Fim de Semana em LISBOA com Cristina.

09/03/2020

Sexta

Revisitar lugares que a gente gostou com quem a gente gosta torna tudo mais prazeroso.

E foi assim que sai às 7 horas de Beja em direção ao aeroporto de Lisboa para receber minha querida amiga Cristina, sim, aquela mesmo que vocês já ouviram falar algumas vezes aqui no blog, como minha assessora, editora, conselheira, e muito mais. Amiga desde 1992, por força do destino e do trabalho, e que em função desse encontro de almas irmãs, acabou se tornando minha madrinha de casamento.

E fizemos planos para conhecer, neste final de semana, alguns lugares desta linda cidade. Alguns conhecidos por ela e não por mim e vice-versa. E outros desconhecidos de ambas já que esta cidade guarda uma enorme riqueza em atrações para todos os gostos. E depois seguiremos adiante, para o Norte deste belo país.

Mas nossa primeira parada foi para cumprir coisas de destino de outra pessoa, e entregar um documento numa empresa portuguesa, de um brasileiro que morou perto de Beja, e agora foi designado pela empresa para outro país, e que veio a conhecer uma amiga de Salto (SP), já que ele é de lá. Uma história que parece filme do Macgyver, na série, tudo se encaixando numa perfeição até duvidosa. Cumprida essa etapa, nos dirigimos ao nosso hotel, reservado pelo clube de turismo da Bancorbras, em que ambas somos sócias.

E apesar de ainda cedo, já nos autorizaram o check in. Fizemos um lanche com alguns artigos que preparei em casa, já que imaginei que ela chegaria com fome e sede e quis ser uma boa anfitriã.

E lá fomos nós para a estação Marques do Pombal do metro, onde passam as linhas amarela e azul, e pegamos o da linha azul sentido Reboleira. Mas depois que entramos, achei que demorava chegar na estação Restauradores, e fui verificar no mapa. Dito e feito, estávamos indo para o sentido oposto. Beleza, descer e trocar de lado é muito simples não fosse a condição de minha companheira que está se recuperando de uma torção do joelho que quase rompeu seu ligamento, e ao fato de que a maior parte das estações do metro não têm escadas rolantes. Creio que até têm elevador, mas não são fáceis de achar.

Mas com muito bom humor, afinal estamos nos reencontrando depois de mais de 10 meses, é a minha primeira visita em terras estrangeiras, nos damos super bem e somos ambas alegres e privilegiadas, enfrentamos todos os degraus e retornamos sentido Santa Apolonia.

Nosso primeiro destino foi a Fábrica de Nata, para comermos a sobremesa, já que o lanche fizemos no apart hotel. E pedimos um café, um bolinho de bacalhau e um pastel de nata cada uma.

Usamos a escada rolante que sai ali as restauradores para chegar à parte alta da cidade pois queria leva-la para conhecer o Convento do Carmo. Quando ela viu a inclinação da ladeira que nos conduziria ao nosso destino, titubeou. Seriam só 230 metros por degraus suaves, mas realmente é uma inclinação de uns 60 graus. Pesada. Mas fomos 'pianinho'.

Eu gostei muito deste local quando aqui estive a primeira vez, e quis ver qual a impressão que ela teria. Gostou, pelo que me disse, e teve a sensação de estar num local intergaláctico. Acho que um cenário de ficção científica. E observou algo que eu não tinha visto antes, e não viria agora se não fosse por seu olhar astuto. As interessantes formas que as sombras dos arcos formavam nas paredes, dada a posição do sol. Também pode ser que quando cá estive o sol estivesse em outro ângulo.

Entramos e fomos apreciar o acervo histórico, com fragmentos, túmulos, azulejos, livros e tantas peças ricamente trabalhadas em materiais diversos, até em alabastro.

Um ponto a considerar é o fato de ela cumprimentar os atendentes, os seguranças e outros empregados do local, coisa que também costumo fazer, e conseguimos entender como é a seleção de amigos. Ela tem relação com nossos valores pessoais. É onde procuramos os iguais. Não importa se ela gosta de verde e eu de azul, se ela é crente e eu ateu, se ela gosta de tênis e eu de futebol, se ela gosta de samba e eu de forró, nem se temos convicções políticas diferentes. Se conversarmos sobre estas divergências, debateremos e somaremos, aprenderemos com nossas diferenças. Mas é no que somos iguais que nos atraímos, e isso tem relação com caráter, com essência, com energia. E nisso somos irmãs, e temos uma grande família de iguais. E nos respeitamos.

Depois assistimos a um filme sobre a história do convento, que eu não tinha visto na vez anterior pois cheguei quando já terminava a última sessão. E o filme é falado em português e inglês, alternadamente. Quando saímos ela me disse:

_ " Você sabe que entendi melhor com a fala em inglês?"

_ " E eu, que não consigo entender o inglês assim, falado rápido, fiquei sem entender nada, porque este português também não consegui entender, cheio de 'sssssssssss' e ôôôôô.

E ela ficou feliz em ver que não é só ela que não entende o português com o sotaque lusitano.

Seguimos para o elevador Santa Justa, logo ali ao lado, e a deixei para voltar e registrar uma nova foto da porta de entrada do Museu do Convento do Carmo. O elevador nos dá a possibilidade de subir por uma escada em Caracol e ver a cidade de cima. Acho que por cansaço e pelo horário tardio eu não subi da outra vez, e dessa o fiz sozinha, pagando 1,50 euros, já que a escada não seria apropriada para ela, em função do joelho. E a vista lá de cima é bem legal, tanto para ver o convento, como a Praça do Rossio, e o Arco da Rua Augusta, além os tetos do casario em volta.

Uma escada que sobe, outra que desce, voltei rapidinho. O vento lá em cima estava forte e frio, e ela pouco agasalhada.

Usamos o elevador para descer, uma cabine enorme de madeira e vidro, com aquele sistema antigo de portas, por um custo de 5,30 ida e volta, mas só fizemos a descida. E saímos perto da rua Augusta, tão famosa, e que eu conhecia desconhecendo.

Ainda encontramos um vendedor de castanhas assadas na Rua Augusta e como já aprendi que fazem meia porção, pegamos uma que custou 1,50 e vem com seis castanhas.

A Cris comentou que ali havia outra loja da Fábrica de Nata e uma loja de croquete de bacalhau delicioso. É a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau. Eles vendem um kit onde a taça de vinho do Porto e o tabuleiro de madeira com o croquete sai por 12,50. Meio caro, mas valeu a pena. A Cris não quis o vinho, só bebericou do meu, e o croquete de bacalhau é recheado com queijo da Serra da Estrela. E eu não quis levar as lembranças (taça e tabuleiro) porque já tenho taça em casa, seria só para correr o risco de quebrar e causar um acidente.

Pensamos em subir no Arco da Rua Augusta, mas tem 70 degraus após o elevador, e eu já tinha feito este programa. Saímos para a bela Praça do Comércio e fomos curtir a praia do Tejo. O sol estava presente e as nuvens da manhã já haviam desaparecido. Estava gostoso curtir o solzinho, sentadinhas, saboreando a brisa, que com o sol fica agradável.

Nosso último destino de hoje era a Rua Rosa, e resolvemos fazer os menos de 700 metros até lá a pé. Devagar, sem pressa.

E passamos em frente ao prédio da Administração da Marinha, com um espelho de água, e o que eles chamam de ilhas flutuante, feitas com espécies vegetais para depuração da água. Mais que bonito, interessante e ecológico.

Depois um gramado faz as vezes de praia para os jovens tomarem um pouco de sol, relaxarem e conversarem.

E mais adiante uma casa azul contrastava com o azul do céu. E as árvores faziam o contorno ideal para destaque de sua cor.

E chegamos à Rua Pink. Seu chão pintado de rosa, passando por um túnel grafitado rendeu uma linda imagem fotográfica, mas a rua em si não é lá grande coisa, pelo menos no final da tarde, antes de iniciar o movimento noturno. É só uma rua a mais de casas antigas e alguns comércios noturnos.

E era hora de procurar um bom lugar para chamar o UBER de volta a casa.

E a parte ruim dessa chamada é que o motorista que aceitou a chamada estava do outro lado, em frente ao Cais do Sodré, e me ligou avisando que não conseguia chegar onde estávamos, e o aplicativo o avisou que nosso ponto de encontro era lá. Realmente, para mim aparecia para dirigir-nos ao Cais. E atravessamos o Mercado da Ribeira para encontrar o motorista. E andamos mais uns 200 metros.

Ou seja, minha amiga foi uma vitoriosa hoje, com todo este caminhar.

No hotel a deixei para cuidar de si enquanto fui ao Minipreço comprar umas sopinhas prontas para nosso jantar, já que certamente, quando cairmos na cama será mais como um desmaio.

E mesmo ela não gostando muito de sopa, eu acertei ao comprar uma de abóbora com gengibre, que ela provou no avião e gostou. E eu comi uma de cenoura com agrião, também muito boa. Uma mousse de chocolate cada uma, meio pãozinho português.

E agora, que também já cuidei de mim, eu vou escrever, enquanto a bela adormece, depois de uma longa viagem, belos passeios e um jet leg que ficou esquecido, até agora.

Sábado

Faz tempo que não tomo um café da manhã de hotel bacana. Estava com saudade. E tinha suco, iogurte, pães salgados e doces, frios, tomate, pepino, e até feijão, ovos, manteiga, geleias, cereal, frutas, café, chá, leite... Estava muito bom.

Não nos apressamos e desfrutamos do ótimo café após uma noite reparadora, onde as horas perdidas de sono na noite anterior foram parcialmente recuperadas.

E era hora de ir para o Parque Eduardo VII, só 900 metros do Hotel, mas com o problema no joelho da Cris, fazer este deslocamento a pé, andar no parque, voltar, ia nos tomar muito tempo. Assim fomos de carro com a ideia de seguir direto para o Shopping Colombo, onde iriamos procurar a Primark, uma loja de departamentos com bons preços, já conhecida por ela.

Coloquei o carro no estacionamento subterrâneo, conforme orientação da recepcionista do hotel, e fomos apreciar o lindo Parque, em pleno sábado de sol, com algumas pessoas fazendo cooper, e muitas caminhando e tomando sol, e simplesmente apreciando a beleza do lugar. Uma subida leve, mas um pouco mais longa, nos leva a uma extremidade de onde avistamos o gramado com seus arbustos em labirinto, a cidade e o rio Tejo iluminado pelo sol, ao fundo. Só esta visão já faz valer muito a pena a visitação deste parque. A Cristina me disse que é comum encontrarmos ciganos no local, para ter atenção, mas eu afirmei que podíamos estar sossegadas poi hoje elas teriam conferência na casa de uma delas. E não as vimos por lá, só vimos mesmo pessoas gentis que nos ajudaram a não deixar o carro estacionado em local proibido, outro a achar a entrada do estacionamento e outro ainda orientando onde era o ponto da condução, que não era necessário, mas agradecemos para evitar muita informação.

Depois nos dirigimos ao Colombo, mas a teimosa aqui se enganou numa entrada a direita e entrei 40 metros antes do local, indo parar na Rodovia em direção a Almada, e o Maps recalculou e já informou a alteração de 4,5 km para 13,6km, observada pela Cristina, porque até aí eu ainda achava que estava certa.

Fazendo o caminho indicado, passamos sobre a Ponte 25 de abril e entramos num acesso à direita, onde vi a Via Verde, concessionária que habilita a passagem nos pedágios para cobrança posterior. E eu estava querendo fazer a adesão para facilitar esta viagem, e não consegui entender no site da internet se tinha alguma opção adequada à minha necessidade. E resolvi parar.

Quando olhamos, estávamos ao lado do Cristo Redentor, que é uma das atrações turísticas de Portugal, mas que não fazia parte de nossa programação. E ainda consegui fazer a adesão pagando 0,49 mensal sem fidelização, e os gastos serão debitados semanalmente na minha conta corrente, e posso cancelar o contrato devolvendo o equipamento quando for embora.

Voltamos para o carro, nem demorou muito, e instalei o dispositivo. Religuei o Google Maps e sai, andei uns metros e antes de reentrar na Rodovia a Cristina observou que teríamos que andar 106 km para chegar.

_ " O que? Como assim? Deve haver alguma coisa errada."

E fui mexer de novo conferindo o endereço, foi quando ela disse:

_ " Será que não está evitando pedágios?"

E troquei esta opção, reduzindo o caminho para uns 13 km mesmo.

Ainda assim tentei fazer o caminho que parecia ser o correto, mas este era só para uso da concessionária, Via Verde. Mas um simpático funcionário que estava instalado numa casinha, junto às cancelas, veio ter conosco e nos orientou o caminho. E com portagens. E coloquei também no Google, e quando entrei na Rodovia ele se acertou e fizemos o caminho correto. Usamos a passagem pela Via Verde e tudo funcionou que é uma maravilha.

E lá vamos nós de novo. E num instante o Colombo apareceu à nossa direita. Mas pensa que há um acesso direto ao belo Shopping ? Não, tem que fazer um baita ziguezague pela esquerda até chegar lá. E eu acertei de primeira? Claro que não. E quando tentava refazer o caminho acabei fechando um outro carro que evidentemente, ficou bravo, e também com medo de mim, mantendo distância.

Faço nova volta e agora lembrando que depois tinha que entrar à direita, junto de onde havia uma fileira enorme de táxis.

E o enorme estacionamento tinha muitas vagas disponíveis. E o shopping é mesmo uma graça.

Achamos fácil a Primark, após a orientação de uma mulher que encontramos no banheiro. E nela, achamos, também com ajuda, o que a Cris foi procurar. E depois fomos bisbilhotar, achando mais algumas coisinhas interessantes.

Queríamos também uma farmácia, mas jã era mais de uma da tarde e a fome falou mais alto. Escolhemos um restaurante de comida portuguesa onde comi bifinhos de peru com natas, arroz e batatas fritas, com uma morangada e paguei 7, 25 euros no menu. A Cris escolheu bacalhau a Lagareiro, com batatas assadas e brócolis, uma água saborizada e disse que gastou o dobro de mim. Satisfeita essa necessidade básica, pensamos que agora iriamos voltar ao hotel para fazer algo da programação do dia. Mas aí vi uma loja da ASICS e resolvi olhar. Eu praticamente só ando de tênis para todo lado. Comprei o sapatinho de couro na Itália, mas ele não serve para longas caminhadas, deixa meu pé muito solto. E como o outro tênis rasgou... Achei um kayano, para pisada pronada, numa cor muito linda. E meias... mais meias. E a Cris também acho achou um para o tipo de pisada normal e aproveitou. E ficamos todos felizes, inclusive o vendedor, que tinha um tom de voz muito grave e falando português de Portugal, eu precisava da Cris como minha tradutora/intérprete.

Agora sim, podemos ir para o carro... Não vamos tentar ver o Táxi Free, para devolução do IVA (importo cobrado dos cidadãos ao qual os turistas têm direito de devolução). E agora vamos para o carro. Tiramos até foto da vaga do estacionamento. Mas por onde mesmo nós chegamos lá?

E desce aqui e acolá, saímos numa zona azul das letras J, K, L. O nosso carro estava na zona laranja, letra M. Primeiro um guardador dos carrinhos de supermercado nos orientou como chegar ao piso -2. Depois um outro funcionário do estacionamento me nos ajudou a achar a zona laranja.

E já era mais de 15 horas. E às 17 horas tínhamos um passeio de barco pelo Tejo. E tudo foi dando certo até um taxista passar gesticulando muito com a mão esquerda, reclamando sei lá do que. A Cris achou que ele podia estar com pressa por causa de, por exemplo, uma caganeira... Aí supus o que podia ter acontecido para ele balançar tanto a mão, que uso podia ter dado para ela. Eu também estaria irritada. Kkkk

Chegamos ao hotel com tempo só para deixar as coisas, usar o banheiro e chamar o UBER, que ficou em 3,99 euros. Descobrimos, perguntando ao motorista, que aqui em Lisboa não há valor mínimo para corridas. Ele mesmo já pegou corrida por 1,80 euros.

Mas ele nos deixou no local errado. E seguiu. E quando fomos verificar, a grande Doca de Alcântara, estávamos a quase 1 km ainda do portão 3. Mas passamos ao lado do carro e ele nos viu e perguntou. No fim, entramos no carro com ele e fez por 2,50 o restante da corrida, que era o preço indicado no UBER. E chegamos com 20 minutos de antecedência ao Skipper Bar, local de troca do bilhete e próximo ao embarque.

Viajamos num pequeno veleiro, mas como o trajeto seria no rio, não nos preocupamos com náuseas e pudemos até tomar a bebida de brinde que acompanhava cada ingresso. A Cris um vinho branco, eu uma cerveja, que por sinal estava muito gostosa.

A Marlin Tours nos ofereceu um excelente passeio, o dia estava lindo e pudemos ver um lindo por do sol, justo junto à Torre de Belém e ao Padrão do Descobrimento. E pudemos desfrutar da brisa, do balanço gostoso do veleiro no rio, do sol, um momento relax. 

E a navegação foi toda um sucesso. No começo com bastante sol, quentinho. Observando as cidades do entorno de Lisboa e a capital também. As construções, a ponte, o Cristo, a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos... A lua cheia e o lindo por do sol. Tudo perfeito. O vento começou quando o sol se pôs, e ficou muito frio, de repente. A Cris se abrigou na parte fechada da embarcação, mas logo chegamos ao Porto. 

O Francisco, que era o capitão, o garçom, o guia e o marujo, foi muito solícito e ajudou-nos, tanto na entrada como na saída do barco, quando até nos acompanhou pela íngreme rampa de acesso à avenida.

E o UBER da volta era marido de uma paranaense de Maringá. Já rendeu conversa com a Cris, já que os sogros dela moram nesta linda cidade brasileira. Pagamos 4,75 euros nesta viagem.

E queríamos jantar no restaurante Cabacinhas, ao lado do hotel, mas acho que ele só abre para o almoço.

E vimos uma farmácia na Avenida, e ao lado dela tinha um restaurante. Quando vi o nome, falei para ela:

_ " Já que não deu para jantarmos no Cabacinhas, vamos comer neste SIMPLI mesmo.

Simpli era o nome da padaria, mas o trocadilho e o cansaço nos fizeram rir muito. E ali tomamos nosso lanche final.

E invertemos os valores do almoço, a Cris comendo um lanche com chá. E eu, gulosa, comendo o mesmo tipo de lanche com um balde de suco de laranja, e mais um pedaço de bolo Red Velvet com chocolate quente.

A gaúcha que nos serviu disse que, se sobrasse bolo ela poderia embrulhar para eu levar. Tá bom. Sobrou uma amêndoa, que não comi. Kkkk

E a Cris ganhou um pão de canela, pois como a padaria ia fechar, toda a sobra é jogada fora. Que dó. Os funcionários levam um pouco, e às vezes dão para algum cliente ou pedinte, mas...

E assim termina mais um dia de muita risada, onde prevaleceram os planos de Deus, com satisfação e sem reclamação.

Domingo

Depois de iniciar o dia com a mesma rotina inicial do sábado, só que com um pouco mais de rapidez e agilidade já que tínhamos hora marcada para entrar no oceanário (10h). Fomos até a estação Marques do Pombal, do metro, sentido Reboleira, descemos na estação São Sebastião e pegamos o metro da linha vermelha, sentido Aeroporto, descendo na estação Oriente. Preferimos fazer assim para poder passar no Parque das Nações, que foi onde começamos as visitas de hoje. É um lindo lugar e pena que já chegamos ali faltando 20 minutos para às 10 horas, o que não nos permitiu desfrutar muito. Ainda tiramos uma foto com o Lince, e da estátua que parece de capoeira. O dia estava lindo novamente. E logo ali estava o oceanário.

Já tínhamos comprado o ingresso ONLINE, e neste horário estava bem tranquilo.  Deixamos blusas e água no armário guarda volumes e subimos de elevador até o 2 andar onde acontece a exposição Florestas Submersas. Este é um local mágico e intenso. Já na minha primeira visita a este local tive um momento de contemplação e conversa comigo mesma. E a Cris captou este sentimento. Aproveitamos os bancos que estão dispostos em frente ao aquário, olhando os peixinhos e a vegetação submersa, ouvindo a música. E conversamos. E de dentro de nós foi revelada uma complicada rede de sentimentos que estava lá no fundo, vindo à tona e assim como o vidro revelou a vegetação, também as emoções afloraram. Foi um momento profundo que só as verdadeiras amizades revelam. Gente que confia, e confiando se expressa. E momentos que sabíamos que viveríamos nesta experiência, assim como os de riso, de ternura, de cansaço. Momentos de gente que não teme ser vista por dentro. E acho, no fim, que a floresta está submersa num oceano de lágrimas, de emoção e de alegria, despertos por este lugar, mas só para aqueles que estão sensíveis e abertos a vivenciar esta experiência.

Depois iniciamos nossa experiência pelos andares em torno do aquário principal, encontrando espécies dos oceanos Pacífico, Índico, Atlântico, e Antártico, numa interligação que traduz o conceito da exposição "um oceano".

As arraias e o peixe lua, que já me fascinara na visita anterior foram as estrelas de hoje também. A Cris viu um cartaz que explicava que o peixe lua gosta de ficar boiando na superfície, para tomar sol e para que aves ajudem-no a se limpar dos parasitas, mas tornam-se assim alvos fáceis de pesca.

Um cardume de peixes prateados e seu movimento preciso, parecendo uma formação militar, foi alvo de filmagem e fotos. (assistam no Instagram @lessa meyre ou no Facebook, Meyre Lessa).

Depois os pinguins nórdicos com seus bicos diferentes, onde ela afirmou a 'decepção' em descobrir que os pinguins também têm penas.

E ainda os pinguins de Magalhães, encontrados nas águas geladas do hemisfério sul.

As contundentes estátuas de lixo, e os alertas contra a degradação dos mares pelo homem.

As lontras com uma imensa quantidade de pelos (155 mil por cm2), para com pensar a falta de gordura subcutânea, sua grande agilidade e atividade constante, seu jeito brincalhão, carinha bonita e grande carisma, fazem com que as pessoas se detenham por um pouco mais de tempo a observá-las.

E dentro do Oceanário havia um grupo escolar com crianças na faixa de 5 anos de idade, conduzidas por algumas professoras e um professor com um talento tão grande, que ficamos a observar o olhar de admiração e atenção dos pequenos, que olhavam maravilhados o mestre e os tanques, com os alvos das explicações. Cruzamos com eles algumas vezes e deu gosto observar a arte de ensinar, o que fez a Cris comentar sobre a importância da educação e a baixa remuneração por falta de valorização do professor no Brasil.

O choco também chamou nossa atenção, com seu formato esquisito e por ele ter respondido ao chamado de minha companheira para que abrisse a boca.

O trombeteiro com seu bico grande, de trombeta.

E uma série de rãs coloridas, e miúdas.

E os peixes riscados, que parecem prisioneiros, ou que estão prontos para dormir, em seus pijamas listrados.

Os Dragões-Marinhos, espécie de cavalos marinhos também são encantadores em suas camuflagens imitando algas marinhas.

E uma profusão de peixinhos coloridos, de formatos variados, como o nosso imaginário atribui a um verdadeiro aquário.

Resolvemos almoçar no restaurante do Oceanário, e comemos linguine preto, com tinta de lula. Os acompanhamentos foram escolhidos por nós e fizemos pratos muito diferentes, eu com bacon, queijos e algas marinhas. Ela com salmão, azeitonas, brócolis. E o molho de parmesão para ambas. A Cris pediu uma taça de vinho para acompanhar e eu tomei um suco de goiaba com manjericão. Estava bom e foi uma refeição leve.

Uma cascata semi circular de água estava ligada quando saímos, e tirei uma foto dela, lembrando de minha mãe num local parecido em Lima, no Peru.

E acrescentamos em nossa programação um passeio de teleférico, de onde pudemos apreciar a bela ponte Vasco da Gama, com seus 12,3 km de comprimento, sendo a mais longa da Europa Ocidental, sendo a da Criméia, inaugurada em 2018, a maior da Europa.

Foi um passeio curto e divertido, onde fizemos selfies e tiramos fotos uma da outra. Fiquei a cara e o cabelo do Zacharias (personagem humorística do grupo Os Trapalhões, já falecido) em uma delas.

Dali também pudemos observar as esculturas de madeira imitando banhistas, num espelho de água, divertidas e interessantes.

E o Hotel Myriad, com sua enorme torre, onde a 'Cris' está hospedada., como confirma a foto abaixo. Sonhar nos é permitido.

Em frente ao hotel um táxi esperava seu próximo cliente. O UBER eu cotei em 16 euros até o Mosteiro dos Jerônimos. E o taxista me disse que até lá gastaríamos uns 10 euros. E como somos mulheres muito abençoadas, e que em linguagem comum chamam de sorte, o motorista é guia turístico habilitado, e foi nos contando algumas histórias do Portugal dos Descobrimentos, falou das relações com a Espanha, do desgostar gratuito entre os povos de ambas as Nações, herança de uma história antiga que o tempo está se encarregando de dissolver após a integração à Comunidade Europeia, Falou dos Jerônimos, de Sintra e suas atrações, E foi o trajeto mais rico que muitos excursões com guias contratado, mas o preço final ficou em 15 euros, que pagamos com satisfação e elogiando a atuação de nosso transportador.

O Mosteiro, em estilo Manuelino, que para mim muito se assemelha ao rococó, mas deve ter suas marcas diferenciais, bem como a Igreja, são realmente deslumbrantes, com todos aqueles entalhes nas paredes, colunas e arcos. A visitação à Igreja é gratuita. No Mosteiro, deixei a Cristina na entrada e fui até o outro portão comprar os ingressos, em máquinas automáticas, sendo o valor de 10 euros a normal e 5 a de maiores de 65 anos.

Ela já conhecia o Mosteiro e permaneceu no andar térreo, eu explorei o andar superior, que dá uma nova perspectiva ao conjunto, e depois com ela fui ao refeitório e à sala do Capítulo. Muito interessante observar que cada arco e coluna tem desenhos diferenciados, cheio de simbologia, inclusive maçônica. É mesmo uma atração imperdível.

A igreja contêm as réplicas dos túmulos de Pedro e Inês de Castro, a verdadeira história de amor da monarquia portuguesa, que se assemelha ao conhecido romance Romeu e Julieta, de Shakespeare. E confirmamos com o taxista que disse que os túmulos originais encontram-se em Coimbra.

Na frente do Mosteiro solicitamos um UBER para ir até o Museu dos Coches, e pagamos 2,50. Este museu eu já conhecia, mas gostei e queria compartilhar com minha amiga. Espero que ela tenha gostado. O ingresso ali, até às 14h de domingo, e em todos os museus Públicos de Portugal, é gratuito para residentes. Mas como já era quase 4 da tarde, paguei 8 euros e a Cristina pagou 4 euros.

Neste Museu não tirei muitas fotos pois já fiz um post em julho do ano passado.

E depois fomos ao café que há logo em frente ao Museu, onde fizemos um café da tarde caprichado, que servirá de jantar, comendo tostas, tomando chá e provando as delícias da confeitaria portuguesa.

Encerramos andando de Mercedes com outro motorista da UBER, até o hotel, e dessa vez a Cristina foi atrás, sentindo-se quase em uma limusine de tão grande que era. E eu, na frente, pude ver e registrar a foto da linda lua cheia que estava no céu, parecendo um globo de luz, e algumas nuvens refletiam o dourado do sol, formando um lindo cenário.

Que delícia de final de semana. E amanhã, Peniche.