MOURA - TERRA DAS ÁGUAS E DAS OLIVEIRAS

26/08/2019

Enquanto não chega o dia de iniciar os passeios para fora de Portugal, vamos explorando por aqui mesmo, melhor que ficar parada.

E nesta semana vou explorar algumas cidades que foram beneficiadas com o represamento do Rio Guadiana, onde se formou o maior lago artificial da Europa: o Grande Lago de Alqueva.

As terras por aqui são muito secas. Moura é privilegiada pois está sobre um aquífero de águas comprovadamente com propriedades medicinais, o aquífero Moura/Ficalho. O desenvolvimento desta terra há muito se dá em função destas águas.  A Indústria de Águas do Castello comemora, neste ano, 120 anos envazando e distribuindo essa água salutar.

Mas antes de aqui chegar e tudo isso descobrir, iniciei meu dia bem cedo, com o termômetro marcando algo em torno de 16 graus ainda. E posso dizer que é o melhor horário para dormir, só o meio da madrugada traz o frescor desejado para embalar o sono.

Antes de pegar a estrada necessitava lavar o carro, que estava todo empoeirado. E ainda com algumas bolotas das gotas de chuva que caíram ontem à noite. Pegar dinheiro para a viagem. Abastecer. E comprar as passagens de ida e volta para Lisboa. Irei de ônibus até lá, de onde embarco para Noruega dia 04. 

A única nova experiência seria lavar o carro. Encontrei um dos taxistas conhecidos na porta da rodoviária, Sr. Antonio, e perguntei se tinha algum posto onde eu poderia fazer o abastecimento e a lavagem. 

_ " Sim, no Intermarché tem um lava-jato que a senhora coloca umas moedas e lava."

Lá vou eu. Quando cheguei tinha um carro saindo. Vi 3 locais para lavagem, só um com os esfregões automáticos. Encostei o carro e fui ler as instruções na máquina. Muito bem, tem 6 tipos de lavagem, a mais simples por 3 euros, o suficiente para meu carro que só está empoeirado.

Mas o que faço com o carro? As instruções mandavam seguir a seta luminosa. Eu já tinha visto e estava verde para frente.

Nisso chegou um moço e parou na vaga ao lado. Lá só tinha uma mangueira de pressão, mas também tem que pagar para usar. Perguntei-lhe e ele me explicou. 

Fui saindo e perguntando:

_ " Você é brasileiro né?"

_ " Sou."

Muito bem, fui no carro, e levei-o para frente até a seta verde indicar para trás, dei a ré um pouco e ela apareceu vermelha com u STOP.

Fui até a máquina, coloquei 3 euros em moeda, selecionei a lavagem 1 e apertei o botão de START. Daí fui olhar o carro, mas os rolos e a água começaram a se mover longe do carro. Falei alto porque tinha uma família perto meio que me observando:

_" Acho que ficou muito para trás né?" e corri para dentro do carro, sendo respingada pela água que saia dos pequenos jatos.

Mal eu entrei, o carro começou a se movimentar. Eu pensava que as escovas é que faziam isso. Ou será que foram as escovas e eu perdi o parâmetro porque estava dentro do carro? Alguém sabe me dizer como é aí no Brasil? Já usei este serviço, mas não consigo me lembrar, porque ficava dentro do carro sossegada. Gente! Que coisa maluca. kkkk

Mas o importante é que deu tudo certo. Quando terminou a lavagem a seta verde indicou para seguir adiante. E lá fui eu fazer o abastecimento. Hoje olhei direitinho o preço do litro da gasolina com 95 octanas, que é a que uso, 1,49 euros.

Fiz tudo que precisava e sai de Beja umas 10h30. Ainda estava agradável o tempo e nem liguei o ar-condicionado. Cheguei a Moura por volta de 11h30, deixei o carro em frente ao Hotel Passagem do Sol, e fui atrás das atrações. Pensando aqui: "Será que a gente vai atrás porque atrai?"

Fui procurar a Igreja São João Batista e acabei achando o Jardim das Oliveiras, que fica bem em frente ao Museu do Azeite que, por ser segunda feira, estava fechado. Irei visitá-lo amanhã. 

Passei em frente a Igreja de São Pedro, que abriga o Museu de Arte Sacra, também fechado. Registrei sua fachada e segui para o Castelo, antes que o dia esquentasse demais. 

Umas ruas só para pedestres abrigam um sem número de pastelarias. Note que a pastelaria aqui é de português e não de chinês, e o pastel é o de nata. E outros quitutes. E tem muitas praças na cidade.

Uma porta de 1861 está preservada junto aos muros da rua do Castelo.

E no final da subida a Torre do Relógio, pintada de amarelo em meio ao gramado, arbustos e oliveira, formam uma bonita composição de cores.

Ao redor do Castelo algumas construções mais atuais, como o centro de informações turísticas, e muitas ruínas, dentro e fora.

Junto ao muro, pelo lado externo, uma exposição a céu aberto com os 120 anos de história da Água do Castello, que já empregou mais de 100 pessoas em sua linha de produção, e hoje, realocada para outra fonte do distrito, próxima à Moura, emprega menos que 20 pessoas por conta da automatização, mas ainda é muito importante para a cidade que tem aproximadamente 11 mil habitantes.

Lá em cima também tem um anfiteatro, e dele avistei um bonito parque, embaixo.

Subi também na Torre do Relógio e fiz as primeiras fotos de janela de hoje.

Do Castelo, o que ainda está em pé são parte das muralhas e a Torre de Menagem. Mas quando cheguei na porta de entrada do Castelo propriamente dito vi um cartaz que informava que ela é aberta ao público diariamente, das 10h às 11h30 e das 15h às 16h30. Em meu relógio eram 12h37, assim, volto depois. 

Desci e fui a procura da Igreja que de lá de cima eu via a torre de sinos. Trata-se da Igreja de São João Batista. Faz uma bonita presença, internamente também guarda os traços árabes de construção, mas é pequena. Uma imagem de Jesus me chamou a atenção. Não é comum eu me impressionar com imagens. Ao lado dela o teatro da cidade, em frente, a biblioteca. E no caminho, um detalhe interessante, lá no alto em meio aos pombos.

Hoje recebi um post de minha amiga Cenira que dizia para saber agradecer também aos detalhes. E sou grata por ter olhado pra cima exatamente nesta hora, no alto de uma grande parece branca, bem alta, e ver uma coruja chifruda. Um pequeno e surpreendente detalhe. Não consigo identificar a espécie, até porque não sou conhecedora.

Já estou bem esfomeada, e depois volta para ver o parque. Voltei para onde vi as pastelarias, mas não achei restaurantes. O que vi, próximo à Igreja não aceitava cartão. Mas na pastelaria a moça me indicou o Restaurante Vermelhudo. Tudo bem que não entendi o nome, mas entendi a orientação. Estava bem afastado das atrações principais, mas mesmo assim, lotado. Fiquei numa mesa próxima à porta. 

Considerando a fome, achei mais apropriado solicitar o prato do dia. Tinha duas opções: a feijoada de frutos do mar, que já comera em Peniche, e a sopa de cação. Fui na segunda, pedi um vinho branco da casa e uma água. E fiquei apreciando o movimento intenso, a maioria de locais. A sopa veio acompanhada por mais um delicioso pão. E no final solicitei uma tora de lima e um café. Gastei 12,70 mais 1,20 de gorjeta. E adorei tudo.

Nessa comilança toda, mesmo estando só, saí do restaurante após às 14 horas. Fui ao Jardim Dr.Santiago, aos pés do Castelo, de onde se viam a Torre do Relógio, acima; à piscinas municipais, abaixo; um coreto, algumas fontes e uma infinidade de adornos e flores, dentro e no entorno.  Mas é bem pequeno e pude observá-lo gastando bem pouco tempo.

E tinha também uma miniatura de Castelo, com fosso de carpas e tudo...

 Voltei ao Castelo chegando uns 15 minutos antes da hora marcada para a reabertura da Torre de Menagem.  A parte interna está todas em ruínas, mas observam-se alguns buracos como poços que abasteciam o castelo com água do aquífero. E dali já temos algumas bonitas vistas da região.

Subi e fiz algumas fotos aproveitando os buracos das muralhas, como se fossem janelas com contornos de países, estados, cidades, que seguem tortuosos aproveitando a geografia e a hidrografia dos terrenos. Achei inspirado.

Uma família estava lá em cima ao mesmo tempo que eu, e pedi para a filha tirar fotos minha. Ela fez o possível para ficar bom mas a modelo não ajuda. Morreria de fome se tivesse que ser modelo. Acho tão anti natural que fico toda dura. Por isso gosto de fotos tiradas sem meu conhecimento. Faço isso com os outros também, mas via de regra sou advertida. Mas o local ainda rendeu boas fotos.

Quase 15 horas e vou até a porta da Torre, já lá em cima que eu estava. E vi no rodapé da folha com os horários que, quem quisesse visitar a Torre deveria avisar na Centro de Visitantes. O que? Vou ter que descer. Nisso vejo a família descendo a escada. Vou até eles e os questiono:

_ " Vocês não vão subir na Torre?'

_ " A que horas abre?"

_ " Agora às 15 horas."

_ " Não, não iremos."

_ " Então podem fazer o favor de avisar no Centro de Visitantes que eu estou aqui para subir. Vi agora no cartaz que isso se faz necesário."

_ " Onde fica o Centro?"

_ " É aquele logo ao final da rua que sobe para o Castelo."

_ " Está bem."

Aguardei um pouco mais, apareceu um casal de franceses, e logo depois veio um senhor, português, se dizendo cansado da subida. Achei até que fosse mais um visitante, mas era o portador das chaves. E foi lá abrir para nós. Agora não sei se foi a família ou o casal que o solicitou. Mas eu subi.

Enquanto ele acendia as luzes, esperei a autorização para entrar e perguntei-lhe se eu podia ir direto lá em cima. Ele autorizou e la fui eu no caracol de escadas, parecendo escadas de Farol. Nessa não tem nenhuma sala intermediária para descanso, mas não deve ser tão alta, apesar das belas vistas de cima e do refrescante vento, que trazia nuvens de chuva. 

O casal de franceses desceu depois de mim, mas parei na sala inicial para ver a exposição de armas antigas, facas, espadas, revolveres, e um pequeno canhão.

A alta abóbada também impressiona. Com aqueles arcos mouriscos. 

Quando sai fiquei conversando um pouco com o funcionário que me mostrou a Igreja do Carmo, que eu pretendia visitar, mas ele logo me avisou que nunca está aberta, só em celebrações religiosas. O estado de conservação exterior da mesma não é dos melhores, mas ele disse que por dentro ela é lindíssima. Mostrou as nuvens carregadas que desaguavam por a=sobre alguma quinta vizinha. Até uns relâmpagos notamos. Mas ele disse que a água passa ao lado e não chove por aqui, apesar de serem abençoados com o aquífero, e nunca ter faltado água por este pedaço de chão. 

Me despedi, e descemos.  Num esforço por uma selfie sem carão, fiz uso de um veículo estacionado, que aliás, não são muito apreciados pelas bandas de cá.

Passei ainda em frente ao Hotel de Moura voltando para fazer o meu check-in e quando tirava a bagagem do carro, grandes pingos de chuva caiam aqui e ali. As ja nelas abertas de quase todos os quartos demonstram que chuva é algo raro por aqui, pelo menos nesta época. E mesmo o recepcionista disse para eu não me preocupar.

Mas, afinal, ambos se enganaram. Uma chuva gostosa caiu, e molhou até o chão. O chão de terra ressequido só fez embolotar a areia que estava por cima. A chuva nem consegue penetrar este solo ressequido. Mas seu cheiro eu pude sentir e me extasiar. A gente saudades de aromas, sabores, calores e cores. Impressionante! A gente fala em sentir falta só quando perde, mas não imaginava que isso se aplicava também para coisas abstratas, imateriais.

E depois de tomar um gostoso banho, assistir um pouco de TV e ver como enxergam os estrangeiros a problemática relativa à Amazônia e ao posicionamento do Presidente do Brasil, inclusive por meio de suas redes sociais, que não me pareceram nada respeitosos e dignos da posição que ocupa, mesmo que porventura tenha sido provocado, mudei de canal e esperei a chuva passar para ir jantar, ou melhor, lanchar uma bifana. Vou descobrir do que se trata efetivamente. 

Um pão delicioso, o mais parecido com o nosso 'pão francês' que já comi até agora e um bife de carne branca que me pareceu carne de porco. Alguns perguntarão: " Mas você não comeu? Então do que era o bife?" Confesso que não distinguo. Pela cor e textura me pareceram ser de porco mesmo. mas já confundi frango com peixe, então... Mas estava muito bom. E foi num quiosque aqui bem próximo ao Hotel.

O Hotel é bem gracioso, estou pagando 26 euros a diária com cfé da manhã num quarto duplo. Nestes casos, viajar acompanhado sai mais barato. Pago por um lugar que não utilizo, nem no banho, nem no café. Mas cotei o mesmo hotel para o final de semana e saía por 30 euros a diária. Eu não tenho necessidade de viajar de fim de semana, então, economizo assim. E acaba saindo mais barato do que uma cama em hostel em grandes cidades.

Neste caso tenho que verificar os prós e os contras de cada situação. Em um tenho privacidade e mais conforto, que gosto, mas fico tão sozinha como em casa, aqui ou no Brasil, que também ficava sozinha a maior parte dos dias. No outro tenho companhia, às vezes até para sair, mas nenhuma privacidade, e também economizo. É muito raro achar hostel em cidades pequenas. É o tipo de acomodação que só funciona em destinos altamente turísticos.

O ideal é ir mesclando. 

E amanhã ainda sigo neste hotel mas vou até a represa de Alqueva. Até lá.