NOVA PÁTRIA - SALVE! SALVE!

01/07/2019

Longe de mim querer trocar de Pátria, mas adoto a máxima de que: "Lar é onde o coração está." Querer estar em um lugar já é um bom começo para sentir-se feliz, se unido a isso você sente que está realizando um sonho, sente-se privilegiado, abençoado, este lugar tem tudo para dar certo. E a não ser que o céu não esteja de acordo, neste próximo ano chamarei de lar este País que tem um jeito de Brasil, ou será que nós é que temos este jeito meio português, como um filho mestiço que foi viver em outras paragens?

Fato é que, apesar das saudades, do choro que às vezes vem, do nada (não vou negar), sinto uma paz acolhedora, e sei que este sentimento será ainda maior a partir de amanhã quando irei para a tranquila Beja, me instalar. Estarei  180 km de Lisboa, ao sul, numa região mais central do país, plana, quente e sossegada. Comprei hoje a passagem de trem, até Casagrande e depois baldeação para Beja, por 14 Euros. Algo como 60 reais. Acho que está compatível com o preço de transporte intermunicipal no Brasil, dada a distância, mas não tem trem aí para transportar gente, na maior parte dos lugares. Depois eu digo se foi bom.

Mas agora, deixa eu contar como está sendo minha estadia em Lisboa. 

Primeiro, vocês lembram como o voo atrasou saindo de Montreal, meu celular continuou sem dados da Easysim4u, e eu não consegui sacar euros nos terminais do aeroporto. O guarda me disse que nem todos os táxis aceitam cartão. E qual a alternativa, questionei-o. Você pode ir ali no balcão de turismo e contratar o táxi por lá, é preço fixo.

Beleza! Lá vou eu. 

_ " Qual o nome do seu hotel?"

_ " Pera ai. Deixa eu pegar o Voucher..." cadê o voucher, cadê este danado. Não imprimi. Esqueci que ainda não estava disponível quando saí em viagem.

Deixa eu ver no celular então, hummm... no site da Bancorbras não vai dar porque estou sem internet. Os e-mails, eles mandaram um e-mail dizendo estar em reforma. Hummm... não acho. 

_ " Moça, eu acho que é Amazonia o nome do hotel", rezando para não ter mais de um.

_ " Em Lisboa mesmo?", ai meu Deus, os outros hoteis pela Bancorbras meio que ficavam em cidades vizinhas, e agora?

_ " Sim. Lisboa mesmo."

_ " São 23 euros. OK, agora é só aguardar ali ao lado que já chamei o motorista do táxi para lhe pegar."

O senhor Antônio é simpático e sorridente. Vai me ajudando com as malas j´´a sabendo para onde vou. Só eu não sei. Ele diz que para o Amazonia certo?

_ " Mas só tem um? pergunto.

_ " Tem dois, mas o de Lisboa é na Travessa dos pente, pois lá antes existia uma fábrica de pentes."

_ " É isso mesmo." Lembrei-me da corretora falando algo sobre isso, ou de eu ter lido o nome da rua, ou ambas as coisas, kkkk

No caminho fiquei sabendo que ele fugiu de casa quando era bem jovem, roubando 50 escudos que seus pais escondiam dentro do colchão, eles eram bem pobres e ele desejava uma outra vida para ele. Como morava num lugar pequeno, para pegar a condução para a casa de um irmão mais velho, que já morava em Lisboa, mentiu dizendo que seus pais permitiram. E como não havia telefone para confirmar, o jeito foi acreditar. Seu irmão ameaçou levá-lo de volta a casa dos pais, mas ele revidou dizendo que fugiria para outro lugar. Assim ficou, arrumou empregos difíceis no começo, percebeu que precisava falar outra língua para melhorar de vida e foi se esforçando, sozinho, até aprender o inglês, já trabalhando em navios de turismo. Quando não entendia algo que falavam, pedia para escreverem, assim ficava mais fácil, e o que não sabia, ia procurar aprender. Passou 18 anos no mar, casou, teve seu primeiro filho. A mulher o fez escolher entre ela e o mar, naquele tempo era o que lhe sustentava e estava erguendo a vida, o relacionamento já não ia bem, o mar ganhou. Quando resolveu arrumar outra companheira, logo em seguida largou o navio. Disse que se tinha que ser escravo de alguém, seria dele mesmo. E hoje tem uma empresa de turismo que presta serviços de transporte. Tem dois filhos e uma filha. O mais velho com quase 40 anos, mora em Tolouse, na França,  e tem um bom emprego, graças ao idioma francês. A mais nova, trabalhando na Nestlé, graças ao inglês fluente, tem 24 anos. O do meio trabalha na área de turismo, sendo também bilíngue. 

Enfim, isso me mostra que tenho o dom de escutar e ouvir. Presto atenção ao que as pessoas falam. Por isso fui boa aluna. Por isso fui ser voluntária do Centro de Valorização da Vida com 18 anos, por isso os clientes no Banco gostavam de falar comigo. Tem relação com a sinestesia que descobri que tenho ou sou.

Já no hotel, o recepcionista começa a procura meu nome e não acha, pego o nome da rede Wi-Fi, aberta, e entro no site da empresa de turismo. Acho ao mesmo tempo que ele, dizendo que minha entrada estava prevista para 28. O engano que tive em Montreal, quanto à saída, repercutiu aqui. 

_ " Deu No Show?"  pergunto.

_ " Sim, mas temos quartos disponíveis, e o seu já está liberado. Só tenho uma ressalva, não é um apartamento reformado."

_ " Tudo bem."

_ " É que são bem diferentes, inclusive no preço."

_ " Mas eu não conheço  o outro, vou achar este ótimo." 

E estou mesmo satisfeita, é amplo o suficiente, tudo funciona, o colchão é bom, tem bastante tomadas de dois furos, então não preciso mais do adaptador, é claro e limpo. E a ducha é uma delícia.

Cheguei por volta da hora do almoço, só guardei minhas malas e sai para comer algo, já é hora do almoço e não tomei o café da manhã no avião. E o recepcionista me disse que tem um terminal de saque pertinho. Preciso resolver isso logo, pois sem dinheiro, sem internet, fica difícil. O Terminal fica juntinho a um centrinho de compras, com alguns restaurantes e lanchonetes. Consigo tirar 200 euros como limite, depois eu pego mais, mas já saio tranquila. Parte deste valor já é para despesas de água e luz em Beja.

Vou até uma lanchonete e como dois croquetes de carne e um doce português com massa folhada. Tomo um suco de laranja. Tudo mais fácil falando em português.

Quando estou voltando, vejo outro Fogo de Chão. Obaaaa! Carne, virei jantar aqui. Retorno ao hotel, e vou dormir um pouco. Só aviso algumas pessoas que já cheguei mas nem bem espero a resposta. Nem banho tomei, o que é incomum. 

Acordo já perto de 18h e vou tomar a primeira ducha. Difícil é ajustar a temperatura da água quando tem dois registros, sempre era o Roberto que fazia isso pra mim. Mas cheguei a um bom termo e tomo uma ducha potente e quentinha, como gosto.

Coloco um vestido, vivaaaa! Uma sandália, já que é pertinho, e saio pela rua com o sol ainda alto e um calor agradável. Ouvi dizer que o calorão aqui foi mais cedo, que o verão começou em maio para eles, no calor.

Estou olhando o cardápio quando um garçom me convence a comer o rodizio menor, pois a diferença de preço compensa, mesmo que eu não coma muito, É um rodízio de 9 tipos de carne. 

Sento-me só, é lógico, de frente para a rua, para apreciar o movimento. Já percebi que aqui, não convém, para mim, sentar-me em mesas externas, ao ar livre, quando há. Isso porque eles fumam nesta zona. Mesmo à mesa. Insuportável!

O garçom explica-me que o bufê de saladas é livre. Levanto para servir-me. Mas não pego muitas coisas, afinal, resolvi comer carne. Pego um pouco de maionese de batata e ovos, que adoro. Salada de agrião, que estava especial, até elogiei pois, a carne seria de se esperar estar boa, mas o agrião foi um brinde. Pepino em conserva, aspargo branco, azeitonas pretas. 

Passado um momento o garçom chega à mesa...

_ " Como boa brasileira que você é, vai querer um feijãozinho, com arroz e farofa, né?, já com as vasilhas na mão.

_ " Não. Vou comer carne, mas pode deixar a farofa."

_ " Não quer nem que deixe, caso mude de ideia?"

_ " Não. Não quero."

Sou é besta de pagar carne e comer arroz e feijão. Nem em casa. Rs

As carnes foram linguiça (que eles chamam de salsicha), frango, coração de galinha, contra-filé argentino, picanha(que ele trouxe mal passada e eu rejeitei, daí foi dar mais um pontinho e voltou), picanha no alho, costela e maminha, terminando com o abacaxi, que também conta nos 9. Ele trouxe banana a milanesa, esta eu aceitei mais uma. E tomei com água e uma taça de vinho tinto seco.  Estou meio fraca para bebidas, tive uma leve alteração com uma tacinha de vinho, sem contar o jet-leg, todas as andanças e a idade, é claro.

Dois dos garçons eram brasileiros, o que me convenceu pelo rodízio de carnes e o que a servia. Pude ficar virando aquele pilão verde e vermelho o tempo todo, para as carnes não esfriarem no prato, experimentei todas. às vezes o garçon queria que eu comesse mais de um tipo qualquer, mas se o fizesse, não conseguiria comer de todas. O garçom do atendimento é de Rondônia. O outro de Mogi das Cruzes, viu Rosana?

Foi um excelente jantar e não ficou tão caro, algo em torno de 26 Euros. Com vinho e tudo.

De volta ao hotel, vou tentar, finalmente, terminar o relato sobre Montreal e colocar as fotos para publicar. Quando estou colocando as fotos, o Wi-Fi cai. Tentei também pelo chat da Easysim4u resolver o problema de internet e nada. Ainda bem que consegui mandar mensenger para duas amigas que moram em Lisboa e uma delas me respondeu, assim, iremos nos encontrar. E o jeito agora é ir dormir.

Levanto às 8h já que o café é até às 10h. Converso sobre o Wi-Fi na recepção e eles me sugerem reiniciar o aparelho, faço isto sem lembrar que no lap top também deu problema. Mas quando volto à recepção, o sinal já estava disponível. A Aline me mandou resposta dizendo que estará disponível umas 13h, assim marcamos de nos encontrar na pastelaria de Belém, porque lhe disse que iria a Torre. 

Tenho uma velha história com a Torre de Belém. Quando aqui estive, em 2010, acompanhada por meu falecido marido e meus sogros, iniciamos e terminamos a viagem por Lisboa. E a Torre e os pasteizinhos de Belém ficaram para o último dia, antes de entregar o carro para ir embora. Fomos verificar o lugar para entrega do veículo e, quando fomos a Torre, logo ao descer do carro, caiu uma tempestade. Tinham uns camelôs vendendo guarda-chuvas, mas eles não adiantavam muito, tamanho era o vento. No fim, sei que no perdemos de meus sogros, apesar de não ter ninguém mais no local, mas a chuva atrapalhava a visão e nossos movimentos tinham ritmos distintos. Passamos pela Torre e vimos a falta de condição de visita, procuramos um lugar para nos abrigar e encontramos uma pequena lanchonete, onde comi um pastel de Belém, que não achei tudo isso, e tomei algum líquido quente. Na minha lembrança, como meus sogros não apareciam, voltamos para o carro, encontrando-os. Eles tentaram visitar a Torre, mas disseram que descia água pelos degraus como se fosse uma cascata. E como não nos encontraram, voltaram. Estávamos todos cansados e foi o único dia, depois de 26 dias de viagem, que vi minha sogra perder a paciência, de modo que voltamos ao hotel pegar as malas e fomos entregar o carro sem mais nada fazer. Assim, a Torre de Belém ficou como alvo do desejo não realizado.

E descobri, através da Aline, que os famosos pasteizinhos de Belém não são obtidos assim tão próximos à Torre. Eles estão mais próximos do Mosteiro dos Jerónimos, do outro lado da Avenida, de frente para o Monumento aos Descobrimentos.

Cheguei à Torre, ou melhor, a fila para ingressar na Torre, por volta de 11h. Só podem entrar 120 pessoas por  vez, mas eles esperam quase todo mundo sair para liberar outra leva, não sei dizer porquê. Talvez dê mais trabalho ficar controlando a quantidade de pessoas que saem para autorizar o mesmo tanto a entrar... Fato é que só consegui entrar pouco antes do meio dia. Demorei-me pouco mais de meia hora para percorrer os andares e chegar ao topo tendo uma boa visão da cidade. A escada para o topo só passa uma pessoa por vez, então tem um controle de subida e descida a cada dois minutos e meio mais ou menos. Quando o tempo está terminando, um timer ativa um alarme sonoro, que fica apitando, e o correto é entrar em alguma sala intermediária. Na subida, entrei em duas por falta de fôlego. Na descida, só parei pelo tempo, porque fui uma das últimas a iniciar a descida depois da liberação pelo timer ( verde ou vermelho com as setinhas indicando o sentido). 

Fui fazendo fotos pelo caminho, o motorista do UBER me deu toda a orientação do caminho, e eu fui seguindo a calçada até o Museu do Descobrimento, onde entrei num túnel de pedestres que passa por baixo da avenida.

O Mosteiro dos Jerónimos também é lindo, merece uma visita específica, mas hoje não vai dar tempo. A Praça em frente também, e está muito movimentada, afinal, é domingo.

Pergunto a um guarda sobre a pastelaria, diz para eu seguir em frente até o final da Praça principal, atravessar para a outra calçada, e seguir para a direita até encontrar uma fila grande. 

Ele só errou pela fila, eram duas.kkk, Mas ligeiras. A maior parte das pessoas vão ali pelos pastéis de Belém, mas eles têm também salgados e outros doces. A entega e embalagem dos pasteis é digna de uma linha de produção. Eles vendem unitário por 1,15 e 6 por 6,90 euros. Não tem desconto nenhum, o pastel vende assim mesmo, é só para facilitar as contas e o processo. Quem vai comprar 5 já arredonda. Vi um cara pedindo 1 caixa mais um. E as caixinhas vão sendo embaladas por um mocinha enquanto dois outros vão servindo, e toda uma equipe elaborando. E eles vem quentinhos... e crocantes, acompanhados de uns sachês de canela e açúcar de confeiteiro. Não coloquei os acompanhamentos e comi dois logo de cara. Enquanto uma mulheres tentavam vender-me umas bijous na rua, dizendo algo como Pandora. Deve ser alguma marca, mas não me diz nada. Digo que não estou comprando nada, só vendendo.

Estou preocupada, como verei a Aline em meio a tanta gente. Fico atenta e um tempinho depois, lá vem ela. Vou ao seu encontro. É muito bom poder abraçar alguém conhecido, que nos traz de volta as referências do lar deixado para trás. Nós trabalhamos juntas no Banco, por um pouco mais de um ano. Depois, eu mudei de agência e aposentei. Ela saiu do Banco para vir fazer um mestrado na área de Direito, aqui em Lisboa. Chegou em Setembro e pensa como eu. Qualquer oportunidade de relembrar o passado e trazer de volta suas raízes, agarre-a. 

Fomos até uma padaria, portuguesa, e enquanto eu comia uma torta salgada com suco, ela tomou um café com Pastel de Belém, pois comprei 2 caixas pensando que ela viria com um amigo brasileiro que também está passeando por aqui, o Danilo. Ela me deu várias dicas de residência, principalemte na área médica, quanto aos passeios durante a validade do visto, mas ela nem imagina que graças a ela, fui olhar o visto e descobri que consta um site, com o meu agendamento de entrevista. E descobri o horário. 15 horas do dia 23 de julho. Eu ia chegar lá às 8 horas, quando abre, e esperar a minha vez, porque o papel com o horário foi perdido durante a mudança de casa, de Itu para Salto.

Outra coisa em que ela me ajudou foi levando-me à Estação Sete Rios para tomar o Metro, pois eu pretendia ir ao Oceanário. No caminho avistei uns arcos que me remeteram aos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, mas me disseram que só têm função decorativa, pois são muito antigos. Devem ser tombado pelo patrimônio histórico. O Danilo estava com o carro que alugou para a viagem, e lá encontramos o Iago. Eu desci e ele subiu. Estão todos convidados para conhecer Beja quando quiserem. Aliás, todos amigos e familiares o estão, é só contatar-me para nos organizarmos.

Nesta estação já descobri como funciona o sistema dos Comboios de Portugal, pois serão neles que irei pra Beja. E partindo desta estação mesmo, que é a mais próxima do hotel, ficando em torno de 5 a 6 euros a viagem de UBER.

Mudei de ideia quanto ao Oceanário, e resolvi, já que a Estação Oriente, que foi meu destino, é praticamente dentro do Shopping Vasco da Gama, comprar roupa de cama e banho para levar para casa. Já falei com a proprietária e ela disse que a casa só tem os móveis, me deu a dica de onde comprar utensílios de cozinha, que serão poucos, só para mim, e também tenho que fazer uma pequena compra de supermercado, lembrando que só terei um frigobar a minha disposição. Mas também que a cidade fica à 4 km ou mais e não tem ônibus. 

E aproveitei para conhecer o Parque das Nações, ver o Lince de material reciclável, o Pavilhão Atlântico (uma arena multiusos), a orla do Tejo com seus diversos parques. E até ouvir um sertanejo "en passant".

Ali ainda tem o Pavilhão de Conhecimento de Ciência Viva, um teleférico, a ponte Vasco da Gama, o Teatro Camões que apresentava uma exposição denominada Tutancâmon, temporária, e algumas torres de hotéis, ou de mirante. Ou seja, um lugar para mais que um dia de visita. Só fiquei passeando e apreciando mesmo, tomando um UBER para a volta. Só porque estou com as sacolas.

Como comi de almoço uma tapioca 3 queijos, vou comer um mix de castanhas com uvas passas e bananas, e mais uns pastéis,  como jantar. E não mais sair.

Acho que estou sim com o tal Jet Leg, mas nem sei bem como. Sei que fico com sono cedo, depois acordo de madrugada, e volto a ter sono. Assim, hoje levantei correndo, só escovei os dentes e vesti-me para dar tempo de tomar o café, às 9h15.

Até queria dormir mais, mas tenho que forçar meu corpo acostumar-se, então bora lá para o Oceanário. Uber até a Estação Sete Rios, comprei passagem de ida e volta, que tem que ser validada nas duas ocasiões, e a passagem para Beja, passando por Casablanca. Já vem com número de carro e assento nas duas composições. ;)

Vi uma blusinha legal, me serviu, custa só 11,99 euros, e posso dizer isso porque ela me devolveu um centavo, que é representativo.

Quando passei por dentro do Shopping Vasco da Gama, descubro que ele é maior do que eu pensava, já não bastasse a linda estrutura da estação. E vejo uma liquidação da C&A, na volta eu passo.

Hoje está até bem vazio por aqui, e talvez consiga uma foto melhor do lince. Faço um foto para um casal de portugueses que moram no Rio de Janeiro e estão a passeio. E sigo para o Oceanário. À direita, há menos de um quilômetro. 

Comprei o tíquete na máquina. Estou ficando craque neste negócio de auto-atendimento. Tem a exposição permanente e uma temporária. Inicio pela permanente.

Pelo corredor de entrada aparecem umas fotos de todos os projetos desenvolvidos pelo Oceanário, desde quando e quem é o patrocinador. E dos projetos em andamento.

O prédio possui um tanque circular central com dois andares de altura. Nele, um grande aquário, onde, para mim, a estrela principal é o peixe-lua.  Mas tem tubarões, arraias, barracudas, e peixes pequenos e coloridos, além dos corais. E vários nichos para apreciação deste grande aquário, nos dois andares.

Do lado externo do corredor, alguns ambientes de pinguins, lontras, ou estrelas do mar grandes, pequenas e de muitas cores... Alguns aquários com outras espécies de peixes, com corais, caranguejos e polvos gigantes, moreias, alguns cavalos marinhos camuflados. Só se pode fotografar sem flash. E a câmera percebe a diferença de cor entre o cavalo e a planta, a olho nu eu não consegui perceber. Um casal pede para um  moço tirar foto e... flash. O fotógrafo até assusta, dada as instruções iniciais. Não consegui identificar as nacionalidades de nenhum deles, falavam em inglês. Mas no filme, publicado no meu Facebook (Meyre Lessa), pode ver o reflexo do flash no vidro.

Coloquei também alguns videos das lontras, do aquário central, e da exposição temporária no meu Instagram (@lessa meyre). Vejam lá.

Achei maravilhoso. Difícil escolher entre o de Monterey e este. Lá tem muito mais águas vivas, de diversas cores e tamanhos, é maior e melhor organizado. Senti-me um pouco claustrofóbica na área dos anfíbios. Isso porque foi segunda feira, e o movimento é bem menor que o de final de semana, o que só soube hoje, depois de ter ido. Obrigada Aline, por mais essa ajuda casual. E agradeço também ao meu anjo da guarda.  Penso que o aquário ideal seria a junção destes dois, e acrescentar o túnel de tubarões de San Francisco. É mole ou quer mais? Mas o negócio é não comparar, apreciar o que se tem e viver intensamente.

Agora, a exposição temporária falou ao meu coração. Na entrada li um cartaz que dizia que as florestas tropicais representam 6% da superfície terrestre apenas (desculpem-me se me engano com alguma informação) e que estão sendo ameaçadas pela ação do homem.  Não sabia o que esperar, e logo vem o título: FLORESTAS SUBMERSAS. Não sei se ele constava em algum lugar, mas aquele cartaz na entrada me fez dar maior importância ao que ia apreciar lá dentro. Não é um espaço muito grande, mas apresenta as plantas marítimas, nos corais, com peixinhos dançando ao som de música instrumental. Filmei para tentar captar a essência e a importância deste retrato. Seria um lugar para silêncio e contemplação. Penso que a agitação das pessoas e a necessidade de fazer fotos e falar as abstraíram do que de fato tinha importância. A necessidade de cuidar e proteger o maior espaço terrestre, os oceanos, é primordial. 

Também aqui no Oceanário de Lisboa tem algumas estátuas feitas de lixo. Aumenta o entendimento do que estamos fazendo com nossas florestas submersas, com sua fauna e flora, e de que forma isso pode nos trazer graves consequências. Mas quais atitudes estamos tomando efetivamente. Neste aspecto, me sinto um verdadeiro 'peixe fora d'água'. Caminhar ao invés de dirigir, ter menos roupas e sapatos, evitar o uso de alguns itens recicláveis, evitar decorações festivas desnecessárias... Será o suficiente??? Vou acreditar que sim, porque não é e não será mais uma ação solitária. Tenho certeza que já tem gente fazendo muito mais por estas causas.

Dali almoço no Restaurante Tejo, dentro do Oceanário mesmo, como a Torta Portuguesa que minha amiga Graça passou a receita, com legumes, e um mousse de chocolate de sobremesa.

Penso em voltar com o teleférico, mas vejo que não estão circulando. Chegando à bilheteria confirmo, algum problema fez com que encerrassem as atividades mais cedo.

Então volto pela calçada de estrados de madeira em meio ao Tejo. Os estrados são soltos e têm um leve movimento ao passarmos. Venta muito, mas a vista é maravilhosa.

De volta ao Shopping, só consigo comprar umas meias na C&A. Farei todo o caminho de volta, agora pegando o comboio em direção à Sintra na plataforma 2. Mas antes passo no mercado, Bom para Portugal, se não me engano. Bem grande. Compro suco de maçã, queijo cortado como para lanche infantil, embrulhado um a um, e delicioso, diga-se de passagem, e duas águas de meio litro. A fila está enorme, mas também tem a possibilidade de auto-atendimento. Vamos lá, você consegue. E consegui mesmo.

Voltar para o Hotel, comer o queijinho, e os restinhos que lá estão, tomar um banho, escrever e dormir. Amanhã, Beja, novo lar. Pelo menos por um tempo. E talvez por um tempo também não tenha publicação. Só vou ter dados móveis porque comprei o chip da MEO, operadora aqui de Portugal, por 10 Euros, pra trinta dias, também graças a dica da Aline, e ter uma loja lá na Estação Sete Rios. 

Combinei com o atendente da Easy que poderei usar meu crédito durante o próximo ano. Ele só disse que os dias passados não serão reembolsados, o que não acho justo, pelo menos a partir do dia 27 que foi quando eu fiz a primeira reclamação. Mas ele disse que a equipe responsável irá mandar um e-mail, o que ainda não aconteceu. Vamos esperar. E até breve, espero.