ISLÂNDIA - SEGUNDO DIA - TOUR DE OITO DIAS - Costa Sul do Paìs

20/10/2019

O hotel que passamos a noite é confortável, mas o tipo de aquecimento que eles usam aqui, eu estou tendo dificuldade de ajustar a temperatura. Ainda não aprendi direito, é lógico.

O colchão também era muito mole, e isso interfere direto com a minha lombar, que se fez sentir ao longo do dia.

O horário combinado era 8h15 então, 7h30 saí do quarto já com minhas malas. O café da manhã é adequado para enfrentar o frio e as atividades físicas. Tinha até espaguete, com molho bolonhesa a parte. O tradicional pepino. Preferia umas coisinhas mais quentinhas, e acabei comendo os meus tradicionais pão com frios, suco de laranja e iogurte. Estou evitando leite.

Nossa primeira atividade foi caminhar nos glaciares, nossa digo, do grupo, eu não havia contratado esta atividade. Por considerar perigosa para as minhas condições gerais, sozinha, longe de casa, coluna doendo, ambiente diverso do que estou acostumada. Como fui a única no grupo que não contratou este passeio, a Trollis Expeditions me ofereceu cortesia, talvez achassem que eu não tinha como pagar. Agradeço imensamente a atitude, porém realmente não estava preparada emocionalmente. Talvez, se estivesse acompanhada com uma de minhas filhas, minha mãe ou ainda um amigo ou companheiro... Quem sabe? Mas dada a insistência do nosso condutor, não querendo ser chata, depois que ele disse que eu poderia voltar de qualquer parte do caminho, aceitei acompanhar o grupo, já sabendo que iria até onde tivesse que calçar as traves de gelo. Ainda assim preparei-me toda, com capacete, arreio (kkk, não sei o nome, mas parece um arreio de burro), e levei comigo a machadinha e o calçado de traves. Agora olha a cara de quem estava apavorada. Impossível disfarçar.

Caminhamos por uns 40 minutos, creio. Tivemos que aguardar um pouco, pois o rapaz do casal de orientais, que descobri que moram em São Francisco-Califórnia, mas não sei se são americanos, creio que sim, ficou sem sola do sapato. Simplesmente descolou. Lembrei-me de minha amiga Elisa que teve um episódio semelhante nas terras quentes da África, recentemente. Por sorte a expedição aluga calçados, inclusive o meu foi alugado, por 11 euros, para os 8 dias. E ele voltou com o Robert para pegar um destes sapatos no carro de apoio.

Quando todos estavam juntos, a guia especial do glaciar Sólheimajokull, iniciou as instruções, primeiro como calçar as traves, depois como andar no gelo, mantendo as pernas distantes uma da outra em passos largos, para não ter o perigo de enganchar a trave na perna oposta, e finalmente, como usar a machadinha, e como deixá-la presa ao chão quando se afastassem dela, pois em alguns momentos parariam para fotos.

Quando falei que não ia, alguns se lamentaram e vieram me oferecer ajuda, o próprio guia já tinha me dito isso, que me manteria em segurança. Talvez, se eu tivesse me preparado para este momento, eu aceitasse, mas senti meu coração apertado ao pensar em fazer esta atividade. Penso que não seria prazeroso nesta condição. O Robert me entregou a chave do micro, falou para eu deixar os equipamentos no banco, e eles de foram. 

E eu voltei. Olha a diferença de expressão:

Até aquele momento eu não lembrei como sou desorientada. E fui voltando tranquila, fazendo fotos com calma, como eu gosto, apreciando as coisas no meu tempo. Daí olhei em volta e tudo me pareceu tão igual, e também pareceu que a gente não havia andado tanto. Será que há mais de um ponto de parada dos carros para chegar até ali?

Por sorte, outros grupos vinham se aproximando, uns pelo alto da montanha, outros mais próximos ao rio, uns grupos de gente bem jovem, outros nem tanto. Até pensei que nosso grupo foi formado também pensando nestas características. Acho que estamos todos acima dos 30 anos de idade. Bom, não dá para ser atravessando esta montanha, tenho que passar ao lado dela, e fui fazendo meus caminhos até que...vi uma bandeirinha e a instalação dos banheiros. Vocês não imaginam minha alegria. Já estava imaginando o grupo voltando, com frio, com fome, querendo se aquecer no carro e eu perdida com a chave.

Eu esperei cerca de uma hora até eles chegarem, sinal que aproveitei bem meu tempo também. E a fome já começara a bater, assim, comi uma banana e uns poucos salgadinhos quando os vi chegando e pensei: " Não vou comer mais nada porque já iremos almoçar."

Realmente, seguimos para um restaurante junto a uma linda cachoeira, coisa que aliás, não falta por aqui. Mas nesta tinha algo especial, que estava querendo ver de mais perto, as ovelhas peludonas. E também umas vacas leiteiras com os úberes tão cheios que certamente rende 60 litros cada. Maravilhosas!

O pedido do almoço era feito no balcão, com pagamento antecipado, e depois fomos para uma mesa destinada ao nosso grupo. O divertido senhor que senta ao meu lado, no ônibus, mostrou-me algumas foto que fez na caminhada pelo glaciar. Muito lindo mesmo, mas não me arrependi de não ter ido.

O almoço estava gostoso, comi novamente o COD, com um preparo diferente. E quis sobremesa. Um brownie espetacular, com uma bola de sorvete de chocolate, chantili e geleia de frutas vermelhas. Essa foi a melhor parte do almoço, até eu começar a andar de novo.

Saí para ver a cachoeira de perto e começou me dar uma dor enorme no peito. Inicialmente pensei tratar-se de gases. Porém, junto com a dor veio a ânsia. E a boca enchendo de saliva. Depois comecei a sentir também a coluna lombar. 

Pedi ao Robert sal de frutas, mas ele não conhecia, procurou na internet, achou, mas ainda assim não tinha. Sugeriu leite, recusei, iria piorar muito com leite. Pedi uns 10 minutos e fui ao banheiro ver se vomitava ou sei lá o que... Depois de 10 minutos a esposa do senhor divertido veio até mim para saber se eu estava bem, e voltamos juntas para o micro. Esqueci até de pedir desculpas para os demais passageiros pelo transtorno e atraso.

Conversando com as filipinas que sentam a minha frente, que agora sei que se chamam: Pink, Joy e Elen, elas me ofereceram peps, nem sei se é assim que se escreve mas sei que serve para o que estava sentindo. Engraçado que melhorei. Só continuou a dor nas costas.

Chegamos a outro grupo de cachoeiras e tinha que andar entre elas. O Robert sugeriu que eu não fosse se quisesse poupar-me, mas me sentia bem e fui. A primeira delas fica meio escondida por uma grandes rochas e temos que andar um pouco por dentro do rio gelado até chegar a umas pedras que parecem ilhas no rio, de onde podemos fazer boas fotos. Mais uma vez agradeci ter alugado o calçado, ele é impermeável.

Fui a última do grupo a seguir para as demais cachoeiras, e as dores voltaram fortes. Fiz uns alongamentos para a coluna, mas as dores não passavam. A próxima grande cachoeira permite que se passe por trás de sua cortina de água. Porém o longo caminho e as escadas que levavam até lá me desanimaram devido às dores. Tirei algumas fotos externas mesmo e voltei para o carro.

Aquecida e sentada, as dores passaram, só tive que reposicionar-me no banco para as poucas rugosidades da estrada não ofenderem a coluna.

Nosso próximo destino, já passando de 17 horas e com o sol brilhando por trás das nuvens, pensando em se por, foi na praia de areias negras, Reynsfjara,que aliás, é como a maioria das praias por aqui, em função do basalto das erupções vulcânicas, maior responsável pela existência da ilha. Podemos apreciá-lo também em formas de negras pedras por toda a extensão da praia.

Além disso tem uma reentrância na rocha da montanha adjacente, que parece escavada, com uma formação de grandes blocos de pedras sobrepostos, que dizem ser a casa de um Troll, personagem das crenças populares da Escandinávia. Uma das meninas fez uma foto para mim. Acho que a Pink, depois de a Joy ter tentado, mas meu cabelo estava contra o vento.

Nesta caminhada novamente as dores se fizeram sentir, tive até que cuspir a saliva que se formava em minha boca. Fiquei assustada, achando que o ar frio e os esforços pudessem estar forçando meus pulmões ou coração. Afinal, por que sentada no calor as dores passavam?

Mas nem o mal estar me fizeram desistir da apreciação de tão lindos lugares, hoje foi o dia das águas em estado sólido e líquido, nas geleiras, nas cascatas e na praia. E rodamos toda a costa sul do país, e mal começamos nossa jornada. E já estamos todos maravilhados. E também mais familiarizados. Essa é a parte boa da excursão, formar novos amigos.

Chegamos ao hotel Katla na cidade de Vik. Este hotel fica a 5 km da cidade, o que lhe confere uma noite mais escura. O Roberto nos informou que, a partir de 21h poderíamos ver um céu muito estrelado, que me fez recordar o de Juquiratiba, sendo o de lá ainda melhor devido a posição em relação ao céu. Mas, ainda assim, fazia tempo que eu não apreciava um céu tão estrelado. E que seria também o melhor lugar para apreciar a aurora boreal, mas que devíamos ficar atentos entre 23 e 24h. Sempre pensei que a aurora se dá perto do nascer do sol, mas estaca enganada. Li que, nos Alaska, ela costuma aparecer entre 17 e 18 horas. Mas ainda não foi desta vez.

Com todo o mal estar do dia, não comi nada durante a noite. E também não escrevi, primeiro porque não me sentia bem, depois porque fiquei das 21 h até às 24 h à disposição de céu. Kkk

E, ainda bem que a cama deste hotel tem o colchão muito bom, tomei um tramadol para dormir e acordei sem nenhum problema. Ou seja, eram mesmo os gases. Mas vou evitar carboidratos e doces, por recomendação de meu querido amigo, doutor Paulo. Lógico que a coluna depende sempre dos cuidados, dos excessos e do colchão.

E foi mais um dia fantástico, mesmo sem ter visto a aurora, ainda.