MONTREAL - SENTINDO-ME EM CASA

26/06/2019

Muito bem! Colchão no chão e uma noite melhor dormida, já poupou minhas costas um pouco. Táxi marcado para 6h30. Levanto-me às 5h45 e 6h20 estou saindo com as malas, sem imprevistos, o táxi já está me esperando.

Este cobrou primeiros os CAD$ 30 para saber como proceder com as malas, sem gorjeta, sem muita colaboração.

Voo doméstico, me senti em casa, sem dramas, cheguei ao aeroporto às 6h45 para um voo às 9h50, foi postergado e eu tinha me esquecido. Sem problemas.

O café da manhã eu fiz no aeroporto, perto do portão de embarque. Consegui finalmente uns sanduíches salgados. Por que será que eles gostam tanto de coisas doces no café da manhã? Só doces.

Minha poltrona era a 37B, fiquei feliz porque não seria mais um aviâzinho. Mas ia sentar bem no fundão. Engano meu! Era um daqueles jumbos talvez, com 3 fileira de 3 assentos, e eu, fiquei no meio. Se algum dia sonhei em dormir com 2 homens, o sonho se realizou hoje, kkkk. Sentei entre um Chinês ou alguém dos olhinhos puxados que não sei identificar e um iraniano, que também não sei identificar, chamaria de turco ou árabe, mas nós conversamos, e ele me disse ser do Irã.

Pensei que teríamos um voo de 7 horas, mas foram só 4 horas de voo e 3 de fuso. Aqui em Montreal só estou com uma hora a mais que no Brasil. Mas é como se eu tivesse perdido 4 horas de minha vida, apesar de tê-las ganho enquanto ia para o Oeste.

O Homayoon fala inglês, mas seu idioma é o persa. Ele foi muito gentil e me aconselhou a guardar toda a bagagem, com exceção da bolsa, no compartimento acima. Foi bom porque ficaríamos ainda mais apertados. Se preocupou se eu estava com frio porque estava toda embrulhada, mas é eu tinha ligado o ar condicionado no meu rosto, para não sentir-me presa e não ter um surto claustrofóbico.

Eu deste tamanho, no meio de dois homens, deixei ambos apertados. Mas foram muito gentis e deixaram-me bem. A Air Canadá só oferece, nesta linha,  gratuitamente, as bebidas. As comidas são compradas. Mas eu não tinha fome e só tomei água no primeiro serviço e café no segundo.

O meu amigo de viagem é bem falante. Estava retornando de Vancouver, onde moram sua mãe e irmão com a família. Fez a primeira conexão em Montreal, ia ainda para outro país que minha memória fez o favor de esquecer e depois Teerã, onde reside. Tem um casal de filhos gêmeos, de 15 anos. É engenheiro Mecânico. E o sotaque dele nas letras W e V do inglês me deixavam confusa. Ainda mais com o barulho do avião e eu ficando surda. Mas ele foi muito paciente e foi possível conversar bastante até.

Num dado momento, já chegando a Montreal, quando a internet voltou a funcionar e ele me mostrou algo que escreveu no celular, fui procurar meus óculos, não estavam na cabeça, nem pendurado na blusa, nem no bolso interno do casaco, disse-lhe:

_ " I lost my glass."

_ " It is in your bag."

Pensei: "Será que coloquei lá? Quando estava abrindo a bolsa, lembrei-me que sim. E ele viu. Não estava sugerindo para ver na bolsa, estava afirmando que ali estava. Aí, contei-lhe o episódio com o taxista, da carteira, em Pismo Beach. Kkkk. Expliquei que minha memória está mal.

A descida do avião mostra a educação do povo. Quando cheguei a Vancouver, tinha uma conexão atrasada por nosso voo, que saiu com uma hora de atraso de Seattle. Pois a aeromoça pediu que este passageiros descessem primeiro e ninguém se moveu dos assentos enquanto eles não desceram. Hoje, vão saindo os da frente e todo mundo espera a sua vez, o que é bem razoável, o piloto não vai deixar ninguém preso no avião ou decolar só com você lá dentro.

O nome dele é difícil de escrever, então vou chamar de iraniano. Ele me acompanhou até a esteira para retirada de bagagem, depois fomos para a rua. Ele queria fumar. Eu o convidei para almoçar comigo, mas ele disse trazer lanches que sua mãe preparou. Não tem como lanche de mãe então, não insisti. Mas ele percebeu que eu estava com fome e perguntou-me se eu queria ir comer, escrevendo no Translate se eu não queria sua companhia.

_ " No. Let's go. I eat and you look."

De volta ao interior do aeroporto, achei um Subway, ele ficou numa mesa com minha bagagem, só levei a mochila e a bolsa.

Comprei uma lanche de atum com salada, os cookies do subway, que são muito bons, e uma bebida gasosa cor de rosa que escolhi na máquina, depois de muita dificuldade de fazer a moça do caixa entender o que eu queria, saber onde pegava a bebida.

Fiquei pensando em como a linguagem é mais que um jeito de escrever e falar ou se comunicar. Todos nascemos com o aparelho vocal igual ou muito semelhante, com algumas exceções, mas a maneira que o usamos é aprendida e com isso, a voz sai mais anasalada, mais grossa, mais redonda, ou mais agressiva... E cada povo transmite este ensinamento para seus descendentes. Quando ouvimos os japoneses falando, parece-me uma voz mais ardida. Os americanos me parecem um pouco fanhos, os franceses tem uma voz arredondada, os árabes falam alto, assim como os italianos, que também falam com as mãos, por isso o americano me reconheceu como brasileira em Portland, pela sonoridade de minha voz, e pode ter sido isso que fez o Chef no restaurante em Vancouver, reconhecer sua 'compatriota' de Sri-Lanka. Ela nasceu na Malásia, mas aprendeu a falar com seus pais, de Sri-Lanka e, certamente, leva essa sonoridade na voz.

Voltando ao lanche, agora estamos usando mais o tradutor para nos comunicarmos. Ele aponta uma família que sentou-se ao lado, dizendo que eles falam persa também. Tira um dos seus lanches e me acompanha no almoço. Dividimos um cookie e eu digo que gosto de compartilhar. Tiramos mais algumas fotos, mas desta vez eu manejo o celular, para que as fotos não sejam de baixo para cima, aparecendo toda minha papada. Argh! A última ele mandou pelo zap.

Diz que está no seu horário, peço que me encaminhe as fotos pelo 'zap' e ele se vai. Termino meu cookie e vou procurar onde posso pedir o UBER. No andar de cima, portão 7. Perfeito. Subo as escadas rolantes com facilidade, mesmo com as duas malas e a mochila, caminho para o portão 6 onde vejo escrito UBER. Chamo. Aparece o tempo de um minuto. Começo caminhar para o portão 7 e vejo que o UBER está a minha frente. Mas logo ele me vê, me ajuda com as malas e me traz para a Velha Montreal. Hoje é feriado aqui. Um argentino que está hospedado me ajuda com a mala grande até o primeiro andar, onde fica meu quarto, ou melhor, nosso, um quarto misto para 12 pessoas. Treliches com um espaço minúsculo para entrar. Escolho a mais próxima ao chão. Ainda não tentei entrar, só arrumei o lençol. Não tem muito espaço no quarto, e eu fico atrapalhada com as malas, mas tudo que preciso está na menor. Arrumei assim para não mexer na outra e ter problemas com peso nos aeroportos. E a mala grande é difícil de mover mesmo. Precisa de espaço.

Sanitários e chuveiros são separados aqui. Já fiz tudo que precisava e acho que aqui vou conseguir colocar vestido. Agora mesmo já são 22h35 e estou de short e camiseta. Delícia. E amanhã me encontrarei com minha prima Mônica e seu marido Saulo para assistir o Cirque de Soleil. Sinto-me privilegiada com este final de trip.

Estão tocando umas músicas alegres, ótimas para dançar, e eu não consigo trabalhar com música. Necessito dançar. Kkkk

Vou ter que acostumar meu ouvido para o terceiro idioma na viagem. Deste jeito vou virar poliglota. Hahahahahahahahaha. Por enquanto estou mais para polidiota, misturando tudo numa frase só e abanando as mãos o tempo todo.

Primeiro dia

Chove. Minha primeira chuva oficial nesta trip, pois CHOVE.

E esta chuva vai me parar? O colchão é meio mole e as costas doem um pouco, mas não me deterei. Afinal, sempre pensei que se posso sair para trabalhar com chuva, posso fazê-lo para ir estudar, também devo fazê-lo para ir divertir-me. Pergunto por um 'umbrella' na recepção e eles me arrumam um bem grande, por CAD$ 5. Aluguel.

Mas o caminho fica mais lento, tendo que lidar com o vento e o trânsito de muitos guarda-chuvas pelas calçadas.

Meu primeiro destino, café da manhã. A recepcionista me indicou um, não achei. Coloquei no Google, cheguei a um endereço que parecia fechado, mas não esgtava, apesar de algumas cadeiras sobre as mesas. Eles só falavam inglês e francês e, creiam-me, é a aprte mais difícil quando não se tem fotos no cardápio ou algo para apontar. Expliquei que queria café com leite, até aí, fácil, algo salgado e algo doce para comer junto. Eles tinham pão pita, aceitei. Ele me ofereceu algo com iogusrte grego, entendi que seria como um molho, só não entendi qual seria o acompanhamento: pepino fresco, cortado em bastões. Inusitado! Mas foi muito gostoso, descobri uma opção saudável para café, sem usar pão. Está certo que depois comi um haleu doce árabe com gergelim), bem doce, mas acompanhou bem o café com leite, E gastei algo como CAD$ 11.

Fiz uma programação no Google Trip, tinha instalado o aplicativo e esquecido de utilizá-lo, até agora. Gostei porque consegui estabelecer o melhor caminho dada a proximidade das atrações visitadas, coisa que sempre me dá trabalho verificar. Escolhi a Basílica de Notre Dame como o primeiro ponto a ser visitado mas, o caminho que fiz, passei primeiro pelo Montreal Museum of Archeology and History (Pointe-à-Calière). Foram CAD$22 para entrar.

O principal andar a ser visitado é o subsolo. Ele conta a construção e a importância da ponte que ligava as terras isoladas nos primórdios da colonização europeia. E conta de várias maneiras, através das ruínas, da galeria de esgoto, que por sinal, achei o máximo; senti-me em histórias europeias como conde de Monte Cristo, Os Mosqueteiros e por aí vai. Conta com vídeos, fotos, utensílios, trajes. São várias salas interligadas a serem exploradas. Uma verdadeira aula de história, em francês e inglês. E depois mais algumas poucas salas nos piso térreo, primeiro e segundo andar. Ou seja, dá para gastar um bocado de tempo aqui, e eu o fiz.

A evolução no tempo...

Mas ainda chovia quando sai, já perto de 13h. Cheguei à Basílica e uma pequena fila aguardava para adquirir o ingresso, de CAD$ 8 por adulto­. Ela é tudo o que eu esperava. Não espero encontrar-me com Deus nas igrejas, porque ele caminha dentro de mim. Sou eu o Templo de Deus, mas alguns lugares fazem o meu Deus transbordar em mim, todos os que me provocam encantamento. Mas não só lugares, pessoas, animais, situações... Mas eu estava desejosa de conhecer este lugar após ver um vídeo pelo What'sApp. Ela é grande, colorida, acho que de um estilo neo-gótico, estava iluminada e passou-me uma sensação gostosa de paz. Agradeço a Deus por mais esta oportunidade e privilegio.

Vou seguindo e observando as tantas construções antigas e tão bem conservadas. Montreal me faz sentir-me em casa. Conserva ares mais latinos, com sua influência francesa, pelo menos aqui na Old Montreal. As coisas estão menores, mais juntinhas, tornam a experiência mais íntima. Nada do gigantismo isolante do padrão  americano, que para eles representa um modo de ser e agir, faz parte de sua essência, e talvez isso os faça grandes mesmo.

Passo pelo Tribunal de Justiça e pela corte de apelação, ou seja, o Fórum.  Também pelo Montreal City Hall, que já foi um hotel e onde hoje funciona a Prefeitura da cidade, pelo Chateau Ramezay, e descendo a Place Jacques Cartier, cheia de bares e restaurantes muito simpáticos, até chegar ao Marcheé Bonsecours. 

É um shopping e esperava encontrar ali uma praça de alimentação e comprar uma blusinha para usar à noite. Mas o estilo é francês. Um restaurante, em reforma. Muitas lojinhas, até achei uma linda blusa rosa, mas cara e só tinha pequena, que ficou justa na manga. Pena! Ia comprar apesar do preço, gostei muito. 

Saindo do Shopping vi pelo Google Trip que a Notre Dame de Bon Secours Chapel, que significa Capela, era ao lado, e tinha lido sobre os seus barcos pendurados. Vou lá conferir. É uma grande capela, para nossos padrões. No topo dela a estátua da Virgem como Estrela do Mar enfatiza a conexão da Capela com o Porto. É também chamada de Igreja dos Marinheiros, o que explica os barcos pendurados.

Garoava quando sai. E passava um pouco das 15 horas. Resolvi voltar por caminho similar, tentar encontrar a blusinha e almoçar. Achei o restaurante L'Usine de Spaguetti, e pedi um prato de raviolli, uma limonada, e o buffet de salada estava incluso. Comi bem . Achei interessante o papel de mesa para serviço americano é o cardápio, bem pensado. Gastei uns 25 dólares canadenses.

E quando de lá sai, SOL. Cadê aquele tempo feio??? O céu estava azul. Fiz questão de revisitar os lugares com registro fotográficos já que o caminho de volta era similar. Quem pode acreditar?

Quando cheguei ao hotel e me dei conta, já eram 17h10. Combinei encontrar com minha prima Mônica entre 18h e 18h30 no Velho Porto para assistir ao Cirque de Soleil. Se alguém estiver tomando banho nos dois únicos chuveiros, estou atrasada. Mas felizmente estavam ambos vazios. Às 18h03  saio a pé, de vestido (ufa!! até que enfim um tempo bom para um vestido) e sandália de salto para o mais maravilhoso espetáculo circense do mundo. Hahaha, exageros a parte, eles são sensacionais. Já os vi no espetáculo Varekai, presente oferecido por minha filha Brenda a minha mãe e a mim por ocasião de um dia das Mães, de 2011.

A Mônica e o Saulo, seu esposo, estão recebendo a irmã do Saulo, Tiana e seu esposo, Erick, e assim, fomos os 5 ao espetáculo. Custou CAD$ 80 cada, o que é barato considerando que ficamos numa boa posição, em relação aos preços cobrados no Brasil. Até onde sei, o Cirque é originalmente canadense, mesmo composto de talentos do mundo inteiro em seus diversos espetáculos itinerantes pelo mundo.

Tiramos algumas fotos externas, compramos umas guloseimas e fomos procurar nossos lugares. Sentamos cedo pois, cada novo grupo que chegava, tínhamos que nos levantar e dobrar a cadeira para dar passagem. Mas não foi incomodo, 'faz parte do meu show', como diria Casusa.

O circo é tão bom que a gente não percebe o tempo passar, é um mundo encantado onde todos voltamos a ser crianças. Este espetáculo, de nome Alegria, só trouxe-nos sorrisos ao rosto e leveza a alma.  É lógico que os grandes desafios humanos são espetaculares, em números nos trapézios, com fogo, bambolês, círculos giratórios de deixar qualquer um nauseado só de olhar, mas a alegria mesmo é trazida pelos singelos palhaços, que vivem um amor fraterno, genuíno, de encontros e desencontros, como uma verdadeira amizade tem que ter. Desentendimento e perdão. Separação, distância, saudades e reencontro.  Tocante. Tira-nos sorrisos doces, que trazem paz para o coração. Meus preferidos, sem dúvida. 

Mas ao final, na despedida dos artistas por ordem de importância para a apresentação, descobrimos que nada do que foi mostrado teria o mesmo impacto sem a arte das principais estrelas, cantoras e músicos. Eles deram a medida das palmas, dos movimentos ritmados, da emoção em cada salto, ou cambalhota, produziram as sensações como batidas de nossos corações. São as verdadeiras estrelas que iluminam a arte, com a arte mais próxima de Deus, a música. Genial!!!

Dali saímos e ensaiamos umas fotos usando os recursos de aplicativos que foram colocados a disposição, e imagem virtual do condutor do espetáculo e detentor do cajado da Alegria, como disse um narrador mirim, em português brasileiro, sentado atrás de nós.

Depois, fotos da cidade colorida.

Da linda roda-gigante refletida num espelho de água.

Da ponte iluminada. E da nossa felicidade de estar juntos, desfrutar de um prazer que é a vida e da oportunidade concedida por Deus de aqui estar, viajar, conhecer, compartilhar, aproveitar...

Segundo dia

Hoje decidi achar um café aqui próximo que vi a indicação no Google no primeiro dia, mas fui demovida da ideia de procurá-lo por outra indicação. O Café Olive e Gourmando, na Saint Paul 351, literalmente, ali na esquina. Realizei-me. Ficou bem pra um almoço. Pedi pão semi italiano tostado, vieram 3 fatias cortadas ao meio, que viraram 6 pedaços. Manteiga e um queijo duro fatiado, delicioso. Um café com leite. Depois, um croissant de maçã e um chocolate quente. O preço também foi de almoço. São 8 horas da manhã. Agora posso deixar para lanchar bem tarde, pois o jantar será com os primos. Mas antes de ir passear, vou escrever. Não tive tempo ontem a noite. Saio somente às 11 horas.

Seguindo o Google Trip, farei um circuito um pouco além da Velha Montreal. Encontro uma cidade moderna, com muitos arranha-céus...

Fui direto para a Basílica Catedral de Marie Reine du Monde. Estavam tendo missa. Não fotografo nesta condição. Acompanhei a missa, em francês, comunguei, e ao final desta, fotografei a igreja, que foi construída mais recentemente, porém nem tanto. É linda, mas não tem a mesma energia da Notre Dame.

Dali segui para outra igreja, mas passando por uma bonita praça, e observando o horário do almoço dos trabalhadores, que pegam seus lanches os marmitas, chiques, e sentam-se nos degraus de escadas ou bancos das praças, para comer. Inclusive, tem duas escadas em forma de arco que servem como ponte sobre um estacionamento subterrâneo. Mas não havia necessidade do arco. Creio que assim fica mais bonito esteticamente, e proporciona muitos degraus para estes almoços ao ar livre, no verão.

Tudo por aqui está em obras, o Saulo explicou que as obras só podem ser realizadas no verão. Faz sentido. E na frente da Christ Church Cathedral não podia ser diferente.  A própria igreja está  passando por reformas.

Vejo uma placa da New Balance. Será que irei comprar o tênis. Procuro na internet o modelo para pisada pronada, meu caso, encontro 3 modelos. Volto à loja. Eles têm um dos modelos, o 1500. Ficou ótimo. Gastei R$ 477 e já saí com ele nos pés.

Fui até a igreja e vi um carro funerário a sua frente. Um cortejo adentrava a igreja, que eu já tinha fotografado externamente. Ainda tirei uma foto do cortejo, entendo como uma boa homenagem ao morto, mas ninguém faz isso normalmente.  Umas mãozinhas pediram para retirar-me. Acho que conservamos a mentalidade de que algumas atitudes molestam a alma. Maldade molesta a alma. O resto é só preconceito.

Meu próximo destino é o MaCord Museum McGill University. Dentro dele, várias exposições. Deixei a caixa de minha nova aquisição, aliás, descobri para que serve aquele furo na caixa, além de tirar da pilha de caixas na sapataria. Serve para carregar em vez de usar mais uma sacola. Li as instruções do dispositivo de fechamento da porta do guarda-volumes, mas saí desconfiada de que iria ter problemas na saída.

Perguntei pelos toiletes e fui direcionada ao subsolo. Voltei ao piso térreo, explorei o ali exposto, gostei principalmente por perceber as diferenças entre as roupas dos índios em lugares frios. Já tinha visto em filmes, mas não fazia associações. Eles usam muito a imitação dos animais em seu vestuário. E inclusive em seus rituais, comportando-se como os mesmos. 

 Dali segui direto para o terceiro e útimo andar de exposições, descendo pelas escadas depois.

No terceiro nadar, o que mais chamou-me a atenção na exposição da artista Hannah, foram as explicações dela sobre sua arte. Ela queria conhecer os modos e cultura das civilizações antigas mas os escritos que encontrava, usavam uma linguagem antiga, difícil de compreender e imaginar. Ela, através de sua arte, tem a proposta de fazer sentir essa cultura. E quando inicia uma obra, não sabe o que será, mas tudo vai acontecendo naturalmente, trabalhando com os materiais naturais de que dispõe. 

Identifiquei-me. Minha arte, talvez seja a escrita, além da expressão musical através da dança. São duas formas de manifestação em que transformo o que sinto, tentando fazer o outro imaginar, através de mim, qual foi a sensação que tive ou tenho. E quem sabe sentir também... 

Na exposição dela gostei do reflexo de uma cortina de discos, que parece um jardim com borboletas.

No segundo andar dois espaços, um projeto da Polaroid, que faz-nos enxergar a importância deste precursor da instantaneidade da captura do momento em forma de foto. Em pensar que uma foto retratada no século XV, por exemplo, demoraria meses para ser executada e só podia ser adquirida por nobres ricos. 

A Polaroid desenvolveu uma campanha de divulgação onde as pessoas podiam elaborar e criar suas fotos e encaminhar para concurso. Muitas destas imagens estão disponíveis na amostra, e conseguimos comparar com a necessidade atual de expor tudo que se vê e faz, para compartilhar com os demais. Na última sala, vários fios esticados onde o visitante pode pendurar sua foto polaroid e contribuir com a exposição de forma mais interativa.

A outra exposição do andar era de época também, mas achei meio complicada de seguir, com muitos dizeres. Passei rapidamente.

Mas detectei entre todas as artes expostas a essência da formação da imagem própria e a forma de compartilhar através de linguagens corporais atemporais, que ficaram registradas ao longo dos séculos, e que mesmo para mim, uma desconhecedora da linguagem falada ou escrita do local, transmitiu sua essência.

E, lógico, não consegui abrir o armário. Um segurança o fez com a chave mestra. kkk

Hora do lanchinho da tarde, parei no Tim Hortons que, segundo minha prima Mônica, é o Starbucks do Canadá. Gostei mais, por causa das opções de comer. As bebidas são compatíveis. E os preços me pareceram melhores.

Pedi um capuccino, dois mini omeletes de queijo e espinafre e um sonho recheado de chantili. Ela não entendeu o sonho. Buááááá. Me deu um donut com creme de framboesa. Serviu! Hahahahaha.

Daí, por uma caminho muito bonito, fui parar nos jardins da Universidade MacGill. Procurando o Museu Redpath, que fechou às 14 horas. E já passavam das 15 horas. Que peninha. E a Tiana disse que este é gratuito.

Decido voltar ao Hostel. Necessito de banheiro novamente e estamos a mais de 2,5 km. Ou seja, andei uns 6 km  no total do dia. Mas ao voltar, deparo-me com os arcos das olimpíadas. E vejo um Museu das Olimpíadas. Um espaço interativo.

Adquiro meu ingresso e a moça me pergunta por onde quero começar, pelo toilete, por favor. Ela me leva a um guarda-volumes, desta vez sem chaves, onde deixo a bolsa e a caixa de tênis, e depois me indica o banheiro. Demoro um pouco, e um guarda me conduz à zona 1, onde assisto a um filme sobre as Olimpíadas de Montreal. Mostra os atletas nacionais, na preparação, nos erros, nos acertos e vitórias, na obtenção de medalhas, suas ansiedades e emoções, suas vibrações, e essa vibração contagia, emociona, mesmo não sendo de seu país, é gente como a gente. Talvez tenha assim encontrado mais um propósito ao viajar, quero ser um ser do mundo, não ser distinguida pelo espaço onde vivo ou o idioma que falo, quero falar com o que nos une, nossa essência divina, uma velha alma que habita meu corpo e que faz parte de um todo maior, em que cada ser deste planeta se une. Talvez seja essa união que procuro, pra nunca mais sentir-me só.

O próximo espaço é interativo, passo por um testes de movimento e me indicam o salto em altura e um de empurrar discos como meus esportes olímpicos. Vou num simulador de esgrima ou esqui, escolhi esqui e descobri que não devo praticar este esporte. É severo com joelhos e coluna.

Depois vou num daqueles carrinhos que correm por um tobogã sem água, esporte que foi retratado no filme "Jamaica abaixo de Zero". Esporte das Olimpíadas de inverno. O carrinho simulador é tranquilo, basta puxar as alças de manejo de direção. Caramba! Capotei várias vezes, eu acho. Será que morri?

Tem um de corrida, 100 metros livre, mas não me arrisco.

A última zona é de informações sobre todas as olimpíadas mundiais, dos tempos modernos, inclusive as lacunas de guerras, os boicotes, os atos terroristas, e até a programação para a do Japão no próximo ano, e a de Paris, em 2024. Li tudo, em francês, e entendi. Conheço o contexto.

Quando estou saindo, após pegar minhas coisas, vejo que estou em frente a Igreja de Saint Patrick, que era um de meus programas não realizados no dia anterior. Está fechada, infelizmente, já passam das 17 horas. Mas ainda assim, fiz fotos externas. E observei um cão curtindo o gramado com sua mãe gente.

Gente, deixa eu correr porque ainda tenho dois quilômetros pela frente e às 19 horas o Saulo virá me buscar para o jantar. 

Ele chega no horário e eu quase não os reconheço pois estavam em outro carro, desta vez, o da Mônica. Dourado. O do Saulo é preto, acho.

Passamos por uma ponte que liga a Montreal, que é uma ilha e fomos a Brossard, onde eles moram, buscar a Mônica, que trabalhou durante o dia (aliás a única em nosso pequeno grupo) e estava se preparando. Dali seguimos para uma espécie de shopping a céu aberto, com grandes lojas, e muitos estabelecimentos de gastronomia.

Quando o Saulo foi estacionar, comentei que queria ver se ele não era 'bração' como muitos que aqui vi, apesar dos carrões. Mas eles não conheciam este termo que uso como alguém com braço duro, que tem dificuldade de manobrar. Cito esta passagem porque ela me fez associar o nome do lugar em jantamos:  3 Brasseurs, que é onde se fabrica cerveja. Talvez depois de beber os motoristas fiquem brasseurs então. kkk

Resolvi provar uma cervejinha, com um toque de acidez frutal, bem leve e saborosa. Comi com um aperitivo de queijo fundido com tomates cerejas assados. Muito gostoso. Os demais comeram pizzas, padrão italiano e o Saulo pediu queijadilha de frango. As meninas não beberam álcool. A atendente foi muito simpática, pacienciosa e atenciosa conosco. Guardamos um conveniente espaço para a sobremesa.

E fomos ao  Chocolats Favories tomar sorvetes. O sorvete no cone, é mergulhado nas diversas caldas quentes, a escolher, formando uma grossa casca. Pedi o meu num pratinho, para não me sujar. Hábito adquirido na infância, sob a supervisão de minha mãe.

Tivemos um episódio engraçado, onde descobri o veio artístico do Saulo, comediante. Ele encenou um cliente revoltado, que tinha ido à sorveteria atrás de uma pequena sobremesa para completar seu jantar. Foi atendido com um mega sorvete, mesmo sendo sua opção o Mini (imagine as demais opções), que não acabava nunca. Queria saber se eles queriam que ele adoecesse, ficasse com diabetes pelo consumo de tanto açúcar. Foi hilário. A Tiana relembrando um sorvete que comeu no Brasil onde uma bola era de vento, logo após a primeira colherada ela já chegou ao vazio. Seu irmão disse que ele colocam uma bexiga que se estoura depois que o sorvete é servido, para que o vazio não seja preenchido, acidentalmente, claro. E a gente ali, reclamando que era sorvete demais, sem nenhum arzinho para aliviar... hahahaha. Pode apostar neste dom Saulo. É um bom comunicador na comédia.

Eles me trouxeram de volta ao Hostel e combinamos um encontro para o Jazz Festival na noite seguinte.

Que quarto quente, meu Deus do Céu.

Terceiro dia

Já que fui bem sucedida com o café de ontem, apesar do gasto, repito o lugar. Mas não o produto. E escolho mal. Um novo chocolate quente, e um salgado com ovo. Picante. Muito para meu gosto. Eu não vi isso. Mas comi do mesmo jeito.

Meus passeios serão mais distantes hoje, e vou de UBER para o Jardim Botânico, cedo. Quero voltar mais cedo, escrever e estar descansada para o Festival.

Não eram os planos divinos.

O Jardim Botânico é uma graça, dividido em diversos setores. Entrei pela porta em frente ao Estádio Olímpico de 1976. Andei menos para ver as atrações. Comecei pelo fim, como faço com a comida. O que? Já explico, deixo o melhor para o final, então começo com o que menos gosto. Entendeu agora?

Primeiro restaurante, pegar um suco de cerejas com romã. Depois as plantas perenes, as plantas úteis (medicinais, temperos), as frutíferas, o jardim de inovações, plantas tóxicas e medicinais, e começo a retornar, vendo lagos, áreas para crianças se divertirem, e eu também (filme no Instagram @lessameyre).

Mônica e Tiana, vejam estas flores, é alguma destas espécies a que tem lá na Biosfera? Hortência não era.

Passo pelo jardim de sombras.  Por vários espaços destinados, principalmente às crianças... (veja o vídeo no Instagram @lessa meyre)

Pelo jardim japonês onde descubro o que é o maple do Syroup. É este tipo de árvore que tem a folha triangular. Também conhecida como Acer ou Bordo, conforme minhas pesquisas. E seu xarope é tão apreciado pela região. Sabia disso Célia Cristina? 

Penso que minha tia Valéria ia curtir muito este Jardim Japonês.

O Jardim aquático estava sem água e com poucas plantas.

Depois vem o roseiral, mas já vi lindas rosas nesta viagem, Passo sem muito me atentar. Já fiquei uma duas horas aqui dentro. 

Junto a recepção tem uma estufa onde vejo outras exóticas plantas, e uma área dos meus amados cactos, alguns floridos. 

Agora vou para o estádio olímpico, mas que decepção, só dá para ver dentro em dias de jogos, conforme soube com um brasileiro de Santos que encontrei na fila para a Torre do estádio.

Foi muita coincidência, entramos 3 grupos seguidos, de brasileiros, dois grupos de uma pessoa, ele, e eu, e um de três mulheres cariocas, pela conversa que ouvi, não sotaque.

A torre no dá uma visão 360 graus da cidade, a partir de um saguão no seu topo, todo envidraçado. Dá pra ver o Rio e a cidade espalhada e arborizada no entorno.

Tanto pra chegar no complexo olímpico, que detém ainda um planetário e um biodôme, que estava em reforma, andei bastante. Para sair não foi diferente. Mas agora vou chamar o UBER, a partir da Avenida, para o Biosfera.

E começaram os problemas, que só vim a confirmar hoje. Estou sem conexão de Dados. Minha conexão ficou ruim e a viagem anterior não fora paga. Eu insistindo, há mais de 7 quilômetros do hostel, sem dinheiro, pois acabou e já que estou indo embora amanhã, tenho cartão, tenho celular, achei que não precisava pegar mais... Ledo engano!

Caminho uns 500 metros de volta ao Jardim Botânico, dos quase 4 que seriam até a Biosfera. E nada. Entro de novo, com necessidade de ir ao banheiro e comer. 

O restaurante está cheio. Já é quase uma da tarde. É um serviço de balcão onde você pega a bandeja e vai pedindo o que deseja beber e comer.  Uma moça na fila pede, para ela e seus companheiros que já estão guardando mesa, várias bebidas. Vejo uma verdinha que me interessou, mas só vi quando ela pediu Cider e não reparei o que recebeu. O homem a minha frente pede a tal Cider e me pareceu que, como não tinha álcool, ele não quis. Na minha vez eu a solicito. O moço:

_ " Whit alchool?"

Entendi whitout... e respondi: 

_ " Yes, yes."

Recebi um copo de meio litro, não era o líquido verde que queria, e ainda tinha dúvidas sobre o álcool. Um wrap de frango para comer, uma torta de damasco de sobremesa e lá vou eu para um balcão solitário, fazer minha refeição. Experimento a bebida. Ok. Não tem álcool. Até a metade do copo, estava convencida disso. Foi quando comecei ficar zonza. Ok, talvez precisasse mesmo disso, ainda não consegui resolver a situação do UBER.

Quando termino a bebida e o lanche e vou sair do banco, ops... minhas pernas estão estranhas, vem cá. Estou ébria. Vou comer algo mais. Um brownie. Perfeito. 

Moça do caxa fala espanheol, qui buenooo, chica, estoyyyy borrrrracha. 

Ela não me acredita, explico que não sou de tomar nada alcoólico, muito raramente, e estou zonza.

Mas, milagrosamente, saindo do restaurante, consigo chamar o UBER para o Biosfera.

Cheguei lá às 15 horas, vi logo de cara um esquilo gordo, brincadeira, deve ser alguma espécie de ratão, se alguém conhece, fala aí. 

Depois aquele pássaro preto com umas peninhas vermelhas nas asas, mas que só são vistas quando ele voa ou mexe as asas. 

Tiro algumas fotos da Biosfera e quero ir para o Museu de Belas Artes. E começa o drama de novo. Entro no saguão da Biosfera, coloco meu celular para carregar, além de tudo estou com menos de 30% de bateria disponível. Peço a uma atendente a senha do WiFi. E ainda não consigo. Não sei o que está havendo, mas não seria a primeira vez. Já passei por isso no Brasil.

Decido perguntar se em algum lugar por ali tem um cash dispenser, terminal de saque, e ela me diz que sim. Passa as orientações. Fui para na estação do Metro. Lá uns guardas bem simpáticos usando o Google tradutor, me explicam que ficam atrás daquele prédio cinza. 

Achei, mas não resolvi meu problema. Não são de saque internacional. Volto a origem, mas agora já está fechada a Biosfera. De repente, novamente o pagamento é concluído e consigo, às 17h10, chamar o UBER que só chega às 17h45 por causa do trânsito. Mas o Adam é uma cara boníssimo. Acredita que conseguimos ter uma papo cabeça conversando em inglês? Falamos da energia das pessoas, como ela melhora viajando, a abertura que isso proporciona a mente. Ele falou até de vampiros, citando filmes. Eu disse que, se ele acredita em energia, deve acreditar em vampiros de energia. Eu mesma conheci um ao longo da vida. Graças a Deus foi um só. Congratulo-o por sua forma de pensar e ser. Ele devolve. Muito boa gente.

Desisti do Festival mais cedo, quando vi a confusão em que estava. O cansaço e a embriaguez. Mas queria me despedir do pessoal. A Mõnica disse que eles também não iriam mais hoje, o restante do pessoal foi visitar uma cidade vizinha e chegariam tarde. Ela ia aproveitar fazer umas compras e passaria no Hostel me dar um abraço.

Para espantar o cansaço, tomei um banho e fui atrás de algo para comer. Achei na Rue Saint Paul 355 um pequeno mercado onde comprei uma lasanha num copo, uma salada de quinoa, em que descobri depois conter também couve de bruxelas, couve flor, uvas, gergelim preto. Bons. E um suco de Aloe Vera que, com tantos sabores a escolher, peguei justo o de manga, que não gosto. Mas estava bom. Passável, eu diria. Comprei também banana, uma bolachona recheada, e uma caixinha de creme half a half café. 

Comi e esperei a Mônica, ela chegou pouco depois das 21 horas. Nem tenho como agradecer a acolhida. Eles foram geniais. Deu até uma certa tristeza em me despedir dela, trocamos vários abraços. E digo-lhes, nem eramos íntimas. Mas esta aproximação  nos tornou o que o verbo diz, mais próximas. Levarei saudades. e vocês estarão incluídos em minhas orações e em meu rol de amigos para toda a vida.

Agora dormir, outro quarto, mais espaçoso, só de meninas e mais ventilado. Espero ter um sono tranquilo.

Quarto dia

Destinei este dia para arrumar as coisas, atualizar o blog e partir cedo, desejando não ter mais problemas com a UBER.

Primeiro, o creme não era meio a meio com café, o café é você que acrescenta na sua casa. Mas veja se não engana???

Espero que todo este creme não 'solte' meu intestino.

E tenho uns novos e-mail da Easysim4u, como se ainda estivesse usando o plano americano. Levantei às 8h, fiquei conversando com o suporte técnico num chat entre 9h30 e 10h30. Nada resolvi. 

Vim escrever o blog, eles me mandaram um e-mail com instruções para Iphone> Não consegui relacionar. Devolvi com o modelo de meu celular. 

Tentei o UBER. a última viagem não foi paga. Enroscou tudo de novo. Estou aqui escrevendo, mas acho que terei que ir atrás de dinheiro, tomar um banho e pagar a UBER em dinheiro.

O que isso significa??? Alguém aí sabe me explicar???

No fim, fui para o aeroporto de taxi, que um dos meninos do hostel chamou. Preço fixo de CAD$ 41, podendo pagar no Cartão de crédito, e dei um de gorjeta.

O motorista era do Marrocos, falante e alegre. Pegamos um pouco de trânsito. O UBER ia sair mais caro por causa disso, estava de 48 a 56. Assim, não tive que sair para ir atrás de dinheiro. Mas continuo sem internet.

Cheguei ao aeroporto umas 16h30. Não consegui publicar o relato no blog.

A fila para o check-in é gigantesca. Um homem me pergunta, da fila, porque não faço o check-in na máquina? Digo que por não saber falar direito nem o inglês nem o francês. Ele ri e continua na fila. O motivo dele deve ser semelhante.

Mas uma funcionária da Air Canadá me aborda com o mesmo questionamento, e diz que posso escolher o idioma. Diz que aquela fila deve demorar umas duas horas. Resolvo tentar, escolho o espanhol entre as opções disponíveis. A maquina faz a leitura de meu passaporte, imprime minha passagem e ainda a etiqueta da bagagem a despachar. Vou para um fila onde devo colocar a mala, e peço ajuda a uma mocinha que acabou de ser ajudada com a etiqueta. Ela, sorridente, devolve o favor. Fico observando as pessoas colocarem suas malas na esteira e faço o mesmo, apertando o botão e saindo feliz quando a máquina confirma meu portão de embarque: A66.

Estou procurando alguém ou alguma sinalização aérea para saber onde é o portão de embarque quando o casal que estava atrás de mim na esteira me chama, preocupados. Parece que apareceu alguma mensagem sobre a bagagem, mas quando me aproximo, nada acontece. Acho que era uma mensagem já para eles. Sei lá. Fiquei orgulhosa de mim mesma!

Consigo a informação do portão e lá vou eu. Antes decido almoçar, minha cabeça já começou a doer com tantas tribulações desde o dia anterior.

Acho um restaurante árabe e os nomes, pelo menos em espanhol, que o atendente falava, são os mesmos. Kebab de carne e frango, falafel e kibe, pego um de cada. Tinha várias outras coisas, mas sinto a necessidade de carne. O Kebab não chega nem aos pés do que o feito pela minha tia Isaura. Mas serve.

Termino minha refeição e vou para a fila de fiscalização de embarque. Te juro, nunca tinha visto uma fila tão grande. Quando eles, da administração, perceberam o aumento de gente, para não congestionar o corredor, abriram mais uma seis faixas. A fila não parou, mas eu contei 50 passos para cada faixa, e foram umas 15 faixas. Deu quase um quilometro de fila. Nessas horas, ser jovem e saudável não parece ser tão bom (não blasfeme Meyre).

Eles tinham 5 portões com 2 esteiras cada, muito organizados e rápidos, e sem frescura demais. Passei tranquila. Fui novamente ao banheiro e procurar o portão 66, dos 68 portões só da parte A, tendo também a B e C. E eu acho que isso só para voos internacionais.

Sentei-me junto ao portão por volta de 18h30 para um embarque previsto para 20h15. Fui até o atendimento junto ao portão, que agora descobri para que serve. Ao tirar minha passagem na máquina, não tenho um assento definido. A atendente me informa que depois serei chamada pelo nome.

Fico sentada, fazendo nada, sem celular... Um senhor canadense puxa conversa. Entendo boa parte do que ele diz, ou pelo menos acho que sim. Mas fala inglês rápido.Mas com boa dicção, apesar de baixo. Mas só fico balançando a cabeça e sorrindo ( lembra? técnica que aprendi anteriormente).

Uma canadense que só fala francês também quer tirar umas dúvidas. Depois a esposa portuguesa do canadense chega, conversamos. E finalmente, um português que mora e trabalha no Canadá há 7 anos, o Nunes, e a família vive em Portugal, esposa e filhos, e ele os vê duas vezes por ano (vida dura). Ele me diz que o voo está atrasado, confirmando o horário de 21h30. Conversamos um pouco para ajudar o tempo passar. 

Depois de um tempo ele vê um e-mail dizendo que foi alterado o portão de embarque para 53, ele avisa o casal de canadense e portuguesa e eu aviso a francesa, ele confirma com um funcionário e seguimos todos para o novo portão. Chegando lá, vou verificar e minha passagem com número de assento já está emitida. 15F. Oba, corredor pelo menos.

Logo em seguida já iniciam o embarque. Se não fosse ele, seríamos chamados pelo auto-falante, creio, na última hora, em inglês e francês, arriscando a nem entender o aviso. Mas lógico que meu nome eu entenderia. Mas teria que sair correndo para o novo portão, longe. Eu também recebi os e-mails, quando tive WiFi novamente, já no hotel de Lisboa. Mas deu tudo certo. Com a graça de Deus!