Ontem 2019, hoje 2020 no Funchal – ILHA DA MADEIRA

01/01/2020

Não tenho disposição de levantar cedo quando não tenho nenhum compromisso agendado. E deixo meu corpo descansar o quanto ele pede. São as maravilhas de se estar aposentada e de se permitir. Lógico que como todas as escolhas da vida, traz suas consequências, positivas e negativas. As positivas eu já falei, porque são elas que me movem. As negativas são que fico sem o café da manhã do hotel. E nem sempre dá tempo de limparem meu quarto. Mas não foi este o caso. Então, acho que sai no lucro.

Voltei à Galeria onde comi pizza ontem à noite. Fica aqui perto e tem uma cafeteria que me pareceu muito boa. Então vou fazer de novo o pequeno almoço, como diriam aqui. Uma tosta mista, um suco de laranja, um bule de chá e um bolo de chocolate. Uau! E volto para o hotel, fazer um pouco de nada, mandar e receber mensagens dos amigos e familiares, escrever, assistir a série Velvet em espanhol... Até a hora do jantar.

Me pus confortável, tirei umas fotos antes que o vento me desfaça e sai.

Desci mais cedo, de UBER, antes que escurecesse, para ver os navios na Marina, e caminhei para cá e para lá, na Orla, já movimentada.

O jantar foi agendado pelo Antonio, ao meu pedido, no restaurante Estrela do Mar. Muito bom também! O Novo Ano traz um cardápio especial, mas quem preferir pode escolher no Menu. Eu optei pelo cardápio de Réveillon, com pão no couvert, e frutas com presunto serrano. Surpresa! Veio manga, que não gosto, e Kiwi. Mas a manga não tinha o aroma, que me incomoda, e estava muito saborosa. E combinou perfeitamente com o presunto, melhor que o Kiwi.

Resolvi que será um ano de novos experimentos, então pedi Polvo a Lagareiro como prato principal. Não aprecio o polvo por sua aparência também, e está na hora de eliminar o preconceitos. Definitivamente! A apresentação do prato é impecável. Mas os tentáculos do polvo, ali enrolados, não são nada animadores. Mas enfrente suas escolhas... E, surpresa! Um tentáculo tentador. Regado no azeite, entre as verduras/legumes recebi batatas, brócolis e cenouras, que aprecio mais cruas, mas que estavam as mais saborosas do prato. E as fatias de alho eu apartei. Bom no sabor, saudáveis, mas não devo me exceder.

O espumante estava incluído no cardápio, e pedi uma água e outro espumante que caiu bem com a data e os alimentos.

E a sobremesa era surpresa. Um cheesecake sobre flocos de cereais no mel, coberto de ganache de goiaba. Muito delicioso.

O restaurante estava lotado. A maior parte das mesas com reserva. Só achei muito cedo o horário que me sugeriram para o início. Às 19h30. Estando sozinha, por mais que eu tenha comido devagar e atentamente, às 21 horas eu estava pronta para partir, sem café e sem digestivo, que estavam incluídos no menu mas que, um me tiraria o sono da madrugada e o outro talvez me tirasse o equilíbrio mental.

Estava de sapatilha e pude caminhar tranquilamente até a Catedral da Sé, que se encontrava fechada. Mas sentei-me ali perto e fui observando as pessoas chegando e ocupando os espaços na Praça do Povo. Chegavam em grupos familiares, principalmente, todos em elegantes trajes. Mulheres no Brilho e salto alto. Homens de terno e gravata, ou no mínimo, em mangas de camisa. Alguns paravam para comprar algo para comer ou beber, outros o traziam de casa. Mas o som era só o de vozes e um tum, tum distante, talvez de algum lugar com música. E uma corneta, que tocava de instante em instante, mas penso ser de um brinquedo do Parque de Diversões.

Às 22h30 me pus a caminhar para achar o melhor 'sítio' para observar a queima de fogos. Voltei em direção ao teleférico e parei num avanço ao mar no portão 2 do Cais da Ribeira. A parte murada já estava toda tomada. Parei na parte central, avançando para o mar. E pouco a pouco o local foi enchendo. Por volta de 23 horas um pipocar de fogos foi acontecendo em alguns locais na cidade, o tal anfiteatro, que daquele ponto ficava bem fácil entender o porque.

Com as casas e ruas iluminadas com cordões de lâmpadas, parece um grande presépio. E no mar, acredito que umas 50 mil pessoas apreciavam todo este cenário à partir dos Navios de Cruzeiro ali ancorados.

Nos dois cantos da baía, letreiros iluminados com o ano de 2019. Faltando menos de dois minutos para meia noite, as luzes da Praça do Povo se apagaram e ouve uma exclamação geral: Óóoo!!!

Instantes depois iniciaram a queima de fogos, e ela acontece em terra. Por todo o semicírculo que é a cidade de Funchal, sendo as pontas os locais de destaque. E todo mundo rodando para captar as imagens com os olhos ou com os celulares. Em admiração silenciosa. No finalzinho, param os fogos de luzes e iniciam os rojões, num pipocar único que provoca nova onda de exclamações. E aí, as pessoas ali presentes trocam rápidos cumprimentos entre seus conhecidos, ali reunidos. Tão rápidos que, somados, representam o tempo de um único abraço em um ente ou amigo querido que trocamos aí, no nosso efusivo e sentimental Brasil.

Bateu-me uma profunda saudade, que me tirou da rigidez emocional a que me impus nestes últimos dias. E um único senhor que estava perto de mim durante a queima de fogos, se fez notar por meus olhos, esticando dua cabeça ao me cumprimentar:

_ " Feliz Ano Novo."

_ " Feliz Ano novo para o senhor também", e duas lágrimas ligeiras surgiram nos cantos de meus olhos, e foram rapidamente recolhidas, com um suspiro e um: "força, já passou".

Do mesmo jeito que chegaram, elegantes, disciplinados, porém um tanto frios ou quem sabe, ausentes, o povo fi se retirando e se dirigindo para suas casas. Fui seguindo a multidão, em seu ritmo desacelerado, de quem entra com calma no Novo Ano. E caminhei os meus quase 3 km até o hotel.

Cheguei por volta de uma da manhã, e à 1h30 já estava dormindo.

Nem por isso levantei-me cedo. Já eram quase 11horas e perdi novamente o café da manhã.

Mas como tenho um Concerto de Cordas, logo mais às 18 horas, vou direto ao almoço.

Vi uma marisqueira que muito me agradou aqui bem perto, e estarão abertos para o almoço. Cheguei passando um pouco de meio dia.

E pedi o bolo do caco com manteiga de alho para começar. Já que está substituindo o café da manhã, não vou tomar vinho. Peço então um suco de abacaxi. Isso sim é quase um milagre em terras de vinho e água. Um creme de lagosta. Gostoso, mas que tinha muita pimenta para um desjejum.

E carne de boi, para variar, num filé à Diana, preparado com um molho de cogumelos, tomates, cebolas, tudo muito picadinho e saboroso. E acompanhado de legumes no vapor (brócolis, cenouras e vagem), milhos fritos (nome dado a uma polenta de farinha de milho branco, frita) e batatas fritas. Era tanta coisa que pedi que levasse de volta as batatas, e comi alguns milhos e um pouco de vagem.

Mas as sobremesas deste local são sensacionais de se ver, então pedi uma para viagem, e comerei antes do concerto. E terminei com um delicioso café.

A conta ficou em 45 euros. A do jantar ficou em 63, ambas já contando as gorjetas. E os valores são um pouco altos sim, mas compatíveis com as datas festivas. No Brasil não estaria pagando menos de 40 euros por pessoa nas ceias e almoços de Natal e Réveillon, equivalentes, é claro.

Não tiro os olhos do meu bolo.

Depois de um breve descanso em meu quarto, falar com mãe e filhas pelo telefone, chegou a hora de sair em busca do Vidamar Hotel e Resort para assistir ao OBM - Concerto de Natal com a Orquestra de Bandolins da Madeira. Comprei antecipadamente pela Ticket.

Quando fui verificar o endereço do hotel na internet vi o preço de sua diária, mínima, certamente. Duas diárias lá pagam meus 20 dias de hospedagem no Melba e ainda sobra dinheiro para as ceias de Ano Novo e o almoço do Primeiro de Ano. Então tá.

Cheguei uns 10 minutos antes de começar e sentei-me na sexta fila. Os lugares não eram marcados, mas, apesar de estar já bem cheio, aos demais a preferência foi pelas poltronas do fundo.

As autoridades sentaram-se nas filas 3 e 4, e chegaram depois de mim, o que me deu a oportunidade de observar o comportamento. Aqui o hábito de cumprimento entre mulheres, ou homem e mulher, é com dois beijinhos no rosto, como em alguns estados brasileiros. Nós, os paulistas, somos mais econômicos, cumprimentando com um só beijinho.

O show começou com a apresentação solo numa viola de um rapaz que me pareceu um virtuoso. Digo isso porque em sua atuação posterior, junto aos demais membros da orquestra, me encantava sua manifestação corporal. Penso que podia ser o maestro, onde a banda acompanharia o movimento de sua cabeça e corpo para saber o compasso.

Havia ainda um tenor e uma soprano, desculpem-me falhar com os nomes, só sei os sobrenomes: Sousa. O tenor tinha uma voz poderosíssima. Mantinha-se afastado do microfone para não estourar nossos tímpanos. Penso até que ele poderia cantar sem uso deste acessório que seria suficiente neste teatro de 400 lugares. A cantora também maravilhosa, além de muito simpática e envolvente. Senti que ela tem uma facilidade de entrosamento com o público. E se dirigiam ao público mais em inglês do que em português, e pela resposta do público, eram, na maioria, de estrangeiros.

Não recebi o programa, não entendi o porquê. Acho que, ao entrar, ao perguntar se tinha lugar marcado, o rapaz me disse que poderia sentar até no palco, e tocar com eles.

_ " Tocar eu não sei, mas se puder dançar, irei ao placo."

_ " Está contratada então."

E se esqueceu de entregar-me a programação.

Mas a maioria das músicas são peças bastante conhecidas, em inglês, francês e principalmente, em italiano. E algumas múicas foram acompanhadas de palmas ritmadas, da plateia. As duas últimas foram com participação da plateia, repetindo algumas estrofes ou com lalala. E a apresentação foi um sucesso, aplaudida veementemente. E eu filmei duas músicas, aleatoriamente, para mostrar-vos a atuação dos cantores e músicos, especialmente do garoto violeiro e da moça do banjo, ou algo parecido. Vejam os vídeos no Facebook (Meyre Lessa).

E voltei para o hotel com a quota de músicas atualizada, já que faltaram na virada do ano.

E amanhã tenho passeio de barco. Até lá.