ISLÂNDIA - OITAVO E ÚLTIMO DIA DE TOUR - Terra de águas e história.

27/10/2019

Depois de uma gratificante noite de sono, com a realização de um desejo que só era uma possibilidade quando aqui cheguei, mas que sabia que, de tantas maravilhas aqui encontradas, a aurora boreal seria a apoteose desta viagem. Não que eu a tenha em melhor avaliação do que tantos outros lugares incríveis que aqui visitei, mas por ser aqui um dos poucos lugares que eu poderia observá-la, em condições climáticas não tão severas. E a gente quer saber como é. Talvez, só talvez, as demais maravilhas da Islândia eu encontre similar em outras partes do mundo. Mas uma coisa me parece certa: a reunião de tudo em um lugar tão pequeno, parece-me um privilégio. E o frio é a condição para contrabalancear, afinal, toda terra tem seu inconveniente.

Tomei o café da manhã com as garotas Filipinas e elas me contaram que tiveram dificuldade de dormir com tamanha adrenalina causada pela observação da aurora boreal, elas ainda por duas vezes, ficando até tarde, pois a segunda ocorrência foi por volta de 23 horas. Neste dia eu repeti a comilança do dia anterior, com salsichas, bacon, pão, panquecas... só não comi frutas J

Mesmo sem combinarmos, acabamos por nos reunir para o café da manhã, devido ao horário programado para saída. Estávamos já nos finalmente, o Robert chegou para tomar seu café, e trouxe um cálice de óleo de fígado de bacalhau, que é comumente consumido por aqui, por todos, desde pequenos, suprindo as necessidades de vitamina D (já que carecem de sol), e ajudando na absorção de cálcio pelo intestino. Todos cheiramos o produto, alguns o consumiram, eu não tive vontade.

Nosso horário de saída foi 10 horas. O tempo continuava gelado. Hoje deixei todos meus agasalhos disponíveis de novo, e meu tênis, porque, no final da expedição teria que devolver o calçado.

Nossa primeira parada foi em Deildartunguhver, a maior fonte termal da Europa, com águas borbulhantes e saltitantes, e vazante de 180 litros por segundo à 97 graus. Nosso guia começou a proceder diferente depois que eu disse sobre minhas dificuldades por não entender as explanações e instruções. Agora, depois que ele passa as instruções para todos, ele faz um resumo rápido no Google tradutor enquanto eu me agasalho, e me mostra antes de eu sair do micro. Fica bem mais fácil assim. Ele me perguntou ontem se eu me sentia deixada de lado pelo grupo. Eu já falei isso? Não, pelo contrário, acho até que todos são muito cuidadosos comigo. A velhinha solitária, hahaha. É que, com o meu jeito de ser, não me associo. Gosto de transitar entre os grupos, conhecer todo mundo, mas isso faz com que ninguém me assuma como parte. Mas as garotas filipinas me agregaram a maior parte das vezes.

De lá seguimos para Reykholt e visitamos o Museu que fala a respeito de Snorri Stulurson, escritor e político de grande influência no século XIII, proprietário de terras em Reykholt, as terras que visitamos no primeiro dia do tour, muito importante no início do século passado.

No museu existe uma livraria onde adquiri dois livros sobre os Trolls, em inglês. Um deles é presente para uma italianinha que vive na Inglaterra, filha mais velha de minha filha postiça. O outro vou tentar ler, e depois levar para casa, do Brasil.

Comprados os livros fui ver o Museu. Ele é pouco interativo, são mais ilustrações e dizeres a respeito do ilustre islandês da Idade Média. E o mais impressionante é que consegui entender a maior parte do que lá estava escrito, e olha que era bastante coisa. E hoje confirmei as informações, e complementei com aquilo que não entendi, na internet.

Uma escada nos levou ao andar superior, onde existe uma biblioteca, que também adoro, me faz sentir como a Bela, da Fera, no castelo. E uma Capela, simples, mas tão cheia de significado. Uma torre que talvez abrigue o sino, ou talvez seja um mirante, mas que podemos ver através do teto de vidro da construção, ou por fora. Me parece ser um lugar que o povo tem muito orgulho de apresentar, como se os situasse na história global.

E seguimos para nossas últimas atividades antes de voltar a Reiquiavique, mais duas cachoeiras. A primeira foi Hraunfossar, que na verdade é formada por vários riachos que chegam ao mesmo destino e vão despencando, paralelamente, e em alguns pontos congelam, feito estalactites de gelo. Belíssimas!

A segunda, ainda mais impressionante pela cor de suas águas, que correm ligeiro por estreitos desfiladeiros, passando por diversas formações na rocha escura que aumentam o contraste de sua cor brilhante. É surreal. Barnafoss é o seu nome, e podemos vê-la em vários pontos de seu caminho.

Estamos a aproximadamente 130 quilômetros de distância de Reiquiavique. Passava de 13 horas e tínhamos a opção de almoçar por ali ou já rumar para nosso destino final. Como o café da manhã foi tardio, optamos pela segunda possibilidade.

Conforme o caminho foi passando, a neve foi sumindo. Passamos pelo mesmo túnel de 6 km que não mencionei, do primeiro dia de viagem. O túnel Hvalfjordur passa sob o fiorde de mesmo nome, ficando 16 metros abaixo do nível do mar, e reduzindo a distância entre a capital do país e as partes oeste (onde estávamos) e norte da ilha. Faz-me parecer que este fiorde segura o mau tempo do outro lado também.

Na capital não está calor, mas já apresenta temperatura positiva, em torno de 2 graus. Hahahaha

Eu fui a primeira a ser deixada, e não sabia que hora era. Já apertei a campainha receosa com a recepção. Pois creiam-me, eram 14h47. EE quando o proprietário abriu a porta, a primeira coisa que ele fez foi ostrar o quadro de avisos na porta, com o horário do check-in. Respirei fundo, disse que só ia deixar minha bagagem e sair para comer. Perguntei onde estavam os restaurantes mais próximos e ele me disse que, junto à Igreja, só 15 minutos de caminhada. Com meu joelho doendo e uma ventania lascada. Deixei minha bagagem e nem lembrei de pegar luvas e cachecol, ou mesmo mais agasalho.

No entanto, quando sai, o Robert ainda manobrava o micro, por causa do engagte, ficou difícil a manobra. E eu perguntei se passariam perto da igreja, e depois de ter descido dando beijos em todos, voltei já perguntando se sentiram minha falta, kkkk

Fomos rodando e, ficaram as coreanas. Depois os australianos. Eu. E seguiram com ele as filipinas.

Perto da igreja vi um café que servia refeições. Ainda bem que aqui não é como Portugal, senão já ia ficar sem almoço.

Pedi uma sopa de cordeiro, tradicional, que vem com legumes, e um pouco apimentada para o meu gosto. A pimenta, como o sal em excesso, cobre o sabor do alimento, ne minha opinião. Tomei um suco de maçã, e depois tomei uma xícara grande de Moka com chantili.

A volta tinha que ser mesmo a pé, e um caminho que seria de 18 minutos, fiz em quase meia hora. Gelada.

Conclusão sobre o Alba Guesthouse, com diária de 51 euros, quarto privativo com banheiro compartilhado: Tudo bom se você não chegar fora do horário de check-in. Acho que é a hora da 'ciesta' do proprietário. Nada justifica tamanho mal humor.

Cheguei de volta quase 17 horas. E fui bem recebida. Ele me colocou num quarto no andar superior, desta vez, já que vou ficar 3 dias. Me parece um pouco melhor, pois tem duas duchas, e um sanitário. O cômodo que é só com ducha é bastante espaçoso, e a ducha melhor do que a de baixo.

Vou me virar a noite com o restante dos amendoins com uva passa. E amanhã irei a algum mercado para comprar comida. Hoje só quero contar minhas últimas experiências no tour e descansar o joelho. Deus providenciou mais um dia de permanência por aqui, já que eu errei as contas do tour, sabendo que eu ia precisar deste descanso. Só não vê quem não quer.

Mas a história na Islândia não acaba aqui. Ainda passarei o final de semana e visitarei blue Lagoon no domingo. Até lá.