Notre-Dame de la Garde e praias de MARSELHA, FRANÇA

23/01/2020

Andar com fé eu vou... e acreditar que o dia de hoje não chove, talvez amanhã.

E lá vou eu, não muito cedo, olhando o sol pálido, espreitando por trás de algumas nuvens. E pensando se o sol do meio-dia não deixa mesmo sombras. Por que ele vai tão baixo se já são 11 horas? Ah, mas aqui tem horário de inverno. Então ele vai estar no topo do céu às 13 horas. Verei.

E parei em outro canto, mais a esquerda do Velho Porto, para o pequeno desjejum. É muito pequeno mesmo. Dessa vez, por 6 euros eu recebi um cafezinho expresso, curto; um suco de laranja maior que o de ontem, acho que com uns 250 ml, e um croissant, dessa vez tive a opção de escolher e pedi sem chocolate. Mas era doce do mesmo jeito.

Fui me afastando do Porto na direção da Igreja de Notre-Dame de la Garde (Nossa Senhora da Guarda), e como a subida seria de uns 2,5 km me programei para chamar um UBER. E nisso dei de cara com o Palácio de Justiça, o que foi muito fortuito.

Dali eu chamei o UBER. Uma Mercedes, bancos de couro, superconfortável. Sentei-me atrás. Gastei 6,71. Considerando os preços de quase tudo aqui, não achei caro.

E lá em cima ventava de dar medo. Mas a Basílica fica no topo de uma rocha calcária, como a maior parte dos terrenos daqui. E em volta dela muitas árvores. E de lá se avista toda a cidade passando também pelo mar e pelas Ilhas Frioul, em 360 graus de encantamento.

Fui para uma área, no primeiro piso, que os turistas não costumam aceder. E tinha uma mulher limpando a janela, por dentro, e a mim parecia que estava a fazer um aceno de tchau com o pano. Então ergui o braço e como ela me olhava. Acenei, ao que ela respondeu.

As pessoas têm necessidade de contato, de carinho, mas têm tanto medo.

Ao voltar percebi que o acesso à Igreja se dá por uma ponte de madeira. Amei.

Subi e cheguei à porta da Cripta. Simples, com muitas velas e agradecimentos, faz ver outras formas de uso do 'Merci', em vários azulejos fixados nas paredes.

Ao sair vi as rodas para elevação da ponte de madeira. E conclui que a Basílica de Notre-Dame deve ter sido construída com o objetivo de proteção, bem no alto do morro e isolando possíveis molestadores indesejados. Este é o único acesso a ela. Dali para cima outras portas surgem, com acesso pelas sacadas externas. E há alguns mirantes para se observar todo o entorno.

E, se lá de baixo ela é uma referência constante, ver a Catedral, O MUCEM, o velho e o novo Porto, as Ilhas Frioul a partir dela é maravilhoso, são vistas aéreas que dão noção do todo.

Agora de vê-la por dentro. Não tão grande, mas muito colorida e alegre, mesmo porque havia um grupo de jovens sendo orientados por uma freira, sobre os vários aspectos da igreja e seus símbolos. E há pequenos barcos pendurados pelos corredores laterais.

De fora, de novo, agora vou descer a pé, e para o outro lado. Quero chegar até as praias, um pouco mais distantes. Mas desço por umas das duas opções que me pareceram possíveis. E resolvo colocar o Google Maps. Mas ele me manda retornar. Só que não vi caminho onde ele indica. Já passei por ali.

Incrível, ele indica uma trilha de terra que contorna a igreja, e assim posso sair pelo seu lado oposto, e não por onde chegam os carros. E a igreja fica ainda mais bonita vista dali.

E a descida é por dentro do bairro, e de novo posso ver as vielas, as escadarias, as construções aproveitando a rocha como base ou contornando-as. E até um cantinho com casinha, água e comida para cachorros de rua.

E igrejas, praças, e lindas árvores, sem folhas. Admito que gosto delas assim também. E as comparo conosco. As folhas são como nossos cabelos, emolduram o resto e também nos escondem, nossa beleza natural, nossa essência e formação. Aprecio-as carecas, e também aos carecas.

E ao chegar junto ao mar, depois de uns 40 minutos de caminhada, descendo os 2,5 km que separam a igreja da praia, vejo o mar.

E junto a ele tem uma avenida costeira, e uma calçada larga para pedestres, ciclistas e corredores, separada mesmo em 3 pistas. Está nublado, o que é bom porque não vejo árvores. E com sol deve ser de um calor insuportável.

O mar está colorido, verde e azul, e vou apreciando os calanques lá embaixo.

Sigo ainda um pouco mais distante do Velho Porto. Sei que terei que voltar um quilômetro pelo mesmo caminho, mas quero chegar até o Memorial dos Repatriados da Argélia.

É um monumento com uma elipse para passar a ideia de retorno. E junto a ele, os bancos de concreto que acompanham o passeio, estão decorados com mosaicos coloridos. Pareceram-me que foram financiados ou executados por escolas, famílias, instituições que colocaram sua assinatura em meio aos coloridos e bonitos desenhos, que retratam aspectos da cultura local.

Um pouco além um hotel muito chique reserva uma marina e uma piscina à beira mar para seus hóspedes. Um luxo, considerando que a só vi duas praias, e uma delas foi induzida por uma barreira de pedras que impedem o mar de avançar. A Praia do Profeta.

Quanto as praias, fiquei até penalizada com tão pouco espaço.

Vi uma pequena escultura sobre um muro, devia ter uns 50 cm, e me chamou a atenção por sua cor, e por me parecerem olhos chorosos, só não sei o motivo da tristeza.

E a Villa Valmer, magnífica, embutida num grande jardim.

Algumas partes da calçada estão em pontes, e tive a curiosidade de atravessar a avenida para ver para onde ia o mar. E vi outras pequenas marinas nos avanços.

Antes de chegar ao Velho Porto, para satisfazer minhas necessidades fisiológicas, parei num restaurante. Acreditam que não conseguia lembrar o termo francês para banheiro? E não entendiam o meu espanhol, até que uma garçonete, que falava italiano, consegui entender meu pedido de comida e minha necessidade de banheiro.

Pedi um entrecôte ao ponto com batatas fritas e salada. Um chá verde. E de sobremesa um Flan, que na verdade é o nosso pudim de leite condensado. O nosso flan tem uma textura mais lisa. E tanto a comida como a carne estavam ótimos. E acho que valeram os 18 euros que paguei, com outros dois de gorjeta, afinal, a moça foi muito atenciosa.

Falando em atenciosa, comprei um chaveiro na Basílica para o Peter. Ele foi um presente na minha estada em Marselha. Quero que tenha uma recordação além da lembrança. Sei que não é suficiente para demonstrar minha gratidão, mas desejo a ele toda sorte de boas coisas. Assim como desejo aos tantos amigos e familiares que estão sempre cuidando de mim, à distância, cada qual do seu jeito.

Depois do almoço eu vi a outra praia, uma pequena baía, com areia clara e até umas quadras de vôlei, com pessoas jogando e muitas assistindo, sentadas no banco da calçada.

E vi que estão levantando um arco, como uma porta para o mar. Mais um monumento e um atrativo para a satisfação do turista que visita Marselha.

E vi pescadores também. Onde tem rio ou mar, pode procurar, sempre tem alguém com uma linha, uma vara, uma rede...

Achei que já tinha visto tudo o que me propus, e voltava tranquilamente ao hotel, depois de mais de 6 km de caminhada. Mas vi a entrada do Parque Emile Duclaux. Meus pés já estavam novamente cansados e minha decisão de entrar foi meditada. Mas entrei assim mesmo. As flores e árvores carecas me convenceram.

E fiquei surpreendida por perceber que aqui está o Palácio que via do barco, quando saí da baía. E do MUCEM, pois está bem em frente. E quase passo batido por causa de uns pezinhos cansados. Não iria me arrepender, porque não tem como ter arrependimento pelo que você não fez. Mas fiquei muito contente e agradecida por ter feito.

Além do Palácio ser muito bonito, dali se têm as melhores vistas do lado oposto.

Ali tem outro mirante com imagem dos pontos avistados, e seus nomes. Fiz um vídeo bem amador, onde minha digital é a assinatura da minha incompetência. E como se não bastasse, ainda me mostro contente no final. Porque ainda não tinha visto o resultado. Perdoem-me. (vídeo no Facebook Meyre Lessa)

E se as nuvens parecem ameaçadoras, indicando uma possível chuva, ficam muito atraentes como moldura nas fotos da cidade.

E agora sim, é hora de terminar essa jornada, antes que o mundo fique de cabeça para baixo, como para este desafortunado cervo.

Amanhã eu ainda vou passear no 'shopping', que eles chamam de Centro Comercial, até a hora de ir para o aeroporto. Meu voo é só às 22 horas. E estou um pouco preocupada porque vou chegar à Sicília à meia-noite. Mas o hotel me indicou um transporte. Espero que dê tudo certo.

E já combinei de encontrar o Peter à tarde. Ele irá comigo ao passeio. Hoje ele não pode porque tinha médico marcado.