ILHA DA MADEIRA – por terra e por mar.                               

02/01/2020

Não comentei ainda que estou dormindo com o abajur aceso, na tentativa de enganar os mosquitos hematófagos da ilha. Eu jogo inseticida no quarto, passo repelente, tento me manter coberta, mas tenho que deixar o vidro das janelas aberto para o quarto ventilar, e não tem jeito, todo dia tem 3 ou mais novas picadas. Um ar-condicionado seria sensacional! Acho que estou me envenenando mais do que a eles. :/

Hoje é dia de passeio de catamarã, mas está marcado para 15 horas, partindo da Marina do Funchal. O ingresso eu comprei pelo Getyourguide e a empresa fornecedora é a Seaborn.

Tomei meu café da manhã no hotel e saí às 11 horas, rumo ao Parque Santa Catarina.

Fui caminhando, já estou acostumando, e a ida é descendo, mais fácil. Entrei no primeiro portão que achei, e de onde vi, em outros dias, saindo até noivos que usam o espaço para fazer fotos. Surpreendeu-me a indicação de cobrança de ingresso. Mas já passei por aqui com o Antonio e não estavam cobrando... Na bilheteria paguei um euro e perguntei o nome do local.

_ " Residência do Governo".

Ah! Está explicado. E visitei o Jardim da residência do Governo da Ilha.

É um jardim muito bonito, mas que não justificaria a cobrança não fosse a vista do balcão, ao fundo. Há também uns viveiros, um com dois casais da arara azul e amarela do norte brasileiro, uma com um casal de pavões, e um pequeno com um papagaio solitário. Identifiquei-me com o coitadinho.

Também têm umas fontes bonitas, muitas espécimes vegetais classificadas e nomeadas, dispostas de forma paisagística e atraente.

Quando saia um dos guardas da entrada perguntou-me se eu achava que valia a pena pagar um euro por aquela visita, e ele mesmo respondeu:

_ " Vale, aquela vista ao fundo não?"

Eu concordei, desejei-lhe feliz Ano Novo e segui para o próximo portão, este sim do Parque Santa Catarina.

Seguindo até a linha divisória do jardim com a orla marítima, também se tem uma bonita vista, mas não tão impressionante porque o jardim está numa parte mais baixa do declive do terreno.

E o jardim tem um lago com uma fonte jorrante ao centro, um grande gramado que as pessoas devem usar para tomar sol no verão, uma ludoteca para as crianças, muitas árvores e flores e, desta vez quero ver o Colombo pelas costas. Kkkk

Ainda eram 13 horas e daria tempo de conhecer o terceiro e último shopping da Ilha. O La Vie. Ele está ali bem pertinho, na única via que chega a rotunda (rotatória) que ainda não explorei.

Parece-me, pela quantidade de portas de saída no segundo piso, que este também aprove ita a inclinação do terreno para constituir os seus três andares.

Apesar de ter tomado café tarde, o passeio de barco só termina às 18 horas e, navegar,  para quem tem náuseas como eu, exige alguns cuidados com a alimentação. Não ir de estômago vazio, nem cheio. Evitar comer coisas gordurosas antes e, se lembrar, tomar algum remédio para evitar o mal-estar.

Decidi por um creme de espinafre com pão e suco. Leve e em pequena porção. Além de barato. Paguei 3,50 no kit.

No caminho para a Marina, passei pela Avenida Arriaga, e descobri o Teatro Baltazar Dias. Passei tantas vezes na sua frente e não o tinha identificado.

Vi também uma barrca de frutas que me chamou a atenção. Tinha maracujás doces, pequenos e com a casca escura. E azedos, mas parecidos com o nosso. Tinha pitaia , com a poupa vermelha. E um outro fruto de cacto, amarelo, que não me recordo o nome. Falei que passava após o passeio de barco, mas como estava enjoada, acabei não passando. Deu-me vontade comprar uma de cada fruta.

Ainda assim, cheguei à Marina faltando uns minutos para 14 horas. Mas já a vi sob um ângulo diferenciado, ao nível do mar. E achei a empresa com que faria o passeio. A atendente me mostrou onde estava atracado o catamarã e pediu-me para lá estar às 14h30.

E fui caminhar pela parte baixa da Marina. Depois subi e sentei-me num banco, à sombra, e fiquei cantando e sentindo a brisa no rosto, e vendo o tempo passar.

No horário me encaminhei para o barco e algumas poucas pessoas já aguardavam a autorização de embarque.

Viajamos com 23 turistas e 4 tripulantes.

À medida que nos afastamos da costa vamos observando o formato de anfiteatro da cidade. É mesmo muito bonito.

De todos aqueles navios que estavam atracados para a passagem do ano, só resta o Aida. O mar, do lado de cá, está calmo.

Não precisamos nos afastar muito para encontrar um grupo de golfinhos. Li que existem 36 espécies deste mamífero catalogadas. E só hoje encontramos 3 delas. O primeiro que vimos, num grande grupo e que ficou rodeando as duas embarcações que passavam foi a do Roaz-Corvineiro, que, segundo estudos, existe um grupo residente aqui no arquipélago. Mas na primavera e verão surgem mais indivíduos da espécie por estas paragens.

Não é muito fácil se equilibrar na embarcação devido ao formato arredondado de suas laterais, e com proteção de finos cabos de aço. Ainda assim, como seguro o celular com uma só mão para fotografar, consegui apanhá-los em movimentos externos a água. O mar é de um azul escuro, e mesmo limpo e transparente, é profundo, o que dificulta a visualização, principalmente para mim que, após estas fotos, tive que sentar para controlar o estômago. E passei o restante da viagem mais contemplativa.

O Horácio, um dos tripulantes, passou com um caderno de fotos, onde identificava as espécies avistadas. Uma a uma conforme elas surgiram.

O segundo deles foi o golfinho que eles chamam de comum, é bem menos e eu só vi ao longe, pulando na frente do barco, mas num grupo pequeno.

O passeio visava a observação dos cetáceos, então seguimos para outro ponto onde encontramos o terceiro grupo, com número intermediário de indivíduos, e é conhecido como golfinho-pintado e eu não tive êxito na tomada de fotos devido a rapidez com que desapareciam, e estavam contra o sol.

O Horácio ficou um bom tempo conversando comigo e falando sobre os pontos de interesse da Ilha.

Chegamos perto da falésia do Cabo Girão, com seus 580 metros, e de lá de baixo consegui identificar o Miradouro, aquele com o piso de vidro. E vi os fajãs, agora na linha do horizonte.

Tinha um casal ao meu lado cujo marido estava passando mal e o Horácio disse para ele sentar com o braço apoiado no encosto e deitar a cabeça no braço, fechando os olhos. Sua mulher havia pedido um remédio para o enjoo do marido. Mas o tripulante esclareceu que o remédio precisa ser ingerido uma hora antes da navegação para ser eficaz. Eu trouxe remédio e deixo na mala, esquecido. Esperta! Para não dizer outra coisa.

A moça perguntou sobre a frequência com que são vistos os golfinhos e se tem época melhor para vê-los?

Ele era bem humorado e respondeu que esta foi a melhor navegação do ano, com o avistamento de 3 espécies. Eu nem percebi a brincadeira até ela dizer:

_ " Mas também, hoje é o segundo dia do ano..."

Mesmo assim, ele disse que têm meses que saem e não avistam nada, ou só alguns poucos golfinhos. Que de manhã só viram um pequeno grupo e que ele achou que a tarde também seria assim. Mas não sabia que eu estaria no grupo, pensei eu. Mas eu queria mesmo era ver baleias. Ele disse que era menos provável, mas não impossível. Mas ainda não foi desta vez.

Mostrou-nos a Câmara dos Lobos...

Ele me mostrou uma pedra pela qual já passei dizendo ser a Ponta da Cruz, o extremo Sul da Ilha da Madeira.

E mostrou o Cabo Carvoeiro. E um hotel cor de rosa que disse ser dos mais antigos da ilha, e que serve um chá da tarde, a partir das 16 horas, por 35 euros que merece ser apreciado, pelo local, pela história e pelos artigos ofertados.Trata-se do Belmond Reid's Hotel. Se não for necessária a reserva, talvez apareça por lá.

Ele ainda indicou para a turista portuguesa o Museu do Futebol e disse:

_" Não deixem de ver as duas bolas de ouro do Cristiano Ronaldo."

Eu comecei a rir. E ele questionou-me:

_ " Do que estais a rir?"

_ " Este comentário teve duplo sentido."

Ele me deu um tapinha no ombro e riu.

_ " Mas é verdade. Todo mundo sabe que o Cristiano Ronaldo ganhou duas bolas de ouro."

Falou também sobre a Fortaleza do Pico. E que a entrada é gratuita.

E nossa viagem foi chegando ao fim. E eu sai rápido, em busca de terra firme para acalmar o enjoo. E ele se dirigiu a mim com um:

_ " Até a próxima..."

Mas quase nada provável. Dia 4 tenho outro passeio de navio, mas numa imitação de caravela, e com outra tripulação e outro percurso. O Horácio é o de jaqueta azul turquesa, na segunda foto.

Seria legal tê-lo encontrado antes. Em bem pouco tempo me deu umas dicas interessantes sobre turismo individual na Madeira.