GRANADA vista sob a perspectiva de Alhambra e de La Cartuja

21/11/2019

Deitei cedo, dormi logo mas... às 3 horas acordei para ir ao banheiro e não conseguia dormir novamente. Nem sei quanto tempo fiquei acordada, mas o relógio me despertou às 7 horas. Ainda estava escuro e com temperatura de 3 graus.

Tomei um pouco de água, me arrumei e sai antes das 8 horas. O estacionamento é próximo... Mas, quando fui pagar a estadia na máquina, o tíquete travou lá dentro, meu cartão não leu e os botões não tinham informação. Achei um botão de assistência 24 horas e fiquei com o dedo enfiado nele até que alguém me atendeu. E orientou-me a ir até o caixa e pedir informação. Era perto mas não tinha ninguém lá dentro. E fiquei falando alto:

_ " Hola. Hola. Hola."

Até que apareceram dois homens e um deles foi comigo até a máquina e me ajudou. É que tem que esperar até a máquina dar o sinal para poder colocar o cartão. Nisso alguns preciosos minutos se esvaíram.

Quando coloquei o endereço do estacionamento junto ao Cemitério de Alhambra, o Maps me disse 27 minutos de caminho. Meu Deus! Quando verifiquei ontem a noite eram só 16 minutos. E eu devia chegar lá entre 8h30 e 9h. Fui fazendo o caminho indicado no Google e comecei a perder a esperança de ver o Palácio de Nazarie. Se não chegar no horário, não entra. O caminho me levou para a estrada. Achei que tinha colocado o local incorreto. Deu até uma tristeza. Mas comecei a ver placas com a indicação de Alhambra. Bem, o que resta agora é chegar a tempo.

Maravilha. Cheguei ao estacionamento e no desespero de quem está atrasada, entrei no primeiro local que vi vagas. Estacionamento 4. O primeiro é o mais próximo ao Pavilhão de entrada. E lá vou eu descendo na ligeireza. Só não corri porque sou uma palerma.

Ainda bem que vim ontem e sabia para onde me dirigir. Entrei às 8h50 para trocar o tíquete, receber o áudio-guia e o mapa, pegar uma café e um croissant para viagem e sair afobada.

Quando cheguei ao portão de entrada a mulher falou que eu não podia entrar tomando o café, então engoli tudo correndo e entrei.

Apressei o passo, fui olhando o nome dos locais para ver o caminho, mas não parei para nada. E cheguei às 9h08. Fui a quinta pessoa a entrar na fila. Kkkk. Como sou ansiosa e desesperada.

O senhor que organizava a fila foi passando algumas orientações em espanhol, inglês e francês. E no horário liberou nossa entrada. Apresentamos o tíquete mais para frente. Meu áudio-guia podia ser lido também, o que preferi.

O Palácio é na verdade constituído por 3 palácios, porque cada Sultão que lá viveu construiu o seu, durante a Dinastia Nacérida. O primeiro foi Mexuar, que depois dos 3 edificados passou a ser utilizado para as questões de justiça. O primeiro jardim que vemos leva o nome do arquiteto que projetou o Palácio de Carlos V, Jardim de Machuca. Pedro Machuca era discípulo de Michelângelo.

O segundo, o Palácio de Comares, era a residência oficial do monarca.

E o Palácio dos Leones era a residência da família real, onde ficava o harém.

A riqueza de detalhes, cores, utilização dos espaços, paisagismo, é de deixar qualquer um embasbacado. É deslumbrante. A limitação de visitantes diários é necessária para a preservação do local. Passei lá dentro 1h10. Mas poderia passar o dia inteiro e não conseguir ver com minúcia tudo que há para ser apreciado.

Abrirei o álbum de fotos com algumas do guia caso alguém se interesse em entender um pouco mais sobre Alhambra (vermelha em árabe).

Meu destino seguinte foi a Alcazaba, e como já vimos antes, isto é o mesmo que Fortaleza. 

Aqui vi que eles chamam a Torre que existe em toda Fortaleza de Homenáge. Em Portugal se diz Torre de Menage. Homenáge significa homenagem e passa a fazer mais sentido para mim.

Esta Torre não pode ser visitada pois sua escadaria está avariada. E a observamos bem a partir da Torre da Vela, que aliás tem as melhores vistas do local.

A Torre do Cubo é a primeira que avistamos logo ao entrar. Este é um local de muitas escadarias. Dela pode-se observar as valas ou fosso ao redor da Alcazaba que seria inundado de água em caso de ofensiva. Dali também se avista o Mirador de San Cristóbal, que visitei ontem.

A parte central da alcazaba guarda as bases de moradias dos militares que aqui viviam. Tem poço e sistema de água.

Eu perdi uma portilhola quando passei da Torre do Cubo para a planta central e queria chegar na Trilha Ronda, que acompanha as muralhas, via o povo andando por lá e não conseguia chegar. Tive que retornar parte do caminho até achar a portinha. Isso porque o guia que eu carreguei dava a dica.

As vistas da Torre da Vela são realmente impressionantes. Porém tenho que admitir que o céu ajudou muito para esta impressão. Lá também tem um sino que era utilizado para avisar sobre terremotos, e parte de sua estrutura foi destruída justamente num destes tremores. Visitei a Alcazaba  em pouco menos de meia hora.

Antes de entrar comi um pão com queijo e um café com leite num quiosque que está junto à sua entrada. Engraçado, não pode entrar comendo, mas pode vender lá dentro. Incomodam-me estas incongruências.

Dali fui para o Palácio do Rei Carlos V, que, segundo consta, visitou Granada durante seu reinado e se encantou com a Alhambra decidindo construir ali junto do Palácio Nazarie a sua moradia. O recurso para tão grandiosa obra vinha dos impostos cobrados dos moriscos que ainda residiam na região. Porém estes recursos cessaram após uma rebelião morisca de 1568 e as obras pararam. O prédio quase foi a ruína. Só no século XX ele foi continuado, ficando, porém o grande pátio central sem cobertura.

Na parte superior está instalado o Museu de Belas Artes, e o pátio central costuma receber recitais e outros pois tem maravilhosa acústica.

Ao lado dele está a Igreja de Santa Maria da Alhambra. Simples internamente, mas com um belo prédio que ajuda a compor o cenário.

O céu agora está nublado, depois de apresentar por toda a manhã uma coloração de fazer inveja a qualquer artista plástico. E ainda não visitei o Generalife. Li que se fala como se escreve, e não 'Generalaife' como seria em inglês. O termo tem origem árabe na sua formação.

Tive que retornar pelo caminho que fiz ao entrar, achando lindo e não registrando nada por causa da pressa.

Passei por um corredor de ciprestes todo recortado como se fosse muralha de castelo, até com janelas de inspeção( fiz vídeo).

Depois vi as bases da Medina e algumas paisagens outonais.

Passei pelos jardins da Generalife até chegar ao Palácio. Generalife foi um complexo criado do lado de fora de Alhambra com o objetivo de construir um sistema de para abastecimento de água para ela. A água, vida do Rio Darro, que passa no vale entre Granada e Alhambra. Seu nome significa 'Jardim dos Arquitetos'. E era o Palácio de verão dos Sultões.

Saindo de lá começou a chover, uma chuva pequena, fraca, mas suficiente para molhar-me se não apressasse o passo. Tinha que parar no ponto de encontro para devolver o áudio-guia. E comprei um chá gelado. Sentei-me um pouco para descansar e tomar folêgo para a esticada até o estacionamento 4. Quando lá cheguei só haviam dois carros. Certamente o outro era de algum funcionário. Quem deixa o carro tão longe quando tem lugar mais próximo do destino?

Agora vou conhecer a La Cartuja. Mais uns 3 km na Serra do outro lado. Trata-se do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção.Os monges ali viveran durante os 3 séculos de sua construção, a partir de 1506. 

Fato diferenciado neste mosteiro era que foi compartilhado com os 'leigos' que prestavam serviços à comunidade. Na igreja existe um portal que separa o local de onde assistiam às missas os monges e os leigos. A visita começa pelos cômodos de uso dos monges, como refeitório e sala capitular. Um quadro com uma imagem de Cristo num padrão diferente do europeu foi o que mais me chamou a atenção nestes ambientes.

O jardim interno é cheio de frutos e havia uns pés de caqui com frutos amadurecendo. É um de meus frutos preferidos e ainda não os havia visto por aqui. Fiquei admirada de vê-los nesta época do ano, e aí me dei conta de ser outono. Os frutos não obedecem a um calendário de meses e sim de estação climática. O mesmo ocorrendo com as laranjas. Não é maravilhoso?

No corredor do jardim, antes de entrar na Igreja tem duas pequenas capelas.

E a Igreja é algo assim de esplendoroso. A separação de que falei acima torna-a única. Pelo menos entre as que já visitei. Acredito que todas os Mosteiros Cartujos sejam assim. Por princípio.

No altar tem um receptáculo dourado com a imagem de Nossa Senhora, lindamente decorado com espelhos.

Por trás dele o Santo Sacrário, também estupendo.

O estilo renascentista é o que prevalece em suas pinturas. E o barroco rococó, com uso dos espelhos e muito brilho, estilos artísticos dos séculos XVI e XVII, quando foi construída.

Aos lados do altar também existem duas outras pequenas capelas.

E uma porta no fundo, à esquerda, leva a Sacristia. Eu quase não entro, mas já que estou ali mesmo. E entrei na Sacristia mais bonita em que já estive. Até os móveis de Ébano com detalhes coloridos combinando com toda a decoração. As paredes brancas todas entalhadas, provavelmente em gesso, o piso quadriculado em preto e branco, juntos, dão uma amplitude ao local no mínimo impressionante. No final do salão também há uma abóbada pintada ricamente e uma nova capela dourada. É como se fosse uma outra igreja , mas de uso particular dos monges. Considerando que os refeitórios só eram usados uma vez por semana, e as demais refeições eram feitas nos quartos (este foi meu entendimento do guia), ali devia ser um local para socializar. É justo que seja o mais bonito.

Agradeço à Marta de Córdova e seu marido pela dica preciosa. Não achei em nenhum dos sites que pesquisei esta atração. E agradeço ao meu guardião por sempre me colocar no caminho as coisas que preciso viver.

Agora vou voltar ao hotel. Preciso achar um posto de gasolina. Mas mesmo colocando o endereço no Google Maps, não achei o local. Levei o carro até o estacionamento do Mercado San Agustín e ali fiz meu almoço/jantar. Um prato de mariscos, empanados e fritos, com uma cervejinha, que combina melhor. Gastei 12 euros. E dali eu segui os 500 metros até o hotel, passando por Carrefour Express, e comprei uma empanada, água, bananas e rocambole para o café da manhã. A chuva deu uma trégua desde que cheguei a La Cartuja.

E mais um dia se encerra só com motivos para agradecer. Granada me recebeu esplendidamente e o tempo esperou-me cumprir minha programação para mudar. A chuva atrapalha um pouco as atividades, principalmente para tirar as fotos que gosto de compartilhar com vocês. E logicamente o sol dá um aspecto brilhante e colorido aos lugares.