LUTON - INGLATERRA

17/10/2019

O horário agendado para o UBER era 4h com previsão de atendimento até 4h10. Às 4h10 um motorista acolheu meu agendamento. Era um gaúcho que já está em Lisboa há um ano e meio, já viveu no Amazonas, e tudo sozinho. Foi o motorista mais imprudente que já peguei, fora do Brasil. Até os do Brasil são mais prudentes. Digo isso porque estava andando acima da velocidade já que as ruas estavam bem vazias.

Estava muito receosa com o negócio da bagagem pela Ryanair, comprei com valor extra para poder levar uma mala de mão e uma mochila. A passagem deles tem bom preço, mas só pode levar um item de no máximo 40 cm de altura, já incluindo as rodinhas. Quando recebi o e-mail da poltrona dizia 1ª prioritário, fiquei preocupada de ter comprado errado, e ser para maiores de 65 anos. Então cheguei a tempo de esclarecer minhas dúvidas no balcão. E por ter passaporte brasileiro, tive que ir para outro balcão carimbar o passaporte. Que foi novamente carimbado pela autoridade alfandegaria.

A fila do prioritário era enorme, pouca gente na normal, com pequenas mochilas. De certo que as demais malas eram de porão.

A entrada em Londres foi muito tranquila, fui para a fila de outros passaportes, e sempre fico prestando a atenção nas perguntas que fazem aos passageiros antes de mim e suas respostas.

Tempo de permanência: 2 dias

Vai para onde depois: Islândia.

Sua passagem: (mostrei a passagem impressa).

E na volta: volto para Londres e depois para Lisboa.

OK. Tenha uma boa viagem.

Obrigada.

Notem, em inglês, não entendo todo o conteúdo das perguntas, mas já me acostumei a um padrão, e presto atenção para ouvir as palavras conhecidas.

Já dentro eu sabia que devia tomar um ônibus da National Express para Luton.

Foi fácil achar o ponto de vendas na saída do aeroporto. Quando cheguei precisava de banheiro, comida e passagem, nesta ordem. Mas achei primeiro a bilheteria, perguntei sobre a passagem e o banheiro. Ela colocou no Google Tradutor:

_ " Quer ir ao banheiro primeiro?"

_ " Sim", respondi.

E ela me indicou o caminho. Aproveitei para tomar café da manhã, no avião era pago a parte.

Quando voltei comprei a passagem para o próximo ônibus para Luton, às 11h15. Dentro de quase uma hora. Aí entendi porque ela não me vendeu a passagem na hora, o ônibus estava por sair, e ia depender do tempo que eu ia demorar.

Mas foi melhor assim, achei com calma o ponto do ônibus, que era avistável da bilheteria. E fui ao banheiro novamente, após o café, junto ao ponto, num lugar mais limpo e mais calmo.

Os ônibus para Londres saiam a todo instante.

E você deve estar se perguntando, mas por que ela quis ir para Luton em sua primeira visita à Inglaterra? Fácil, é do aeroporto de Luton que sai meu voo para Islândia. E o percurso entre o aeroporto de Stansted, onde desci, fica a duas horas do de Luton, e meu voo dia 16 será às 6h15.

Mas fiquem tranquilos, na volta chegarei pelo aeroporto de Gatwick, e ficarei entre os dias 28 e 31 em Londres. E terei conhecido 3 aeroportos ingleses.kkkk

Duas horas viajando de ônibus por estrada estreita e sinuosa me deixaram um pouco nauseada. Cheguei em Luton com uma chuvinha fina e penetrante, mas o ponto era bem próximo ao The Mall, o shopping, e ainda era cedo para fazer o check-in no Stockwood Crescent, assim, dei uma volta no shopping e procurei algo para almoçar, pois quando entrasse no quarto, queria dormir e não mais sair.

Achei um lugar com comida árabe e comi um wrap, não queria nada muito grande, e veio com uma porção enorme de batatas fritas.

Como ainda chovia quando terminei, chamei um UBER, da saída do shopping, mas era uma rua só para pedestres, e um homem que trabalhava na rua me levou até o lugar onde param os táxis. E depois me pediu uns trocados, mas eu não os tinha fácil.

Lembrei-me de que fui abordada por um pedinte em Lisboa, junto aos restaurantes do ...., depois de eu ter almoçado naquele restaurante chiquérrimo. Estava justamente pensando com meus botões sobre ter me oferecido este luxo quando o homem me aborda pedindo dinheiro, para comprar comida. Ppassei por ele, pensei e voltei. Caramba, gastei uma pequena fortuna para comer agora. Não posso dar uns trocados para este pobre homem? O que ele vai fazer com o dinheiro é problema dele.

Continuando, o motorista do UBER me mandou uma mensagem perguntando onde eu estava, e respondi. Logo ele chegou e o meu destino era bem próximo, mas com chuva, e sem conhecer, nada é próximo.

O proprietário já havia me encaminhado um e-mail dizendo que passaria o código para entrar no horário do check-in, e o fez. O código servia para abrir um cofre de chaves, e procuro aqui e ali, não sei qual o padrão de um cofre de chaves. Vi uns quadradinhos perto da porta, como se fossem pequenas caixinhas de correio, mas não tinham onde inserir a senha, até que resolvi mexer neles, e tinham uma portinhola móvel onde coloquei o código e peguei minha chave. Nela constava o número de meu apartamento. E foi uma grata surpresa. Um apartamento só para mim, com banheiro privativo, cama de casal, e até bem amplo. Só um pequeno inconveniente: o box fica a uns 40 cm do chão, a porta de correr abre um espaço exatamente da minha largura, e não tinha onde eu me apoiar para dar impulso e subir, passando por aquele estreito vão sem me machucar. Difícil, mas não impossível. Feitas algumas manobras... Só não podia esquecer nenhum item necessário embaixo. E não tinha como abrir a ducha para aquecer antes de lá chegar, e mesmo sendo estas duchas que você tira do encaixe, a mangueira estava rachada perto do bocal de saída da água, e esguichava água fria em mim quando a abria. Mandei mensagem para o proprietário, mas ele não teria tempo hábil de fazer a manutenção antes de minha saída, já que só ia passar um dia e meio.

No dia seguinte fui visitar o Wardown Park, mas antes precisava achar onde tomar café da manhã. Como dormi a tarde, no dia anterior, e fiquei escrevendo no Word até tarde, mesmo sem Wi-Fi, e por causa do frio, levantei depois das 9h e o café acabou sendo meu almoço. O que foi bom dados os costumes locais. Pedi um Sandwich filings, mas baguete.

_ " Sandwich or baguete?, perguntou a atendente.

_ " The baguete is big?"

Ela mostrou o tamanho com as mãos e, com a fome que eu estava, decidi pela baguete.

Daí ela me perguntou o que eu queria que colocasse dentro. E eu pensando que iria tudo aquilo que estava escrito, então entendi que o tal de filings eram as opções de colocar dentro pão. Escolhi o que eu conhecia, queijo, bacon e cebola, num lanche quente. E não é que ficou bom!

Tomei um big copo de suco de laranja e um café expresso. E chamei um UBER. O parque ficava a uns 5 km mas estou me poupando um pouco para o tour na Islândia.

Aos dois motoristas perguntei se seria fácil chamar um UBER às 4h da manhã. Os dois disseram que sim, então fiquei mais tranquila.

O Wardown Park é uma gracinha, e já está apresentando as primeiras cores do outono. E o dia, apesar de frio, 14 graus, estava claro, com uma boa quantidade de nuvens, mas sem chuva.

Umas casinhas vermelhas em volta, um grande lago cheio de pássaros, e conforme fui avançando, apareceram os esquilos, muitos, um até pousou para a foto. E os corvos. Umas pontes sobre o lago. Tudo muito encantador e pacífico. Algumas pessoas correndo, ou passeando com os cães.

Dentro do parque tem o Wardown Museum. Segui as placas mas não consegui chegar ao local. Vi um carro estacionando e dirigi-me ao motorista, detalhe, do lado direito. Gente, se vierem para a Inglaterra, andem de carro, táxi, UBER, qualquer um. No ônibus a sensação não é a mesma. É muito estranho a direção na mão direita. Ao motorista do UBER de hoje cedo perguntei o que ele achava de dirigir do lado esquerdo? Ele disse que sua família mora em Dubai, então está acostumado dirigir dos dois lados, demora uns 10 minutos para se adaptar. Eu estou tonta andando no banco do passageiro.

Agora, o motorista da pick-up que estava estacionando no parque desceu do carro e me mostrou onde era o museu. Muito simpático, perguntou de onde eu era e até arranhou um pouco de espanhol.

O primeiro andar mostra algumas ambientações de época e aparelhos como gramofone e telefone, antigos. (vídeo com música cover do gramofone no Instagram @ lessa meyre)

O museu tem um espaço que fala só das guerras que a Inglaterra tomou parte. Tem vários manequins uniformizados, e um local que me chamou a atenção, pois tinha uma foto com flores vermelhas e como que umas cruzinhas embaixo, também enfeitadas de vermelho. Foi o único lugar que peguei o óculos de grau para ler, já que as escritas são em inglês, mas fazia referência a uns mortos em guerra, e tinha uma caixinha para donativos. Contribui com as moedas que recebi no câmbio que fiz no aeroporto.

Em outras salas estão expostos acessórios antigos de uso doméstico, tinha uma sala com brinquedos antigos, que me fez pensar no Roberto, meu falecido marido, pois tinha muitos bonecos galácticos.

Na saída, vi o senhor que me ajudou e dei um tchau. Como parei mais adiante para uns carros passarem, pois eu estava na pista deles, tentando alcançar a trilha de pedestres, ele chegou até mim e me perguntou se eu tinha gostado do museu. Eu disse que sim, achei muito interessante. Ele disse:

_ " Love to meet you. Good day."

_ " Nice to meet you, too."

E fui embora, desta feita, a pé, até o centro da cidade, apreciando suas construções e suas cores.

E para não sair da rotina, vi 3 igrejas no caminho: uma que supus ser Anglicana, uma Batista e uma Messiânica.

Comprei umas guloseimas para comer no apartamento e voltei a pé. Assim pude arrumar minhas coisas e tentar dormir as 23 horas para acordar às 3h da manhã, de novo, e partir rumo a Reiquiavique.

Até então, gostei muito dos ingleses.