FINAL DE SEMANA EM CASCAIS, APROVEITANDO O QUE A CIDADE TEM DE MELHOR

17/07/2020

Minha acomodação é um pouco longe da praia e do centro nervoso da cidade de Cascais, de carro são três quilômetros. E estou numa região residencial, e não vi por perto nenhuma área comercial.

Assim sendo, aceitei a recomendação de minha amiga Monalisa, que vive aqui perto, e me disse gostar da Pastelaria A Sacolinha. E vi que ela fica perto das praias mais centrais, justamente as que pretendia visitar após o desjejum. É uma pastelaria grande, com bastante movimento, localizada ao lado do aglomerado de restaurantes que deliciam os visitantes com seus frutos do mar fresquíssimos. Detalhe, eles não aceitam cartão, e eu não tinha dinheiro. Pois saí tranquilamente para procurar um ATM (terminal de saque), duas quadras acima. A única coisa que a atendente fez foi perguntar meu nome e sair comigo para mostrar onde achar o Terminal. Vou sentir falta disso.

Deixei o carro no Parking público, com tempo suficiente para fazer meu roteiro. E depois do café fui para a Praia da Conceição. E foi a primeira vez que vi praia cheia em Portugal. É certo que estamos muito perto de Lisboa. A cidade de Cascais é sinônima de praia lisboeta. Mas confesso que estas aqui nessa região me deixaram decepcionadas.

O mar parece muito uma piscina, mas demais. Sem nadinha de ondulação do mar. Só areia e gente, completamente sem graça. O que dava um charme era o Palácio dos Duques de Palmela, lá no final. 

E por ele eu segui em frente. E depois dele vi um local distinto. A piscina oceânica Alberto Romano. Com arquibancadas onde as pessoas estendem suas toalhas para tomar sol, e uma piscina de concreto que o mar enche quando está alto. Um pouco adiante um cantinho de nada de areia, mas o pessoal aproveita mesmo assim.

E era hora de retornar, pois a Praia da Rainha é mais próxima de onde deixei o carro. E mesmo sendo bem menor, com algumas características semelhantes, essa é mais bonita, com alguns rochedos enfeitando-a.

Para chegar nestas praias passamos por ruas de pedestres com comércios voltados ao turismo, e vendem-se desde lembrancinhas a artigos de praia. Talvez eu volte para dar uma olhadinha depois. Estou com vontade de gastar uns trocados.

E logo adiante estava o Palácio Seixas, e também ao lado de uma praia. A Praia da Ribeira, e ali já avistei meu carro. Essa é maior e deve ser a mais popular. Ao longo dela tem um belo calçadão praiano, ajardinado, e o piso é de cacos em ondas, como os de Copacabana no Rio de Janeiro.

Segui por ali e lá na frente vi a bela fachada do Museu da Vila e Câmara Municipal. E junto dela a estátua de Dom Pedro I de Portugal.

Queria ir até o Palácio da Cidadela de Cascais, e subi a Avenida. Achei que só teria tempo de ir até ali, antes de vencer meu horário de estacionamento. Mas quando cheguei ao alto, e vi uma fortaleza enorme, quis cercá-la. E descobri ser a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz. Então o Palácio está inserido nela, creio eu, já que só fiz a visualização. Vendo estes lugares, e depois de uma conversa com um primo, fico pensando nessa onda de destruição de estátuas e monumentos que representam, segundo os agressores, culto ao fato histórico, além de uma simples lembrança. No meu entendimento, assim como os livros, são retratos de uma época. A interpretação que se faz de um livro ou de um ícone é problema de quem interpreta. Não é razoável a destruição de patrimônio cultural. Assim como não se apaga a história, a destruição dos símbolos só prova a pobreza de argumentos de quem não vê outro meio de convencimento senão o uso da força. Só acho.

E quando cheguei adiante e vi uma escada de madeira, quis ver o que havia além, já que ainda tinha tempo. Era tudo muito perto, e o único inconveniente era o sol escaldante. E meu protetor não estava dando conta. No final da escada, olhando à direita, avistava um farol. E no meu roteiro ele era o último destino do dia. Então vou chegar mais perto por aqui mesmo. Porém, se eu quisesse entrar, teria que dar uma imensa volta. Cheguei o mais próximo possível do Farol do Museu de Santa Marte, e já aproveitei para ver a Marina de Cascais.

Na volta eu tinha a boca seca. E achei uma lanchonete no caminho, logo após subir a escada de madeira, e vi que eles preparam sucos naturais, o que é muito raro por aqui. E ela tinha três opções:

. Tangerina com laranja

. Abacaxi com frutas vermelhas

. Limonada.

Achei que o último atenderia melhor a minha sede. E ela me avisou:

- A limonada é feita sem açúcar, você vai querer?

- Se tiver adoçante eu prefiro.

Pois ela fez um copo enorme de limonada, das mais gostosas que já provei, com pedacinhos minúsculos de casca. E estava no ponto de azeda e de fria.

Quando fui pagar, já que ali ela aceitava cartão, pedi uma água também e aproveitei para elogiar.

- Estava ótima. Você já experimentou colocar um pouco de leite condensado? No Brasil é comum fazermos isso, e chamamos de limonada suíça.

- Eu não posso colocar nem açúcar aqui, quem dirá leite condensado.

- Mas experimente fazer em casa.

- Boa ideia, eu farei isso.

E lá fui eu, com uma necessidade satisfeita, e agora preocupada em chegar a tempo no carro e depois procurar um banheiro.

Coloquei moedas para mais uma hora. Estou na zona de estacionamento azul, é mais cara que a zona laranja, de ontem. Aqui o limite de 4 horas sai por seis euros.

E perguntei a um comerciante que me disse que banheiro público só na rotatória. Bem perto do ATM que usei mais cedo. E agora, sem tanta pressa, vi que no local tem um bonito carrossel. E a funcionária que o administra me disse que o banheiro dali estava fechado, mas logo adiante, na galeria do Restaurante Fogo de Chão, têm sanitários.

E além da disponibilidade, limpeza. O fato de descartarem o papel higiênico no vaso sanitário ajuda a manter o banheiro limpo.

E agora podia dar uma olhada nas lojinhas. E voltar para o hotel, apesar de ser cedo. Mas passei num supermercado e comprei frango assado para almoçar no quarto. E algo para lanches, e não preciso de mais nada além de banho e descanso. Porque amanhã tem mais.

E no domingo marquei com a minha amiga Monalisa um café da manhã na Pastelaria Sacolinha, às 10 horas. Levantei-me cedo, mas recebi uma mensagem dela, pelo Instagram que iria se atrasar. E remarcamos para às 10h30. Tendo aprendido com a família de meu marido a pontualidade, uns mi nutos antes eu cheguei lá. E digo com a família dele não porque minha família não fosse pontual. Eu não o era. E depois de casada queria agradar à nova família, e evitar caras feias. Quando cheguei já não consegui achar lugar na rua para estacionar. E coloquei num parking pago, subterrâneo.

Quando a Monalisa chegou, estava ainda pior, e ela só conseguiu para o carro bem longe. Às 11 horas eu entrei na Pastelaria e fiz meu pedido. Ela chegou logo em seguida. E tendo passado mal no dia anterior, só pediu um suco, e uns biscoitos para levar para seu namorado, que estava vindo com o cachorro deles.

Foi muito bom revê-la. Trabalhamos juntas por três anos na cidade de Cotia. E ela está em Portugal há quase dois anos, tendo assumido a nova Pátria como residência definitiva. E de tanta conversa e gesticulação, quase agredimos dois garçons que passavam ao lado de nossa mesa. Eles evitaram a colisão com nossos braços falantes. Kkkk

Aguardamos o Nono chegar já do lado de fora da pastelaria. E combinamos fazer meu roteiro de praia, mas deixando os carros estacionados perto de minha hospedagem, em área residencial e não paga. E de lá seguimos todos no meu Aygo que, inicialmente, não foi uma mudança bem-vinda para o Musk, o labrador preto de oito meses. Mas uma vez que ele acostumou com o passeio, difícil era tirá-lo de dentro do carro.

Fomos direto para a Praia da Tamariz, e paramos o carro ao lado do Jardim Estoril, amplo e bonito. Seguimos as mulheres na frente, e os meninos foram pela grama, até chegar ao túnel para pedestres que leva até a praia.

Essa não era a programação ideal para o Musk, a maior parte das praias que eu programei não permitiam cachorros. Mas descobrimos que em algumas delas existem áreas mais inóspitas, mas acessíveis, que possibilitaram um bom banho ao bichinho peludo.Passamos pelo grande Forte da Cruz e vimos que nessa grande praia, tinha um local com pedras, onde o Nono pode ingressar com ele, enquanto a Monalisa e eu avançamos para explorar melhor a praia.

Ao verificar a distância até nosso próximo destino, a Mona disse que era possível ir à pé, e decidimos ir até o Forte de Santo Antônio da Barra, num percurso grande com bastantes escadas, e descobrindo um pequeno estacionamento gratuito, e até outra praia para os cachorros.

Quando retornamos, fizemos um caminho um pouco diferente e esbarramos com uma motinho, sonho de consumo de minha amiga.

O Nono já estava num restaurante a beira-mar, com o Musk sob a mesa, aguardando nossa chegada para almoçar. Ele estava com um copo de Sagres tão convidativa que não resisti e pedi um copo da cerveja para mim também. Almoçamos Bacalhau com salada, queijo, o maravilhoso pão português, que não comi por estar evitando massas e doces. Mas que minha amiga disse que seu namorado come puro, em lugar da refeição, sem nenhum problema. Mas nem é para menos. O pão português é algo do que eles fazem de melhor. E o Nono ainda me disse que vem de uma família de padeiros. Cresceu no meio da confecção desta maravilha. Quase trocou o leite materno pelo pão. Não admiro gostar tanto.

A Monalisa encontrou um aplicativo da Prefeitura de Cascais por onde ela conseguia pagar os estacionamentos, o que nos facilitou muito. Só nessa praia previmos 40 minutos e ficamos o dobro do tempo.

E todos dentro do carro novamente, lá vamos nós conhecer a Cascata Cai Água, local que eles desconheciam. Mas também não avistamos a cascata. Só o provável local, onde um ribeirão quase seco chega e foma uma lagoinha na pedra. E uns patinhos nadavam ali, para garantir a beleza do local. E fomos caminhando por aquela trilha a beira do mar, num local mais adequado para não ferir as patas do Musk, pois o concreto e o asfalto estavam pegando fogo, com um calor em torno de 36 graus.

Algumas praias que coloquei no roteiro, eu via de longe, como a de São Pedro do Estoril, a da Bafureira, e a da Parede. Elas eram todas bem parecidas, com o mar calmo, muita gente tomando sol na areia, com os guarda-sóis coloridos. E no caminho de outras, conheci umas que não programei.

A Praia das Avencas não era conhecida de meus anfitriões, e descobrimos juntos que se trata de uma reserva marítima, com muitas pedras e vida aquática, e uma bonita praia. Ali minha amiga resolveu se refrescar, mas a praia de pedras não me animou a fazer o mesmo. Ela me disse que estavam muito cheias de limbo e escorregadias. Mas ela é jovem, sabe nadar, e foi com muito cuidado. O nono queria trazer o Musk para nadar um pouco mais, mas havia outros cães menores no local, e ele ficou receoso de se alvoroçarem. Mas os cachorros se afastaram e ele pode trazer o labrador para mais uma banho de mar.

Eles haviam prometido ao cão um domingo de passeios, mas não imaginavam que seriam tantos. Paramos num estacionamento junto da Praia da Torre, em Oeiras, e nessa hora já não precisava mais pagar, pois passava de 19 horas. Mas o dia estava muito claro, o sol quente, e era a hora mais agradável do dia para passear.

Um rabo de baleia me convidou a umas poses, e o Gilberto Gil fez o resto, junto com o celular nas mãos da Monalisa.

A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade o busto de uma deusa Maia
Metade um grande rabo de baleia

A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia...

(Gilberto Gil)

Depois avistamos a Marina de Oeiras, e o Farol do Cabo Bugio. O Nono me disse que ali mesmo, naquele marco, termina o Rio Tejo e começa o Oceano Atlântico. Lá longe a Ponte 25 de Abril atravessa, vermelha, o Rio Tejo, ligando Lisboa a Almada. E um coração nos convida a marcar este reencontro, celebrando a alegria e a amizade, o amor e a vida.

O sol já está baixo no horizonte, prateando ás águas do mar, e eu ainda queria avistar a última praia do roteiro, a de Carcavelos, passando pelas prias Gêmeas, onde fica fácil entender o nome escolhido. Descobri depois por meu primo, que seu irmão, o querido Luciano (falecido), morou em Carcavelos por algum tempo, mas não se adaptou e voltou ao Brasil.

Antes de finalizar o dia ainda ocorreu um lindo encontro entre o Musk e a Gabriela, uma labradora marrom de três anos. Eles brincaram como se fossem velhos conhecidos (eu fiz alguns vídeos dessa jornada, vejam no Instagram ou no Face). Ele ainda tinha fôlego para pular. 

Mas quando encerramos nosso passeio em frente ao Cascais Jasmim Doce, nem ele queria mais conversa. Até para descer do carro foi um sacrifício, e enquanto nos despedíamos, os humanos, ele se deitou na rua para descansar. Foi fatigante para o corpo, mas extremamente revigorante para a alma. Minha velha amiga Monalisa, e meu novo amigo Nono são pessoas do bem, bons de conversa, que têm aquela energia gostosa, que faz a gente querer estar junto. E o Nono me classificou como divertida, depois de ter me perguntado se sou sempre assim, sorridente. Eu disse que sim, mas só quem me conhece que pode dizer. E minha amiga completou o elogio dizendo que comigo não falta assunto. Então, além de um bom passeio físico, fizemos um excelente passeio no mundo das ideias. Obrigada amigos. Vocês nem imaginam como me fez bem estar com pessoas queridas neste momento.