O que o ALGARVE tem? Tem Lagos, tem. Tem Alvor, tem. Tem Portimão, tem. Tem Carvoeiro, também tem. E muito mais!

19/01/2020

Quando acordei, às 9h40 e vi que se confirmava a previsão de sol, não teve preguiça que me segurasse mais na cama. Fiz tudo igual e saí uma hora antes.

Conferi no mapa e vou ter que voltas a Lagos. Dizem que lá está a Praia mais bonita de todo o Algarve. E eu não vou vê-la? E com sol. São 57 km até Ponta da Piedade, que está pertinho da Praia Dona Ana, a tal bonitona.

O caminho foi o mesmo de ida que usei ontem, mas fui muito além. E, conhecendo, sem chuva, pelo contrário, com sol, vi muitas coisas que ontem não pude observar. Ontem já tinha apreciado as muitas rotatórias, com motivos tão diferentes e chamativos em cada uma delas. Mas consegui ver as florezinhas amarelas, destacadas contra o verde, hoje brilhante. E diferente das campinas de Beja, aqui aparecem em pequenas elevações, sendo o efeito mais espetacular.

Estava já chegando à Ponta da Piedade e vi a oportunidade de parar e tirar uma foto. Sei que, certamente não é o mesmo que ver ao vivo e a cores, mas é só para lhes dar uma ideia.

Logo à frente, junto ao mar, na maravilhosa Ponta da Piedade, tinham muito mais delas. Um lindo contraste com o mar como pano de fundo.

E achei o local das belíssimas fotos que vemos na internet quando se fala em Lagos, ou mesmo Algarve. São formações rochosas e grutas, com o mar entre azul e verde, em diversas tonalidades. Não é local para banho, mas é possível fazer passeios de barco pelas grutas.

Havia uma escada para chegar ao nível do mar, mas eu não quis descer. Hoje estou correndo contra o relógio. As poucas horas de sol e "calor" (de dia fica entre 13 e 16 graus, mas com muito vento), fazem com que eu tenha que me empenhar para conseguir ver tudo que planejei.

Hoje eu focalizei as praias como destinos. E não me arrependi!

A Praia Dona Ana estava a 4 minutos em caminho de retorno. Meu trajeto, nos dois dias, foi assim. Vou ao extremo mais distante e parando no retorno.

E entendi porque a tal Dona Ana é considerada a mais bonita. Não vi as demais, mas esta tem uma longa faixa de areia, com várias rochas como ilhotas, e o colorido das águas impressionam. É possível, com certeza, caminhar por toda a praia, preguiçosamente, e a cada vez que fitar o horizonte, vai se surpreender com uma nova paisagem.

E eu vi uma paisagem conhecida. E logo depois, passando de carro eu confirmei. Estava passando pela Avenida dos Descobrimentos e em frente ao Castelo e muralhas e Mercado de Lagos. Ou seja, eu estava sobre o morro que tem as grutas na base.

Dali eu segui para Alvor, e sabia que havia um passadiço. Mas não costumo explorar as imagens dos locais que programo visitar. Gosto de ser surpreendida. Só procuro as indicações de outros turistas usando a pergunta: 'O quer fazer em ...?', nos sites de busca.

Parei num estacionamento e o Google Maps me dizia que faltava 450 metros para meu destino. Sim. Porque o restante tinha que ser percorrido no Passadiço de Alvor. O percurso completo é bem longo, e ele liga a Praia dos Três Irmãos à Ria de Alvor.

Eu iniciei na Marina de Pescadores e fiz a parte da Ria, passando por o que chamam de sapais, e pequenas dunas. Impressionante é que, com tanta água em volta, a vegetação é rasteira sobre a areia.

O percurso total do Passadiço é de 6 km. Eu acredito que fiz um pouco mais de 2 km e voltei pelo mesmo caminho. No caminho passei por lagoas e rio. Avistei muitos cachorros passeando com seus donos. E flagrei dois, em particular, logo após entrarem na água de uma das lagoas e se divertirem muito nadando.

Eles estavam com seus donos, um casal de estrangeiros, e havia mais um cão mais velho, creio, e mais sossegado. Uma bola de tênis os acompanhava. E, em dado momento, a bola estava no caminho e os dois parados, olhando de rabo de olho enquanto eu me aproximava. Entendi que esperavam que eu lançasse a bola. Dei um chute certeiro e saíram ambos na carreira. Fizeram isso duas vezes.

Ainda acompanhei o insistente voo de um pequeno pássaro, que devia estar querendo retornar a casa, mas estava contra o vento, e não havia o que fizesse para avançar. Mas ele não desistia. Uma lição de vida.

E ainda tentei tirar fotos de outras duas espécies de pássaros que estavam pousados em galhos próximos. Vamos tentar vê-los nas fotos abaixo.

Parece que o domingo é dia das famílias explorarem o local. Eu vi pais com crianças, em suas bicicletas ou nos carrinhos de bebê, idosos com bengalas e até cadeiras de roda, jovens, andando devagar, alguns solitários, até introspectivos. Mas todos explorando o plano passadiço, que permite o contato com a natureza e consigo mesmo.

Quando passei na volta pelo rio, os cachorros ainda brincavam na água, e seu dono chamava um deles para que fosse buscar a bola, que já estava do lado oposto da ponte, carregada pelo rio. Os cachorros obedeceram ao comando, e o mais impressionante, localizaram a bola. Foi engraçado.

Os próximos destinos foram em Portimão. A Praia dos Três Castelos, O Miradouro com o mesmo nome, a Praia da Rocha e a Fortaleza de Santa Catarina.

Eu já estava com fome e precisando de banheiro, mas em Alvor não vi nada que pudesse resolver nenhum dos dois problemas.

Mas, Portimão estava logo ali. E, de repente estava passando por uma rotatória quando vi uma placa indicando a Praia dos Três Castelos, e rapidamente embiquei o carro no estacionamento. Encontrei uma vaga distinta, mas o carro é pequeno. Mal parei e uma mulher usou uma vaga apertada que me deixava em situação de testar minhas habilidades de motorista.

Um calçadão conduz aos mirantes e às escadas que levam até a praia. E em vários pontos eu pude comprovar a beleza do local. Muito bem, esta praia também tem uma extensa faixa de areia, até maior que a da Dona Ana, e com muitas ilhotas preciosas. Talvez a palheta de cores do mar fosse menos farta. Não sei. Julguem vocês.

Do lado direito o mar, do esquerdo, hotéis, edifícios de apartamentos, restaurantes, muitos, mas todos fechados. Andei uma grande extensão até achar uns 3 restaurantes, juntos, abertos. Fui ao do Humberto. Tinha um Menu Turístico por 12,90 euros, incluindo entrada, prato principal e sobremesa. Comi uma salada de mariscos, que estava gostosa mas que de mariscos só tinha três camarões. E o prato principal foi peixe frito, com legumes no vapor. Bem satisfatório, e com comida até demais. Não consegui comer tudo. E mousse de chocolate como sobremesa. Tomei ainda um sumo de laranja e um café, que elevou a conta aos 16,90 euros, fora a gorjeta.

Já ia retornando ao carro quando vi no mapa um Mirante que não tinha entrado em minha lista. Ele leva o nome da Praia, mas está entre a Praia dos Três Castelos e a Praia da Rocha. Achei estranho o nome da segunda porque nessa só tem um areião. Ou serão aquelas duas pequenas rochas na areia que provocaram o nome?

Voltei ao carro. Fiz minhas manobras com eficiência e eficácia e sai do estacionamento de ré. Lindamente! E fui para a Fortaleza de Santa Catarina. Ela está na extremidade oposta da Praia da Rocha, e pude ver a encosta onde está o mirante.

A Fortaleza tinha um monte de degraus (97) e fiquei em dúvida se devia subir. Mas subi. E foi bom, pois avistei a Marina. De outra forma teria que fazer um caminho a pé que não estava nos meus planos. E ia ficar sem ser vista.

Já eram mais de 16 horas e eu estava me encaminhando para os destinos finais, de onde eu queria observar o por do sol. Carvoeiro.

Constava uma Lagoa do Carvoeiro, que vi numa placa, e quis chegar até lá antes de ir até a Praia. O Google indicou uma virada à direita, e fui entrando num bairro industrial. E cheguei numa rua sem saída. Religuei os dados móveis para ele traçar novo caminho. E mais a frente voltei para a mesma estrada. E teria que virar de novo à direita. Mas aí consegui ver que logo a seguida tinha que entrar numa estradinha com alerta de atenção, pois apesar de ser de mão dupla, só passava um carro por vez. E até bem sinuosa. Em dados momentos eu buzinava para não dar de encontro com ninguém em má circunstância. Eu me divirto. Que lugarzinho espetacular. Vi uma mandada de cabritos... E uma cabra com o úbere bem cheio sendo conduzida pelo pastor. E a via férrea logo ali ao lado. E de novo tive que virar à esquerda. Dessa vez vi que era uma estrada de terra, estreita, onde também só passava um carro. Mas o destino estava próximo. E... Dei de cara com dois portões fechados no fim da estrada. Não sei bem se a lagoa é em local particular ou não coloquei o local certo, mas tive que retornar o pedaço de terra e seguir adiante até a Praia do Carvoeiro.

Pequenina, entre montanhas. Parei o carro e enquanto caminhava até ela vi um mini mercado aberto. Resolvi perguntar o orário de funcionamento pois seria apropriado para comprar água e complemento do café da manhã de amanhã. O sol se põe às 17h40 e o mercado fecha às 18 horas. Beleza!

Mas a praia era ali mesmo. E ainda eram 17h10. Meti o tênis na areia, dei uma conferida no local, vi que o sol estava visível e resolvi voltar ao mercado.

Comprei uma água pequena, queijo, bolacha e chocolate. Coloquei no carro e ainda era cedo.

Uma padaria para matar o tempo e a gula? E tem bolos... Humm.

_ " Por favor, um pedaço deste bolo de chocolate com frutas silvestre e uma meia de leite."

O moço serviu-me o bolo.

_ " Nossa! Que pedação!"

Comecei a comê-lo antes que chegasse a média. E não é que estava bom. A massa estava um pouco seca, mas como recheio e cobertura estavam úmidos e em quantidade generosa, estava equilibrado. Não consegui comer o bolo todo. E olha que isso é uma raridade.

_ " Quanto deu?"

_ " Três euros."

Levantei três dedos e disse:

_ " Três."

Ele assentiu.

Daí comentei do 3 e do 6 no Brasil. Como dizemos treis, fica parecido com seis, e assim acostumamos a chamar o seis de meia. Aqui eles não entendem o que é meia. Com exceção dos que estão acostumados com os brasileiros.

_ " Ah, mas seis por estas coisinhas de nada, seria muito caro", disse ele.

_ " Depende."

_ " Talvez, nestes lugares elegantes, com luz amarela para dar um clima... mas aqui, logo se vê que é um local simples."

_ " Pode até ser, mas vou te dizer que foi o melhor bolo que comi nos últimos 8 meses."

E ele sorriu satisfeito.

Bom, deixe-me ir andando pois agora já está quase na hora do sol se por.

E ele estava ainda alto, e já eram 17h30. Faltavam apenas 15 minutos para que ele se escondesse por completo. E num instante ele foi baixando. E resolvi gravar os últimos 3 minutos. E fiquei pensando: ' Que rápido. Parece que neste momento ele resolve correr. Mas não. O período que ele cruza o céu, aqui, durante o inverno, de dez horas, demonstra que é um longo percurso. E a velocidade com que ele se põe mostra-nos que é realmente muito veloz. Bendita a natureza que faz com que todo esse movimento giratório não seja por nós sentido ( o vídeo está no Facebook = Meyre Lessa, junto com umas fotos panorâmicas).

E ainda tinha o Algar seco para visitar, mas como vai escurecer rápido, e o hotel ainda está a uns 40 minutos de distância, não vou arriscar.

No caminho de volta estava torcendo para não ter que passar por todos aqueles estreitos. E não passei. Mas uma perdida de entrada me fez passar por uns locais meio ermos. E deu um 'medinho'. Não pelo lugar em si, mas por ser um local desconhecido e de repente me ver numa estradinha estreita e tortuosa, na completa escuridão. Mas daí pensei: 'no escuro os carros veem a luz do farol de longe", e sosseguei.

E assim termina minha passagem pelo Algarve, amanhã saio às 11 horas do hotel rumo ao aeroporto e a Marselha, no sul da França. Ai! Meu francês... Será que ele será despertado ao ouvir: "Bonjour Madame."