No rabo da Ovelha – ILHA DA MADEIRA                      .

04/01/2020

O Antonio me disse que a Ilha da Madeira tem o formato de uma ovelha, e hoje iríamos caminhar por seu rabo, indo até o Cais da Sardinha.

Eu diria que, sendo bem criativo, sim, podemos dizer que é uma ovelha, deitada sobre as pernas, que não estão visíveis. Bem peluda, de modo que não vemos bem duas formas. Hahaha.

O fato é que este era o passeio mais almejado por mim, que gosto de conhecer os extremos, e que aqui estou podendo chegar aos extremos cardeais, e no mais alto pico. Só não quero saber o marítimo.

  • Ponto mais setentrional - Ponta do Tristão, Porto Moniz,
  • Ponto mais meridional - Ponta da Cruz, São Martinho, Funchal
  • Ponto mais ocidental - Ponta do Pargo, Ponta do Pargo, Calheta
  • Ponto mais oriental - Ilhéu do Farol, Caniçal, Machico
  • Ponto mais alto - Pico Ruivo, Santana; altitude: 1862 m

Acho impressionante ser uma ilha e podermos chegar de carro, em tão pouco tempo, às suas extremidades.

Iniciamos o caminho parando no Miradouro do Machico. Dali observamos a pequena Vila e mais ao longe, atrás da montanha, está o Porto do Caniçal, por onde chegam as mercadorias atualmente, já que o Porto do Funchal passou a ser destino turístico.

Mais à frente, no Miradouro Francisco Álvares da Nóbrega, uma vista mais aproximada do Machico, terra dos avós da amiga Leila. Existe uma lenda a respeito de um casal, feito Romeu e Julieta. Seriam eles ingleses, Roberto Maxim e Ana de Harfert, e fugiram de navio um dia antes do casamento da dama com um nobre, mas a nau pegou uma tempestade que veio dar na Ilha da Madeira, exato onde hoje é o Machico. Aportaram com tanta pressa que não ancoraram direito a embarcação, e essa se afastou com a tempestade. Ana, doente pela viagem, morreu uns dias após este episódio. E o Roberto, algumas semanas depois, de tristeza. Isso aconteceu mesmo antes do descobrimento oficial da ilha, diz a lenda. Mas o nome do local é uma homenagem ao Maxim, pois os primeiros portugueses que aqui chegaram, acharam a cruz do túmulo dos amantes e atribuíram o nome Machico.

Dali também se vê o 'Rabo da Ovelha' e faz parecer fácil o percurso a ser percorrido. 

E se tem uma visão da baía do Machico, com sua praia de areia preta e ao lado a de areia dourada, esta última sendo trazida do Marrocos para cobrir o local. E pude ver que a vila não é assim tão pequena, e fica num vale até bem generoso em conformação do terreno.

Falando com o Antonio, após ver o cacto de palma, com seu fruto avermelhado, de nome tabaibo, soube que não é o mesmo que vi na barraca de frutas, porém ele também é comido enquanto amarelo. Agora, vermelho, já está passado.

No caminho para o estacionamento para o Cais da Sardinha, passamos por uma aparente pequena Vila, mas trata-se de um complexo hoteleiro, feito nos moldes de vila, preservando inclusive uma estrutura uqe foi de uma igreja.

E o estacionamento estava bem cheio, o que nos fez parecer que esta trilha é uma das preferidas dos turistas.

É uma trilha de 3 km, com grau de dificuldade médio, e que o Antonio previa 3 horas de percurso de ida e volta.

Ao contrário de alguns lugares que os fins justificam os meios, esta trilha vale pelos meios. Começa com uma área com palmeiras.

Observamos a Baía Dabra, que é o recorte maior em direção ao Cais da Sardinha, Mas nela existem pequenos recortes que formam pequenas baías. E podemos ver também o aproveitamento do vento e do sol na captação de energia através de painéis solares ou dos grandes ventiladores para energia eólica.

Depois, durante o percurso a vegetação é rasteira e o vento uma constante. Por estar bem na divisa entre o Sul e o Norte da Ilha, forma a esquina de ventos, como em Natal, no Rio Grande do Norte-BR. Mas demos sorte pois hoje o dia não está com muito vento, só o suficiente para diminuir a sensação de calor do sol, já que iniciamos a caminhada ao meio dia.

Mas serão subidas e descidas, na maior parte do tempo, por caminhos de pedras chatas, inclusive com degraus.

Nos trechos em que o vento costuma ser mais avassalador, há uma proteção de cabo de aço funciona como corrimão.

O Antonio me mostra um túnel natural, na rocha, passagem para o mar. Eu não veria se estivesse sozinha. É o Morro Furado.

Algumas placas pelo caminho nos ajudam a identificar o relevo, e avistamos a Ponta de São Lourenço, a Ilha totalmente protegida, como eu viria a saber depois.

E a cada instante uma nova formação rochosa, colorida, ou um trecho cheio de rochedos, ou uma nova baía, de um lado e de outro.

As mais bonitas das montanhas coloridas são chamadas de Paredão. Mas não é de funk. Ainda bem!

O trecho pelo qual caminhamos é só uma tira de terra avançando no oceano. 

Estamos bem perto do aeroporto, e consigo captar um deles passando feito um pássaro contra a natureza local.

A parte mais bonita foi ver o mar pelos dois lados do caminho.

Quando a gente passa nos lugares não tem a mesma sensação que vendo de longe. Olhando o caminho, tem horas que parece que os caminhantes estão a beira do precipício, o que dá certo receio. Mas ao passar pelo local, não se tem a mesma sensação.

E num estreito trecho de terra, pisamos o sul e o norte da ilha ao mesmo tempo, um pé em cada hemisfério.

E lá ao longe vemos a casinha vermelha que é nosso destino. E dá vontade chegar até ela, sabendo que ali encontrará um banheiro, e quem sabe um café, um banco e uma sombra.

Escolhemos um caminho a esquerda sem perceber que havia outro pela direita, só o detectando ao ver os caminhantes. Decidimos voltar por ele.

A casinha vermelha é mesmo um oásis. Um banheiro limpinho por um real. Uma sala com um pouco de informação sobre a reserva que mostra a área de transição, a de proteção parcial, que foi a que caminhamos, e a de proteção total. O Ilhéu do Farol, que é o extremo sul da Ilha da Madeira, está totalmente protegido, e só é possível apreciá-lo num passeio de barco. E a Ponta de São Lourenço filha no Ilhéu do Desembarcadouro, imediatamente anterior. È mais fácil manter a proteção total já que não há conexão por terra. Ali também há o registro dos espécimes da fauna e da flora local.

O Antonio também não sabia sobre os passeios de barco. Mesmo os pontos de apoio, aqui a Casa da Sardinha, na Achada dos Teixeira, o Abrigo da Heidi, são concessões novas, da atual administração da Ilha. E estão muito bem executadas.

Eu só trouxe a bolsinha de moedas, com pouco dinheiro pensando num suco ou café. Então não poderei fazer o passeio de barco, o que talvez seja bom, já que mal me recuperei da maresia de ontem e farfei outro passeio amanhã. Mas a título de informação, os passeios ocorrem diariamente a partir das 13 horas, de hora em hora, com exceção ao último que, em vez de ser às 17 horas, é às 17h30.

O passeio de regresso custa 10 euros por adulto ou 25 para casal com uma criança, passa pela Baía Dabra, explorando as grutas,e finda na Marina Quinta do Lorde, com duração entre 15 e 30 minutos.

É possível fazer ida e volta pelo mesmo percurso, sem necessitar caminhar, por 15 euros. Parece-me uma sugestão interessante para quem tem mobilidade reduzida.

E depois tem outras possibilidades que incluem o farol do Ilhéu, passagem pelas grutas do mar do Norte, e vão de 15 a 30 euros.

Depois de usar o banheiro, pedi uma quiche bem gostosa, eu tomei um suco, o Antonio uma bica (café expresso). Creio que ficamos por lá entre 20 e 30 minutos. Um local bem aprazível para um meio de caminho.

Percebemos ao voltar pelo caminho de baixo que a melhor pedida seria fazer ao contrário. Chegar pelo da direita ( que é o de baixo) e retornar pelo da direita (o de cima) também, pois agora estamos voltando. Rs

Vindo tivemos a impressão que a volta seria mais fácil, não é vem assim. O início e o final, nos dois sentidos, são as partes mais difíceis, e à volta soma-se o cansaço.

As fotos do retorno foram poucas. Uma da Baía Dabra vista pelo outro lado.

Outra minha, sentindo-me a Noviça Rebelde. Percebam minha expressão de cantora. kkk

Algumas poucas de mesmos lugares mas sobre outra perspectiva.

E depois de 3h20 de caminhada, aproximadamente, estávamos de volta ao carro. Às 15h45. E dali fomos até um mirante de onde poderia ver o paredão com o sol refletido nele e com suas cores em evidência.

Meu jantar foi sopa de abóbora. Já estou tão exausta que não quero fazer mais nada além de tomar um banho, e dormir. Jantei na galeria aqui perto.

E nem TV eu quis ver. Nem nada mais.