Nazaré, e a Gruta de Mira de Aire em LEIRIA – Portugal.

13/03/2020

Decidimos sair mais cedo de Peniche e não ir ao Museu dos Bilros já que a Cristina queria ir ver mais ondas gigantes. E o destino seria Nazaré, que não estava no roteiro mas é pertinho e compensa.

Coloquei no Google Maps o endereço do Santuário porque sabia que a partir de lá é fácil chegar à Fortaleza e também ver as ondas da Praia do Norte e apreciar suas ondas.

O largo do Santuário de Nossa Senhora de Nazaré estava surpreendentemente vazio. Alguns poucos comerciantes e alguns camelôs com seus carrinhos de guloseimas ou lembrancinhas estavam por ali.

Apreciamos a vista da Praia de Nazaré e a cidade ao nível do mar. 

E fomos até uma senhora que vendia castanhas e outras coisas mais para perguntar se o trenzinho que vai até a Fortaleza estava funcionando.

_ " Não, ele só funciona de julho à agosto."

_ " É permitido descer com o carro até lá."

_ " Não também, mas tem um estacionamento antes da descida."

Eu argumentei com a Cristina que teríamos uma longa descida e subida posteriormente mas decidimos fazer assim mesmo.

Ainda perguntamos para a senhora se tinha como entrar no Santuário sem usar as escadas da frente. E ela explicou como lá chegar, rodeando o prédio e subindo uma rampa na lateral. E ofeceu-nos castanhas, primeiro nos entregando vários tipos para provar. Como ela era tão simpática e a Cris perguntou sobre a armação de suas saias, e ela foi levantando as várias saias engomadas para nos mostrar que não tinha armação.

Acabei comprando umas castanhas de caju caramelizadas, explicando para ela que nos Brasil também temos destas, principalmente no Nordeste, já que alguns brasileiros fizeram-na crer que no Brasil só temos castanhas salgadas. E pedi para tirar uma foto delas, portuguesa vestida tradicionalmente como as mulheres dos pescadores desta região e da Cristina.

Mas fomos primeiro visitar o Santuário de Nossa Senhora, já que minha amiga não conhecia o lugar.

Fizemos a volta pelas ruas da parte alta junto ao Santuário até achar o caminho para o estacionamento. Olhamos para verificar se havia placas proibitivas e a vimos. Estacionei o carro e descemos.

O mar estava bem bonito de se ver. Mas conforme fomos descendo vimos alguns carros passando pela estradinha. Deixei-a perto da escultura do homem com cabeça de veado e prancha de surf, e voltei ao estacionamento.

Ao lado da placa proibitiva havia outra placa dizendo os meses da restrição, de junho a setembro, ou quando tiver eventos. Confirmei num bar conforme orientação a Cris, e tirei o carro do estacionamento, indo ao encontro dela,

Pagamos 1 euro cada para entrar na Fortaleza, e passamos pelas salas de exposição fotográfica, e pelo pátio inferior de onde se tem algumas bonitas vistas.

E depois fomos para fora, ver as ondas. E tinha um jet ski que carregava um surfista para a parte mais profunda do mar, até as ondas, e ali, quando este achava uma onda boa, se soltava e surfava. Captei alguns destes momentos em vídeo, que coloquei no meu Facebook (Meyre Lessa).

Pegamos o carro e voltamos para o Largo, e fomos comer algo já que não sabiamos se na próxima atração haveria restaurante. Comemos um bolinho de bacalhau com queijo, mas que parecia mais um bolinho de batata com um pouco de bacalhau. Mesmo assim, estava bem gostoso. Bebemos suco.

E voltamos para estrada rumo às Grutas de Mira de Aire. Também não era muito longe e chegamos lá às 13h40, depois de passarmos por partes da Serra de Aire e Candeeiros.

Compramos o ingresso após sermos informadas que o próximo grupo só sairia às 14h30. E que o tempo de permanência na gruta era em torno de 50 minutos.

Achamos melhor comer direito então, mas não tínhamos fome para almoço por causa do bolinho. Ao lado da entrada para a Gruta tem um restaurante e uma cafeteria. Optamos pela segunda, a Sweet Vintage. Eu pedi torrada e chocolate quente. A Cris pediu meia tosta mista e um suco de laranja, depois pediu um pote composto de iogurte, gelatina, granola e fruta. Todos os pratos foram bem apresentados e a comida era muito bem feita. Adoramos. E um preço bem acessível, além das quantidades eram bem grandes.

E voltamos para a entrada da Gruta onde já eramos aguardadas pelo Nelson. Ele nos colocou numa sala de vídeo onde assistimos uma breve explicação de como foram descobertas as grutas, sobre o processo de filtro da água pela rocha calcária do local, formando rios, poças e lagoas dentro da montanha.

E depois iniciamos o passeio. Logo após a entrada ele nos comunicou que desceríamos 638 degraus, num percurso de 500 metros visitáveis dos quase 16 km de grutas total.

Nessa hora a Cris se preocupou. O que fazer diante de sua dificuldade com o ligamento do joelho quase rompido?

Já estávamos dentro e com ingresso comprado, eles iriam seguir devagar já que o Nelson teria que falar em 2 idiomas. Seguiram conosco 3 franceses cuja filha falava inglês e traduzia para os pais o que o guia dizia.

O guia explicava para nós sobre a formação das rochas, estalactites e estalagmites, poços profundos e rasos, rios e lagos que encontramos pelo caminho. E enquanto descíamos devagar, pé ante pé, onde ela segurava no corrimão de uma lado e se apoiava em mim do outro, ele explicava em inglês e ela traduzia.

Eu já fui em muitas grutas de diversos tipos, no Brasil e fora. E fiquei maravilhada. Não gosto de comparar coisas diferentes, mas achei a mais bonita que vi até agora. Todos aqueles degraus levando-nos por aquele enorme buraco dentro da terra.

Num determinado momento a Cris quis ficar com medo, e eu não deixei, incentivando-a e acreditando na sua coragem. E ela seguiu.

As explicações que o Nelson nos dava era muito mais rica em detalhes do que as oferecida em inglês. Era é espeleólogo com especialização em mergulho em grutas.

Contou-nos que recebem muitos escolares para visitar a Gruta, mas por causa do Corona Vírus, houve muitos cancelamentos. E que mesmo os turistas particulares diminuíram. É comum ele andar com grupos de mais de 15 pessoas, e ali estávamos nós, em 5 pessoas.

Se essa pandemia durar muito tempo, seu patrão vai acabar fechando a gruta pois o custo de mantê-la acesa e pagar os guias é muito alto para a quantidade de visitantes que estão vindo agora.

Disse-nos também que o movimento e o conhecimento do lugar se deu após a atração der considerada uma das 7 maravilhas naturais de Portugal. Não conheço as outras, mas esta merecer ser a primeira.

No finalzinho do percurso, na parte plana, aparece o que eles chamam de Rio Negro, pela coloração das paredes de seu leito. E chegamos ao elevador, por onde voltamos a superfície e onde deixei novamente a Cristina e fui buscar o carro e resgatá-la pela segunda vez no dia.

Tamanho esforço durante o dia causou-nos um grande cansaço. O hotel de Leiria, Eurosol Jardim, era muito bom. Até piscina ele tinha.

E o sol se pôs novamente em nossa janela.

E para poder descansar decidimos finalizar a noite no Wine Bar do hotel, assim eu poderia tomar um vinho sossegada. E pedimos sopa de legumes, que era a sopa do dia. Pão e vinho, muito bom. Conversamos bastante e depois fomos dormir leves, apesar da combinação não ser agradável ao estomago da Cris, mas ela tomou lá suas providências.