LONDRES - DOIS DIAS É POUCO

02/11/2019

Acordei com o corpo dolorido, pelas caminhadas fortes, pelo joelho que ainda dói um pouco, e pelo colchão que não colabora. Mas após um café meia boca, estou pronta para meu último dia de viagem.

Quando passo pela recepção, está chegando uma família de franceses, pais jovens, talvez entre 30 e 40, e suas crianças. A atendente perguntou-lhes:

_ " Check-in?"

E a moça ficou fazendo caras e bocas de quem nada entendeu, até que o moço da recepção perguntou em francês se eles tinhas reserva. Adoro francês, adoro a França, mas dizem por aí que são os turistas mais difíceis de se tratar, a maioria se nega a comunicar-se em outra língua que não o francês. Mas foi só uma observação de quem está fazendo um esforço danado para falar em inglês, pelo menos, para facilitar a vida de quem me atende.

Minha programação de hoje começa Pelo Palácio Saint James, passando pela rua de nome The Mall e chegando até o Palácio de Buckingham. Li que a troca da guarda acontece às quartas-feiras às 11h30. Tem outros dias, depende da estação do ano, e do tempo. Tem um site para verificar isso. 

Quando coloco no Google Maps a rota, a previsão é de quase uma hora até o Saint James, puxado. São 9h50 e quero chegar lá antes do horário. A guarda se locomove entre os dois Palácios, e gostaria de ver isso. Hoje entrei por um outro portão e começo passando por Kesington Gardens. É um caminho diferente mas as maritacas, ou suas parentes, estavam lá, sobre as grades, pedindo comida. Assim também os esquilos. Eles são muito amigáveis por estarem acostumados a serem servidos. Vi até uma senhora dando milho aos pássaros, que me fez lembrar do filme "Esqueceram de Mim".

Do Kensigton vu para o Hyde Park, depois o Green Park até chegar ao Saint James Park, onde saio passando por baixo da grade, cortando caminho e, por uma viela, saio na lateral do Palácio. Vejo alguns grupos de turistas recebendo explicações, e vou passando à margem, para não atrapalhar. Chego à The Mall e viro à esquerda, como previa o Maps. Está tudo quieto, com carros passando de uma lado para outro. Até faço um filminho rapidinho (que coloquei no Instagram @ lessa meyre), mas quando paro para colocar o próximo destino, Palácio de Buckinham, descubro que estou indo para o lado errado. Normal.

Retorno e me encaminho para o outro Palácio, agora começo a ver muita gente, e logo em seguida o impedimento de tráfego na rua. Acho que aquele pedaço é eternamente impedido. E vou andando até que chego numa parte onde já estão muitas pessoas. Me aproximo do meio fio num local livre e aguardo. Logo um corpo de guarda com banda e tudo vem em direção ao Palácio da Rainha. E consigo filmar a sua passagem. Decido chegar mais perto do Palácio para ver a troca da guarda. Mas tem muita gente neste pedaço. Eu estava do lado direito para quem está de frente para o Palácio. E não tinha como atravessar para o outro lado, pois os guardas de bicicleta ou cavalos regulam o tráfego de gente. E eu nem sabia que o outro lado seria melhor.

Cheguei num local onde as três fileiras de pessoas que estavam a  frente tinham menos de 1,60m. Assim era um local que eu tinha boa visibilidade da rua. As bandas entravam lá pelo outro lado, e a troca da guarda se dá toda dentro dos portões reais. Assim, só quem estava com a cara colada ao portão viu tudo. Ou quase tudo. 

Resolvi me mexer depois de quase uma hora ali parada esperando pra ver mais alguma coisa. E fui em direção ao Palácio. Mas naquele momento a gurda estava  impedindo o fluxo naquele sentido. Voltei um pouco e achei um local junto à grade, de alguém que acabara de desistir.

Encostei. E logo em seguida os portões de lá do outro lado se abrem. Primeiro saem os guardas de cinza, que filmei chegando. Depois uma outra banda sai, da a volta no círculo central e chega perto do lado em que estou. E por último, a cavalaria, com guardas de vermelho, passa bem à minha frente. Fiquei feliz, me senti sortuda. Mas confesso que gostei mais da troca da guarda em Santiago, do Chile.

Como várias pessoas pediram-me para cumprimentar a rainha, aqui vai minha saudação a ela. Em especial pela Gabriela Farias, sua mais profunda admiradora.

Agora irei para minha segunda visita paga antecipadamente através do Get Your Guide. A abadia de Westminster, localizada próxima ao Palácio de Westminster, que fica à beira do Rio Tâmisa. 

A Abadia tem um arco na fachada que é lindíssimo. Estando ao seu lado podemos avistar a Torre dourada do Palácio mais bonito entre os três, o de Westminster (na minha opinião, é lógico).

Me dirijo para a porta indicada como entrada para visitantes, passo por uma revista da mochila e da pochete, e vou tirando fotos da entrada.  Apresento meu ingresso na bilheteria que o troca por outro tíquete. Me encaminham para um local onde devo pegar o áudio-guia. E me encaminham para outro lugar onde tem um monte de fones. Peguei um, coloquei e não ouvi nada. Troquei, e nada. Me irritei e devolvi, nem vou dizer o que. Por 20 libras a entrada eu esperava uma recepção mais atenciosa. O da Catedral foi muito mais receptivo.

Seu interior é lindo também, é nela que acontecem as coroações de reis desde 1066, apesar de fazer tempo que não ocorrem coroações, dados os 67 anos de reinado da Rainha Elizabeth II, que reina desde seus 25 anos de idade. Nela também foram celebrados o funeral da Princesa Diana e o casamento do Príncipe William. 

As coisa que o áudio-guia poderia me ajudar, obtive na internet. E deixei-me contemplar e tirar fotos, até que um colaborador me mostrou que elas não eram permitidas. E como não sou de desobedecer regras, apesar de não entende o motivo de tal regra, não mais fotografei após este alerta.

Ela é construída em um estilo neo-gótico. Duas salas me chamaram mais a atenção. Numa delas, várias cadeiras com uma espécie de telhado entalhado em madeira, e no topo destas coberturas espadas que parecem representar membros das cruzadas, e por cima de tudo o capacete de armaduras, alguns recobertos com outros ornamentos como estandartes. Acho que a Lady Chapel, Capela do coro, assim ornamentada desde 1512. A outra guarda alguma semelhança com esta, mas a sobreposição das cadeiras é também entalhada, mas são todas folhadas a ouro. Reluzente. Magnífica. Acho que esta é a Sala do Trono de Santo Eduardo, onde acontecem as coroações. Há também um canto onde estão sepultados os grandes poetas e escritores ingleses, como William Shakespeare. 

Ainda tive acesso a área de onde se avista o jardim interno, tendo acesso a banheiro e restaurante por aí. Ali já se pode fotografar.

Mas confesso que saí decepcionada, me senti abandonada, ou talvez minha expectativa era muito grande ao ver seu exterior. O interior não decepciona, mas gostaria de dividi-lo com vocês. Quero ser seus olhos, ouvidos, nariz e pele. Gosto de tentar fazer sentir, e as fotos, certamente, ajudam-me neste processo.

Já passava de 13 horas, o café da manhã foi fraco e antes das 8 horas. Então, antes de seguir adiante, gostaria de comer. Fui em direção ao Big Ben, e o descobri disfarçado, ao lado do Palácio de Westminster. Quase que me engana.

Eu tinha lido que ele se encontrava em reforma, mas não imaginei que estaria assim todo encoberto.

Fui caminhando pela margem oposta ao da London Eye, e não encontrava onde parar para comer. Passei em frente às novas instalações da Scotland Yard.

Senti que se continuasse em frente não ia achar nada, então peguei a primeira perpendicular e sai perto do Café Concerto. Uma vitrine de bolos confeitados me convenceu que ali era O LUGAR.

Iniciei com o pedido de uma água grande, 750 ml, e um nhoque com molho de pistache. O pessoal do Café parece que reconhece sotaques. Conforme iniciei a conversação me ajudaram falando um pouco de espanhol. E vi que fizeram o mesmo com outros clientes, de várias nacionalidades. Isso eu chamo de hospitalidade.

Depois do almoço pensei em pegar um bolo para viagem, mas ia ficar andando por aí com um pedaço de bolo. Mas, não comer... Isso não é uma boa opção. Pedi um pedaço do bolo Floresta Negra, um dos meus, pra não dizer, preferido. Delicioso. Eles fazem com cerejas negras, mas não são em conserva, mas não são colocadas cruas. Um manjar dos deuses. Gastei 30 libras no almoço completo. Mas ficarei sem jantar, já economizei transporte caminhando. E eu quis assim.

Chamei um UBER Pool que me pegou bem em frente ao Café. Vi no perfil do motorista que falava espanhol, era um mulato maravilhoso com cabelo comprido, todo trançado e preso de forma desleixada atrás da cabeça. Já entrei cumprimentando-o em espanhol. Nossa viagem não teve outros tripulantes, sentei-me atrás, para variar, mas a conversação foi ótima. Ele é londrino, filho de caribenhos, fala espanhol porque vai com frequência para a Colômbia. Conhece também o México, o Panamá e a Nicarágua. Namorou uma brasileira que mora na Praia Grande, em São Paulo. E adora as mulheres brasileiras.

_ " Não só porque são bonitas, mas são agradáveis, amorosas. Pode-se conversar sobre tudo com elas."

E aí ele fez algo que me fez gargalhar e muito. Mostrou-me como o toque com os brasileiros e algo banal. Começou a se tocar todos, no rosto, no pescoço, nos ombros, como nós fazemos  e nem percebemos, ao falar com outras pessoas, encostando a mão naturalmente, ou o corpo, ou dando beijinhos. Ele disse que os ingleses não são assim, a não ser quando muito íntimos. E as mulheres inglesas não aceitam qualquer tipo de conversa. Ele não sabia falar em espanhol o que queria dizer, e eu não conheço a palavra que usou em inglês. mas acho que seria algo como, são 'cheias de não=me-toques', metafórica e literalmente. kkk

Ele me deixou em frente ao Museu de História Natural. Ao lado dele um parque de diversões, com carrossel, pista de patinação no gelo e árvores com luzinhas de Natal.

E que prédio estupendo, com suas colunas coloridas. Uma grande fila pra entrar, mas com fluxo rápido. 

Eu estava atrás de duas garotas, e quando passamos pelas girafas da entrada, viramos e demos com o saguão central, elas expressaram, entre elas, o que senti:

_ " Wow!"

Aquele espaço enorme, com o mesmo estilo de construção e um esqueleto gigante pendurado no teto. Este é outro lugar no mundo em que não consigo conter as lembranças, a saudade e a emoção. Meu falecido marido adoraria estar aqui. Tentarei ser seus olhos.

Entrei pelo primeiro corredor à direita, e fui passando pelo que eles denominam de zona verde. Nela estão explicações sobre insetos, pássaros, plantas... 

Precisava de um banheiro e fui parar na zona vermelha, passando por uma escada rolante que entrava num globo vermelho. Algo surreal.

Depois do banheiro voltei para usar a escada rolante. Daí descobri que a zona vermelha trata dos vulcões, e falhas tectônicas, sua formação, localização, tragédias já ocasionadas, modo de controle, e até uma salinha com a simulação de um tremor, onde não quis entrar. Acho que estou ficando uma velha medrosa. kkk

Agora eu queria ir para a zona azul, mas antes passei por uma área que falava sobre a evolução humana. Os diversos símios ao longo dos séculos, os grupos extintos e os que chegaram a nos formar, o homo sapiens.

Na zona azul estão os esqueletos de dinossauros e seus similares, como o rinoceronte, elefante e hipopótamo. As baleias e muitos outros mamíferos. É um espaço relativamente pequeno para tantos espécimes gigantes.

Agora, o mais incrível de tudo isso é que é uma atração gratuita. Não é maravilhoso. Também tinha lido sobre esta característica dos museus ingleses. Mas só fui lembrar quando procurei a bilheteria e não achei. Eles têm, logo na entrada, uma caixa de acrílico, bem grande, para doações. Mas eu tinha gasto minhas últimas libras no restaurante, já que amanhã irei embora.

Bom, são 17h30 e é bom eu pensar em ir embora, irei caminhando. Serão pouco mais de 30 minutos de caminhada. Algo como 2,5 km. Agora já está iluminada a fachada, com uma luz rosa. E, apesar do horário, do lado de fora já está escuro.

Mas foi um lindo dia ensolarado e de poucas nuvens. Melhor do que eu podia esperar. Em tudo. Gratidão.

Fui caminhando sossegada. Tenho bastante bateria desta vez. Coloquei para recarregar, com minha caneta de bateria extra, no restaurante. Mas o que eu não esperava era atravessar um parque no caminho. Escuro. Me fazendo pensar em serial-killers. Ainda tinha bastante gente passando, vinham a pé, de bicicletas, parecendo conhecer bem os caminhos. Às vezes passavam com a lanterna do celular ligada. E eu ali, seguindo firme, forte e fiel ao meu mapa. 

Estava mesmo na floresta encantada, com os ventos passando suaves e sacudindo a folhagem de árvores e arbustos. Só se viam sombras. Por sorte o caminho é bem liso, não tem rugosidades e nem pedras soltas. Só algumas folhas secas que me confundiam a vista. E, novamente estou eu aqui contando com a proteção de meu anjo guardador. Depois de um bom tempo dentro do parque, quase metade do caminho, saí do Kesington por um portão bem em frente à igreja próxima ao meu hotel. Que alívio! Cheguei bem e estou perto.

Hoje não terei jantar. Comerei o restante das bobagens que comprei. Um pouco de pistache, um pouco de biscoito, uns toffes. Um banho quente num banheiro até bem limpo. Preparar as malas porque agendei o UBER para 7h50??? Acho tarde. Vou reagendar. 7h35. OK. Pensando bem, muito cedo, 7h40. Fiquei mudando e recebendo mensagens por e-mail da UBER. Por fim deixei em 7h45.

Acordo 6h45. Me arrumo rápido e vou para o café, às 7h05. A moça me informa que só às 7h30. Ah, agora me lembro porque agendei o UBER para 7h50. hahaha Que cabeça a minha. Pedi a ela um copo de suco. Estava sem líquido desde a hora do almoço. Depois de tomar o tang da vida subi para pegar minhas malas e já recebi aviso que o UBER estava sendo solicitado.

Desci rapidinho com as malas e fiquei na recepção, sentada, até que às 7h45 meu motorista chegou. Meu destino era a Liverpool Street Station. Fomos mudos e calados até o destino. Levamos quase uma hora para lá chegar. A rua tem passagem impedida bem em frente à Estação, mas mesmo assim meu motorista me levou até lá, onde me pareceu que só podiam entrar táxis. Ele foi manobrar e os táxis não dão uma folga. O motorista dentro do táxi, parado, com espaço livre à sua frente e não se locomoveu um dedo sequer. Um guarda de bicicleta veio até a janela esquerda. O meu motorista abriu a janela daquele lado e o guarda começou a vociferar com ele. Mas ele não alterou a voz ao responder, foi muito educado e humilde. Voltou de ré e encostou onde deu. Eu falei para ele não se aborrecer. Agradeci e desci do carro. Bem me disseram os outros motoristas com que conversei, os londrinos não escapam da sina das grandes cidades, estressantes e desumanas.

Ao entrar na estação fiquei agoniada. Enorme, cheia de gente. Onde será que tenho que trocar minha passagem?

Eu estava num mezanino e lá embaixo uma banda começou a tocar. Que vontade de ficar ali parada, escutando tudo, filmando, curtindo. Mas o tempo urge. Ao olhar para a banda vi a bilheteria. Procurei a escada e me encaminhei para lá.

A senhora que me atendeu, eu já com um pedido de desculpas por não falar bem o inglês, me deu um bilhete e disse, ao meu questionamento, que poderia pegar em qualquer horário. Quando comprei coloquei o horário de 9h25, porque pensei em vir de ônibus até ali. Depois achei tarde. E vim de UBER para chegar mais cedo.  Ela me indicou a plataforma 3. Me dirigi a ela e embarquei. Sentei no último lugar do vagão. Às 8h40, menos de cinco minutos após o meu embarque, o trem partiu rumo ao aeroporto de Stanted.  Estava feliz. Tudo estava correndo bem. Comecei a ouvir uns barulhos estranhos no trem. Achei que podia ser as malas se chocando contra as paredes. E, de repente, anunciam que aquele trem não poderia prosseguir viagem, parando na estação de Bishop. Eu entendi mais o menos, e fiquei esperando a reação das pessoas para confirmar o que fazer. Não tiha entendido o que fazer após descer do trem, mas como todos continuaram ali na plataforma, fiz o mesmo. 

Passaram outros dois trens com destinos diferentes até chegar o nosso. Já com passageiros, não era um trem extra, era o seguinte, que deve ter saído de Liverpool às 8h55. Ainda assim estou adiantada 30 minutos com relação ao que eu imaginei inicialmente. Mas começo a ficar angustiada, apurada até. 

Chegando ao aeroporto, procurei logo o aviso luminoso para saber o número do meu balcão de check-in. Fui até lá, a moça conferiu e anotou os dados do meu voo num papel. Eu tinha feito um print-screen da passagem. Quando fui passar no portão do embarque, não leu. A simpática senhora que estava ali para ajudar me deu algumas instruções e eu não conseguia entender nada. Já percebi que, quando me ponho nervosa, meus ouvidos trancam, um bloqueio de pânico acontece e eu não consigo entender ou falar o que quero direito. Quando escrevo para vocês, as sensações vêm todas de novo. Resolvi voltar ao balcão de check-in e pedir a impressão da passagem. Ainda assim não passou. Aquela senhora pegou meu passaporte e a passagem, olhou no computador, conferiu tudo e abriu um portão especial do embarque para eu passar.

No próximo aviso de portões de embarque dizia, com relação ao meu voo: " Relax."

E relaxei. Até demais eu diria. Fui tomar o café da manhã, pois previa só comer em Beja, por volta de 21 horas. Comprei logo um suco de laranja, um capuccino grande, um hambúrguer com batatas fritas, e uma salada de frutas. Já eram 11 horas e fiz disso também o meu almoço. Tirei foto do prato e comecei a comer. Me deu calor, tirei a jaqueta e coloquei sobre a perna, com cuidado porque celular, passaporte e passagem estavam no bolso interior. Terminei, levantei, vesti o casaco e segui, sem procurar saber o horário, que seria uma atitude normal. Aindqa tive tempo de passar no banheiro.

Me apressei pois vi que o portão estava longe ainda, 93 se não me engano. Passei por duas esteiras rolantes e logo vi a fila para o embarque. Posicionei-me no final da fila e fui pegar o passaporte e a passagem. Mas cadê meu celular? Caiu. Deixe-me dar uma olhada dentro da mochila, para desencargo de consciência, nada, mas eu sabia que ali não tinha colocado. Será que dá tempo de eu voltar lá para buscar? Quando ia me mexer para perguntar a moça orientou o início do embarque. Deixa quieto então. É longe. Não tenho garantia de que vou encontrá-lo. Fazer o que? E me deu uma tristeza danada. E um pouco de raiva da minha estupidez.

Já dentro do avião e eu não conseguia deixar de pensar nele. Até que me conformei e comecei a pensar no que fazer para sanar o problema o mais breve possível. Devo ter um intervalo de tempo entre o desembarque e o horário do ônibus para Beja. Saio de metro do aeroporto, desço na estação Oriente e posso passar no Shopping Vasco da Gama e ver se compro outro lá, e já passo na loja da MEO. E assim fiz. Na própria loja da Worten, por um preço, eles instalaram os principais aplicativos enquanto eu fui até a loja da MEO pegar outro chip, e tomei uma limonada com croissant de chocolate e uma queijada de laranja. Já eram 16 horas. Acabou o horário de verão na Europa, então só estou com 3 horas de fuso com relação ao Brasil. Voltei à loja da Worten às 16h30 e ainda não estava pronto. Sai de lá apressada às 17 horas para pegar o ônibus na estação de Sete Rios às 17h45. Cheguei com 20 minutos de antecedência. Melhor assim. Peguei o táxi que estava parado na porta da rodoviária em Beja. Já estou sem o número do celular do Sr. Jorge.

Quando estava quase chegando lembrei-me de outro inconveniente. Agora o portão é automático, com uma chamada de celular, mas qual o número. O taxista parou em frente e buzinou um montão. E ninguém apareceu. Se fico com ele ali, o taxímetro rodando, quanto ia ficar esta corrida? Desci e fiquei ali, para no portão, esperando alguém aparecer. Não dava nem para grita, se com a buzina não ouviram...

Ele foi embora e se comprometeu a ver se alguém tinha o fone da dona Rosalita para aviar que eu estava no portão.

Mas meu anjo estava atento e, depois de uns 10 minutos, meu vizinho apareceu com o carro. Disse-me que uma vez teve que pular o muro porque seu celular ficou sem bateria. Abriu o portão e entrou. Nem me ofereceu uma carona. E eu segui meus últimos 200 metros a pé, arrastando minha mala no escuro. Mas estou em casa. Finalmente.

Agora vou tentar fazer o celular funcionar. O chip da MEO tem código. Não consigo enxergar. Coloco o óculos, levo o papel para debaixo da luz, vejo um número em baixo relevo num papel prateado, tem dó. Vou tentar... Graças a Deus, o glória. 

E agora estou aqui lidando com a recuperação dos contatos, já que perdi o número do Brasil. Estou usando agora só o chip de Portugal. Os contatos que tenho no Face, estou avisando pelo Messenger, alguns da família, uns avisam aos outros... Mas alguns contatos que fiz durante minhas viagens, como a Gisela de Salta-Argentina, o Pedro de Olinda, o Sergio, argentino que conheci em Recife... Estes não tenho como recuperar. Vou ter que ir a Salta de novo, procurar a Gisela. 

E o outro problema será com os bancos... mas será sanado, logo, se Deus quiser!

E a gente aprende errando, e eu estou sempre aprendendo.