FOZ DO ARELHO

07/08/2019

Conforme vou me movimentando por Portugal percebo que tem muita coisa bonita para apreciar, mas que, na maioria dos casos, uma diária basta.

Cheguei na segunda à tarde à Foz do Arelho. Conheci a cidade de Caldas de Rainha, que não tem nada assim de excepcional, principalmente para que procura agito. Não é o meu caso. Sou eclética. Se há agito, participo e agito. Se não, vou na calma.

Na mesma noite conheci o passadiço da Foz do Arelho. 

Com o tempo feio da terça, dormi um pouco mais, escrevi, li e só no meio da tarde resolvi sair para almoçar, pensando que ia encontrar tudo vazio como na noite anterior. Ledo engano. Apesar de nublado o tempo, estava quente e as pessoas estão de férias, sol por aqui é um artigo raro, então aproveitam qualquer calorzinho. Não consegui nem estacionar junto à praia. 

Percorri a Avenida da Praia a pé procurando um bom restaurante. Alguns só abrem à noite. Outros oferecem pratos caros, talvez para duas pessoas ou mais. Quero algo mais leve. Ainda estou traumatizada com o bacalhau da noite.

O Coco's é uma lanchonete gourmet. Sentei-me na parte interna e pude apreciar toda a movimentação de clientes e garçons. Não tinha pressa. Perguntei ao garçom sobre um hambúrguer, se era muito grande, orque vi alguns 'toasts' que serviam e parecia um edifício. Muito pão, pesaria. Ele disse que não era e sim leve, por ser recheado de salmão. Pedi ainda um suco de frutas do bosque.

Tanto o lanche como a apresentação me surpreenderam positivamente. O pão era negro, parecia até queimado. O salmão no ponto, espessura e textura adequados para um lanche. Dentro ainda tinha alface e tomate. Num copinho de papel cartonado, um molho especial. O canudo do suco também cartonado. Peguei o copinho com o molho e espremi no lanche. Dobrei o copinho e coloquei sobre a tábua que servia de prato. Depois de terminar os preparativos, na minha cegueira, olhei uma massinha branca, parecendo um biscoito da sorte, e o toquei com o garfo para ver o que era. Não riam. Era o copinho que eu acabara de colocar ali e já havia esquecido. Que memória. Lamentável!

O garçom tinha razão, o lanche foi bem leve e na medida. Sobrou até espaço para a sobremesa. kkkk. Sempre. Pedi um cheesecake de limão. Estava mais para um mousse de limão na verdade. Muito bom. E recoberto por uma calda de caramelo, propositalmente com crocantes. 

Conversei um pouco com ele, um paulista que veio para estudar e acabou ficando. Havia dois garçons de serviço naquele horário, mas era como se tivessem três, dado o ritmo que o colega trabalhava. 

Quando sai observei, sobre a areia, umas passarelas de um material que parecia reciclado de pneu. cobrindo boa parte das areias. Parece-me que aqui é comum isso. Assim, mesmo estando de tênis, foi possível caminhar até a praia. De dentro da lanchonete eu via as ondas, concluindo então que estávamos perto do mar.

Sim, aquele era o lado de praia marítima. Quando chegou ao final da passarela, eu ali, morta de vontade de tirar o tênis e meter o pé na areia, mas em dúvida. Aparece um senhor, vindo da areia, com o par de tênis amarrado um ao outro e pendurado em uma das mãos. Incentivou-me. Arranquei tênis e meias e meti os pés na areia, que não estava quente. A praia ali era meio nervosa para meu gosto. Já podia ver um afundamento rápido como em algumas praias cariocas da região dos Lagos. A areia grossa, multicolorida.

Mais à frente fui avistando belas pedras lisas, como pedras de rios, com vários formatos e cores, espalhadas pelas ondas.

De repente vi um leque de texturas. Junto ao mar uma areia grossa, depois um cascalho miúdo, um pouco mais grosso e depois uma faixa de pequenas pedras. A natureza mostrando como ela faz, como numa feira de ciências.

Lá adiante eu avistava a Foz do Arelho. Procurando o significado, diz-se de um sítio onde há areia.  Sim, tem todo sentido, tem muita areia por aqui, e forma uma barragem natural entre o mar e a lagoa. Impressionante que aquele mar bravo vai ficando distante, e se torna uma massa de água que ondula suavemente. 

Agora sigo pela margem da lagoa. Uma grande faixa de areia separa as duas praias. A areia vai mudando de textura, temperatura e cor. E a lagoa também apresenta suas diversas faces, lugares mais profundos e com barrancos, outros bem rasinhos, outros ainda adequados para a pesca. Gente de todas as idades se divertindo de maneiras diferentes. Uns jogam baralho na praia, outros jogam frescobol ( para jogos de bola tem local estipulado e cercado de redes), uns fazem castelos de areia ou canais, uns se cobrem com a mesma areia para se protegerem do sol. Muitos trazem armações que, fincadas na areia, formam proteções de ventos, areia, e olhares. Junta-se a esta um guarda-sol, tem uma cabana perfeita. O céu é uma atração à parte.

Numa parte da lagoa tem uma estrutura metálica que forma uma pequena barragem. 

Fiz uma grande volta e estou próxima ao restaurante Cais do Porto. Sento-me nos bancos de concreto que fazem divisa entre a calçada e a areia, limpo meus pés da areia seca, e volto a calçar-me para caminhar até o carro.  E tiro uma foto a La Carmem Miranda.

Gastei no máximo 3 horas para fazer tudo, inclusive comer. Andei uns 5 km creio.

Volto ao hostel, agora lotado. No meu quarto estão 3 amigas vindas de Barcelona. No quarto em frente ao nosso, um casal de portugueses que vivem perto de Porto, e estão de férias. No outro quarto, dois rapazes portugueses. Os meninos já encontro de saída. Os demais estão iniciando os banhos. Deixo o meu para tomar com calma, por último. Dei azar. A água não aqueceu.

Enquanto esperava, orientei uma das espanholas no uso da cafeteira, quantidade de pó e água. Estamos sós. É a folga da recepcionista, e o proprietário, que faria a vez, está com a avó doente, o que justifica sua ausência.

Todos saíram e fiquei só com meu computador e meus pensamentos. Começam a retornar por volta de 22 horas. Comento com a portuguesa que estou com torcicolo e ela pega uma pomada de Voltaren e passa em meu pescoço, e gentilmente, me dá o tubo de pomada, dizendo que resta pouca. Não contesto e recebo com alegria o presente. Este pouco será muito bem vindo. Não tinha pensado em passar algum tipo de emplastro. 

O pessoal é todo bem bacana. Ficam todos na sacada, bebendo e conversando, menos eu, por causa da friagem e do pescoço. Fui a primeira a deitar-me. Mas correu tudo bem. Todas dormimos bem. Pelo menos foi o que elas disseram. Eu dormi.

O Lorenzo apareceu de manhã e disse que o aquecimento da água é a gás, e que este não acabou. O que será que aconteceu então?

Não importa. Agora estamos só as 4 mulheres no hostel. As meninas foram hoje conhecer Nazaré e Peniche. E eu vou ficando por aqui, desfrutando da casa, que é agradável. Sairei só na parte da tarde. E como disse, uma diária seria suficiente para conhecer o lugar. Bem explorada. Mas suficiente.