HELSÍNQUIA - DOIS DIAS

12/09/2019

12 de setembro

Chegamos em Helsínquia no final da tarde. A programação previa o uso de trem para chegar ao hostel. Ao contrário do norueguês que tem o som e a grafia parecida com o inglês, o finlandês é completamente diferente, até umas letras diferentes fazem parte de seu vocabulário.

Assim as placas foram um pouco mais difíceis de decifrar, mas logo vi uma que indicava a estação de trem e depois o trem desenhado na parede, que eu vi num blog. Descemos... o céu cinza chumbo. Um garoto com uma capa verde farol ajudava os turistas perdidos. Ajudou-nos a comprar a passagem do trem e disse que teríamos que pegar outro transporte. Mexeu no meu celular e deixou o caminho salvo. Comprei a minha passagem por 4,60 euros, com validade até 19h40. Isso significa que eu poderia usar qualquer transporte urbano dentro daquele horário.  A Elisabeth comprou a dela e quando o procuramos para perguntar qual trem e em que plataforma, ele havia sumido. Minha companheira o viu trocando de turno com uma mocinha. Toca explicar tudo para ela novamente... Ela indicou-nos a plataforma um e quando o trem parou nesta, olhei para ela e me deu um sinal de positivo.

Dali em diante fui olhando parada por parada aqueles nomes esquisitos e conferindo com o Google, quando vi que os compreendia fiquei um pouco mais tranquila.

Descemos na décima estação a partir do aeroporto. E tínhamos que tomar um tal de número 9. A Elisabeth viu uma indicação da plataforma 9 ser acima e subimos uma escadaria, carregando as malas, ainda bem que leves. Seguimos para a plataforma 9, mas antes de descer para a plataforma mostrei a um passageiro que estava lá no alto. sentado com o filhinho, e ele nos mostrou um mapa na parede e disse-nos para seguir em frente e que e que era um bondinho verde. O bondinho deduzi porque ele mostrou o desenho. 

Lá fomos nós. Mas ao descermos só havia umas obras e uma placa apontando o lado esquerdo e o número 9. Mas onde?

Atravessamos uma avenida cheia de trilhos e pedimos explicação para um homem que estava sob uma marquise. Nessa hora chovia fraco. Não entendi um terço do que ele falava, mas ele disse que sabia que o que passava por ali era o 7. Decidi chamar um UBER. Chamei. Passados uns poucos minutos e ao saber onde estávamos, o motorista cancelou. Nisso o aplicativo já preparou o chamado para outro. E apareceu o bondinho 9, e parou bem onde estávamos, e tive tempo de ler e comparar com o Maps, após a Elisabeth me chamar a atenção para ele. 

_ " Veja se dá para cancelar", disse ela.

_ " Vou tentar", e rapidamente desci  as informações do aplicativo conseguindo cancelar a viagem e fomos as últimas a embarcar.

Seriam 5 paradas até nosso destino e uma caminhada de uns 500 metros. Novamente fiquei ligada nos nomes das estações que iam aparecendo num luminoso dentro do bonde. Tentei passar meu bilhete no leitor e um passageiro disse que não era possível, olhou meu bilhete e disse que dentro daquele horário eu poderia viajar, que guardasse caso algum fiscal o solicitasse. Veja que existe fiscalização mas como as pessoas são tratadas sem paternalismo, têm que assumir suas responsabilidades perante a sociedade, fazendo o que é correto.

Tendo a internet disponível, tudo fica muito mais fácil e lá fomos nós caminhando em direção ao hostel. Frio, vento, chuvisco. Ó meu Deus, que tenhamos um dia bonito amanhã para podermos passear pela cidade.

Quando chegamos entrava um hóspede e abriu a porta no térreo. Entramos juntos. A recepção é no quarto andar. Neste hotel mandei o e-mail perguntando se ela poderia pagar a reserva no dia, já que deu algum problema com o cartão, acho que porque a reserva é em meu nome com ela como hóspede. Mesmo eu colocando seus dados do cartão, não conseguiram passar. Tudo bem. Nossas camas seriam no quarto 414, A e B. Uma em cima da outra.

_ " Não tem duas embaixo?" perguntei.

_ " Infelizmente são as duas últimas. Mas amanhã cedo você pode pedir para mudar a sua."

Assim que fiquei com a cama de cima, De nenhuma maneira faria diferente, considerei como se tivesse chegado tarde no hostel e a cama B fosse a última disponível, como aconteceu em Flam. Mas até me acomodei bem na cama no alto, tem espaço suficiente, o quarto tem 9 beliches, mas separados por paredes, e o espaço é determinado pelo preço pago. No nosso o corredor é bem estreito, tem dois armários e um espelho. O mais interessante é que todos os segredos estão no mesmo cartão chave, o do armário, da porta do quarto e da porta do hostel. Nos acomodamos e coloquei minha mala, que é dura, para que ela pudesse apoiar o aparelho que usa para oxigenação durante  o sono. Tem apneia.

Desci comprar algo para o jantar, ela disse que não queria nada, acho que só queria descansar. Comprei uma salada italiana, de macarrão, cenoura, ervilha e maionese, um pacote de castanhas de caju, um pacote de figo seco e 1 1/2 litro de água, que descobri depois ser com gás. Comi logo a salada porque precisava de um banho e ia tentar fazer uma publicação do blog antes de dormir.

Os banheiros são próximos ao hall social, mulheres e homens, separados. E dentro de cada um, do lado esquerdo os sanitários e do outro as duchas. As duchas possuem um ótimo suporte na parede lateral, onde é possível colocar toda a tralha, inclusive a toalha de banho e suas roupas, e para não molhar com a água do banho, já que o espaço é minúsculo, tem uma cortina de plástico, com a guia rente a parede, que ao ser puxada, protege tudo que está atrás, e permite o acesso aos itens que serão usados durante o banho pelas laterais, desde que você os tenha disposto corretamente. Ou você pode colocá-los num suporte preso ao cano da torneira do chuveiro. E o hostel oferece como cortesia um sabonete que líquido para corpo e cabelo, num dispositivo ao lado da torneira de abertura da água. Tudo muito funcional. Tem até um rodo dentro de cada cabine para puxar a água antes de se vestir para sair. 

Após o banho subi para meu cantinho e tentei terminar a publicação, mas a internet estava uma droga. Desisti e deitei. A Elisabeth disse que nunca viu alguém dormir tão rápido. Mas enquanto não estou com sono não deito. E quando deito é porque quero dormir.

A única parte ruim no hostel foi a ventilação do quarto durante a noite. O ar ficou tão pesado que, quando acordei às 3h20 para urinar, voltei e não consegui dormir. Começou uma dorzinha de cabeça. Peguei o notebook que estava sobre os armários e fui testar a internet. Excelente! Fiquei até 5h37, percebi que ligaram o ar-condicionado, talvez a pedido de uma das duas japonesinhas que também levantaram de madrugada. Estava com o spot de luz de minha cama ligado e pude trabalhar sem incomodar ninguém, creio eu. A minha companheira não viu nem ouviu, pelo menos nesta hora.

Programei o relógio para 9 horas. Quando levantei a Elisabeth entrou no quarto, já tinha levantado e inclusive tomado o café. Hábitos diferentes. 

Fui ao banheiro com calma e quando fui tomar o café estava um congestionamento de gente, não tinha lugar para sentar. Achei um canto num sofá e tomei chá, comendo um lanche que preparei de pão com queijo e salsichão.

Saímos para iniciar nossos passeios mas como não tinha programado o Maps por causa da bagunça, decidi terminar meu café num café em frente ao hostel. Pedi um capuccino single e um bolinho que parecia um pão de mel, recheado de coco, mas sem mel na massa. O single era um balde, imagino o big.

Fomos de UBER até o Monumento Sibelius, gastando 12,90 euros. O tempo continuava ruim. Lá vimos um grupo grande de orientais em visita ao local, e um ônibus esperando na avenida próxima.

Nós seguiríamos a pé até a Igreja Temppeliaukio, que chamam também de Igreja da Rocha. Minha amiga Célia Cristina recomendou-me assistir um concerto neste lugar porque tem uma acústica excelente. Pagamos o ingresso com validade para todo o dia e descobrimos que haveria um concerto às 16 horas. Quero voltar.

A Igreja é construída junto a um bloco de rocha, aproveita a sua conformação e tem um estilo ultra-moderno com a estrutura que mistura vigas de concreto entremeadas, e um círculo de material não identificado. Fica bonito e atinge o objetivo. Enquanto ali estávamos alguns musicistas tocaram pequenas peças, se alternando entre o piano e o órgão de tubos. Imagino que o concerto seja diferenciado.

Quando dali saímos caia uma chuva mais pesada. Vi bem na esquina em frente uma loja de souvenirs e lamentava não ter comprado um chapéu de chuva que vimos em algum dia passado. A Elisabeth chamou-me a atenção pois na vitrine estava exposta uma capa de chuva. Entrei. Um grande grupo de espanhóis estava lá dentro e a vendedora falava em espanhol também, assim que arrumou-me uma capa de meu tamanho, com capuz e poncho godê, com um botão de pressão de cada lado que pode formar uma manga. Leve, pouco volumoso, protege da chuva e esquenta. Paguei 14,90 euros.

O resto das atrações faríamos a pé. Dali seguimos para a Capela Kamppi. Este é o mesmo nome da estação onde tomaremos o ônibus para Turku de modo que pretendo verificar o local e aproveitar para comprar as passagens da Elisabeth.

A Capela Kamppi não permite fotos internas. Sua aparência externa já é admirável, mas quando vemos as paredes internas, feitas de madeira marchetada, formando arcos nas tiras de diversas tonalidades de madeira, para criação de um ambiente com contornos circulares, temos que passar a mão e apreciar o belíssimo trabalho. 

Falando em belíssimo, hoje recebi um 'post' de um amigo num grupo, dizia assim:

" Hoje estou contente, fui chamado de belíssimo. Na verdade foi de belíssimo filho da puta, mas estou me concentrando no lado positivo das coisas." kkkkk

Brincadeiras à parte, fomos explorando a cidade e descobrindo belezas inesperadas, em shoppings, em estações de ônibus, de trem, de barcos...

Na Capela me informaram onde era a estação de ônibus. Entendi que era descendo para o subsolo, após o edifício bonito de vidro. Mas em frente ao edifício bonito de vidro vi uma placa com indicação de Metrô, ônibus e etc. Entramos e questionando um rapaz achamos onde descer. Lá embaixo já vimos os ônibus e um quadro com os horários de partidas e portões. Outro questionamento e chegamos à bilheteria. 

Apresentei minhas passagens e pedi para ela nos mesmos horário. Eu gastei 20,50 euros comprando pela internet. Ela comprou por 35 euros. A moça explicou que on line é mais barato. Mas esta questão ficou resolvida e já sei onde pegar o ônibus. Até a plataforma, de número 5.

Agora vamos ao Market Place, ainda chovia um pouco, passamos por bonitos edifícios e uma praça grande que separa duas mãos de uma avenida. O que não falta por aqui é área verde e paisagismo.

Quando chegamos ao mercado, à beira do Porto, lembrei-me de meus principais objetivos ali: comer o arenque e andar na roda-gigante.

Comer o arenque agora não vai dar porque almoçamos pizza aos pedaços dentro do shopping da Estação Kamppi. Mas a roda está funcionado. E lá fomos nós. No caminho passamos por um clube e vi umas moças de maio entrando na piscina naquele calor de quase 15 graus. O sol já começou dar as caras.

 O ingresso da roda-gigante é de 13 euros por adulto, para pessoas com mais de 65 anos fica por 11 euros. A diferença não é assim tão grande, vai ver que os aposentados daqui não ganham tão menos dos que estão na ativa.

Desde a roda-gigante, obviamente pudemos ver muito mais coisas lindas ao redor, e descobrir outras maravilhas da cidade. O vidro da cabine na roda-gigante é azul, o que interfere em algumas fotos.

Dali fomos ao VikingLine para saber o local de partida de amanhã e comprar a passagem dela para Tallinn. 

Eu preocupada com o horário porque às 16 horas queria estar de volta para o concerto. Ligeiras fomos primeiro a doca do Viking e compramos a passagem.

Passamos no caminho pelas construções de tijolo vermelho e telhado preto. Eram os armazéns do porto. Lindíssimos!

Corremos de volta para a Catedral de Helsinque, incrustada num parque, lá no alto, altaneira, com sua aparência refinada em vermelho e dourado. Internamente sua grandiosidade com simplicidade é provocante, sedutora até, convida à imersão no silêncio e ao agradecimento singelo. 

Já passavam das 15h quando ali chegamos. Será que há tempo de correr até a outra igreja branca e dourada que avistamos lá ao longe?

Vamos lá, e de lá chamaremos o UBER. Chegamos em bom horário, mas uma escadaria e a possibilidade das portas fechadas nos trouxeram até sua base apenas. Apreciamos. Fotografamos. Inclusive a estátua na praça ao pé da escadaria. 

Ali também passam os bondinhos. Encostamos junto a parada de bicicletas e chamamos o UBER do etíope que nos levou em tempo para o concerto. Chegamos às 15h45, eu precisando de banheiro porque com o frio o líquido é excretado somente pela urina, não há suor.

Não tinha muita gente na igreja, como eu esperava, mas pontualmente às 16h deu-se início a um concerto de órgão que durou 30 minutos e que me parecia ver os tubos estufando para soprar o ar de dentro deles e produzir sons divinos, encantadores. Depois de umas duas peças, alguns ouvintes que estavam entre o meu ponto de vista e o organista se foram, e eu pude observar a arte de suas mãos nos teclados. De quatro fileiras de teclas ele usava a segunda e a terceira, mas a cada tecla escolhida por ele numa destas fileiras, outras na primeira e quarta fileira também se movimentavam. E nas suas laterias vária luzinhas se acendiam e apagavam, em posições variadas também, e ele ainda tinha que dar conta dos pedais, e em dado momento ele abriu uma veneziana de metal vertical que faz parte do instrumento e o ar saía mais poderoso, fazendo ressoar as últimas notas de uma peça poderosa, que fez vibrar toda a estrutura e explorou até o último pedaço daquela acústica maravilhosa. (fiz um vídeo que está no Instagram @ lessa meyre e no Facebook, Meyre Lesssa).

A volta foi de UBER, pago pela Elisabeth e que saiu um pouco mais que 13 euros. Compramos nossos alimentos semi prontos para aquecer no microondas e banho e blog e dormir para mais uma aventura amanhã.

16 de setembro

A chegada e a saída da Finlândia foram por Helsinque. Num planejamento com mais tempo eu faria diferente. Apesar de pequenas cidades para o padrão que estou acostumada, algumas das cidades visitadas são grandes em população e importância econômica em seus respectivos países. Eu podia ter estudado fazer a transferência entre estas e provavelmente economizaria uns 3 dias, podendo incluir, por exemplo, Copenhague, Arnus ou mesmo São Petesburgo no roteiro sem aumentar a quantidade total de dias.

Podia ter iniciado meu roteiro em Bergen e viajar pelo Norway in a Nutshell em direção a Oslo, economizaria um dia e uma passagem de 96 euros. De Oslo para Helsinque mesmo, Tallinn do jeito que foi, Turku e Estocolmo. Provável que a passagem sairia mais em conta e economizava mais dois dias de viagem, ida e volta, pois mesmo não sendo distante uma da outra, com viagem de 2 horas, mas perdemos o dia todo praticamente. Fica a dica e serviu-me de lição.

Mas não o fiz, e hoje levantamos com um bonito dia de sol em Turku. Eu fui a última a dormir e a a última a levantar. Minha bagagem ficou pronta no dia anterior e quando levantei um oriental já tinha ido embora. Me arrumei e fui pra cozinha preparar meu café. O outro japonês bonzinho estava tentando preparar um waffle para ele. Fiquei observando como ele fazia. Decidi passar um café e perguntei a ele se sabia onde estava o filtro. O filtro aqui é de papel pardo, interessante!

Perguntei para ele e para a Elisabeth se queriam café e ambos aceitaram. Passei o café, preparei minha xícara de café com leite e nada do waffle dele ficar pronto. Decidi pegar a massa, que a dona do hostel deixa pronta na geladeira e fazer na frigideira. O japonês peguntou se eu queria óleo. Devolvi a pergunta se no aparelho ele usou óleo e ele confirmou. Então aceitei, e ele pegou uma embalagem na geladeira que parecia de mostarda, inclusive o seu conteúdo. Nunca que eu ia adivinhar que aquilo era óleo. Digamos que é como uma manteiga de garrafa.

Coloquei um pouco na frigideira de teflon e uma concha da massa. Quando terminei mostrei para ele o resultado e ofereci uma. Ele aceitou e dei aquela mesma para ele. Ele tentava limpar o aparelho de waffle que ficou com um monte de massa colada sem aproveitamento. Sugeri que deixasse esfriar, é mais seguro. E comecei a preparar minha panqueca.

Agora, pense que conversei tudo isso com ele em inglês. Pensou? Pense na minha alegria. Ainda perguntei de onde ele era, confirmando que do Japão, a Elisabeth  quis saber de que cidade e eu o questionei:

_ " Osaka", disse ele.

A Elisabeth que já tinha me dito que gostaria de conhecer Okinawa falou para ele:

_ " I'm Okinawa."

Caímos os três na gargalhada. Falei para ele:

_ " She is crazy."

Foi muito divertido. Uma manhã de boa convivência. Depois que todos estavam alimentados, ele voltou para o aparelho de waffle e, vendo sua dificuldade, sugeri lavar na água. Ele mostrou que era um aparelho elétrico, e mostrei como fazer. Na pia tinha uma daquelas buchas de lavar mamadeira. Fui molhando a bucha na água e passando na chapa que trouxe para perto da cuba. Deixamos o rapazinho fazendo isso quando nos fomos.

- " Good travel, good day and bye bye."

O ônibus só sairia às 13 horas e nosso caminho de volta passava por um bonito prédio que na vinda julgamos ser uma igreja, mas como chovia, não aramos.

Agora estava uma bonita segunda de sol e descobrimos se tratar do Museu de Arte da cidade. Logicamente fechado numa segunda feira, mas fizemos fotos das estátuas e jardins ao redor, além do parque infantil.

Seguimos nosso caminho cruzando com uma avalanche de adolescentes, entre 14 e 20 anos, caminhando todos na mesma direção, como que indo para a escola. Observei que a maior parte das coisas por aqui inicia suas atividades às 11h, talvez também a escola regular. E tem sentido considerando-se as temperaturas e a luminosidade. Outra coisa que notamos é que a Escandinávia possui uma população jovem, ao contrário de Portugal, por exemplo.

Já no terminal rodoviário, tomei informação sobre a plataforma de embarque, pegamos algumas guloseimas para o caminho ou para o hostel, do tipo chocolates e salgadinhos. E ficamos conversando mais de uma hora. ÀS 12h45 fomos para o pon to de número 1 e logo em seguida o ônibus encostou. Esse não era de dois andares. E eu comprei uma passagem com desconto, em vez de 12 euros, paguei 8,50. Quando mostrei a passagem ele me mostrou meu lugar, com uma papel de reservado. Era atrás do freezer de água, e tem uns 5 cm a me nos de espaço para as pernas. Mas, considerando a viagem de apenas duas horas, foi uma economia bem-vinda. Ao contrário de mim, a Elisabeth pagou 22 euros nesta viagem, porque comprou na bilheteria e na última hora, mas seu bilhete dava direito de viajar entre 16 e 22, qualquer dia, ou seja, tinha uma elasticidade que não precisaria.

Meu banco era individual, então ela sentou na janela do lado oposto. Dessa vez eu vim sonhando mas não dormindo, pensei em muitas coisas boas da vida, de antes, de agora, do futuro. A Elisabeth dormiu um pouco pelo que pude notar.

Ao chegarmos em Helsinque, por ser a estação dentro de um shopping, resolvi procurar uma calça impermeável que vimos muitos jovens de Turku usando. São de cores berrantes e tem vários adesivos de pano costurados. Não achei. Mas em compensação, numa das lojas encontramos uma moça com aquelas saias pretas que a Elisabeth, principalmente, estava tão curiosa para saber do que se tratava, chegou a apostar comigo que, quem descobrisse primeiro ganhava um lanche da outra. Acho que ganhei, ou será que não aceitei a aposta? A moça me explicou que ela é uma cigana finlandesa. É um traje típico dos ciganos daqui. E eu entendi de novo a explicação em inglês. A Elisabeth toda curiosa perguntou-me o que era e eu:

_ " Você não entendeu?kkkk', brincando, e depois matei sua curiosidade (esta foto eu peguei na internet).

Depois fomos almoçar e escolhi um restaurante italiano. Depois de muitos dias comendo a comida local, as opções eram bem variadas, comida do Suriname, Tailândia, Japão, Vietnã, mas preferi a velha e bem conhecida comida italiana. Eu comi um tagliarine ao funghi com vinho branco e a Elisabeth um espaguete à carbonara com suco de laranja. Ela gastou 17,50 e eu 22,50. Durante o almoço já fiz meu check-in on line para amanhã.

E vamos embora, mas já na rua, deparamos com uma Feira das Nações que estava sendo montada no dia que daqui saímos. A Elisabeth queria procurar Santa Claus em azul e fomos passeando entre as barracas. Não achamos o que ela procurava mas vi uma barraca de 'strudel' e lembrei que não comi nenhum até agora, tendo a Finlândia tão forte influência russa. Resolvi reparar o erro e comprei logo 3 pedaços, pois assim sairia mais em conta, um de apricot, um de cranberry e um de maçã, tradicional. Mas antes de decidir-me entre tantos conversei com a vendedora:

_ " You go with my lugagge to hostel and I stay in your place here."

Ela riu e disse-me que eu ficaria no lugar dela comendo tudo enquanto ela iria em meu lugar para o hostel. Acho que até concordou com parte do acordo.

A Elisabeth quis voltar ao banheiro antes de iniciar o caminho para o hostel, que distanciava 750 metros. 

Depois demos umas voltas a toa em torno de shopping, enquanto eu não entendia o rumo que o Google Maps me dava. Até que conseguimos pegar o sentido correto, passando por alguns belos prédios. Vimos dois rapazes numa lanchonete com as calças que queríamos e fui perguntar para um deles onde compro. Ele disse que são de universidades e percebi que os adesivos eram opcionais, pois ambos tinham a s calças da mesma cor, mas com adesivos diferentes. Então posso montar a minha quando comprar uma calça tipo de motoqueiro.

E pouco depois chegamos ao Diana Hostel para deixarmos nossa bagagem, acertar a reserva dela pois recebi um e-mail que não consegui entender e voltar para a rua antes de escurecer atrás de um prédio que me pareceu a Igreja das escadas.

Nos instalamos e descemos, logo ao sairmos uns pinguinhos iniciaram a queda, e andamos só dois quarteirões e meio e tivemos que retornar, molhadas, os pinguinhos viraram uma verdadeira queda d'água.

Nosso avião parte amanhã às 11h15. Então não teremos tempo para mais nada em Helsinque, mas digo que fiquei com um 'gostinho de quero mais'.