O QUE FAZER COM TANTA TERRA E PEDRAS - CALZADA DE AMADOR

30/05/2019

E BIOMUSEU

Hoje iniciei meu dia com mais horas dormidas, um abacate e chá na temperatura correta. E finalmente me ensinaram qual botão apertar para descer a água quente do aquecedor e onde pará-la. 

O cansaço me venceu ontem a noite e só terminei meu relato hoje pela manhã. O dia estava meio nublado e parecia que choveria logo, mas a recepcionista acredita que não. A moça da limpeza perguntou se já fui bailar, disse-lhe que ainda não. Achei que mais para o fim de semana seria melhor, mas que de hoje não pode passar.

Escolhi como meu primeiro destino o Biomuseu, pois se chovesse, estaria abrigada.

Fui novamente de UBER. Sempre que possível, ou seja, sempre que o motorista permite, aproveito para inquiri-lo. Mas desta vez foi uma via de mão dupla porque ele também quis saber muitas coisas sobre o Brasil. Minhas dúvidas são relativas ao bem-estar do povo em geral, já que eles tem aqui essa fonte incalculável de recursos que é o Canal do Panamá, ampliado em seu Canal estendido em 2016.

Ele disse que essa é uma grande discussão porque o governo não converte adequadamente a arrecadação em benefícios públicos. Aquilo tudo que vejo ao longo da Cinta Costera é a parte turística a cidade, como imaginei. Disse que a educação, saúde e mesmo a infra-estrutura dos bairros periféricos apresentam outra realidade. Não são como a Venezuela, por exemplo (dele), mas estão longe do desejado e possível. Eu, em contra-partida, expliquei que os problemas no Brasil são tão grandes quanto sua extensão em terras. Mas tenho esperança, tanto para aqui como para acolá. Aqui eles detêm a pouquíssimo tempo a administração do Canal, e em 20 anos pode-se notar um grande avanço. Acolá temos um povo assustado, que depois de se entender roubado, tem medo até da própria sombra. E que precisará de um governo competente e hábil para restaurar a confiança e tranquilidade dos brasileiros.

Chegamos enfim, às 10h47m ao belo e colorido Biomuseu. Tive que validar o tíquete comprado ontem no Canal de Miraflores  e aqui me explicaram para guardar o ingresso pois deveria ser reutilizado lá dentro. 

Logo na entrada, um grupo de crianças especiais que chegaram uns minutos antes que eu se reuniam para adentrar ao espaço com seus professores e cuidadores.

Na primeira sala do museu uma simpática guia me perguntou o que eu entendia de biodiversidade.

_" Diversidade é variedade, bio é vida, então é a variedade de vida."

_" Sim, disse ela, de todo tipo de vida, desde os micro organismos até as espécies maiores."

_" Isso, disse eu, se não considerarmos as rochas como vivas, pois até o Planeta Terra é um ser vivo e pensante..."

Tá, muita informação para esse diário.

Ela me apresentou as Ranas, as quais chamamos de pererecas. Disse-lhe que chamamos de rãs as espécies maiores, as quais ela disse chamarem sapos. Nós também temos os sapos, e para falar a verdade, não sei diferenciar rã de sapo. Mas disse que temos um nome grande para o ser pequeno, perereca, e um nome pequeno para o ser grande, rã.

Perguntei-lhe, já que, estando naquela sala, devia ser uma expert nas espécies nativas, qual a ave e a árvore nacionais.

_" A Harpia", disse-me, apontando uma réplica.

_"Achei que fosse o pelicano, pois vi tantos por aí. Encantadores." E ainda:

_" E a árvore?"

_" Bla bla bla do Panamá"

Não entendi mas não pedi que repetisse, já fiquei decepcionada por não ser o flamboyant. Perguntei se tinha uma réplica ao que negou. 

_" Uma falha que precisa ser corrigida, como assim??? o Biomuseu não ter a representação da árvore nacional? Leve a minha reclamação adiante."

Perguntei seu nome, agradeci sua simpatia e inteligência e  fui adiante. Fui observando outras informações e a encontrei novamente na porta do corredor para a próxima sala, onde é projetado um filme de 6 minutos mas só se pode adentrar no intervalo entre as exibições.

Neste corredor, uma das meninas especiais não quis seguir adiante, acho que com medo de escuro e, muito habilmente, um segurança apareceu e conduziu sua professora e a criança para uma porta alternativa onde encontrariam o grupo no espaço seguinte. Enquanto aguardávamos, ela me explicou sobre um painel das espécies nativas e as cores das placas indicavam entre o verde e o preto, passando pelo laranja, se estão ou não em perigo de extinção. As negras eram todas pererecas nativas que foram extintas poque foi introduzida, no Panamá, uma espécie africana para um estudo específico, e algo que esta contêm na pele, para as habitantes locais, causou a morte. O ser humano mata até com intervenções mal pensadas, sem o propósito de matar... A contagem no painel é da quantidade de humanos na Terra, aumentado o tempo todo.

Resolvidos os problemas, fomos liberados para a sala de projeção. O filme é muito interessante e é projetado em grandes telas na frente, aos lados, acima e abaixo dos espectadores. Se passa na selva, no mar e em todos os ambientes naturais do Panamá. É uma imersão na biodiversidade.

O ambiente seguinte mostra que o Panamá nem sempre existiu, e que atividades vulcânicas juntaram os dois grandes pedaços de terra em uma ponte, que é a América Central. A partir daí, os seres pré-históricos se movimentaram entre Norte e Sul e alteraram a forma de vida. Algumas réplicas de mastodontes, tigres dente-de-sabre e outros importantes animais pré-históricos encantam os olhos, principalmente dos pequenos.

Depois vem o surgimento do homem nas Américas, as mutações que provocou, a evolução dos povos no Panamá, propriamente dito, seus dominadores, o projeto e a a tentativa dos franceses de construírem  o Canal, o êxito dos americanos.

Novamente me é solicitado o ingresso pra entrar numa sala com aquários que imitam o ambiente dos recifes do Caribe.

Depois vem uma sala onde o pequeno se faz grande, e flores imensas e um figo gigante apresentam a evolução da mosca do figo. Achei interessante as etapas, a eclosão dos ovos dos machos antes do das fêmeas, e dali já as fecundam e morrem, sem sair do figo. Elas serão as responsáveis por evoluir para depositar novos ovos e começar tudo de novo. 

Alguns equipamentos nesta sala mostram os diversos tipos de associações dos organismos, a depredação é nossa especialidade, conclusão minha. Não lembro deste tipo em minha época escolar, talvez porque naquela época não nos víamos como depredadores. Os equipamentos são bem interativos, você aperta o iniciar em inglês ou espanhol e ele já mostra o filme com as legendas naquele idioma.

Dali segui para um brunch no restaurante do museu. Passava de meio dia. Gastei 11,50 dólares em uma empanada tipo panamenha, um bolo de cenoura diferente , um capuccino sabor amaretto e uma água. Estava tudo bom.

Dali ia iniciar minha caminhada pela Calçada Amador. O moço da recepção me disse que seriam 6 quilômetros até a primeira ilha e 10 até a última. 12 horas e 47 minutos, lá vou eu, mas o sol agora está mais presente.

Impressionante observar que esta calçada e as três ilhas Naos,  Perico e Flamenco, foram construídas com o material retirado na construção do Canal do Panamá, por via férrea a partir de 1908. A intenção era formar uma barreira às ondas marítimas da Baía do Panamá. E foram aproveitadas durante muito tempo pelos americanos como ponto de defesa do Canal, sendo por isso conhecida também como Forte Amador. Hoje é um dos pontos mais visitados tanto por locais como por estrangeiros. Tem alguns shoppings com produtos livres de impostos, muitos restaurantes e casas noturnas. Alguns Diablos Hojos recebem, neste lugar, na função de bares ou discotecas, os visitantes. 

Andei e fotografei, e me hidratei e desidratei, e me encantei por 5 ou mais quilômetros durante uma hora. Aí vi uma loja de locação de bicicletas e outros. Atravessei a rua na esperança de um triciclo e... Bingo!

_" Eu não sei andar de bicicleta, você acha que eu dou conta do triciclo."

_" Sim. É muito fácil. Venha aqui fora experimentar."

_" Vocês deviam estar lá perto do Biomuseu também."

Ao que ele deu de ombros. Ajeitei minha bolsa no ombro, não sem antes tentar deixá-la pendurada no guidão, mas não deu certo, e lá fui eu para mais uma experiencia de transporte. Fui parando na alegria, estava indo bem mais rapidamente agora. O aluguel custa US$ 7 a hora. Achei que precisaria mais do que uma hora pois talvez fosse almoçar, e pensava que ainda estava longe. Algumas fotos no caminho e... um retorno no caminho das bicicletas. Não tinha trânsito e assim, sai para a avenida. Mas já estava na ilha Flamenco e quando perguntei, não tinha mais nada  adiante. Chegara ao meu destino. Foto aqui e outro Panamá. Mais um brasileiro a quem pedi para tirar fotos minhas, e desta vez fui eu quem reconheceu o sotaque nacional.

E retornar. Gastei meia hora para ir, e um pouco menos para voltar, com menos interrupções. Às 14h36 minutos eu devolvia o veículo e recebia minha identidade que ficara retida.

_" Agora entendi porque está aqui localizado. As pessoas pegam as bicicletas para ir no sentido oposto ao que fui, mas ainda sim me serviu bem. Iria levar o dobro do tempo se fosse a pé.."

Ele concordou. 

Então foram 5 km a pé e 10 km de triciclo em duas horas de exercício. Ele me indicou o ponto para pegar o Metrobus e me deu uma nota entre os 3 dolares de troco. Mas a moça do ponto me disse que não havia ali um ponto de recarga. 

_" E como faço para tomar o metrobus então?"

Ela gentilmente se ofereceu para pagar a minha passagem e o fez, ao que agradeci muitíssimo. 

Não tem como ir direto para a Cinta Costera, assim tive que ir ao Terminal Albrook novamente. Tudo bem, aproveito para almoçar por lá.

No caminho avistei a Ponte das Américas  mas, a foto a distância não ficou boa o  suficiente para matar a nossa curiosidade.

E tive um ângulo de visão diferenciado do Biomuseu.

E os Diablos Hojos que eu tanto queria ver passavam em sentido contrário, e eu num banco excelente, alto, encostado à janela, com um vidro enorme, tive boas oportunidades de fotos. 

O ônibus foi enchendo, e recomendo esta experiência, observar o cotidiano do povo, seus maneirismos, sua forma de vestir e falar...

Chegamos ao Albrook e eu já conhecia o caminho das pedras.

Na Praça de alimentação, escolhi o Taco Bell na tentativa de comer algo mais característico, taco e burrito num combinado com batata frita e um chá sabor framboesa. Ficou relativamente barato, US$ 5,94. Conectei-me na rede Wigo de WiFi gratuito e li minhas mensagens. 

Depois de almoçar achei o primeiro papel higiênico de pior qualidade da Cidade do Panamá, talvez porque neste shopping circulem pessoas de classes econômicas mais baixa devido à presença do Terminal Rodoviário. Mas é bonito, limpo e organizado. Tem até um trenzinho que circula dentro dele para as pessoas conhecerem, além de várias delicadezas para fazer boas fotos de recordação,

Fui procurar o totem de recarga do cartão do Metrobus e coloquei meu dólar. Agora posso tomar o ônibus tranquila. Recebi a indicação de tomar o C641, mas o C640, Panamá Viejo encostou primeiro e fui nele mesmo.

Pude ver novamente os prédios onde moram a gente mais pobre. Igual toda cidade grande. Algum dia deixarão de existir as diferenças sociais?  

Já estou espertinha aqui e facilmente identifiquei o ponto de descer. Hoje pude ver as pessoas utilizando o espaço público no final da tarde. É muito bem aproveitado.

Passei novamente no mercado, hoje achei o suco com pedaços de Aloe Vera que tomei no Chile. Uhuuu!!!!

Gelatina e suco, serão meu jantar. Haja sede.

Depois de escrever meu relato diário, fui atrás da salsa. Uma hóspede que me viu perguntando na recepção indicou o motorista de UBER que a levou por toda a cidade. Eu disse que precisava de indicação de lugar, o UBER eu chamo qualquer um, ao que ela respondeu que sentia-se mais segura andando com alguém conhecido.  Se assim fosse, eu não faria um terço do que faço.

Assim, perto de 21 horas fui para meu quarto e o recepcionista me desejou uma boa noite, ao que retruquei:

_ 'Só vou me arrumar para sair a bailar."

Pouco depois de 21h eu estava no UBER a caminho de Casco Antíguo, ou Casco Viejo, como preferir, sem destino definido. O simpático motorista, já um pouco mais velho e não acostumado a sair para dançar me deixou no lugar que achava mais movimentado e com alguma possibilidade de alcançar o meu intento.

Desci já perguntando a dois moços que cuidavam da recepção de um restaurante:

_" Sabes donde puedo bailar po accá?"

_" Hoy? Miércoles? hummm..."

As pessoas não dançam por aqui na quarta-feira? Nossa, achei que ia encontrar um baile em cada esquina... Mas uma luz, me indicaram um lugar a menos de um quarteirão dizendo que costuma ter bailes, eu teria que verificar, e em caso contrario, a umas duas ou três quadras adiante, ficam as discotecas.

A caminho do Tantalo fui abordada por outro hostess muito alegre, jovem e falante, que 'desembestou' a falar muito rápido. Disse que procurava o baile, ele me indicou a porta seguinte, mas que eu podia fazer um esquenta em seu restaurante, comer e beber algo.

_" Vou primeiro indagar ali se haverá baile e a que horas inicia."

Em todas as portas estão pessoas aparentemente escolhidas a dedo para recepcionar os clientes. Sempre alegres e prestativos, e no Tantalo não foi diferente. Um casal simpático me informou que haveria baile com DJ tocando ritmos latinos e iniciaria às 22h. Ainda faltava mais de meia hora e decidi comer no restaurante ao lado.

O bonitinho não me viu entrar, mas fui colocada numa mesa junto a uma grande janela de vidro, na parte frontal do restaurante, e podia ver e ser vista por toda a gente da rua. E olha que alguns curiosos voltaram os olhares.

O garçom de nome Vasco me atendeu e trouxe um Wrap de búfala e um suco de morango, atendendo ao meu pedido, acompanhado de batatas fritas. Custou US$ 23,30 mas não incluía os serviços, de modo que deixei US$ 25. Ele toda hora se dirigia a mim para perguntar se estava tudo bem, mas em inglês, pois disse que o restaurante é muito frequentado por estrangeiros que usam esse idioma comumente.

Passava da 22h quando fui ao quarto andar do Tantalo, que tem teto de vidro móvel, e como não chovia, 2 das 4 placas estavam abertas. Ainda bem porque do lado de fora estava fresco, mas dançando, fervo.

Logo em seguida uma animada  e animadora de dança fez uma apresentação dançando salsa som o DJ. Depois um rapaz semi desnudo se apresentou com uma performance mais contemporânea de expressão. Impressionante! A arte exige um grande desprendimento, você mostra a sua arte com concentração e coragem, não pode se atemorizar diante do público.

Notei algo incrível para os padrões a que estou acostumada, tinha uns 4 ou 5 homens para cada mulher presente, e muitas delas ainda estavam acompanhadas. Uau!

Dancei sozinha por todo o tempo, mas a animadora falou comigo algumas vezes e até pediu para o DJ colocar música de Carnaval, e ela puxou os brasileiros que ela tinha detectado e fez uma linda apresentação.

Um Alejandro também puxou conversa, mas, como eu, prefere dançar só e ir circulando pelo caminho, Acho que a maioria das pessoas no local eram estrangeiros.

Mas o baile seguiria animado até umas 3h, eu fiquei até um pouco mais de meia-noite e já foi suficiente.

De volta ao hostel, estava agitada demais para dormir, fui tomar um banho para tirar o suor e descobri que agora o banho que finalmente esta quente, tem o ralo entupido, deixando uma piscina no box. Mas eu precisava do banho e entrei pelos calcanhares. Tomei uma ducha rápida e voltei para o quarto escrever e ler até dar sono. Depois da 2h da manhã. E 7h30 estava eu acordada novamente.

Mas hoje o dia será de descansando, já preparei as malas porque o check-out é às 11h. Deixei uma muda de roupa para troca após o banho e vou ficar aqui na recepção até umas 15h. O voo para Los Angeles parte às 18h20. Agora vai. Assim, pulamos  o dia 30 sem atividade externa. Beijos e até mais.