FINAL DE SEMANA EM SAN FRANCISCO

10/06/2019

Levantei-me cedo, procuro saber se o hotel tem serviço de lavanderia e onde servido o café da manhã. A moça diz que posso usar a lavanderia a tarde, mas a tarde não estarei aqui, estarei passeando, pergunto se ela pode pegar as roupas para lavar, diz que sim e fico de acertar com ela depois. O café da manhã fica sobre uma mesa da recepção, sem nenhuma comodidade. Tenho que comer de pé. Mas tem uma máquina de suco de maçã e laranja, um pão em forma de rosca, horrível, cream cheese, leite, cereal, banana e maçã, e café. Até que não está mal, não fosse o desconforto.

Assim que termino, e vou olhar o horário do Ferry Boat, me dou conta que é sábado, e tem menos horários disponíveis. O próximo é às 9h30. E já são quase 9h. Chamo o UBER e depois vou colocar o tênis e arrumar a mochila para sair. Toda chamada de UBER por aqui, aparece o tempo em que alguém vai confirmar a chamada e costuma ser de mais de 4 minutos esperando a confirmação, depois mais, no mínimo, 5 minutos de espera.

Quando saímos, já são 9h10 e ele se apressa para chegar no horário. Vi em seu perfil que ele fala russo e digo a ele que a vó de minha filha era russa. Ele compreende então que é a mãe de meu marido. Melhor não dar muita explicação. Sim, é isso mesmo.

Também estou lembrando que só tenho 5 dólares trocado, e a passagem é de US$12. Tenho quase certeza que a máquina não vai aceitar os US$100. Mas pensava em trocar em algum comércio local. Não há. Peço ajuda a um funcionário e tenho a impressão que ele fará algo para me ajudar. Todos já embarcaram, só tem eu lá de bobeira. A funcionária de controle de embarque fica me olhando e vou até ela. Mostro o dinheiro e explico que não estou conseguindo comprar. Ela me autoriza embarcar e diz para eu fazer a troca para quando voltar. Tudo isso com meu parco inglês. Subo um tanto envergonhada mas, o dia está linfo, esta embarcação vai mais devagar pois me parece destinada a turistas mesmo. E eu vou tirando fotos e apreciando a paisagem.

Quando chego ao Porto, decido ir caminhando até o Pier 39, famoso, com muitas atrações. Lá poderei trocar o City Pass que comprei pela internet e me permite visitar alguns pontos turísticos, andar ce Cable Car, de Muni e fazer um passeio de barco pela Baía.

Porém, quando estou caminhando, vejo o Exploratorium, que faz parte das atrações e que eu queria ver. Troquei meu voucher pelo bloco do City Pass. Comprei uma para três dias, paguei R$ 394 por ele, mas sai mais barato do que comprar as atrações individualmente.

O Exploratorium se mostrou melhor que um parque de diversões tradicional, muitas crianças interagindo com os brinquedos e, de alguma forma, aprendendo. Mesmo sem conseguir ler, também pude aproveitar. E o que me deixou mais feliz foi observar a interação das crianças com os pais... Não é como levar alguém a algum lugar para que brinque só ou com seus amiguinhos. Pensei aqui, na parte de plantas, em minha prima bióloga, Marta Cristina, e em todo o Exploratorium, em meu falecido marido e em minhas meninas, lembrando que, algumas vezes as levamos em lugares assemelhados, em Águas de Lindoia e em Porto Alegre. E também do meu genro, na área de instrumentos musicais.

Esta princesa abaixo, estava encantada com o tabuleiro que movimentado, fazeia escorrer as bolinhas de um lado para outro, e dirigiu-se a mim, toda sorridente. Seu pai a observava a curta distância, convenientemente.

Fui seguindo adiante. Um sol forte e bastante calor. Parecia que estava andando há séculos, apesar da bonita paisagem.

 Cheguei ao Pier 39 e vi que de lá saia o passeio pela Baía. Fui ao guichê fazer a troca do ingresso. Em cada atração eles destacam de meu bloquinho a folhinha apropriada. Antes de embarcar, decidi fazer meu almoço, ao estilo americano e comi meu primeiro Jumbo Hot Dog, acompanhado de uma soda. Comprei também uma água e gatei US$ 13,75, trocando assim meus US$ 100.

Depois de ficar na fila para o barco um bom tempo, fui tirar uma selfie e apareceu um grandão que estava com a família, à minha frente. Ele percebeu e se desculpou. Mostrei a foto a eles. E a mantive. kkkk

Entrei no barco e fui para sua proa. Acabara de tirar a blusa e tive que colocar de novo, pois ventava muito. Depois o vento foi ficando mais quente e agradável. N saída do Pier uma concentração de gente para ver as focas.

Já estava achando que não valeria a pena o passeio para quem já andou de Ferry Boat. Enganei-me, pois ele vai até a Golden Gate Bridge, que por sinal é vermelha, faz a volta  logo depois de passá-la e ruma para a ilha de Alcatraz, se aproximando bastante. Este é um passeio à parte, para os interessados. Não foi meu caso. Àquela distância já está bom demais para mim.

Estava todo este tempo com a bexiga cheia, mas aguentei corajosamente. Agora irei ao Aquário, uma repetição de atração recente, mas já está pago... Primeira parada: Restroom.

O aquário da Baía de San Francisco é bem menor que o de Monterey. Tem porém umas águas vivas diferentes e um túnel de peixes e tubarões, o que o torna especial e diferenciado.

Agora sim vou passear pelo Pier. Vejo várias pessoas passando com sorvetes e é o estou querendo. Achei um lugar, também com fila porque aqui tudo é lotado de gente, pelo menos no sábado. Vi que tinha também as Jelly Belly, que conheço no Brasil como delicados. E como faço agora para pegar o sorvete e as balinhas? Continuo na fila do sorvete e peço um Cascão, apontando, com sorvete de Vanilla French. Depois vou até as balinhas, mas preciso das duas mãos para me servir. Peço ajuda a uma atendente que me explica um monte de coisa. Acho que fiz uma cara impagável. Ela olha para mim e diz:

_ " Do you don't speak English?"

_ " No."

Ela pega o saquinho de minha mão, pergunta quais os sabores que quero e escolho 3 ao acaso, mas queria as azuis, que no Brasil costumam ser de aniz. Aqui não são, mas são azedinhas e deliciosas. As laranjas de melão e as amarelas de limão. Vou para o caixa e o senhor oferece um guarda sorvete para eu acomodar o meu enquanto pago. O sorvete vem com um canudo de plástico em sua ponta, o que evita sujeira e acomoda direitinho no porta-sorvetes preservando-o de contato.

O sorvete é bom mas é o Cascão que faz a diferença. É como se estivesse comendo um Bis mais crocante. A camada de chocolate é generosa. Gastei US$ 10,48 nesta compra.

Já tinha visto uma banca de frutas com as cerejas recomendadas por minha amiga Paula, e morangos maiores, já que a Maris não se contentou com os anteriores.Fico feliz por minhas amigas me recomendarem alimentos saudáveis . As gulodices ficam por minha conta. Mas acho que até estou conseguindo comer bem.

Vejo cerejas amarelas. Ainda não estão maduras ou são de outra espécie? Pesquisei e descobri que existem diversos tipos de cerejas, mesmo entre as vermelhas, e bem distintos. E a amarela é bem rara. Porém é doce e firme. Peguei uma só com receio de não gostar.  Pena! As vermelhas estavam tão boas quanto as que já comi no Brasil, Argentina e Chile. Aproveitei para pegar uma água também, estavam numa grande taça com gelo e água gelada. Ao pegar a garrafa já pude tirar o melado do sorvete da mão. Gastei US$ 16,67.

Agora vou continuar o caminho até a Fábrica de Chocolates Ghirardelli. Por aqui, quem quer chamar a atenção com uma carro, não basta ser um Audi, uma Mercedes ou um Volvo, tem que ser dourado, alta suspensão, ou algo inusitado. Já tinha dito isso?

 Lá chegando vejo que é um centro comercial, do qual o chocolate é a principal estrela, com loja de sorvetes, uma lanchonete e a loja de chocolates, que ao entrar, ganhamos uma amostra grátis de um delicioso chocolate recheado de caramelo com sal. Não vou poder resistir à promoção. Levo 3 barras e ganho a quarta. Ainda assim, são mais US 16,45. 

Na porta do Ghirardelli Square, um saxofonista anima a tarde com lindas canções, merece meu dólar. 

Fui até o Museu Marítimo, mas acabara de fechar, 16 horas. A fila para o bondinho, ou Cable Car está muito grande, deixo para domingo.

Ando um pouco para sair da 'muvuca' e encontro um Boulevard bonito, por onde desço e peço o UBER apreciando outro artista de rua. Cantou canções clássica com uma melodiosa voz, mas só fica assistindo e balançando o corpo, na calçada do outro lado. Peço o UBER e como vai demorar, fico ali curtindo a música. De repente, vejo no alto do celular, vá para blablablablabla. Como assim? Eu não disse que queria fazer uma pequena caminhada. Mas acho que esta é uma característica do Poll, onde a passagem fica mais em conta, mas o roteiro não pode ser muito desviado. 

Faltam 3 minutos para ele chegar ao destino , e eu não sei para onde ir. Pelo ajuda a um Camelô. Ele diz que devo subir. OK. Um dos nomes de rua já confere. Mas e o outro? Pergunto a um vendedor de loja, mostrando meu celular. Ele só aposta para cima, nem fala comigo, e já entra mal-humorado para dentro da loja. Deve ter pensado que é 'um saco' ficar trabalhando no sábado para dar informação aos turistas desavisados.

Mais um quarteirão e chego ao meu destino. O caro já tem uma tripulante asiática que, descubro, está indo ao Centro de visitantes da ponte Golden Gate. Bom para mim. Posso tirar fotos sem ter que visitar o lugar.E ainda passo pela primeira vez sobre a ponte, podendo apreciar a vista, recomendada pelo UBER russo que me conduziu pela manhã. Quanta coisa já aconteceu hoje.

No quarto do hotel encontro a roupa ainda suja, vou a recepção com o saquinho de lavanderia nas mãos para perguntar pelo serviço. O homem diz que não dispõe do serviço. E para que serve este saco então? Para levar a roupa suja para casa. OK. E tem alguma lavanderia aqui por perto? Que bom, tem no México Market. Já sei até onde é porque jantei lá ontem. E fica aberta até 21 horas. Vou lá. Passam um pouco de 18 horas agora. Coloco minha roupa suja na mochila e sigo. Quase ao lado de onde tomei meu café/jantar ontem.

Lá está cheio de 'chicanos'. Peço ajuda para umas mulheres que me explicam como colocar a roupa e pagar. Vou precisar de moedas mas o lugar oferece uma máquina que faz a troca. Você coloca a nota e recebe tudo em moedas de 25 cents. Troquei 5 dólares já que tinha um pouco de moedas e vi que a lavagem me custaria US$ 4,25. Mas eu não tinha sabão. Uma delas me cedeu, gentilmente.

Depois, para cada 5 minutos de secagem, paga-se mais 25 cents. Ela programou para 15 minutos e minha conta ficou pelos exatos US$ 5 que troquei. Gatei un 45 minutos ali, mas parte do tempo aproveitei para  ir ao mercado comprar queijo, iogurte,  e mais um mix de castanhas e passas para viagem. Quando voltei, sentei ao lado de um mexicano e conversamos um pouco antes que sua roupa terminasse de secar. Quando a minha ficou pronta, dobrei-a, agradeci novamente a ajuda das mulheres e parti, não sem antes registrar o sol poente.

Decidi fazer o domingo diferente e ir de ônibus para San Francisco, sem pressa já que a noite só começa depois da 20h. Tomei meu café numa cafeteria em frente ao hotel. Nada de especial, só pude tomar um café com leite, mas me arrependi. Primeiro porque noto que o leite não tem me feito muito bem, depois porque... eles precisam fazer tão quente. Toda vez queimo minha boca. Ainda mais porque são servidos naqueles copos com tampa, com um buraquinho para sorver. Mas na tampa recomendam cautela.

O dono da cafeteria me indicou o local do ponto e o número do ônibus até Downtown. Depois teria que tomar outro até São Francisco. Cheguei ao ponto por volta de 10h, esperei um pouco e passou o número 23. Não é o meu. Senti uma emergência que me trouxe de volta ao hotel, mesmo tendo que andar mais de 500 metros no sol. Resolvi minha emergência e voltei ao ponto um pouco depois das 10h. Fiquei esperando por uma hora o ônibus. Desisti. Chamei um UBER pool por US$ 23. Tive que me locomover até um quarteirão a frente, mas aqui, já estou familiarizada com algumas ruas. Às 11h18 vejo o ônibus passando, o motorista ainda demorou uns 10 minutos. 

O Sr.Manuel chegou e começou um filme de mal gosto em minha vida. Primeira coisa que ele fez quando entrei no carro, depois que perguntei se podia sentar no banco da frente, e ele assentir (notem, sempre procuro sentar no banco da frente, primeiro porque passo mal atrás, depois porque, viajando, consigo tirar fotos com o veículo em movimento) foi dizer:

_ " You are very beautiful."

Quando viu que eu falava espanhol, pois já tinha lido no perfil dele que ele o falava, começamos a conversar neste idioma. Perguntou se podia aproveitar para abastecer o carro, já que estavamos num posto de gasolina, onde eu o aguardava. 

_ " Sim, disse eu, não vejo problemas."

Ele me convidou para tomar uma água, como não aceitei, trouxe uma garrafa para mim do mesmo modo.

Saímos. E ele me observando, olhando espantado. Como eu estava de shorts e observei uns olhares maliciosos, tratei de me cobrir melhor com a mochila que já estava no meu colo. Ainda bem que uma grande mochila. 

De repente ele disse que perdeu a saída, e teve que fazer um retorno e se colocar numa pista com muito tráfego. Se desculpou. Disse que se distraiu comigo. Já tinha andado bastante e disse estar estranhando o caminho. Olhava para mim e perguntava que cor eram meus olhos, muito lindos. Eu cordialmente respondia, mas tentando manter-me o mais distante possível. 

Ele começou a cantar músicas em espanhol do Roberto Carlos, dizendo que ele é muito popular entre os mexicanos, desde sua música dos anos 60, o Calhambeque.

Não é um artista que eu aprecie muito de modo que desconheço a maior parte das canções. Ele disse que ainda íamos demorar uma hora para meu destino por causa do erro e do trânsito. Eu lamentei porque isso atrapalharia a ambos. Ele disse que estava gostando de minha companhia, que lamentavelmente estava trabalhando, senão teria prazer em me acompanhar.

Falou que tem um grupo de música onde ele é o cantor. Eu disse que preparei uma canção para a aula de espanhol e cantamos La Barca. Ainda cantei Andança, que ele não conhecia, assim passava o tempo e eu o distraia. Falei do Blog e ele perguntou-me se sou periodista. Disse que não mas me arrependi. Se digo que sim, talvez não tivesse me incomodado tanto.

Perguntou se eu queria jantar com ele. Mais tarde quando eu disse que não sei cantar nem tocar nenhum instrumento, só dançar, convidou-me para dançar. Eu já estava deveras incomodada. 

Perguntou-me se eu gostaria de conhecer o Sausalito, que ele me levaria. Eu disse que não tinha ido ainda, mas melhor não porque, em meu país, quando o UBER faz um traçado muito diferente do solicitado, acaba saindo mais caro para o passageiro. Ele disse não saber sobre isso. Disse ainda que, se tivesse dinheiro consigo podia me devolver a diferença. Tanto insistiu que aceitei, e ele entrou por lá, parou para eu fazer fotos, de´pois parou num lugar e me convidou a descer dizendo que queria comprar umas xícaras chinesas, não estranhei, achei que queria aproveitar a oportunidade, mas não desci do carro. Fiquei tão sem rumo que só tirei fotos de Sausalito em diante.

Passamos pela Golden Gate Bridge e agora obtive boas fotos. 

O cheiro de pinho e de cedro do Parque Golden Gate é uma delícia. Li que é maior que o Central Park, de nova York, e a noite pode ser tão perigoso quanto o outro, já tendo havido violação de mulheres e assassinatos. A noite, em qualquer lugar, temos que nos guardar.

Não sei onde estamos mas, estas casas são bem estilosas e antigas.

Eu coloquei como destino da viagem See's Candies, pois foi o nome que vi próximo ao ponto inicial do Cable Car. Ele disse que entrava outra chamada, e de repente parou dizendo que cheguei ao meu destino. Ele não usa o mapa para se locomover, ou pelo menos não o fez comigo. Usou o sistema de rotas mas não enxergava direito e errou várias vezes pelo que notei. Quando fui descer, me pediu um beijo de recordação. Não. E pensei: pelo amor de Deus. Ele disse respeitar e se foi.

Olhei em volta e estava num lugar completamente diferente do que queria, mas vi que por ali passavam os ônibus elétricos. Já que hoje o dia vai ser para passear de transporte, fui para o ponto e peguei o primeiro que passou, da linha vermelha, com destino ao Parque Balboa. Começou a me dar fome e desci na Church Street com a 29Th. 

Entrei num restaurante Tai, fiquei com receio de ser comida apimentada, pedi um prato com carne, vegetais e molho de amendoim. E chá. Any sugar. Lembro de algumas lições de inglês que a professora Clarice, na FATEC, dizia que o any é uma das formas de negativa. Tarde demais, lá vem sem nenhum açúcar de novo. Mas também me foi servida água e enchiam de novo o copo de chá. A comida estava até docinha, o que gosto, os legumes firmes e bem coloridos. Gostei, mais ainda quando vi que só gastei US$ 11, ainda mais depois de ter constatado que a corrida do UBER ficou em US$ 100,47. Isso me deixou extremamente chateada e abatida. Mas decidi não deixar que estragasse meu dia. 

No sentido contrário da linha de ônibus elétrico, seguindo a orientação do Google Maps peguei de novo a linha vermelha. Este carro era bem velho e o condutor dava umas brecadas fortes, conferindo o freio. No caminho pude observar os moradores locais tomando sol como se estivessem na praia, aos montes, semi-nus, deitados na praça. Se não me embrenho por regiões menos turísticas, como caro e não vejo os moradores, seus hábitos e costumes. 

Desci na estação Van Ness, o mapa indicava uma caminhada de 1 minuto para pegar um trem da linha azul que me levaria ao Ghirardelli. Mas para onde? Nessa hora não consegui evitar que me corressem lágrimas pela face. Definitivamente, cidades grandes não são amáveis, e sim, existem pessoas gentis, mas primeiro você sofre. 

Olhava em volta sem saber para quem perguntar. Entrei numa lanchonete de esquina, esperei na fila do caixa e peguntei mostrando meu celular a localização. Num grupo que estava perto do caixa, tinham pessoas que falavam espanhol, e tentaram me ajudar. Um senhor negro, ao saber que sou do Brasil, ligou para sua filha e me colocou em contato com ela. Ela me passou para seu esposo, ambos falavam português. Acho que ele é brasileiro. Disse que não sabia bem onde seria o ponto mas dali eu devia tomar o ônibus para Fisherman's Warf. Agradeci e desliguei. Um dos moços ao ouvir o nome do local pra onde eu ia, pois até então eu só mostrei o endereço do Ghirardelli, que não conseguia pronunciar. Saiu comigo para a rua, me levou até o ponto onde eu descerá e disse:

_ " Fisherman's Warf."

Ah. Sim. Agora entendi, é uma outra linha que passa no mesmo ponto. Logo em seguida o ônibus chegou.

De dentro do ônibus não estou conseguindo identificar as paradas para saber onde tenho que descer. Elas não têm nomes marcados que eu pudesse localizar. Na outra linha eram os nomes das ruas em cruzamento. Não aqui. Levanto e vou olhar uma rota. Mas era da linha amarela, histórica. Que não pude conhecer. Um homem me vê de pé e me oferece seu lugar. Eu digo:

_ " No thanks. I'm lost."

_ " OK girl." Levanta-se e vai até mim, olha meu celular  e diz que tenho que ir até a última parada, encenando uma puxada de freio de mão para sinalizar que seria a última. 

Fico muito agradecida por estas intervenções. Só confirma o que estou cansada de pensar, as pessoas gostam de sentir-se úteis e são solidárias, quando permitimos.

Na rua dos Piers, a Embarcadero, uma cadeirante é conduzida ao trem. Primeiro, tem uma rampa lateral no ponto do ônibus e ele faz duas paradas, uma para as pessoas habilitadas e outra para as desabilitas. Pediu que todo mundo fosse mais para trás, pois o ônibus estava bem cheio e só foi se esvaziar no Pier 30. Abriu um armário, tirou uma chapa reforçada, fechou um banco especial e ali obteve mais espaço para a cadeira de rodas. Só ai ele liberou a entrada dela. O mesmo processo ao contrário ele fez para ela descer.

Sim. O ponto final é bem próximo ao local do início do Cable Car. Hoje tem uma fila enorme de novo. Já são 16 horas e o Museu está fechado de novo. Passo na bilheteria e descubro que preciso apresentar o bloco do City Pass, assim como nos ônibus elétricos. Eles só conferem as datas de início e final. 

A fila é demorada, o sol intenso, não peguei o Fog por aqui, só o fogo mesmo. 40 graus em temperatura máxima é de queimar o coco. Mas só arde, não queima. Muito pelo menos. Ainda assim, tive que colocar um lenço na cabeça para proteger meu couro não tão cabeludo. Ele podiam se preocupar um pouco mais com os visitantes. Só tem árvores junto as cabines de bilheteria e embarque. Uma longa espera sob o sol escaldante. Mas comprometi-me com minha prima Mara a andar no bonde por ela. Acho que foi uma hora de fila. E não tinha como perder esta oportunidade única.


Enfim, dentro do dentro. A viagem com sobes e desces vai começar, cruzando por outros trans, preferi ficar na parte fechada a ter alguém desconhecido tampando minha visão. E queria ir sentada, não pendurada.

Fui até o final, fiz umas fotos ali mesmo e ja peguei a fila de volta, ainda triste, mais cansada e na sombra, mas muito demorado para o cansaço que me afligia, moral e físico. 

Quando tentei reportar o erro do motorista ao UBER, veio a mensagem que eu não podia mais fazer reclamações. Quando pensava no que ele fez, sentia-me tola, parecia que ele queria simular um tour.

De novo comecei a chorar um 'xururu' como diz a música, e um homem que estava sozinho a minha frente, de repente decidiu conversar comigo. É filipino. Estava ali passeando e vai embora na terça. Arranha o espanhol, de modo que fomos misturando os idiomas e conseguimos conversar. Ele não entendia nada de geografia, não sabe nada sobre o Brasil nem porque falamos português. Fui conversando e mostrando no mapa. A nossa frente, um canadense, em inglês, entrou na conversa mais adiante. Mas foram poucos instantes, pois chegou um bonde e só embarcamos nós dois. Eu decidira tomar a primeira linha que estivesse disponível, não era a mesma pela qual vim. Quando estavamos ja no bonde eu:

_ " Thak you, so much, to talk for me. I need."

Ele entendeu, obviamente, pois só iniciara a conversação para me distrair. Entrou um casal e eu cedi meu lugar, indo sentar ao lado dele. Já me decidira a descansar no dia seguinte, e ainda tinha mais um ou dois lugares que se podia visitar com o City Pass, além da condução. Entreguei para ele. Descemos no ponto final. Ele ainda tirou uma foto minha num bonde que estava parado.

Andamos um pouco, eu parei por achar um bom lugar para chamar o UBER, ele continuou. Apertamo-nos as mãos.

_ " Nice to meet you."

_ " Nice to meet you, too"

De novo com o Pool tive que andar um quarteirão. O frentista do posto disse que eu estava no lugar certo, mas como o motorista insistia dizendo que já chegara e não o víamos, ele corrigiu-se dizendo que era no próximo cruzamento. Acelero o passo de novo. O motorista pede desculpas mas não podia sair da rota por causa dos outros passageiros.

Sentei na frente de novo, apesar de já ter me decidido a não fazê-lo para não suscitar erros. Mas o casal já ocupava os lugares de trás. Acomodei-me e fiquei calada. Passamos pela parte baixa da ponte, onde se tem uma bela vista, que eu já observara no dia anterior e manifestei o desejo de ali passar. Desejo realizado. O Pool tem isso de vantagem, se o outro passageiro for um turista, como você, pode coincidir de ir a lugares em que bastam as fotos externas. Alguns lugares são assim, não requerem uma inspeção mais detalhada, no meu ponto de vista. Mas adoraria ter caminhado sobre a ponte se não estivesse tão cansada. As fotos abaixo foram as minhas preferidas.

Quando passava pela terceira vez na Golden Gate, não mais querendo tirar fotos, resolvi arriscar com o motorista contado meu caso, em inglês. Disse que pagara US$ 100 por uma viagem em que o motorista se perdeu.

_ " One hundred?" e fez uma cara admirada. 

Será que falei a quantidade errada? Para ficar mais fácil, arrissquei nos noveta e nove dólares. Ele falou para eu me reportar. Disse que passara por isso, uma viagem de US$ 10 virou US$ 30 e o UBER devolveu. Achou estranho o motorista se perder de San Rafael para San Francisco.

No histórico da UBER aparecia o preço correto, mas o e-mail que recebi mostrava os US$ 100,47. Mostrei ambos para ele e disse o quanto estava triste por isso. Ele disse imaginar, com US$ 80 de diferença. Ele por bem menos já ficara bravo. Fiquei feliz por, com calma, conseguir entabular uma conversa tão difícil. 

Quando cheguei ao hotel,  um novo e-mail do ( ou da?) UBER dizia que lamentava o engano, que já tinha sido passado para meu meio de pagamento o acerto, que podiam demorar de 3 a 5 dias para processá-lo. Mandei o e-mail para minha filha Débora, que fala muito bem o inglês e também o português para saber e eu teria que tomar alguma providência ainda. Ela disse que não. Isso me deixou mais aliviada. Mas não menos triste.

E todo o sol que tomei, percebi que estava com febre, aliada ao cansaço. Não vou escrever nada hoje, Só tomar uma ducha quentinha e dormir. Nem comer eu tive vontade. Só comi meia barra de chocolate com caramelo, que sobrou de ontem.

E não vou mais a Yosemite, está muito longe daqui e vai me levar a exaustão. Na próxima vez que aqui vier será de carro e acompanhada. E talvez nem passe por San Francisco. Se você gosta de 'muvuca' e badalação, sim fique por aqui, e não se incomode de pagar um pouco mais para ficar num lugar mais central. Se não, pule.