MUCEM – Museu das Civilizações da Europa e Mediterrâneo de MARSELHA (FRANÇA), e muito mais...

22/01/2020

Acabei dormindo tarde, mas como marquei com Peter, 9h20 estava de pé e avisei que ia atrasar um pouco, e como ele respondeu: " Chego", percebi ser um erro de tradução e pensei que ele já estava lá embaixo. Apressei-me e quando desci, não o vi. Aí perguntei onde ele estava, e me disse que logo ao meu lado. Piorou, além de tudo estou ficando cega.

Fiquei junto à porta só na espreita, e nisso desceu um moço, saindo do hotel e me viu na porta. E começou a falar comigo, mas não me senti confiante e esforcei-me para não entender. Ele perguntava se eu era casada, se estava sozinha, e dizia que ele estava sozinho em Marselha e queria trocar telefones porque queria uma amiga com quem passear. Mas nisso eu vi o Peter chegando, com cara séria e aquele jeito que as pessoas têm de proteger as pessoas conhecidas. Cumprimentei-o e disse ao outro que ele era um amigo. Ele pediu desculpas e nos afastamos deixando-o sem graça.

Eu tinha dito que faríamos o desjejum juntos, mas ele achou que eu ia tomar no hotel. Ele não compreendia que o hotel que estou não tem café da manhã e, apesar dos quase 40 euros que estou pagando na diária, para os padrões da França é barato. Ainda que posso preparar meu café no quarto, se quiser, já que tem o micro-ondas e a cafeteira para aquecer a água.

Paramos numa cafeteria perto do Centro Comercial e peguei um combo, com uma tacinha de suco de laranja, um café com leite e um croissant com chocolate dentro. Ouvi outro dia uma pessoa falando que, de manhã, ele gostava de comer algo doce. Eu lembro que os nossos vizinhos da América do Sul também o fazem. Ainda assim paguei 5,90. E somando a quantidade dos dois líquidos deu uns 400 ml.

Dali fomos ao MUCEM. Tivemos que percorrer toda a avenida ao longo do velho Porto e subir muitas escadas, atravessar uma ponte de pedestres feita para o acesso ao Museu. Uma boa caminhada.

Na entrada somos revistados com aqueles aparelhos que passam pelo corpo para detectar metal, e na hora de comprar os bilhetes foi uma confusão. Ele disse que tinha dezenove anos, então pagaria 7,50 no ingresso. O meu custaria 11 euros. E a atendente ofereceu o áudio guia por 3,50 e eu entendi ele dizer que não seria necessário, pois ele podia me explicar. E ela contestou:

_ " Mas você vai saber explicar sobre a exposição temporária?"

Eles falavam em francês de modo que entendia parcialmente, mas para facilitar, cortei o assunto e pedi que ela me cobrasse os dois ingressos e um áudio guia, ao que ele contestou, pois não queria que eu pagasse a dele.

Porém, para levar o áudio guia tive que deixar meu passaporte. Rigoroso não?

As exposições estão em três corpos do Museu, dois deles dentro do Fort Saint-Jean e a outra em vários andares do Cubo J4, idealizado pelo arquiteto Rudy Ricciotti. E para chegar a ele passamos por outra passarela suspensa sobre o Mar Mediterrâneo. Parece ser a 'menina dos olhos' ou melhor, como eles mesmos o chamam: o coração do MUCEM.

Iniciamos no J4, pela exposição sobre Giono, um escritos, poeta e pintor francês que viveu em Marselha, comemorando os 50 anos de sua morte. Ele esteve na primeira guerra mundial, e sua pintura demonstra o quanto esta afetou sua visão do mundo, mostrando uma obra deveras atormentada. Seus escritos estão expostos no original. Ele é considerado um prolífico escritor francês do século passado e teve obras transformadas em filmes. A exposição é rica em detalhes e espaço dedicado ao autor.

No mesmo andar uma exposição com o nome de Voyage, com temática e apresentação mais moderna. E foi feita com grupos de pessoas, incluindo crianças, a quem se apresenta o tema: viajar. Parece que todos tem um ideal quanto ao viajar, e acredito que a melhor viagem é aquela onde o pensamento voa... Esta não nos pode limitar a falta de tempo ou dinheiro. Por isso são tão importantes os livros...

Passamos também por uma exposição que fala sobre a conectividade e apresenta as fases das civilizações portuárias do Mediterrâneo, incluindo Portugal por sua importância nos descobrimentos, desde o século XVI e XVII. Essa foi a única parte que usei o áudio guia.

No Fort Saint Jean nós vimos as exposições Massilia Toy, com várias salas de brinquedos que marcaram as gerações anteriores, e que pra mim mostraram semelhanças e diferenças entre nossas sociedades. Mas é voltada ao público adulto, na apresentação e até no local escolhido para tal. Um cheiro ruim de umidade num lugar muito fechado, como porão.

Vimos também a exposição Kharmohra, com foco na criação de jovens afegãos, com um olhar também sofrido por a vivência de uma guerra constante da atualidade. O Peter que me alertou que a cortina bege é de letras do alfabeto árabe.

Além das exposições, passeamos pelos jardins, fomos junto às duas Torres do Fort, avistamos a Catedral, o mar, o velho Porto. Foi uma rica experiência. Inclusive pela comunicação com meu novo amigo.

Perguntei a ele se só tinha 19 anos mesmo, porque antes ele me disse que tem 28, no que acreditei. Mas ele me disse que era para pagar o ingresso de menor valor. E nossa comunicação foi bem interessante, com pouco uso do tradutor. Misturando espanhol, inglês e francês e eu, por vezes, falando em português com ele.

Aconteceu algo raro, num dado momento, na exposição Voyage, me pareceu que a segurança estava preocupada se eu ia fazer fotos com flash. E eu tentava explicar para ela que não uso flash em exposições, pois já estou acostumada a essa exigência. Aliás, raramente uso flash. Um senhor se ofereceu para ajudar, já que entendia português. Ele me ouvia falar em português e depis falava para eles em português. Não, não me enganei na escrita. Quando percebi expliquei para ele que os demais falavam francês. Daí ele traduziu o que falei em português. Foi muito estranho. Como se ele não percebesse que eu estava falando em português. Imagino que, para quem fala diversos idiomas, de vez em quando dê um pane assim.

Era hora de almoçar, já passava de 14 horas. Ele me perguntou:

_ " Você gosta de Kebab?"

_ " Oui."

_ " E já comeu aqui em Marselha?"

_ " Ainda não."

E decidimos pelo Kebab. E fomos à rua do trem elétrico, mais perto de onde ele mora.

No caminho, vi o touro de perna de pau, que avistei ontem do barco, quando voltada das ilhas, mas que não conseguiria fotografar. E o Peter me mostrou que também tinha um leão, e não sei porquê gostei mais do touro.

Junto com o kebab, que por sinal estava uma delícia, vem uma porção de batatas e um bebida, que escolhi chá, em lata. E não sei quanto custou, porque o Peter fez questão de pagar.

Como ainda eram 15 horas e ele só iria iniciar o trabalho às 17 horas, tivemos tempo de caminhar mais um pouco e eu disse que queria ir de novo até a Ópera. Tinha a esperança de que estivesse aberta.

Mas no caminho quis ir até a construção que chamou a atenção do Fabian, mas que ele foi sozinho depois de me deixar perto do hotel. E o Peter me disse que era a 'Prefeitur'. Isso mesmo. Temos termos parecidos. Em espanhol seria 'ayuntamento'. Só que os franceses falam:"Prefeitiur."

Minha auxiliar de edição e amiga, Maria Cristina me disse que no francês culto, e também no mapa de turismo, se diz: Hôtel de Ville.

Fez-me recordar do Vitor escrevendo 'muito' sem usar o tradutor, já que ele fala português. 'Mouito." Achei engraçado.

E até chegar a Ópera, passamos por diversos edifícios interessantes: e por uma rua de pedestres bem movimentada, onde no final se via a Prefeitura. Até pela Igreja Saint Charles, onde, naturalmente, eu quis entrar. Até, finalmente, a Ópera Municipal que, infelizmente, estava fechada, de novo.

La Ópera ficou mais bonita com ele na frente. Parece um modelo.

E agora não dava tempo nem para um café, ele me acompanhou até o cruzamento com a rua do hotel e se foi. E aí eu olhei no final da rua e lembrei daquele monumento que, de longe parece a Torre Eiffel. E resolvi ir até lá. E era longe mesmo. Passei de novo ao lado da Prefeitura. E ainda tinha que caminhar mais.

E meus pés doíam afinal ontem a caminhada também foi dura. E nem imagino quantos quilômetros fiz hoje.

E chegando lá era um obelisco, muito lindo, numa rotatória. 

E o ponto final do trem elétrico. Vi que havia uma máquina para vendas de bilhetes. E na tela 4 bandeiras. Tenho que conhecer as bandeiras dos países agora, para eleger o idioma que quero falar. Tinha da Itália, Inglaterra, Alemanha e Espanha. E paguei 1,80 pela viagem, com muita alegria.

Fiquei de olho para tentar adivinhar a estação para descer, e decidi pela terceira, depois da partida. E acertei. Já economizei sola e meus queridos pés.

No quarto tomei meu banho irregular, onde a água não tem pressão constante num momento me arranca os pelos, no outro me congela a alma. Mas ainda assim estou contente.

Vou tirar um cochilo. Sinto que o Vitor não vai mandar mensagem, então já vou ficar de camisola. E quando acordar, escrevo. Agora estou muito cansada mesmo.

E assim fiz.