LONDRES - CONHECER CAMINHANDO MUITO

30/10/2019

Depois de encerrar a noite comendo pistache e bolinhas de chocolate no quarto frio, e olha que só meu quarto estava frio, porque não liguei o aquecedor, do lado de fora está um calorão, e dormir toda enroladinha num colchão tão macio que fez conchinha em mim ( isso costuma dar dor nas costas, o colchão mole, mas não deu). Até que enfim arrumei uma conchinha. Kkkk

O café da manhã é meio fraquinho, mas de resto, o hotel é bem bom. Tem muitas famílias e vi que, mesmo eu tendo reservado um quarto com banheiro compartilhado, as acomodações aqui, em sua maioria, têm banheiro particular, o que faz com que o banheiro compartilhado seja bem limpo e não tenha muita concorrência.

Vi que meu primeiro destino, pela manhã, fica a quase 3 milhas de distância do hotel, então chamei um UBER Pool, compartilhado. O primeiro cancelou a viagem porque não apareci no local marcado. O segundo me pegou na porta do hotel. Quando falei par ele que não falava bem o inglês, me perguntu qual o meu idioma e me disse, ao ouvir a resposta:

_" Like me."

E começou a falar em português. Daí perguntei-lhe de onde era e ele disse:

_ " Angola."

_ " Eu imaginei."

_ " Por que?", ele disse.

_ " Porque foi o único país que lembrei que também fala português, e quando menina eu me correspondia com um angolano, por carta."

_ " E deu em algo?"

_ " Não. Era só troca de correspondência mesmo, e em francês."

E começamos a conversar. Ele foi explicando como funciona o UBER aqui, a viagem que foi cancelada porque eu não apareci no ponto marcado, me custou 4 libras. Fomos para dois pontos em que as pessoas também não apareceram. De repente ele, Fernando, me disse:

_ " Acho que você entá com sorte hoje, então. Vamos pegar agora um Jorge. Deve ser espanhol, ou talvez italiano, pela grafia do nome."

Paramos num local e lá estava o Jorge de muletas, teve uma distensão no joelho correndo, e já está a mais de 30 dias com a muleta. Ele é de Madri, mas como o Fernando, mora na Espanha. O Jorge não fala português, mas entende. E nós outros dois ficamos conversando em português ou espanhol, conforme a onversa incluía ou não o Jorge.

O Fernando me disse que já está há 20 anos em Londres. E aprendeu a gostar daqui. Que tudo tem seu lado bom e ruim, o que mais o intimidou, no começo, foi o clima, a chuva. Mas hoje pensa, dentro do carro esta seco e quente, para descer usa o casaco. Então está melhor que em seu país. Quando pensa nos filhos, que futuro poderia dar para eles em Angola??? Gosta muito de Londres e acha que aqui está muito bom.

Rodamos bem uma hora juntos, e ele me deixou num semáforo vermelho junto a Torre de Londres. Nem deu tempo de me despedir direito, mas foi uma conversa muito agradável.

E a saga começa aqui. A London Tower é uma construção enorme às margens do Rio Tâmisa. É um lugar muito movimentado, cheio de turistas, e havia uma grande fila para ingresso. Eu só comprei dois ingressos para visitas aqui, então, a maior parte das coisas, verei só de passar em frente, não vou conhecer de verdade. Mas não daria para fazer diferente em dois dias... Mas ainda volto.

Dali segui até a Tower Brigde, que é bem ao lado, fiz fotos do rio e da ponte e voltei porque meus demais destinos eram na sentido oposto.

Minha próxima atração era uma das com ingresso. A Catedral de São Paulo, onde se realizam as mais importantes cerimonias da nobreza inglesa. E de onde se pode ter uma visão 360 graus do alto de sua torre.

Mas no caminho fui apreciando tantas outras coisas. Misturas de construções antigas com arranha-céus envidraçados.

O monumento.

Até que cheguei à Catedral, e fui por uma porta e estava fechada, e fui dando volta e não via movimento e nem entrada, e pensando: " Está em reforma, só falta não ter visitação... daí como farei para ter meu dinheiro de volta?"

Mas um pouco mais que andei e finalmente achei a porta principal, do lado oeste, aberta para visitação. Na bilheteria validei meu ingresso, recebi um tíquete e a orientação par pegar o fone de áudio-guia, que peguei em português.

Primeiro andei pelo piso da nave principal, belíssimo, com uma pintura fosforescente no teto, cheio de arcos e abóbadas, em estilo rococó. Difícil foi parar de admirar.

Quando percebi que ia começar a missa, e eles pedem que durante os serviços não sejam tiradas fotografias, fui para a Cripta.

É completamente diferente de como eu sequer podia imaginar. Um lugar amplo e arejado, possui sua própria capela.

Tem um local que até parece a calçada da fama, mas em vez de estrelas, túmulos de personalidades.

O túmulo do Duque de Wellington, que não era da nobreza, mas mereceu a consideração por ser um herói nacional, tendo comandado a batalha de Waterloo que colocou fim à primeira Guerra Mundial.

O arquiteto idealizador da Catedral também tem nela o seu túmulo. Ele viveu mais de 90 anos e teve o privilégio de ver sua obra concluída.

Um memorial aos veteranos de guerra ainda recebe flores.

E uma linha de tempo com os fatos mais marcantes celebrados na Catedral nos últimos séculos.

Achei interessante que, mesmo tendo ali alguns não nobres, Wilston Churchill não fez jus a este direito, mesmo ali sendo celebrado seu funeral, e a Cripta tendo recebido um portão especial em homenagem a esta ilustre personagem, seus restos mortais estão em outro lugar. Parece-me que ele foi uma personagem controversa. Não despertava a simpatia de todos, era um homem muito enérgico, mas isso é consideração minha, sensação, eu diria.

Quando terminei a Cripta, tive que retornar para as galerias com a intenção de chegar no alto da Torre. Sabia que eram muitos degraus, e os vi, de madeira, largos, suaves na altura, logo pensei: "Nossa, se serão assim está ótimo, nem vou cansar."

Depois de subir uns sei lá quantos aparece uma placa dizendo, 139 degraus adiante. Mas já mudaram de figura. Menos espaço lateral, degraus um pouco mais altos, alguns pontos pra parar e respirar... E quando pensei, está terminando, outra placa anunciando outros 152 degraus após uma área intermediária da Torre, de onde já se tinha uma boa visão, mas com muros e proteção de ferro, num grande terraço. Mas pra quem chegou até aqui, o que são mais 152 degraus???

Só que desta vez a escada é em caracol, de metal, com degraus vazados... e quando chega lá no topo, a visão é fantástica, mas acho que poucos se arriscam, porque até o espaço é bem pequeno.

Desci tudinho, sem contar, mas curiosa para saber o total. E descobri num cartaz, junto a entrada ara as galerias: 528 degraus, subidos e descidos. Valha-me Deus.

Dali voltei para a Cripta, usei o banheiro. Vi que o restaurante servia sopa e tomei um minestroni, super-apimentado. Peguei ainda uma garrafinha de suco com gás e uma de suco de laranja, um pedaço de bolo de chocolate.. A sopa tomei quase toda, o suco de laranja coloquei na mochila, e os demais, comi e bebi.

O próximo destino foi a Ponte Millennium, uma ponte para pedestres, sobre o Rio Tâmisa, de conceito moderno, de onde gravei um vídeo que está no Facebook e no Instagram (Meyre Lessa / @ lessa meyre).

Agora eu iria para London Eye, sem saber o que era isso, e fui andando em uma das margens do rio, e apreciando as pontes, as construções à sua volta, os barcos, as gaivotas, as pessoas, as árvores outonais, uma feira tipo Sebo embaixo da ponte...

Vi um local, todo pichado, com garotos usando bikes, skates, patinetes e fazendo suas acrobacias. Um lugar grande, preparado para isso. Uma Pista de skate. Lembrei-me de meu amigo George, engenheiro especializado na construção destas belezinhas porque também é um skatista de primeira, desde moço.

E de repente vejo um barco avançando no rio, acelerei o passo até o muro de proteção do rio porque precisava registrar em foto o barco Mercia, nome de minha prima que aniversaria amanhã, dia 30. Segundo ela me disse depois, quando mandei a foto para ela, deve ter sido um presente. A lembrança certamente o foi, para mim. Feliz aniversário prima.

E lembrei-me o que é a London Eye, a emblemática roda GIGANTE londrina. E gigante também era a fila para girar. Não são cadeirinhas, são como os bondinhos para o pão de açúcar. Cabe uma montanha de gente em cada cabine. Então, ele enche uma cabine, e sobe um pouquinho, para, enche outra cabine, e assim vai até encher aquele numeroso tanto de cabines. Ia perder muito tempo na fila e outro tanto girando. Já tive minha vista aérea da Torre da Catedral.

Vou agora para a Ponte de Westminster, de onde podemos avistar o Castelo de mesmo nome, e várias outras construções majestosas no entorno. E também tenho uma visão melhor da roda-gigante. E conforme vou andando não me acredito aqui. Estou me sentindo uma cidadã do mundo. Parece que tudo vai ficando mais e mais fácil. Lógico que a internet te dá esta liberdade e tranquilidade. Cada ponto da estudada visitação foi colocado na ordem sequencial para melhor aproveitamento logístico da caminhada. E o Google Maps vai me conduzindo aos lugares com precisão.

Passo também em frente ao Parlamento.

Não choveu, está um tempo agradável com sues 8 a 9 graus, estou muito cansada mas resolvo voltar caminhando até o hotel, e passar pelo Saint James, pelo Green Park, ao lado do Palácio de Buckingham, e por dentro do Hyde Park, que é enorme. 

Vejo umas árvores que me remetem ao filme Harry Potter quando eles chegam no carro trouxa voador e têm um enfrentamento com as árvores encantadas.

Estou lá eu, apreciando a fauna e flora local, em toda a sua exuberância, cansada, resolvo sentar-me num banco a beira do caminho. Tiro uma selfie e vejo uma bolinha no celular. Não sei o que ela queria dizer mas resolvi olhar a carga da bateria. O que? 14%. Deixe-me colocar a bateria extra. Mas cadê o fio? Não creio, deixei no hotel. Nunca faço isso...

O Green Park tem várias monumentos e, alusão às Guerras com homenagens aos países parceiros. 

Então tenho que desligar os dados móveis, e andar rápido, para não ficar perdida dentro do parque. O relógio marcava 16h38. Mas já estava bem escuto, por causa das nuvens. E esqueci o cansaço e dei uma recarga na minha bateria para compensar a flata dela no celular. E acelerei o passo. E continuei vendo, até maritacas, ou suas primas-irmãs, e sentindo aromas, e vento, e observando as cores, mas em ritmo acelerado, igual ao do meu coração. E fui vencendo o chão que faltava nos próximos 30 minutos... Quando cheguei a rua que ladeia o parque, da qual a rua do hotel é perpendicular, já fiquei mais sossegada. O osso da bacia doía, o joelho lesionado estava aquecido e inchado, como toda a perna, aliás, as pernas. Mas não dava para parar. Quando virei na Leinster Gardens já consegui observar o restaurante onde viria comer mais tarde, um mercadinho para comprar guloseimas...

No hotel peguei a chave do quarto e fui direto para o banheiro. Peguei o celular e fui abrir uma mensagem. Ele abriu e... apagou. Desligou, sem bateria. Certinho! Obrigada meu anjo da guarda, que sempre dá um jeitinho de me inspirar e proteger.

Fui para o quarto, coloquei o celular para carregar e deitei na cama colocando as pernas para o alto, apoiadas na parede. Tirei as meias e fui fazendo exercícios com os pés. As pernas estavam já tão inchadas que a meia estrangulava o tornozelo.

Decidi ir tomar banho enquanto o celular terminava de carregar e antes de ir jantar. Liguei o aquecedor do quarto, porque assim posso ficar mais à vontade, ou seja, menos agasalhada. Quando voltei, me penteei, me vesti, fiz uma selfie e fui atrás do meu peixe com fritas, prato tradicional na Inglaterra.

O restaurante fica a menos de dois quarteirões. Entrei, fui acomodada e já pedi meu prato, numa versão turista, e um copo grande de suco de laranja.

Dei risada de muitas mensagens que os amigos mandaram, inclusive por ter encaminhado, sem segundas intenções, um post que recebi de uma amiga querida, sobre cabelos desgrenhados, para um amigo careca. Ele achou que fosse zoeria, e aí caiu minha ficha, e fiquei rindo sozinha no restaurante, e depois na rua, quando lembrava a trapalhada que fiz.

Ainda passei comprar uns docinhos para comer no quarto enquanto escrevo. No quarto tem TV, mas não costumo ligar.

E já está me dando soninho. Amanhã, quarta feira, estou na esperança de ver a troca da guarda da rainha. E mandar as lembranças e cumprimentos que tantas amigas recomendaram, para ela.

Hoje andei aproximadamente 6,5 milhas, considerando que uma milha tem 1,6 quilômetros, então andei 10,4 km fora o que andei dentro da Catedral e o 1056 degraus. Ufa!!!