MONTEREY - PRAIAS DO PACÍFICO

06/06/2019

Às vezes me pegunto por que eu organizo tudo, busco informações se, na última hora me dá um 'faniquito' de fazer diferente?

Já tinha visto horários de trem partindo de Pismo Beach e de ônibus, partindo de San Luis Obispo. Pensei em ir para San Luis porque chegaria mais cedo a Monterey. Levanto cedo, depois de um sonho estranho e vou aquecer água na cafeteira para um café. Pego a água na torneira e só esqueço de colocá-la no recipiente da cafeteira, corrigindo o erro quando ouço o barulho da fervura. 

Após meu desjejum, decido conferir os caminhos no Google Maps e vejo que tem uma condução partindo de Pismo direto para Salinas, sem conexão. Às 8h45. 

" Meu Deus! São 8h12. A estação é próxima. Deixa eu chamar o UBER depois coloco o tênis..."

O UBER demorou 8 minutos, até guardar minha bagagem e partirmos, mais uns preciosos minutos. Pergunto se ele pode ajudar-me a comprar o tíquete na estação. Eu vi quando cheguei que só tem uma máquina. Não consegui comprar pela internet, primeiro porque estava com o chip da T-Mobile, depois eu troquei o chip para o da Claro, mais ainda assim não chegou o SMS para confirmar o pagamento.

Ele pergunta a que horas parte o trem, digo que às 8h45. Ele aponta o relógio e diz: 8h36. Wow!

Estamos pertinho, ele me diz para ir pra máquina enquanto ele tira a bagagem. Depois vai lá me ajudar. O cartão não entra no lugar indicado, eu tento, ele tenta, tenta de novo e depois descobre que alguém colocou uma pilha AAA atrapalhando o caminho do cartão. OK. Aqui é como lá, em casa, no meu país. Tem sempre um engraçadinho. Agora sim, o cartão é inserido, vamos adiante, o sistema e semelhante ao da internet. Quando chega no fianl diz que tem algum problema com o percurso daquela condução. Desistimos. Pergunto se pode me levar a San Luis. Ele concorda. Encerra a viagem e eu peço novamente. Só que antes de tocar para ele, outra pessoa confirma. Ele me diz para eu cancelar. Vejo o preço e negocio com ele em Cash. Pago US$ 35. No UBER está dando US$ 37, 33. Ele aceita. Quando vamos partir, vou fechar a bolsa e sinto falta de minha carteira.

_ " One moment, please."

_ " OK."

_ " One moment" e já começa a me bater o desespero. E ele olhando sem entender nada. De repente olho no meu sovaco e lá está ela. Tiro-a e mostro para ele. Ele ri e diz:

_ " Crazy girl. That's funny."

Até agora ainda fico rindo sozinha com a cena. Eu não conseguia parar de rir. Sabe quando você segura o riso, se recorda da situação e explode na risada de novo. Mas ele já estava me achando louca, melhor conter o riso. 

San Luis Obispo é um pouco longe, conversamos um pouco, dentro de minha limitação, o Timothy é fantástico! Deus me abençoa sempre com gente maravilhosa ao meu redor.

Quando chegamos a estação eu lhe estendo uma nota de US$ 100, entendo que ele diz:

_ " Para mim? Óh, muito obrigada."

Eu devo ter arregalado os olhos e digo que só tenho uma nota de US$ 20.

_ " You are very kind, but I don't have money."

Ele estava brincando comigo. Me ajuda com a bagagem, e vai ao banheiro enquanto tento comprar a passagem. Mas o atendente fala muito rápido e não estou entendendo muito bem. Mas já entreguei o passaporte e o dinheiro. Ficou por US$ 28,00. Ele chega e explica que eu não falo inglês, se entendem, eu pago. Recebo a passagem e ele explica que tenho bagagem, apontando-a. Entrego para ele US$ 40 e ele me pergunta se o troco é US$ 5? Sim. o combinado não é caro. A amabilidade dele não tem preço, é impagável. Só posso pedir que Deus o abençoe

Vamos até o banco onde deixei minhas malas e ele abre os braços para me acolher numa generosa despedida. Agradeço-o novamente. Eu recebi informação de várias fontes que os americanos não gostam de toque, não são muito de sorrisos, principalmente com estranhos. Mas acho que nas cidades menores é como no Brasil e em outros lugares que visitei. As pessoas são menos estressadas e são muito amáveis. Esta foto eu peguei do aplicativo UBER. Thank you so much.

O ônibus sai da cidade, observo que nos semáforos, conforme já tinham me explicado, para conversões à direita não é necessário aguardar a luz verde, só é necessário ter cautela. Quando essa manobra não é permitida, tem placa sinalizando. Há de se tomar também cuidado com pedestres atravessando na faixa. Todo cruzamento possui um botão de pressão para pedestres, e o sinal só abrirá para este público se o botão for acionado. Quando o ônibus chega a  estrada, faz-me sentir como se estivesse na Rodovia Castelo Branco, em São Paulo, pista dupla com 2 faixas e o cenário em volta. A pista não é de asfalto, parece mais uma mistura de concreto e pixe.

Depois ele pega uma free-way, com 3 faixas, que mais se assemelha a Bandeirantes, mas as montanhas em amos os lados, me remetem mesmo a Argentina e os Andes. Estamos numa planície ampla, um corredor enorme entre duas cadeias de montanhas. Algumas plantações, algum gado vacum... Na região de San Lucas, um mar de parreiras...

De San Luis Obispo à Salinas, cidade mais próxima a Monterey onde chega o ônibus, são 260 quilômetros. Ele só faz parada em Paso Robles e, como é hora do almoço, num Mac Donald's na beira da Rodovia. Um pouco antes notei que o motorista estava com sono. Eu estava sentada no primeiro banco no lado oposto ao  motorista. Vi que ele queimou a faixa do acostamento. Depois vi que ele estava de boca aberta, com o queijo meio caído. Depois bocejou e começou a movimentar o pescoço. Reconheço os sinais de cansaço. Chamei-o e perguntei;

_ " Are you tired", que pesquisei no tradutor

Ele não entendeu mas disse que íamos parar logo a seguir por 15 minutos.  Foi providencial, ele comprou um lanche e algo para ir comendo no caminho. Assim, mantêm-se acordado. Logo em seguida chegamos à Salinas. Eu desci e ele prosseguiu a viagem.

Chamo outro UBER até Monterey. É uma cidade maior que Pismo. Mas não tá grande. O sol está brilhando e logo avisto as praias. Pergunto ao motorista sobre as platações de morango e ele me informa que tem também saladas, ou seja, verduras. Umas parecem couve-flor, outras alface. Pergunto se são colheitas manuais ou mecânicas, porque tenho a impressão de ver umas máquinas... Ele diz que tudo manual.

Pergunto se em Monterey tem pessoas que falam espanhol, e ele diz que sim, tem muita influência mexicana aqui.

Mas no hostel a menina não sabe espanhol, recebe no cartão de crédito minha estadia, me faz assinar o recibo do cartão e os regulamentos das casa. Peço uma cópia para eu ler depois e ele me mostra que já me entregou um resumo junto com o cartão-chave. Me entrega também uma moedas para o banho. OK. Pelo que li nas normas, o banho é de 3 a 5 minutos e regulado com a moeda. Não tenho ideia de quanto tempo levo no banho. Vou descobrir hoje.

Já são quase três horas, e depois de usar o banheiro, saio para comer e passear. Belisquei um pacote de MMs de chocolate e o restinho das sementinhas, com uva passa e chanberry passa ao longo do caminho, mas já em dois dias que não como comida. Olho no Maps para ver restaurantes próximos. Avisto o mar, estamos bem próximos a ele. Tem um restaurante italiano há menos de 300 metros. 

Chego no Vivolo's e o garçom fala espanhol. Ótimo. Pego o cardápio e dentro de pouco tempo o chamo. Pergunto quais são os sucos. Ele me dá duas opções e escolho de cranberry, ja escolhi também o prato, linguine com calamares e clamps. Ele me questiona sobre o molho, branco ou vermelho, e decido pelo branco.

_ " Algo mais?"

_ " No, gracias."

Mas ele, não satisfeito me pergunta de onde sou. Quando digo que do Brasil ele diz que percebeu um sotaque diferente no meu espanhol. E diz ao outro garçom que sou brasileira, mas agora em inglês.

Passa um pouco e ele trás meu pedido, primeiro o suco e pouco depois a massa. Ostras? Eu não vi escrito Shell no menu. Caramba, eu não gosto de ostras...

Ou melhor, não gostava. Pensa num prato delicioso. O outro garçom perguntou se eu queria que ele batesse uma foto, mostrei a que tirei do prato. Ele trouxe um pedaço de pão parecido com o nosso francês, cortado em fatias, não sobrou nada, só um gole do suco. Fiz questão de avaliar na hora no TripAdvisor. E gastei só US$ 26. Achei pouco considerando o oferecido. E já com gorjeta.

Dali decidi chegar até o mar e já encontrei o Aquarium, que adquiri o ingresso pela internet, ai no Brasil mesmo. No sol um calor gostoso, mas o vento é forte e gelado, e a sombra idem. Um grupo de escolares estavam visitando o espaço. 

Vejo um trenzinho, que descobri tratar-se do Trolley. Subo e pergunto se posso passear em torno e voltar até o ponto inicial. Ninguém fala espanhol aqui??? Mas ela me entende e diz que sim. Vou pagar e ela diz que é Free.

Obaaaa! Grátis. Então acho que vou dar logo 2 voltas. kkkkkk

Aqui o estilo das casas tem mais influência espanhola mesmo. É um lugar muito charmoso também. Passo por tudo e posso decidir o que quero fazer depois. O motorista do UBER indicou-me o Wharf Old Fischerman's.

Desço no ponto de partida e vou ao hostel para me agasalhar. No caminho entro em umas conveniências peguntando por morangos...

Peço por Strôubérris, ele corrige minha pronuncia e diz Straubérries. Indica o Supermarket para comprá-los. OK. Farei isso depois. 

No hostel agora está um homem. Pergunto se fala espanhol e ele diz que um pouco. Quero saber o horário de funcionamento do mercado, pois minha ideia é comprar os morangos ao retornar do passeio. 10 P.M? Fine.

Uma blusa de frio e um cachecol, começo a caminhada pelos parques beira mar. Várias pessoas correndo, caminhando ou pedalando. A trilha é bem cuidada e merece vários registros, das árvores, flores e monumentos. Já disse que aqui tudo é grande né? Pois encontrei um margaridão. Amo margaridas e aqui tem a margarida de Itu (só uma comparação). A cidade brasileira onde tudo é grande.

Vejo o fog (neblina) chegando e, antes que ele deixe o mar sem graça ( o que prova que as cores são só efeitos ópticos da luz) , vou correndo na direção que ainda não foi invadida para conseguir boas fotos. 

Uma moradora que está caminhando com seu cão, a procura do banheiro público, avista algo no mar e encantada, me mostra de longe. Me aproximo e ela fica mostrando, dizendo que ele mergulha e permanece alguns minutos sob a água, retornando depois à superfície, fico achando que é um mergulhão, mas logo avisto um ser que me parece uma foca. Ela pergunta de onde sou, depois que digo que não falo inglês e fica animada quando digo ser brasileira. 

_ " Brazil? I love."

Peço desculpas por não falar inglês muito bem e ela por não falar português.

Digo que a estou entendendo e ela diz que a mim também. 

Abaixo ela manda um Hello Brazil. Não se assustem, eu não mordo.

Mais adiante vejo, ao lado do prédio da marinha, uma longa plataforma e muita gente indo naquela direção. Será que lá tem continuação da calçada? Está longe, termina em ângulo reto, não dá para ter certeza... Enquanto vou andando ouço uma latidos diferentes... Focas (cachorros do mar, latem bem parecido). Que lindas! Estão por todas as partes, sobre as pedras. Grandes, pequenas, sozinhas, amontoadas. Uma emoção vê-las assim, na natureza.

Sigo adiante, e depois de muito andar chego no Old Fisherman's Wharf.  É um ponto comercial, com estabelecimentos de, principalmente, alimentos. Vou passando e vejo uma casa de doces para sobremesa. Entro para comprar algo. Aponto e pergunto quanto custa? A moça me explica muitas vezes e não entendo nada. No fim descobri que o preço é por quilo, e meu escolhido fica em US$ 4,20. Parece uma 'teta de nega', acho que é marshmallow coberto com chocolate, mas o gosto é diferente. Mas é bom do mesmo jeito.

Agora vou procurar o ponto do ônibus para voltar. Acho um Museu com exposição permanente de Salvador Dali. Está fechado, mas amanhã voltarei. Vou andando, andando e não acho o ponto. Acho que passei do lugar.

Pergunto a uma patinadora:

_ " Where is de stoped trolley?"

Ela não sabe, mas diz que a garagem é ali pertinho. Mas eu já passei na garagem e não tinha ninguém la. OK. Thanks.

Vou voltando, voltando e quando estou de novo perto do Museu vejo dis Trolleys passando mais adiante. Pergunto a um grupo de homens sentados num banco da praça, um deles me entende e diz que é perto do Wharf Old. Yes, OK man.

Não esta longe e... finalmente um banco indicando a parada de ônibus.

Mas o primeiro que para não vai para o Aquarium. Desço, e subo no next.

Agora sim. E vou passar no mercado. Compro os morangos, tinha caixa grande e enorme. Fico com a grande mesmo, fazer o que? Minha amiga Maris me recomendou tanto que os comesse, pois são muito encorpados. Sim. Isso pude ver já que de dentro do trem os via na plantação, e sem óculos. 

Queria também algo para 'beliscar'. Gosto de ficar ingerindo pequenos alimentos enquanto assito TV, trabalho no computador, etc. Estava difícil achar algo mas encontrei uma embalagem com amendoins, uva passa, amêndoas e MMs. Entre morangos e este mix, gastei mais US$ 10.

Cheguei ao Hostel e fui direto provar o morango. Pensei que ia ficar num só, mas não resisti ao comer o primeiro, dulcíssimo. Comi logo quatro. Amiga, valeu. O que seria de mim sem estas amigas e amigos que vão me orientando e ajudando, os de longe e os de perto. Anjos que se aproximam e cuidam de mim. Gratidão. 

Hora do banho. Deixe-me remanejar algumas coisas na mala e... achei. Achei o cadeado perdido. kkkk

Agora vou ao banheiro descobrir onde enfio esta moeda. :|

O banheiro é enorme, mas é só a ducha e uma área como um closet. Uma pessoa de cada vez. O hostel não parece muito grande mas os banheiros devem ser setorizados. Estou num quarto feminino com 8 camas e estou na cama superior de um beliche. ainda não subi para ver o resultado. 

Bem, voltando ao banho, coloco a moeda em um dos 2 buracos esperando não ter escolhido um banho frio. A água começa a sair imediatamente após e fria... Ó my God. Vou me molhando como posso, não posso desperdiçar o precioso tempo. Logo a água começa a aquecer e eu já molhei a frente toda. Ótimo. Estou adiantada. Lavei o cabelo, como sempre, e todo o meu corpinho e a água não parou. Eu que tive que fechar a ducha. Congratulations!

Roupinha limpa colocada e estou pronta para iniciar o relato do dia. Não vou jantar. O almoço, os morangos e este mix que estou comendo agora, são mais que suficientes.

Já são 23 horas, apagaram a maior parte das luzes na sala de convivência e uma das regras da casa é silêncio após às 23h. Só estamos em 3 pessoas por aqui. Eu de calça, camiseta de manga e meias, uma de shorts, a outra de camiseta. E olha que sou calorenta viu Maris!!!kkkk, mas estou sentindo-me confortável. Ótimo para dormir.