhada ficou prejudicada.

A Noruega tem a fama de trocar de lugar com os outros países da Escandinávia no ranking dos países onde a população é mais feliz.  Pois, fomos andando sem ter que passar por nenhuma alfândega de ingresso. Imagino que os voos que aqui chegam venham sempre de algum país da União Européia. Até estranhamos a facilidade. 

Estávamos andando com cara de paisagem procurando a estação de trem e quando achamos vi os que o bilhete deveria ser comprado em umas máquinas. E do nada surgiu uma simpática mocinha oferecendo ajuda. Este é o serviço dela, e muito bem feito. Conseguiu entender o meu parco inglês e ajudar-nos com a compra da passagem para o trem expresso, por 196 coroas norueguesas (NOK), já que a Noruega não integra a Comunidade.

Duas paradas e chegamos ao nosso destino intermediário. A Estação Central já estava toda iluminada, já eram 19 horas, considerando o fuso uma hora adiantado em relação a Portugal e cinco horas em relação ao Brasil. E que beleza. Inclusive as pessoas que rodeavam as mesas aquecidas por fogueiras nas pedras, bebendo e jogando conversa fora. 

Em uma lanchonete solicitamos um lanche grande que foi repartido pela atendente e satisfatório para nossa pequena fome. A atendente falava um pouco de espanhol e isso foi de grande ajuda. Pedimos também café e foi-nos servido um balde cada uma, bem no padrão americano, porém um pouco mais forte. E bem quente.

Como a chuva continuava decidimos por terminar a viagem ao hotel usando o transporte altamente não recomendado em função dos preços, e pagamos 272 NOK para uma viagem de pouco mais que 3 km. Algo em torno de 27 euros ou 130 reais. Dividimos as despesas. 

O Hostel é enorme e ficamos no mesmo quarto no primeiro de 7 andares, em um quarto amplo com 15 beliches. Aqui observei, no hostel e em outros estabelecimentos, a adoção do banheiro unissex, mas eles também têm banheiros femininos e masculinos para quem não compactua com a liberdade de escolha de gênero. O quarto é misto então não vejo porque o banheiro também não o seja.

Minha noite não foi das melhores, com tanta gente silenciosa no quarto acordava constantemente com receio de estar a perturbar os demais com meus ruídos noturnos, e a porta era constantemente aberta para entrada e saída de pessoas até por volta de 2 horas da manhã. Pouco depois da meia noite fui usar o banheiro e esqueci meu cartão chave no quarto. Na hora que estava saindo ainda pensei: " Vou deixar a porta só encostada porque me parece que ela tranca ao bater." Santa inocência. No tempo que permaneci no banheiro mais algumas pessoas devem ter passado por ela e quando voltei do banheiro, fiquei presa para fora do quarto. Por mais de 15 minutos, até alguém sair e eu aproveitar a 'deixa', como nos filmes...

Às 5h20 nova ida ao banheiro, mas desta vez com o cartão, e às 7 horas estava levantando. Hoje será praticamente o único dia para visitar Oslo já que amanhã partirei num circuito turístico muito conhecido por aqui, denominado Norway in a Nutshell. Assim vou atravessar a Noruega sentido leste, passando por suas diversas paisagens , usando trem, barco e ônibus até chegar à cidade de Bergen.

A Elizabeth não conseguiu comprar este bilhete pela internet como eu fiz, então saímos do hostel antes do horário que programei para os passeios e voltamos a Estação Central. Ficou esclarecido porque ela não conseguiu, já não havia mais para o horário que eu sairei: 12h03.

Lá conversamos primeiro com a Katie, em espanhol, e depois, quando finalmente decidimos o que fazer, com a Leonor, uma portuguesa que já vive em Oslo há dois anos. Fala fluentemente português, francês, inglês, sueco e arranha o espanhol. Optamos por ela sair no trem das 6h25 de amanhã e esperar-me em Flan, uma parada intermediária que eu havia planejado. E dia 07 às 11h da manhã seguimos juntas, inicialmente de barco pelos famosos fiordes noruegueses, até atingir nosso destino final, Bergen.

Ainda andamos pela estação para estudar o local de saída de nosso trem amanhã e depois iniciamos nosso tour a pé pelo centro da cidade de Oslo. Os pontos por mim planejados já estavam devidamente estudados para um melhor aproveitamento do tempo e do espaço. 

O primeiro destino foi a Catedral de Oslo, e sempre tenho novas e boas impressões destas construções.  Ela chama a atenção por seu exterior em tijolo norueguês, construída no final do século XVII, e em seu interior a ausência de imagens, vários vitrais, a pintura do teto e os órgãos. Aquele teto, é difícil parar de olhar e admirar.

Mas muitos dos prédios no entorno são de estilo admirável, com características próprias de países que nevam e têm muito frio. Os ambientes internos são quentes e é possível permanecer em mangas de camisa. Hoje, no sol também consegui tirar o agasalho. E as ruas são muito limpas e coloridas por arbustos, árvores e flores.

O próximo destino foi o Parlamento, e em sua frente encontramos vários grupos de turistas, inclusive escolares. Ali tinha uma grande praça, com chafarizes e estátuas.

O trânsito parece tranquilo e sem muito movimento. Tem vários tipos de condução, bondes e trens elétricos, metro, trens urbanos e interurbanos, e muitas bicicletas. E todos parecem passar por este pedaço bem central da cidade.

O próximo destino é o Teatro Nacional, com uma frente bonita, mas em um grande e imponente prédio. Não sei se estes edifícios são abertos a visitação, até gostaria muito de vê-los internamente mas já sabia que o tempo não seria suficiente.

O senso de direção da Elizabeth é melhor que o meu, mas ela não fala nadinha de outro idioma que não o português, é bastante observadora também e tem uma boa base cultural que faz dela uma companhia agradável. É também divertida e já rimos de algumas situações em que nos colocamos ou de assuntos tratados. Ela deixou bem claro que deseja acompanhar-me sem atrapalhar minha programação o que, para mim, é fundamental para uma boa convivência. A liberdade de ir e vir a meu bel prazer. 

Sua presença já contribuiu em alguns bons acréscimos ao meu planejamento. Viu uma flor negra em arranjos dos vasos nas ruas. E comentou da exposição do Munch, pintor Norueguês do qual possui profunda admiração e possui um Museu com seu nome e suas obras. Sua mais importante e conhecida obra denominada O Grito costuma estar exposta no Museu Nacional porém, como este está em reforma o quadro foi transferido para o Museu Munch e permanece até 08 de setembro, quando todo o acervo passa ao Museu Nacional para a preparação de uma nova exposição. 

Ainda restava na minha programação uma visita ao Palácio Real e presenciar a troca da guarda às 13h30. Chegamos antes, vimos um pequeno movimento de troca de guardas. 

E fomos procurar um lugar para almoçar. Escolhemos um que vendia tacos, pela facilidade das mesas ao ar livre e do atendimento em si. Eu pedi um com recheio de camarão e ela de porco. O café da manhã foi composto por dois rolinhos primavera de vegetal comprados no mercado ao lado do hostel e um café com leite. Tomamos uma gasosa cada uma e de repente ouvimos música de banda marcial. 

A Elizabeth que estava melhor posicionada já avisou-me para pegar o celular que lá vinha a guarda real. Eles passam pelo corredor central da praça e vão em marcha, inclusive com a presença de alguns cavaleiros, em direção ao Palácio. Olhando o relógio vi que tratava-se da principal troca de guardas do dia. 

Pagamos apressadamente a conta e andamos a passos largos, chegando resfolegantes ao largo em frente ao Palácio. Fomos posicionados por duas cavaleiras que ficavam aguardando e nós não sabíamos o que já que a guarda já havia feito a troca e posicionava-se ao lado do prédio.

Achei um charme o cavalo descansando a pata. E reparem nas fotos anteriores que ele tem toquinha que protege as orelhas.

Pouco depois dois carros oficiais conduzindo a realeza passa por nós. A Elizabeth disse que ainda viu o aceno da rainha.

No caminho entre a Estação Central ainda vimos um prédio que tinha aprência de Universidade e um outro, com os tijolos noruegueses, que abriga o Hard Rock Café. 

E flores, muitas flores.

Retornamos à Estação Central para tomar informações sobre a localização e a forma de acesso ao Museu do Munch, cambiar dinheiro e comprar na 7Eleven mais passes para a condução, no valor de 36 NOK a passagem. 

E foi a hora certa de pegar o metro, ser auxiliada por dois belos cavalheiros loiros de olhos azuis, um dizendo que a condução estava errada e outro dizendo que ia descer na estação no Museu do Munch. Independente disso os dois mereceram nossos agradecimentos, só por nos darem a atenção com aqueles lindos olhos azuis.

Quando desci e mostrei o mapa indiquei o lugar errado, um parque onde tem a ponte onde o O Grito foi pintado. E ele nos disse que teríamos que tomar outra condução. A Elizabeth percebendo meu erro corrigiu-me e assim fomos conduzidas alegremente até praticamente a porta do Museu. Pedi para a Elizabeth representar a sua obra preferida.

A entrada ficou em 120 NOK e tive que deixar minha mochila novamente num destes armários que seguimos as instruções para inserir uma senha. Mas desta vez pedi ajuda e deu tudo certo. 

A exposição é composta de um lado por um filme com várias cenas que nos dão um panorama geral da loucura e genialidade do pintor, e do outro lado os quadros impressionam pelas cores, e pela forma de descrever algumas sensações da natureza humana diante das cruezas da vida.

E a obra por mim e pela maioria das pessoas conhecida:

Tivemos até um interlóquio com um dos seguranças que falou-nos dos bons tempos do futebol brasileiro e da atuação star movie do Neimar, e ganhou uma pequena demonstração de samba no pé de minha companheira.

Pedimos confirmação do local de ponto de ônibus para a vendedora da loja anexa ao museu já que o número do ônibus, 20, já era de nosso conhecimento. Estou conseguindo formar frases um pouco maiores e me fazendo entender. 

Chegamos no ponto junto com o ônibus. A vendedora me deu um papel com o nome da parada já que eu não conseguia ler no mapa, nem com o óculos. Decidi ir perguntar ao motorista já que ele só parava quando solicitado. E quando mostrei a ele sua resposta foi:

_ " Next."

Devo ou não me sentir abençoada e protegida?

Além de tudo, um dia que previa chuvas após às 14 horas, só pegamos umas gotinhas rápidas que nem molhavam, e um delicioso e aproveitável dia. Gratidão!

Dali para o hostel foi um pulinho. Já verificamos onde temos que tomar o ônibus amanhã e o horário de cada uma.  Ela terá que levantar às 4h30 para tomar o ônibus das 5h15. 

Depois compramos pão, suco, salada e patê para um lanche de jantar , jantamos e subimos para banhar-nos e preparar as coisas para o dia de amanhã. 

Quase todo mundo no quarto saiu, e hoje tem um brasileiro na cama ao lado da minha, um garoto do Rio Grande do Sul que veio para jogar futebol num time sueco, mas resolveu retornar ao Brasil, fazendo primeiro um tour por aqui, pois disse que financeiramente não compensava.

Na cama superior do beliche ao lado da cama da Beth, um moço do Nepal, atrapalhado e mal-educado, apesar de bonzinho. A educação até me pareceu traço cultural. Fez uma bagunça com suas coisas, desligou da tomada o aparelho de outra pessoa que não estava no quarto, depois derramou água na cama do mesmo, e de manhã ligou a luz na cara do povo antes das 8h da manhã. Está indo para Portugal, vai casar-se e morar lá.

Não vou conseguir postar as fotos hoje, assim a publicação deste post ficará para amanhã. Já é tarde e a luz do quarto está apagada. Boa noite!