NORWAY IN A NUTSHELL - SEGUNDO DIA

08/09/2019

Sem mais nenhuma ocorrência de madrugada, consegui dormir bem no chão. Despertei um pouco antes do programado, às 7h37. Troquei mensagens com a Elisabeth e combinamos nos encontrar às 9h30 no posto de informação para juntas tomarmos o café da manhã. Preparei-me e fui ao seu encontro. Eu estava bem perto e cheguei pontualmente. Ela que tinha ficado num ponto bem mais distante acabou se atrasando um pouco. Ainda não fez nenhuma das reservas de hotel seguintes, disse estar com a cabeça cheia de preocupações. Quem sabe Deus não preparou-lhe esta viagem para poder se distrair.

Andamos de um lado para outro no centrinho de Flam para achar um café. No fim optamos por uma padaria onde pedi um croissant e uma tortinha que parecia uma granola de grãos moídos misturados com blueberrys. Excelente! Tomei logo dois copos de capuccino. Bebidas quentes vão muito bem neste frio de 7 graus. ela pediu um lanche grande de queijo e presunto com saladas, mas não comeu todo de uma vez, e café.  Sentamos a uma mesa externa, num lugar coberto. Percebia-se que durante a noite choveu porque as mesas na parte descoberta estavam todas molhadas. Conversamos bastante. Senti que ela precisava desabafar.

Depois do café resolvemos continuar a conversa caminhando para conhecer um pouco mais daquele chão. Atravessamos o gramado para nos aproximarmos mais do rio numa parte mais largar do mesmo, e encharcamos as pontas dos tênis de tecido. Ruim. Hoje será um dos passeios mais frios que realizaremos, no barco pelos fiordes noruegueses.

Em todas as cidades se veem o Troll em estátuas, lembrancinhas, brinquedos ou pinturas. É uma criatura imaginária que faz parte do folclore escandinavo. E aqui estavam representados diante de uma loja.

Nosso barco sairia às 11 horas e notamos uma fila se formando às 10h30. E lá fomos nós para uma emocionante aventura. Mal chegamos e a nossa fila já começou a andar. Haviam duas filas, para os viajantes individuais que compraram ali mesmo os bilhetes, para grupos e outra fila para os viajantes do Norway in a nutshell. Nós entramos primeiro.

O barco é bem grande, com 3 pisos. Em todos áreas internas e externas. Passarelas ou escadas para a locomoção, então acessíveis. Até tinha uma cadeirante muito bem disposta que subia e descia toda hora aquelas passarelas, brincando com uma criança pequena que pareceu-me ser seu filho.

Nessa viagem coloquei a meia calça por baixo do jeans, uma camiseta de manga longa, de tecido mais grosso e bem colada, um moletom com capuz e a jaqueta corta vento e impermeável. Comprei as luvas em Oslo pensando nesta parte e na viagem do mês que vem, mas atrapalhava tirar as fotos. Coloquei a meia de tecido mais quentinho que trouxe, comprada em 2010 aqui na Europa. Uso-as pouco porque não costumo frequentar lugares frios.

O passeio pelos fiordes se assemelha ao dos caniôns do Rio São Francisco, por exemplo, com as diferença na vegetação, no clima, no sabor da água, aqui água do mar, e na quantidade de cascatas de degelo que descem pelas montanhas. O fiorde é justamente uma formação rochosa erodida pelo degelo glaciar antigo  com penetração do mar entre elas. São notados na Noruega, Nova Zelândia, Chile e Gronelândia.

O desenho que o mar vai fazendo serpenteando entre as montanhas de rocha feito uma estrada e as cachoeiras formam um cenário muito lindo. Adoro a composição da água com os outros elementos na formação dos cenários.

E certos momentos forma-se um corredor de vento enregelante. Nestes momentos tratávamos de fechar o capuz até sobrar só os olhos e nariz descobertos. Daqui a pouco um olho de sol surgia ou as montanhas se enfileiravam para segurar a ventania.

Algo que muito me encantou também nas paisagens foram as nuvens a meio caminho do cimo das montanhas. Dava a impressão de elas estarem tão mais acessíveis e palpáveis. Nessa hora elas parecem sim nuvens de algodão.

Num determinado momento o barco encostou próximo a uma queda de água maior. Preferi ficar no extremo oposto enquanto a maior parte da gente se aglomerava para tirar fotos, e quando ele virou para prosseguir viagem tive a cachoeira só pra mim por alguns instantes.

E depois acredite se quiser, no meio daquele nada tinha gente andando de caiaque, e não foram poucos não. E vimos até uns iglus de gente congelada, creio eu, kkkk

A Elizabeth comentou que leu que o barco passaria por um lugar bem estreito entre as montanhas e quando vi o mesmo se aproximar de um lugar com esta descrição corremos para a frente do barco, o lugar mais frio de todos, para observar este feito.

Logo depois ele já atracaria em Gudvangen, junto à uma parada de ônibus para o trecho mais inusitado da viagem, este de ônibus. Passamos quase 2 horas no barco e na parada mal tivemos tempo de tirar umas fotos.

Dois ônibus recolheram os turistas do passeio rumo à Voss, nosso penúltimo destino. Tivemos a sorte de ficar para o segundo que foi só com 15 passageiros. O primeiro não foi lotado de gente, mas sim de bagagem. Sentamo-nos separadas, uma na janela de cada lado do ônibus e pudemos fotografar melhor assim. O ônibus tem entrada de USB para recarregar o celular, ótimo. 

Por que chamei este trecho de inusitado. Porque a estrada é um caracol para um só veículo que desce na beira do barranco e onde se pode observar os desfiladeiros e o rio lá embaixo. Em algumas curvas o ônibus como que se encaixava numa muradinha e parava para fazermos fotos de cachoeiras, de uma lado e de outro. Parecia que ficar entalado naquela posição e que teríamos que fazer o restante do caminho a pé. Mas o experiente motorista dava conta do recado e seguia tranquilamente.

Quando finalmente chegamos à parte baixa e mais plana, inciamos uma jornada por túneis escavados na rocha, que em grande parte não precisavam de nenhum acabamento, em outras havia uma espécie de tecido que serve como proteção para evitar deslizamento de pedras.

E o rio ia de uma lado para o outro. às vezes estreito, às vezes largo, e como em todo o resto do percurso, surpreendendo pela limpeza, transparência das águas geladas, e pelas várias formas com que se nos apresenta.

Ele nos deixou junto a uma estação de trem para fazer o percurso de Voss ao destino final, Bergen, com uma hora de antecedência, tempo em que foi possível conhecer e conversar com umas americanas, além de circular com elas a procura do ponto de partida. Nos separamos um pouco quando a Elizabeth e eu fomos atrás de comprar algum alimento já que a chegada ao hostel em Bergen seria por volta de 18 horas. Esta possui um teleférico que leva o pessoal para uma panorâmica do lugar mas também para praticar parapente.

Na cafeteria da estação peguei umas batatas e um chocolate em moedas que minha companheira disse ser bom. Quando fui pegar um chá no freezer, sua porta automática vinha para cima de mim, e eu com as duas mãos ocupadas não consegui me desvencilhar. A porta me atacou.

Fui pagar e olhei bem séria para o moço. Ele me devolveu o olhar com cara de preocupado.

_ " The door. It's killer door."

Ele repetiu e caiu na risada. E eu junto. Já estou fazendo piada em inglês. kkkk

A Elizabeth comprou quase o mesmo que eu e retornamos pelo mesmo caminho a procura da plataforma 1. Lá sentamo-nos perto das americanas. Fiz fotos delas para elas e com elas para mim.

Antes, em nossas conversas enquanto andávamos para lá e para cá, soubemos que duas delas moram na Califórnia, uma bem perto de Pismo Beach. A terceira mora em Porto, Portugal, mas não fala português, no entanto fala espanhol. Ela e a de Pismo Beach. Mas conversamos a maior parte do tempo em inglês.

Pedi a ela que me relembrasse como eu ofereço algo que estou comendo para alguém.

_ " Would you like same ... ( no caso eu comia batatas fritas, então ela disse que seria same chips)?

O lugar neste trem era marcado e eu estava no carro 5 assento 33. Elas estavam no mesmo carro, assentos 3-, 31 e 32, ao lado. Eu sentei perto de um casal jovem de namorados que ficou um tanto constrangido com minha presença, explicando-me que os bilhetes que eles compraram não tinham assentos marcados, sendo possível sentar em qualquer lugar. Mas o meu tem e meu lugar está bom. A Elizabeth ficou no vagão 4.

Eu esperava um trem panorâmico como o que vai pelo Vale Sagrado a Macchu Picchu mas, a janela panorâmica é só ao lado mesmo, como no percurso inicial de Oslo a Myrdal.

As paisagens continuam lindas mas se repetem. 

Fiz até uma foto minha refletida na janela quando o trem entrou num dos tantos túneis. E falei para o rapaz:

_ " Two me."

Ele achou engraçado.

Não demorou muito chegamos à Estação de Bergen. Primeira providência: -comprar passagem de volta para a Elizabeth. Eu comprei a minha pela internet.

Fomos em três máquinas diferentes porque a bilheria só fica aberta até 16 horas aos sábados. Havia a opção de compra em inglês e norueguês, escolhi???

E estou ficando craque neste negócio. Só na última tela antes do pagamento que tinha que aceitar um negócio e eu não estava fazendo, e a operação não se concretizava. Na terceira vez decidi concordar e um ticado apareceu, e o bilhete foi emitido. 964 coroas norueguesas, ou 95 euros, para uma viagem noturna para Oslo, saindo _as 22h13 e chegando por volta de 6h da manhã ao destino. Lá tentaremos alugar um armário para a bagagem e faremos os passeios que faltaram pois nosso voo é no final da tarde para Helsínquia.

Bilhete comprado, vamos localizar meu hostel que é próximo à Estação. Verificamos e não havia mais lugares para a Elizabeth. O jeito é mesmo ela ir para o hostel que conseguimos locar, porém distante da cidade 3,5 km. Mas antes vamos procurar onde jantar. Próximo a uma igreja, das tantas que têm por aqui a Elisabeth viu um restaurante indiano.

Como ambas gostam de comida variada e nossa fome não era muita pois comemos batatinha frita pelo caminho, entramos e confirmamos que não havia necessidade de reserva, mas ficamos no andar inferior. Pedimos só entradas. Eu uma sopa e ela salmão. Tomamos um suco cada uma e aproveitamos para fazer as reservas dos hostels para ela, nos mesmos lugares que ficarei.

O garçom falou-nos ser colombiano e fui muito gentil conosco, apesar de não parar para conversar porque o restaurante estava muito cheio. No final pediu-nos um táxi que conduziu a minha companheira de viagem ao seu hotel. Gastou 315 coroas norueguesas neste percurso. Barbaridade tché! Mais 63 euros na diária do hostel onde ficou só num quarto para dois. Mas consegui um hotel para ela aqui perto do centro por 1558 coroas para duas noites, quarto duplo. Um pouco mais caro mas tem banheiro privativo e economiza no transporte e no tempo. Engraçado que quando fui cotar esqueci de trocar para uma pessoas, apareceu este apartamento duplo. Quando troquei apareceram apartamentos a partir de 1650. Como assim? Voltei ao número de dois ocupantes e consegui então uma economia de quase 100 coroas, 10 euros ou quase 50 reais. Para ficarmos espertos na hora de fazer as reservas.

O hostel que estou é muito bom, por 33 euros a diária. São 5 beliches e um banheiro no quarto, com uma área intermediária que contém um bom espaço e os armários chaveados. Mas nos corredores existem outros sanitários e duchas, não muito longe. Eu prefiro usar o sanitário fora e só a ducha no quarto, com exceção de minha levantadinha noturna.

Eu já estava pronta para iniciar a finalização da postagem de ontem quando chegou uma moça e a única cama vazia era acima de mim. Perguntou-me como saber e eu expliquei. Depois me perguntou de onde eu vim. 

_ " Brasil."

_ " Até que enfim encontrei alguém brasileiro nesta viagem. Em tantos anos que viajo nunca tinha acontecido de não encontrar nenhum brasileiro."

Sei que conversando, me contou que está fazendo um curso de um mês em Londres e aproveitando os finais de semana para viajar pela Europa. É carioca e viaja sozinha. Ficou na minha mente que disse algo sobre 36 anos, apesar de parecer mais jovem, talvez seja 26 e eu ouvi errado. Ela chegou e a recepção já estava fechada, mas informaram-na que podia usar seu cartão de crédito para abrir todas as portas, até a do quarto, e as demais instruções e chaves deixaram sobre a mesa do quarto. Fantástico não? Conversamos bastante até que eu comentei que tinha que escrever e ela ainda tinha que sair para jantar. Já deixei-a avisada sobre o ronco, Ainda bem que ela dorme com os fones de ouvido porque eu dormi bem relaxada nesta noite.